Bovinos / Grãos / Máquinas
Paraná quer se tornar livre de febre aftosa sem vacinação até 2021
Agentes da cadeia têm discutido ações para tornar Estado livre da obrigatoriedade dois anos antes do calendário proposto pelo Mapa
Uma discussão que não tem saído da pauta nacional de saúde animal nos últimos meses é a vacinação contra febre aftosa. A imunização de bovinos tem causado certa agitação entre médicos veterinários, pecuaristas e agentes de órgãos estadual e federal de inspeção sanitária. A intenção é que o Brasil, até 2023, se torne completamente livre de febre aftosa sem vacinação. Mas o calendário proposto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para esta completa retirada – no Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) – também tem causado discussões. Alguns Estados pretendem antecipar a data prevista para ter o selo de livre de aftosa sem vacinação perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
Um deles é o Paraná. Há tempos que agentes da cadeia vêm discutindo a melhor forma para que o Estado adquira o status antes da data prevista. Isso porque o Paraná ficou no último grupo para a retirada da vacinação, juntamente com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – sendo que este último já é reconhecido pela OIE livre sem vacinação. Um dos objetivos em adiantar a retirada da imunização é a possibilidade de alcançar mercados hoje indisponíveis.
O assunto foi discutido durante o Show Rural Coopavel, que aconteceu em Cascavel, PR, em fevereiro. De acordo com o ex-secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, todos conhecem quais os caminhos que devem ser tomados para alcançar este objetivo. “Nós (o Paraná) estamos perseguindo o melhor status sanitário do mundo”, argumenta. Para ele, é difícil ir para o exterior e falar sobre potencial de exportação e relação comercial quando o Estado ainda vacina contra febre aftosa. “Bons mercados, que pagam bem e têm dinheiro, acabam não comprando da nossa carne por conta disso”, afirma.
Ortigara diz que nos últimos anos o Estado tem melhorado muito na questão de cadastro dos pecuaristas, sanidade, trânsito de animais, monitoramento das fronteiras, entre outros pontos. “Nós temos que começar a usar mais a inteligência e menos a vacina”, encara. A intenção do Paraná é adiantar em dois anos o calendário proposto pelo Mapa, fazendo com que até 2021 seja reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação. “Quem sabe até 2020 o Ministério nos declare livre e chame a OIE para então em maio de 2021 conseguirmos esta declaração internacional”, comenta. Ele acrescenta que pode parecer muito tempo, “mas é melhor do que maio de 2023, 2025 ou mesmo nunca”.
De acordo com o secretário, buscar essa certificação é bom não somente para o pecuarista, mas para todo o país. “O Paraná é o maior polo de proteína animal do Brasil, e esta certificação faz bem para as cooperativas, à indústria, ao produtor e a toda a economia. 75,3% do que foi exportado pelo Estado em 2017 foi agro, isso mostra a densidade e importância fundamental do setor na economia do Paraná. Então, por que não fortalecer isso? Buscar o interesse coletivo? É esse trabalho que estamos fazendo, demonstrando nossa qualidade para chegarmos mais fortes ao mercado internacional”, afirma.
Auditoria
Em janeiro deste ano o Paraná passou por uma auditoria do Mapa, feita justamente para conferir as condições do Estado para a retirada da vacinação até 2023. Segundo o gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias, todos os Estados passarão por esta mesma inspeção. “Foi uma semana inteira que passamos com auditores demonstrando todos os quesitos necessários para afirmar nossa competência em retirar a vacinação”, conta. Ele informa que entre os quesitos avaliados estiveram recursos humanos, capacitação dos profissionais, recursos financeiros, fiscalização de fronteira, capacidade técnica operacional, controle de transporte, cadastro, atendimento de suspeitas, legislação e educação sanitária. “Podemos afirmar que em todos os quesitos avaliados nos saímos muito bem”, garante.
Dias destaca que entre os principais pontos vistos pelos auditores foi se o Estado tem independência técnica, administrativa e financeira para lidar com a situação. “Acredito que isto foi muito bem defendido”, assegura. Ele exemplifica que no quesito financeiro o Paraná conta com três fundos diferentes para cobrir emergências sanitárias. “Temos esta autonomia financeira que é importante”, diz. O gerente destaca que o Estado tem uma condição diferenciada, melhor que em anos anteriores.
Cadeias Unidas
Não somente a cadeia da carne bovina seria beneficiada com a retirada da vacinação contra a febre aftosa no Paraná, argumenta o presidente da Adapar, Inácio Kroetz. “O Paraná precisa hoje muito mais do que parar de vacinar contra a febre aftosa. O serviço de defesa agropecuário não pode ficar refém da vacinação. Porque a aftosa se tornou um termômetro para a qualidade do serviço sanitário, e quando volta a aftosa isso repercute em todas as cadeias, não somente na bovina”, afirma. “O mundo do agro é integrado, não podemos nos esquecer da economia do parceiro. As proteínas (animais) são parceiras e não concorrentes”, diz.
O presidente explica esta parceira na economia paranaense. De acordo com ele, no ano passado 88% do VBP do agro veio do frango de corte, 8% do suíno e 4% do bovino. A cadeia suinícola não cresce porque nós continuamos vacinando e o mercado não acessa, não cresce porque o Estado vacina. Esta ainda é uma região onde se tem medo da aftosa e continuamos imunizando”, comenta. Ele conta da quantidade exportada: em 2017 foram embarcadas 28 mil toneladas de carne bovina no Paraná; 96 mil toneladas de carne de suínos e 1,74 milhão de toneladas de carne de frango. “Veja a disparidade entre uma cadeia e outra. Mas, se em uma acontece um deslize, todas elas são afetadas”, informa. E isso é um problema, comenta Kroetz, já que acessar um mercado é fácil, porém, difícil é manter.
Agricultura Envolvida
Não somente as proteínas devem estar unidas, mas também os produtores de grãos devem se preocupar com esta questão. Isso porque se o Estado tem algum problema de febre aftosa, influenza aviária, doença de new castle ou peste suína clássica, também os grãos serão diretamente afetados. “Somente em 2017 o Paraná produziu 19,8 milhões de toneladas de soja e 18 milhões de toneladas de milho. Estes dois grãos, principalmente, fazem diretamente parte da produção de proteína animal. Quando dizemos que exportamos 4,1 milhões de toneladas de frango para o mundo no ano passado, também estamos dizendo que exportamos isso em grão, já que para produzir um quilo de frango, o animal consome 1,72 quilo de ração”, afirma. Kroetz reitera que não existe cadeia isolada.
Outro empecilho que tem feito com que demore mais para o Paraná ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação é o desejo de poucos pecuaristas que trazem gado de outros Estados – como o Mato Grosso do Sul, que também ainda vacina – para suas propriedades no Paraná. “Parar de vacinar implica em fechar as fronteiras como fez Santa Catarina há 18 anos”, afirma o presidente. Este, de acordo com ele, não seria um problema, já que somente no ano passado o Paraná exportou 28 mil toneladas de carne de gado. “Então, precisamos mesmo de gado de fora para abastecer o nosso mercado?”, questiona.
Agentes de todo o Estado vêm fazendo ações para alcançar o objetivo de adiantar o calendário e fazer com que o Paraná se torne livre de febre aftosa sem vacinação antes da data prevista. Outros Estados, como o Rio Grande do Sul, também estão trabalhando para adiantar o calendário e, assim como o Paraná, conseguir a certificação em 2021.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas
Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
