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Paraná regulamenta lei que proíbe reconstituição de leite em pó importado
Medida é considerada vitória pelo Sistema Faep e busca proteger produtores locais diante da crise da cadeia leiteira e do avanço das importações.

O Governo do Paraná regulamentou, na última quinta-feira (11), a Lei 22.765/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó e outros derivados de origem importada no estado. A medida é vista pelo Sistema Faep como uma vitória para os produtores paranaenses. A nova legislação é fruto da atuação da entidade junto à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e da administração estadual pela aprovação da medida.
A cadeia do leite vive um momento delicado atualmente. Segundo levantamento da Câmara Técnica do Conseleite Paraná, em agosto de 2024, muitos produtores receberam menos de R$ 2 por litro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção, estimados em R$ 2,62. Um dos grandes motivos para estra crise foi o aumento das importações de leite em pó e queijo, especialmente de países do Mercosul, além da baixa capacidade de compra do consumidor brasileiro.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep: “Estamos ao lado dos produtores de leite paranaenses e comemoramos essa conquista”
Para o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a regulamentação traz fôlego, principalmente, às pequenas e médias propriedades, que representam a maior parte da produção estadual“. “Estamos ao lado dos produtores de leite paranaenses e comemoramos essa conquista. É um avanço importante para que o setor volte a se equilibrar”, afirma. “Essa é uma medida importante. Vamos seguir trabalhando para mais conquistas, visando minimizar a crise do setor”, complementa.
Com a nova regra, ficam proibidas operações industriais, comerciais ou de beneficiamento que envolvam a adição de água ou outros líquidos ao leite em pó, composto lácteo, soro de leite ou produtos similares importados, quando o produto final tiver como destino o consumo no Paraná.
Atuação
Desde 2023, o Sistema Faep alerta para a necessidade de medidas efetivas contra os efeitos das importações. A entidade teve papel decisivo na aprovação do Decreto 5.396/2024, que incluiu o leite em pó e a muçarela importados na alíquota comum de ICMS.
Em âmbito nacional, o Sistema Faep reforça o pedido de revisão urgente da investigação de dumping sobre o leite em pó vindo do Mercosul, defendendo políticas que garantam concorrência justa e sustentem a pecuária leiteira brasileira.
Presente nos 399 municípios do Paraná, a atividade leiteira é essencial para a geração de renda e emprego no campo.
Para valorizar essa produção e reconhecer a qualidade do leite paranaense, o Sistema FAEP participa, junto de outras entidades parceiras, do Prêmio Queijos do Paraná, que destaca os melhores queijos do estado com medalhas de bronze, prata, ouro e super ouro.

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Primeira edição das provas com animais de três estados destaca genética da Charolês
ABCC e Embrapa reforçam importância do evento para identificar touros Elite, Superior e Comercial.

A Embrapa Pecuária Sul e a Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC) divulgaram na última terça-feira (17) os resultados da 9ª edição da Prova de Avaliação a Campo (PAC) e da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) da raça Charolês. O evento aconteceu na sede da Embrapa, em Bagé (RS), e contou com a presença de produtores, além da apresentação dos animais que participaram das provas.
Nesta edição, 24 jovens reprodutores da raça, provenientes de criadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foram avaliados. O vencedor da PAC foi o touro da Estância do Batovi, de São Gabriel (RS), seguido por um animal da Fazenda Estância Nova, de Ponta Grossa (PR), e outro da Cabanha Tarumã, de Camaquã (RS). Na PEA, o campeão também foi da Estância do Batovi, com touros da Cabanha VLD, de Concórdia (SC), e da Cabanha Santa Lucia, de Água Doce (SC) ocupando o segundo e terceiro lugares, respectivamente.
De acordo com o analista da Embrapa Pecuária Sul, Álvaro Moraes Neto, “o desempenho dos animais que participaram das provas foi muito bom, sendo que na PAC a média de ganho de peso diário foi superior a 1,3 kg e na PEA mais de 1,8 kg”. Ele ainda destacou que “a padronização dos manejos permite comparar os touros de forma justa e gerar dados importantes para programas de melhoramento genético”. Os touros são classificados, com base nos resultados, como Elite, Superior ou Comercial.
O presidente da ABCC, Rodrigo Mascarenhas, ressaltou que esta foi a primeira edição das provas a reunir animais de todos os três estados do Sul. “Os resultados e os reprodutores que participaram das provas mostram o grande potencial que a raça Charolês possui”, disse. Segundo Mascarenhas, a parceria com a Embrapa tem sido essencial para gerar informações objetivas e qualificadas sobre a genética dos reprodutores, contribuindo para o desenvolvimento da raça.
As provas têm objetivos distintos: a PAC avalia reprodutores em um mesmo ambiente e com manejo padronizado para identificar animais superiores geneticamente para produção de carne em sistema de pastejo, considerando características como ganho de peso diário, área de olho de lombo e gordura subcutânea. Já a PEA busca apontar animais mais eficientes na conversão alimentar, ou seja, que precisam de menos ração para obter maior ganho de peso. Nessa prova, os animais ficam 70 dias em confinamento com alimentação à vontade, e ao final é calculada a eficiência na conversão dos alimentos em peso vivo.
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Arroba do boi sobe mais de R$ 20 em fevereiro com oferta mais curta
Queda nos abates e demanda externa firme sustentam valorização, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA.

Os preços do boi gordo registraram alta em fevereiro, impulsionados por uma oferta mais ajustada e pela demanda firme, especialmente no mercado externo. No estado de São Paulo, a arroba avançou mais de R$ 20 em relação a janeiro.
Pelo lado da oferta, houve redução nos abates. Nos dois primeiros meses do ano, o volume de fêmeas abatidas caiu 9% na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto os abates de machos recuaram 3%. Com isso, o total abatido no bimestre ficou 5% abaixo do registrado um ano antes.

Foto: Ana Maio
No mercado externo, as exportações seguiram em ritmo elevado. Em fevereiro, os embarques cresceram 24% em relação ao mesmo mês de 2025, acumulando alta de 26% no primeiro bimestre. As vendas para a China continuaram acima do registrado no ano anterior, possivelmente influenciadas pela antecipação de compras antes da aplicação de tarifa. Outros destinos também ampliaram as importações, com destaque para Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Emirados Árabes.
Apesar do avanço nas exportações, a alta no custo da matéria-prima impactou a rentabilidade. O spread das exportações passou de 7% para -1% em fevereiro, refletindo a elevação de 9,7% no preço do boi gordo em dólares, frente a um aumento de 1,2% no valor da carne exportada.
No mercado interno, a carcaça casada também apresentou valorização, com alta de 3,7% no mês. Ainda assim, o avanço ficou abaixo do registrado para o boi gordo, o que levou à redução do spread de 8% para 5%, patamar que segue considerado satisfatório.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário do mês foi marcado pela combinação de menor oferta de animais e demanda aquecida, com impacto direto na formação dos preços.
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Preços de leite e derivados sobem 0,7% no varejo em fevereiro
Alta foi puxada principalmente pelo leite UHT, que registrou aumento de 1,2%, segundo dados baseados no IPCA/IBGE.

Os preços de leite e derivados no varejo brasileiro registraram alta de 0,7% em fevereiro de 2026, na comparação com janeiro, conforme indicadores baseados no IPCA/IBGE.
Entre os produtos acompanhados, o leite UHT apresentou a maior variação positiva no mês, com alta de 1,2%. Também registraram aumento iogurte, com 1,1%, e queijo, com 0,7%.
Por outro lado, alguns derivados apresentaram queda de preços no período. A manteiga recuou 0,3%, enquanto leite em pó e leite condensado registraram redução de 1,0% cada.
O comportamento dos preços indica movimento misto entre os derivados no curto prazo, com parte dos produtos apresentando reajustes e outros registrando recuos no mesmo período.
Apesar da alta mensal, o índice de preços de leite e derivados ainda apresenta queda no acumulado de 12 meses, com recuo de 5,1%, segundo os dados baseados no IPCA.



