Avicultura Comércio com 36 países
Paraná tem melhor semestre da história na exportação de ovos
Foram 5.515 toneladas exportadas para 36 países, contra 3.721 toneladas no primeiro semestre de 2023, até então o melhor resultado. A receita também aumentou em 24,5%, passando de US$ 18,7 milhões no ano passado para US$ 23,3 milhões em 2024.

A exportação de ovos e derivados cresceu 48,2% no Paraná no primeiro semestre de 2024, em relação ao mesmo período do ano anterior. É o melhor resultado da série histórica, iniciada em 1997. Foram 5.515 toneladas exportadas para 36 países, contra 3.721 toneladas no primeiro semestre de 2023, até então o melhor resultado. A receita também aumentou em 24,5%, passando de US$ 18,7 milhões no ano passado para US$ 23,3 milhões em 2024.

Os dados constam no Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado na quinta-feira (08) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Os itens que compõem o “complexo ovos” são os ovos férteis destinados à incubação e pintos (material genético), ovos frescos com casca, ovos cozidos e secos, gemas frescas e cozidas e ovoalbumina. O item mais representativo é de ovos de aves da espécie Gallus domesticus, para incubação, representando 98% da pauta total do Paraná.
Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o México foi o principal destino dos produtos do complexo ovo no primeiro semestre deste ano no Paraná. Foram 2.302 toneladas exportadas, com receita de US$ 10,1 milhões.
Dois países do continente africano aparecem na sequência. O Senegal importou do Paraná 1.109 toneladas, com receita de US$ 4,3 milhões, seguido de perto pela África do Sul, com 1.089 toneladas e US$ 4,7 milhões de receita cambial. Outros dois países da América do Sul completam o top cinco de maiores importadores. O Paraguai é o quarto destino dos ovos paranaenses, com 647 toneladas e US$ 2,4 milhões, e a Venezuela, com 294 toneladas e US$ 1,4 milhão, ocupa o quinto lugar.
O ovo paranaense também possui mercado em países menores do que o próprio Estado. Chipre, no Oriente Médio, por exemplo, comprou 375 quilos no primeiro semestre. O país tem uma população de 1,2 milhão de habitantes, quase dez vezes menor que o Paraná. Antígua e Barbuda, no Oceano Pacífico, tem 93 mil habitantes e comprou dos produtores paranaenses 158 quilos.
Além de estar entre os principais exportadores de ovoprodutos do Brasil, o Paraná também figura entre as principais portas de saída dos ovos e seus derivados para

outros países. A Alfândega de Foz do Iguaçu registrou a saída de 1.157 toneladas no primeiro semestre deste ano, o quinto maior índice do Brasil. Ao todo, foram US$ 4,6 milhões em receita que passaram pela cidade do Oeste do Paraná.
Outra porta de saída é o Porto de Paranaguá. Foram exportadas por lá 55 toneladas de ovo e seus derivados, com receita de US$ 94 mil. É o 14º destino de saída do Brasil, dentre 35 que registraram esse tipo de exportação.
Exportação nacional
O Paraná é o segundo maior exportador de ovos do Brasil, ficando atrás somente de São Paulo, que no primeiro semestre de 2024 produziu 6.771 toneladas, com receita de US$ 30 milhões. Na sequência vêm Rio Grande do Sul (3.768 toneladas e US$ 8,9 milhões), Santa Catarina (2.360 toneladas e US$ 10,1 milhões) e Mato Grosso do Sul (1.287 toneladas e US$ 2,5 milhões).
Dentre os cinco principais exportadores de ovoprodutos, Mato Grosso do Sul (+66%), Paraná (+48,2%) e Rio Grande do Sul (+35,9%) tiveram os maiores crescimentos, enquanto que São Paulo (-30,9%) e Santa Catarina (-13,5%) registraram queda no período.
Assim como no Paraná, o México destacou-se como principal importador de ovoprodutos do Brasil, com volume de 5.654 toneladas e receita cambial de US$ 24,3 milhões, ou seja, quase metade do que foi comprado pelo país (2.302 toneladas) veio do Paraná. Entretanto, a nível nacional o México reduziu o volume de importação em 37,8% e em 49,2% a receita cambial.
Na sequência vem África do Sul (3.161 toneladas / US$ 14,1 milhões), Chile (2.854 toneladas / US$ 6,6 milhões), Senegal (2.461 toneladas / US$ 9.5 milhões) e Emirados Árabes Unidos (1.129 toneladas / US$ 1,9 milhão).
De acordo com o Agrostat Brasil, no primeiro semestre de 2024 a exportação nacional de ovos atingiu 22.925 toneladas, volume 22,4% menor que o verificado em igual período de 2023 (29.578 toneladas) e o faturamento correspondente caiu 24,6%, passando de US$ 110,3 milhões em 2023 para US$ 83,2 milhões nesse ano.
A região Sul do País é a segunda maior exportadora, com 11.370 toneladas enviadas e US$ 41,4 milhões em receita. Na sequência vêm o Sudeste, com 8.846 toneladas e US$ 34,6 milhões; Centro-Oeste, com 1.951 toneladas e US$ 4,7 milhões; Nordeste, com 248 toneladas e US$ 912 mil; e fechando a lista, Norte, com 192 toneladas e US$ 294 mil.
Ovos para consumo
O Brasil ainda não tem tradição na exportação de ovos e ovoprodutos, já que quase a totalidade da produção é direcionada ao mercado interno, entre ovos férteis/reprodução, consumo in natura, indústria alimentícia e consumo institucional (merenda escolar e restaurantes, lanchonetes e foodservice). Há potencial para aumentar a participação no mercado internacional, à medida que a produção cresça.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta que a produção de ovos no Brasil poderá chegar a 56,9 bilhões de unidades em 2024, o que significará um crescimento de até 8,5% se comparado ao ano passado, que atingiu 52,4 bilhões de unidades. Quanto ao consumo de ovos, deverá crescer 8,5%, totalizando 263 unidades por habitante/ano. O Paraná produziu 434 milhões de dúzias em 2023, aumento de 7,1% em relação a 2022, maior resultado já registrado na série histórica.
Confira a e a .

Avicultura
Mesmo em baixa concentração, micotoxinas comprometem intestino das aves e dificultam diagnóstico nas granjas
Exposição contínua, mesmo em níveis baixos, reduz desempenho produtivo, altera a microbiota e gera sinais sutis que dificultam a identificação precoce nas granjas.

As micotoxinas seguem entre os principais entraves sanitários da produção avícola, com impacto direto sobre desempenho zootécnico, saúde intestinal e resposta imunológica das aves. Mesmo em níveis considerados baixos, a exposição contínua a essas toxinas pode comprometer funções fisiológicas essenciais, reduzindo a eficiência produtiva de forma silenciosa e dificultando o diagnóstico no campo.
De acordo com o médico-veterinário, mestre e doutor em Sanidade Avícola, Ricardo Hummes Rauber, o efeito cumulativo dessas substâncias interfere diretamente na integridade da mucosa intestinal e no equilíbrio da microbiota, com reflexos progressivos sobre a produtividade. “O problema é que, mesmo em baixos níveis, quando a exposição é crônica, as micotoxinas podem comprometer de forma importante a saúde intestinal. Elas reduzem a altura e a integridade das vilosidades, aumentam a profundidade das criptas, o que reduz a capacidade absortiva do intestino”, afirma.
Ele acrescenta que há impacto direto sobre as proteínas das tight junctions, estruturas responsáveis pela vedação entre as células epiteliais, cuja alteração aumenta a permeabilidade intestinal. Esse conjunto de alterações favorece um ambiente inflamatório persistente. “Ao mesmo tempo, há alteração da microbiota, com redução de bactérias benéficas, como alguns Lactobacillus spp., abrindo espaço para microrganismos oportunistas. O resultado é um intestino sob inflamação constante, menos eficiente e mais vulnerável, mesmo sem sinais clínicos clássicos de micotoxicose”, explica.
A discussão sobre esses efeitos será aprofundada durante o Bloco Sanidade no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, programado para ocorrer entre os dias 07 e 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), ocasião em que o especialista abordará mecanismos fisiológicos, além de estratégias de monitoramento, prevenção e controle.
Sinais iniciais passam despercebidos no campo
Na rotina das granjas, os impactos das micotoxinas nem sempre são identificados de forma direta. Antes de perdas expressivas de desempenho, os primeiros sinais tendem a ser difusos e frequentemente atribuídos a outros desafios sanitários. “Os primeiros sinais costumam ser discretos. Em geral, o que aparece antes é perda de uniformidade do lote, piora leve da conversão alimentar, maior variação de consumo, fezes mais úmidas e um intestino menos estável diante de desafios rotineiros”, detalha Rauber.
Segundo ele, a dificuldade de diagnóstico está justamente na sobreposição desses sinais com outras afecções entéricas. “Muitas vezes, antes da queda evidente no desempenho, o que se observa é perda de resiliência intestinal. Esses sinais são comuns a diferentes problemas entéricos, o que leva a equipe de campo a considerar outras causas como primárias”, pontua.
Coocorrência de micotoxinas amplia os danos
Outro fator que amplia o impacto sanitário é a presença simultânea de diferentes micotoxinas na dieta, fenômeno conhecido como efeito coquetel. Na prática, a contaminação múltipla é mais regra do que exceção. “Esse é um ponto crítico, porque as micotoxinas raramente ocorrem isoladas. É comum encontrar aflatoxinas, fumonisinas, DON, NIV e toxina T-2 ao mesmo tempo na dieta”, detalha o especialista.
Mesmo quando matérias-primas apresentam contaminação individual, a formulação da ração tende a reunir diferentes perfis de micotoxinas, resultando em exposição combinada das aves. “Cada micotoxina age por mecanismos distintos. Isso leva, no mínimo, a um efeito aditivo. No entanto, o que ocorre na maioria dos casos é a potencialização dos impactos, caracterizando efeito sinérgico”, expõe, enfatizando que essa interação intensifica os danos à mucosa intestinal, agrava o desequilíbrio da microbiota e amplia a vulnerabilidade das aves a infecções secundárias, com reflexos diretos sobre desempenho e eficiência produtiva.
Causas que ampliam impacto sanitário

médico-veterinário, mestre e doutor em Sanidade Avícola, Ricardo Hummes Rauber: “Sem monitoramento das dietas, se perde a capacidade de relacionar histórico de contaminação com desempenho dos lotes e ajustar decisões nos ciclos seguintes”
A desorganização da barreira intestinal também tem efeito direto sobre a incidência de doenças entéricas. “Essa relação é bastante consistente. Quando as micotoxinas aumentam a permeabilidade intestinal, desorganizam a microbiota e mantêm um quadro de inflamação persistente, o intestino perde eficiência como barreira física e imunológica”, salienta Rauber.
Segundo ele, esse cenário favorece a translocação bacteriana, amplia a exposição a endotoxinas e compromete a resposta imune local. “Esse ambiente torna as aves mais suscetíveis a enterites bacterianas e a outros desafios entéricos, incluindo a coccidiose. É preciso entender que as micotoxinas podem atuar tanto como causas primárias quanto como fatores predisponentes”, diz.
Apesar da relevância do problema, as estratégias de controle ainda apresentam limitações quando aplicadas de forma isolada. O uso de adsorventes de micotoxinas na ração, prática difundida no setor, não resolve o problema de forma completa. “A principal limitação está na abordagem como solução única. Nenhum produto ou tecnologia será 100% efetivo, porque o desafio muda ao longo do tempo, tanto em intensidade quanto no perfil de micotoxinas presentes”, enaltece.
Ele destaca que o controle exige integração entre diferentes frentes. “O uso de aditivos anti-micotoxinas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de saúde intestinal, envolvendo anticoccidianos, promotores de crescimento, eubióticos, biosseguridade e manejo. Essa discussão precisa ser feita de forma conjunta entre sanitaristas e nutricionistas”, evidencia.
Fatores que limitam resposta nas granjas
Na gestão da granja e da fábrica de ração, ainda há pontos críticos subestimados na prevenção da contaminação. Entre eles, o especialista destaca a baixa percepção sobre os efeitos de exposições crônicas em níveis reduzidos. “Ainda se subestima muito o efeito dos baixos níveis crônicos, que não provocam sinais clínicos evidentes, mas comprometem a saúde intestinal e a previsibilidade do lote”, aponta Rauber.
Além disso, fatores operacionais seguem influenciando diretamente o risco de contaminação. “Também se subestima a coocorrência de micotoxinas, a importância do armazenamento adequado e a necessidade de monitoramento sistemático das matérias-primas. Umidade, tempo de estocagem, pontos quentes e heterogeneidade nos silos seguem sendo fatores críticos”, menciona.
Outro entrave está na forma como os dados são utilizados. “O erro mais comum é olhar apenas o resultado analítico isolado, sem integrar essa informação com sinais de campo, saúde intestinal e desempenho”, salienta.
Ele chama atenção ainda para a baixa utilização de análises em rações prontas. “Muitas vezes se argumenta que, quando o resultado chega, a ração já foi consumida. Isso é verdadeiro, mas ignora a importância da previsibilidade. Sem monitoramento das dietas, se perde a capacidade de relacionar histórico de contaminação com desempenho dos lotes e ajustar decisões nos ciclos seguintes”, destaca.
Maior precisão na gestão do risco
Com o avanço das ferramentas de diagnóstico, nutrição e manejo, a tendência é de maior precisão na gestão do risco associado às micotoxinas. “O caminho é avançar para programas mais integrados e mais precisos”, reforça Rauber.
Entre as frentes prioritárias, ele cita o monitoramento analítico mais robusto de matérias-primas e dietas, a melhor avaliação do risco associado à coocorrência de micotoxinas e estratégias nutricionais voltadas à preservação da barreira intestinal. “Também devem ganhar espaço abordagens que combinem mitigação das toxinas com suporte à mucosa, modulação da microbiota e reforço da resposta imune”, relata.
Segundo o especialista, a eficiência no controle das micotoxinas dependerá menos de soluções isoladas e mais da capacidade de integrar informação, nutrição e manejo dentro de um mesmo sistema produtivo.
Avicultura
Microestrutura da ração e minerais definem eficiência produtiva na avicultura, apontam especialistas


Professora da Universidade de Maryland (EUA), Roselina Angel (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
A nutrição de precisão e seus reflexos no desempenho produtivo e na saúde das aves estiveram em pauta na manhã desta quarta-feira (8), durante o Bloco Nutrição do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes em Chapecó.
O pesquisador Wilmer Pacheco iniciou o bloco com o tema “Granulometria e seu impacto no trato digestivo”, destacando como a estrutura física da ração influencia diretamente o desempenho produtivo e a saúde intestinal das aves. O especialista explicou que o tema vai além do tamanho das partículas, envolvendo dois níveis fundamentais: a microestrutura e a macroestrutura da ração. “Precisamos olhar para a microestrutura, que é controlada principalmente pelo processo de moagem, e para a macroestrutura, que está relacionada ao pellet e ao seu impacto na produtividade no campo”, destacou.
Segundo Pacheco, a granulometria refere-se ao tamanho das partículas obtidas após a moagem, sendo um fator determinante para a digestibilidade dos nutrientes e o funcionamento do trato digestivo. “A redução do tamanho das partículas aumenta a área de contato com o sistema digestivo, melhora a absorção de nutrientes e reduz a segregação dos ingredientes na ração.”
O pesquisador ressaltou que as aves possuem um sistema digestivo adaptado, com destaque para a moela, responsável pela trituração mecânica dos alimentos. Nesse contexto, a presença de partículas mais grossas também desempenha papel importante. “As aves precisam de partículas maiores na microestrutura, pois isso estimula o funcionamento da moela, reduz o pH e contribui para o controle de bactérias patogênicas, além de melhorar a absorção de minerais”, pontuou.
Outro aspecto abordado foi o impacto da estrutura da ração na qualidade do pellet e no desempenho das aves. De acordo com estudos apresentados pelo palestrante, dietas com partículas mais grossas podem melhorar a conversão alimentar, aumentar a digestibilidade de nutrientes e reduzir a umidade da cama o que reflete diretamente na eficiência produtiva.
Pacheco também destacou que o processo de peletização promove alterações adicionais na granulometria, exigindo controle rigoroso em todas as etapas da produção. “Esse método gera moagem adicional, por isso é fundamental entender como as partículas estão organizadas dentro do pellet para garantir uma dieta equilibrada.”
Como solução, o especialista reforçou a importância de ajustes nos equipamentos industriais, especialmente no moinho de martelo e nos parâmetros de peletização. Fatores como velocidade do rotor, número de martelos, tamanho da peneira e distância entre os componentes influenciam diretamente o tamanho e a uniformidade das partículas.
Além disso, aspectos como temperatura, tempo de condicionamento, teor de gordura e especificações da matriz também impactam a qualidade final do pellet e devem ser monitorados de forma integrada. O pesquisador destacou uma mensagem central para o setor. “A macroestrutura é importante, mas não podemos sacrificar a microestrutura. É o equilíbrio entre esses fatores que garante melhor desempenho, eficiência e saúde intestinal das aves”, concluiu.

Pesquisador Wilmer Pacheco (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
DIETAS MODERNAS DO FRANGO DE CORTE
Na sequência, a professora da Universidade de Maryland (EUA), Roselina Angel, abordou o tema “Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte”. A palestra foi uma análise prática sobre o uso de minerais na nutrição avícola e seus impactos na produtividade e na sustentabilidade.
Com ampla atuação científica e de consultoria internacional, Roselina frisou que um dos principais desafios atuais está no uso inadequado do cálcio nas dietas. Segundo ela, o problema não está na falta, mas no excesso. “Muitas pessoas enxergam esse mineral apenas como um nutriente essencial, o que é verdade, mas o excesso causa problemas significativos que ainda são pouco compreendidos”, explicou.
Entre os impactos apontados, a pesquisadora destacou efeitos no ambiente de produção e no desempenho das aves. “O excesso de cálcio aumenta a umidade da cama, favorece problemas como lesões e piora a qualidade dos pés das aves, além de reduzir a digestibilidade de proteínas, energia e gordura, prejudicando a conversão alimentar”, afirmou.
Roselina também ressaltou que o desequilíbrio mineral afeta a absorção de micronutrientes, ampliando os prejuízos produtivos. “São efeitos negativos que passam despercebidos, mas impactam diretamente no resultado final da produção”, pontuou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de ajustes nos processos industriais. Segundo a pesquisadora, parte do problema está na forma como o calcário é manejado nas fábricas de ração. “O calcário é um ingrediente mais leve e, quando pesado com sistemas ajustados para milho e soja, pode gerar erros significativos. Mesmo pequenas variações resultam em níveis muito altos de cálcio na ração final”, salientou.
Para Roselina, a solução passa por maior precisão no processo de formulação e fabricação. “Precisamos trabalhar junto às fábricas de ração para ajustar esses processos e garantir que os níveis de cálcio e fósforo estejam adequados às reais necessidades das aves, que muitas vezes são menores do que se imagina, especialmente no caso do fósforo”, destacou.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O terceiro lote está disponível, com investimento de R$ 890,00 para profissionais e R$ 500,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 200,00. As inscrições podem ser realizadas no site: https://nucleovet.com.br/simposios/avicultura/inscricao.
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura 26º SBSA
Especialistas debatem sobre abatedouro e segurança dos alimentos


médico veterinário Darwem de Araújo Rosa (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
Entre todas as etapas que compreendem a cadeia da avicultura, o abatedouro é uma das mais complexas. Essa etapa envolve toda uma estrutura industrial para garantir que o produto chegue ao consumidor com qualidade e segurança. O médico veterinário Darwem de Araújo Rosa discutiu estratégias de velocidade de processamento e qualidade do abate, nesta quarta-feira (8), durante a programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó.
Darwen abordou desafios em legislação, matéria-prima, logística e abatedouro. O médico veterinário salientou a importância de alcançar uniformidade nos lotes, olhando para o peso do frango vivo. Dentro de um mesmo lote, há variações significativas de peso e desenvolvimento, formando subpopulações que afetam o desempenho.
O consultor repercutiu sobre os efeitos que a velocidade de abate provoca na carcaça. Citou como exemplo o impacto do peso. “Como gestor, eu quero ter o menor custo de produção. Uma das maneiras de eu baixar o custo de produção é subir o peso do frango. A conta é muito simples. No entanto, preciso avaliar qual condição de instalação tenho nas linhas de evisceração para receber esse peso a mais.
De acordo com Darwen, a velocidade de abate é fator determinante, condição que impacta também na contaminação, hoje uma das principais causas de condena das carcaças. “Diferente do que alguns possam imaginar, quanto mais alta a velocidade, menor é a contaminação. Os equipamentos não foram feitos para trabalhar em velocidade lenta. Quando trabalho num ritmo lento, eu aumento o tempo de tração e isso leva a uma maior contaminação.”
Um abatedouro subutilizado também pode repercutir negativamente no rendimento da cadeia produtiva, provocando aumento do custo de produção. “Quanto mais eu abater, mais eu reduzo custos, pois o abatedouro funcionando vai exigir o mesmo número de equipe, volume de água, energia. Quando tenho um abate de baixa eficiência, com muitos cancelamentos, paradas, cai o rendimento e piora a qualidade das carcaças.”
O controle de abate e qualidade da carcaça, portanto, exige uma abordagem multifatorial. Diante desse cenário, o especialista propõe estratégias como revisar o tamanho da nória, adotar medidas para redução das patologias, padronizar o peso, precisar a sexagem de aves, pois o abate misto aumenta os indicadores de contaminação, revisar o jejum de 12 horas e avaliar se esse período pode ser estendido, além de estimular compartilhamento de metas em equipe, envolvendo agropecuária, logística e abatedouro, para melhorar o resul
tado final.
SEGURANÇA DOS ALIMENTOS
Ainda no mesmo bloco de debates, a doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Dianna Bourassa, fez um comparativo microbiológico entre países no contexto da segurança
dos alimentos. Ela especificou as abordagens dos Estados Unidos, do Brasil e da União Europeia em relação ao controle de patógenos como a Salmonella, o Campylobacter, a Escherichia coli, além da resistência a antimicrobianos, na perspectiva das estruturas regulatórias, sistemas de produção e processamento, além de influências culturais.
Segundo Dianna, a Salmonella é o principal foco de regulamentações internacionais. “É o microrganismo que todos estão trabalhando para reduzir. Não vamos eliminar a Salmonella nos produtos crus – isso é inviável, mas quando falamos em controle, queremos reduzir o risco da presença desse patógeno na carne de aves.”
Embora a União Europeia, os Estados Unidos e o Brasil tenham políticas diferentes para gestão da Salmonella, todos têm como objetivo comum reduzir o risco à saúde pública. Nos EUA, por exemplo, o controle regulatório se concentra no produto final e não nas aves vivas. Já no Brasil e na União Europeia, os processos são mais similares entre si e abrangentes, cujo controle vai desde as aves vivas até o produto final. “Nos Estados Unidos, a inspeção em aves vivas, antes do abate, até começou a ser abordada por um quadro regulatório, mas devido à situação política atual, foi retirada e está em processo de revisão”, explicou.
Entre as estratégias mais promissoras para avançar na segurança dos alimentos mundialmente está a padronização dos métodos de amostragem e testes. “A falta de padronização dificulta comparações diretas entre países. Alinhar métodos e padronizar o que estamos fazendo, medindo e testando ajudará muito.”
Para a doutora, a segurança dos alimentos é um desafio científico e também uma responsabilidade moral. “Os principais fatores que influenciam a segurança dos alimentos entre países incluem o quadro regulatório, que define o que podemos ou não fazer, a forma como produzimos e processamos as aves, influências culturais, desenvolvimento de novas ferramentas e treinamento técnico. Os sistemas relacionados à inocuidade da carne de aves diferem muito

programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó. (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
na forma como são implementados em cada país, mas não tanto na compreensão do que constitui um alimento seguro. O frango seguro depende de toda a cadeia, inclusive dos consumidores”, concluiu.
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.



