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Paraná quer se tornar livre de febre aftosa sem vacinação até 2021

Agentes da cadeia têm discutido ações para tornar Estado livre da obrigatoriedade dois anos antes do calendário proposto pelo Mapa

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Uma discussão que não tem saído da pauta nacional de saúde animal nos últimos meses é a vacinação contra febre aftosa. A imunização de bovinos tem causado certa agitação entre médicos veterinários, pecuaristas e agentes de órgãos estadual e federal de inspeção sanitária. A intenção é que o Brasil, até 2023, se torne completamente livre de febre aftosa sem vacinação. Mas o calendário proposto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para esta completa retirada – no Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) – também tem causado discussões. Alguns Estados pretendem antecipar a data prevista para ter o selo de livre de aftosa sem vacinação perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Um deles é o Paraná. Há tempos que agentes da cadeia vêm discutindo a melhor forma para que o Estado adquira o status antes da data prevista. Isso porque o Paraná ficou no último grupo para a retirada da vacinação, juntamente com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – sendo que este último já é reconhecido pela OIE livre sem vacinação. Um dos objetivos em adiantar a retirada da imunização é a possibilidade de alcançar mercados hoje indisponíveis.

O assunto foi discutido durante o Show Rural Coopavel, que aconteceu em Cascavel, PR, em fevereiro. De acordo com o ex-secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, todos conhecem quais os caminhos que devem ser tomados para alcançar este objetivo. “Nós (o Paraná) estamos perseguindo o melhor status sanitário do mundo”, argumenta. Para ele, é difícil ir para o exterior e falar sobre potencial de exportação e relação comercial quando o Estado ainda vacina contra febre aftosa. “Bons mercados, que pagam bem e têm dinheiro, acabam não comprando da nossa carne por conta disso”, afirma.

Ortigara diz que nos últimos anos o Estado tem melhorado muito na questão de cadastro dos pecuaristas, sanidade, trânsito de animais, monitoramento das fronteiras, entre outros pontos. “Nós temos que começar a usar mais a inteligência e menos a vacina”, encara. A intenção do Paraná é adiantar em dois anos o calendário proposto pelo Mapa, fazendo com que até 2021 seja reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação. “Quem sabe até 2020 o Ministério nos declare livre e chame a OIE para então em maio de 2021 conseguirmos esta declaração internacional”, comenta. Ele acrescenta que pode parecer muito tempo, “mas é melhor do que maio de 2023, 2025 ou mesmo nunca”.

De acordo com o secretário, buscar essa certificação é bom não somente para o pecuarista, mas para todo o país. “O Paraná é o maior polo de proteína animal do Brasil, e esta certificação faz bem para as cooperativas, à indústria, ao produtor e a toda a economia. 75,3% do que foi exportado pelo Estado em 2017 foi agro, isso mostra a densidade e importância fundamental do setor na economia do Paraná. Então, por que não fortalecer isso? Buscar o interesse coletivo? É esse trabalho que estamos fazendo, demonstrando nossa qualidade para chegarmos mais fortes ao mercado internacional”, afirma.

Auditoria

Em janeiro deste ano o Paraná passou por uma auditoria do Mapa, feita justamente para conferir as condições do Estado para a retirada da vacinação até 2023. Segundo o gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias, todos os Estados passarão por esta mesma inspeção. “Foi uma semana inteira que passamos com auditores demonstrando todos os quesitos necessários para afirmar nossa competência em retirar a vacinação”, conta. Ele informa que entre os quesitos avaliados estiveram recursos humanos, capacitação dos profissionais, recursos financeiros, fiscalização de fronteira, capacidade técnica operacional, controle de transporte, cadastro, atendimento de suspeitas, legislação e educação sanitária. “Podemos afirmar que em todos os quesitos avaliados nos saímos muito bem”, garante.

Dias destaca que entre os principais pontos vistos pelos auditores foi se o Estado tem independência técnica, administrativa e financeira para lidar com a situação. “Acredito que isto foi muito bem defendido”, assegura. Ele exemplifica que no quesito financeiro o Paraná conta com três fundos diferentes para cobrir emergências sanitárias. “Temos esta autonomia financeira que é importante”, diz. O gerente destaca que o Estado tem uma condição diferenciada, melhor que em anos anteriores.

Cadeias Unidas

Não somente a cadeia da carne bovina seria beneficiada com a retirada da vacinação contra a febre aftosa no Paraná, argumenta o presidente da Adapar, Inácio Kroetz. “O Paraná precisa hoje muito mais do que parar de vacinar contra a febre aftosa. O serviço de defesa agropecuário não pode ficar refém da vacinação. Porque a aftosa se tornou um termômetro para a qualidade do serviço sanitário, e quando volta a aftosa isso repercute em todas as cadeias, não somente na bovina”, afirma. “O mundo do agro é integrado, não podemos nos esquecer da economia do parceiro. As proteínas (animais) são parceiras e não concorrentes”, diz.

O presidente explica esta parceira na economia paranaense. De acordo com ele, no ano passado 88% do VBP do agro veio do frango de corte, 8% do suíno e 4% do bovino. A cadeia suinícola não cresce porque nós continuamos vacinando e o mercado não acessa, não cresce porque o Estado vacina. Esta ainda é uma região onde se tem medo da aftosa e continuamos imunizando”, comenta. Ele conta da quantidade exportada: em 2017 foram embarcadas 28 mil toneladas de carne bovina no Paraná; 96 mil toneladas de carne de suínos e 1,74 milhão de toneladas de carne de frango. “Veja a disparidade entre uma cadeia e outra. Mas, se em uma acontece um deslize, todas elas são afetadas”, informa. E isso é um problema, comenta Kroetz, já que acessar um mercado é fácil, porém, difícil é manter.

Agricultura Envolvida

Não somente as proteínas devem estar unidas, mas também os produtores de grãos devem se preocupar com esta questão. Isso porque se o Estado tem algum problema de febre aftosa, influenza aviária, doença de new castle ou peste suína clássica, também os grãos serão diretamente afetados. “Somente em 2017 o Paraná produziu 19,8 milhões de toneladas de soja e 18 milhões de toneladas de milho. Estes dois grãos, principalmente, fazem diretamente parte da produção de proteína animal. Quando dizemos que exportamos 4,1 milhões de toneladas de frango para o mundo no ano passado, também estamos dizendo que exportamos isso em grão, já que para produzir um quilo de frango, o animal consome 1,72 quilo de ração”, afirma. Kroetz reitera que não existe cadeia isolada.

Outro empecilho que tem feito com que demore mais para o Paraná ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação é o desejo de poucos pecuaristas que trazem gado de outros Estados – como o Mato Grosso do Sul, que também ainda vacina – para suas propriedades no Paraná. “Parar de vacinar implica em fechar as fronteiras como fez Santa Catarina há 18 anos”, afirma o presidente. Este, de acordo com ele, não seria um problema, já que somente no ano passado o Paraná exportou 28 mil toneladas de carne de gado. “Então, precisamos mesmo de gado de fora para abastecer o nosso mercado?”, questiona.

Agentes de todo o Estado vêm fazendo ações para alcançar o objetivo de adiantar o calendário e fazer com que o Paraná se torne livre de febre aftosa sem vacinação antes da data prevista. Outros Estados, como o Rio Grande do Sul, também estão trabalhando para adiantar o calendário e, assim como o Paraná, conseguir a certificação em 2021.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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