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Paraná quer estender eficiência da bacia leiteira dos Campos Gerais a outras regiões

Embora as regiões Oeste e Sudoeste se destaquem pelos volumes expressivos, é no Centro-Sul que se encontra a excelência na qualidade e competitividade, graças ao trabalho articulado de cooperativas e produtores locais.

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Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural

Em 2023, o Paraná produziu aproximadamente 4,4 bilhões de litros de leite, consolidando-se como o segundo maior produtor do Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná. Nos últimos 10 anos, a atividade cresceu 18,9%, mas a produção leiteira do Estado destaca-se não apenas pelo volume, mas também pela qualidade e eficiência, especialmente na região dos Campos Gerais. Embora as regiões Oeste e Sudoeste se destaquem pelos volumes expressivos, é no Centro-Sul que se encontra a excelência na qualidade e competitividade, graças ao trabalho articulado de cooperativas e produtores locais. Hernani Alves da Silva, engenheiro agrônomo e gerente de Projetos e Cadeias Produtivas do Emater/PR, oferece em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural uma visão aprofundada deste cenário dinâmico e, em sua visão, promissor.

Engenheiro agrônomo e gerente de Projetos e Cadeias Produtivas do Emater/PR, Hernani Alves da Silva: “A produção de leite no Paraná, em termos de volume, qualidade e competitividade, está bem resolvida em algumas regiões, particularmente na região Centro-Sul do Estado” – Foto: Arquivo pessoal

O Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite no Paraná, realizado em 2023 pelo IDR-Paraná, revela um panorama diversificado e em constante evolução. “A produção de leite no Paraná, em termos de volume, qualidade e competitividade, está bem resolvida em algumas regiões, particularmente na região Centro-Sul do Estado, onde estão presentes as cooperativas Capal, Castrolanda, Frísia e Witmarsum, que formam o Pool Leite”, explica Hernani.

Ele destaca que estas cooperativas têm demonstrado uma capacidade exemplar de organização e eficiência, atuando de forma conjunta em toda a cadeia produtiva. “Nesta região observamos alta escala de produção/propriedade, excelente qualidade do produto e competitividade no mercado, através da organização e estruturação destas cooperativas e operação conjunta na produção (fornecimento de insumos e assistência técnica), na logística (operam em conjunto o recolhimento da produção e industrialização) e no mercado (operam em conjunto), atendendo as expectativas do mercado. Nesta região a ‘crise do leite’ é menos impactante. Existe maior segurança dos produtores para aumento sustentável da produção, produtividade, melhoria da qualidade e acesso ao mercado, com produtos diferenciados”, elenca.

O profissional explica que as regiões Oeste e Sudoeste também têm mostrado avanços significativos, com alta densidade econômica na cadeia produtiva e melhorias contínuas na qualidade do leite, impulsionadas pela assistência técnica das cooperativas e do IDR-Paraná. No entanto, ele cita que “existem oportunidades para a produção de leite, como condições edafoclimáticas, culturais e sociais, mas as crises relacionadas ao mercado e a preços de leite geram insegurança e travam o crescimento”.

Por outro lado, nas demais regiões do Estado, como Noroeste e Norte, “o diagnóstico nos mostra grandes desafios, como baixa escala de produção, baixa oferta de assistência técnica e extensão rural, A ATER oficial e as cooperativas não têm conseguido atender esta demanda. Idade média elevada dos produtores, com dificuldades na sucessão familiar, falta de infraestrutura, como estradas, energia trifásica, comunicação e internet”, são outros pontos citados pelo gerente do Emater.

Tecnologia e inovação

A adoção de tecnologias de ponta tem sido um diferencial para os produtores de leite no Paraná. Hernani destaca que “o diagnóstico nos mostra que temos avançado na produção de leite no Paraná, com melhoria na escala de produção, uso de raças especializadas (melhoramento genético) – 76,4% dos produtores estão utilizando raças especializadas – Jersey, holandesa ou cruzamento destas raças. Além disso, a utilização de sistemas automatizados de ordenha e manejo do rebanho, assim como ferramentas de gestão zootécnica e econômica, tem transformado a produção leiteira no Estado. Também avançamos, principalmente nas propriedades médias e grandes, no uso de tecnologia da informação, com o uso de sistemas automatizados de ordenha e manejo do rebanho e no uso de ferramentas de gestão zootécnica, qualidade do leite e gestão econômica através da Associação de Produtores (APCBRH)”.

Isso ajudou o Estado a ter uma produção ao longo de todo o ano e se posicionar estrategicamente entre os produtores de lácteos do país. “A produção e produtividade do leite já não apresenta sazonalidade no Estado, oportunizando melhor acesso ao mercado em relação a outros Estados na oferta da produção”, observa Hernani. “De maneira geral ocorreram incrementos importantes na produção de alimentos volumosos, através do uso de tecnologias disponíveis, materiais genéticos, manejo e fertilidade do solo e no próprio manejo da produção de forragens, com melhoria na produtividade e qualidade dos alimentos”.

Desafios atuais

Apesar dos avanços, os produtores enfrentam desafios técnicos e de mercado que precisam ser superados para garantir a sustentabilidade do setor. Hernani identifica vários obstáculos: “O Diagnóstico da produção de leite no Estado nos mostrou alguns desafios: alto custo de produção, baixa lucratividade, falta de valorização da atividade leiteira, elevada carga de trabalho diária (penosidade), sucessão familiar nas unidades produtivas, pressão da sociedade por baixos preços e falta de assistência técnica”, enumera.

Sustentabilidade

A sustentabilidade ambiental e econômica é uma prioridade para os produtores de leite no Paraná. Hernani explica que “de uma maneira geral os sistemas de produção de leite são sustentáveis no Paraná, do ponto de vista ambiental. A maioria da produção é oriunda de sistemas com base na pastagem e/ou suplemento no cocho com forragem (silagem de milho e silagem de gramíneas). Nestes sistemas é comum o uso de sistema integrado de produção, com o sistema silvipastoril, que consiste na combinação de árvores, pastagem e gado numa mesma área e ao mesmo tempo, oferecendo boas condições de ambiente para produção de leite”.

Nos sistemas mais intensificados, como confinados e semiconfinados, a sustentabilidade ambiental é mantida com tratamentos adequados dos dejetos e boas práticas de bem-estar animal. “Nestes sistemas mais intensivos também apresentam boas condições de bem-estar animal, oferecendo conforto térmico para produção e reprodução e conforto físico (alojamento animal), preservando a saúde dos animais”, aponta o profissional.

Crescimento sustentável

As perspectivas para o setor de laticínios no Paraná são otimistas, aponta Hernani. Ele prevê um aumento na produção por propriedade e uma redução no número total de propriedades, sem comprometer a produção total. “O diagnóstico da atividade leiteira nos mostra a tendência de aumento na produção/propriedade, e redução no número de propriedades, sem redução da produção total. Permanecerão na atividade as propriedades com sistema de produção mais ajustado, com eficiência na gestão técnica e econômica da propriedade”, cita.

Um diagnóstico do estudo de 2023 revela que 54,71% dos produtores planejam aumentar a produção diária, enquanto 43,77% pretendem melhorar geneticamente o rebanho. Apenas 1,78% consideram vender a propriedade, indicando uma confiança geral no futuro do setor (veja gráfico 1 com mais intenções dos produtores de leite do Paraná).

Políticas públicas

O governo estadual desempenha um papel importante no apoio ao desenvolvimento do setor de laticínios. Hernani destaca políticas públicas importantes como o PRONAF e o Banco do Agricultor Paranaense, que oferecem crédito e apoio financeiro aos produtores. “Algumas políticas públicas disponibilizadas aos produtores de leite, principalmente na oferta de crédito para custeio e investimento e sustentabilidade econômica dos sistemas de produção. Na disponibilidade de crédito se destacam o PRONAF – Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, que disponibiliza crédito àquelas famílias que se enquadram como agricultores familiares, destinando apoio financeiro às atividades agropecuárias exploradas mediante emprego direto da força de trabalho do produtor e sua família, com juros subsidiados e prazos adequados”.

Outra política importante é o Banco do Agricultor Paranaense, que “possibilita ao Governo do Estado conceder subvenção econômica a produtores rurais, cooperativas e associações

Foto: Shutterstock

de produção, comercialização e a agroindústria familiar, além de projetos que utilizem fontes renováveis de energia e programas destinados à irrigação”. Hernani também destaca a importância do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (IDR-Paraná), que “atualmente consegue atender 22% dos produtores de leite do Estado, e os resultados obtidos são animadores, do ponto de vista econômico, social e ambiental, mostrando a importância desta política pública para a cadeia produtiva do leite no Paraná, que é essencialmente formada por agricultores familiares”.

Mercados

A diversificação da produção de laticínios, incluindo queijos especiais e iogurtes, é uma área com grande potencial de crescimento. Hernani sugere que “melhorar a qualidade e o rendimento industrial do leite, com aumento do percentual de gordura e proteína na composição e pagamento por sólidos totais”, é crucial para a diversificação bem-sucedida.

O setor de laticínios do Paraná tem demonstrado resiliência frente às crises, apostando na fidelização e formalização das relações entre produtores e indústrias. Hernani menciona a necessidade de “fidelizar e formalizar o relacionamento técnico e comercial entre produtores de leite e indústrias de laticínios por meio de parcerias duradouras, como no exemplo do Pool Leite”.

Melhorar a eficiência e o desempenho dos sistemas de produção, adequando-os aos princípios da sustentabilidade e bem-estar animal, é fundamental para acessar novos mercados. Hernani enfatiza a importância de “produzir leite com alta qualidade, a custo baixo e com organização logística eficiente para ser competitivo no mercado global como os principais exportadores mundiais, melhorar a eficiência e o desempenho agronômico e zootécnico dos diversos sistemas de produção de leite no Paraná, adequando a produção aos princípios da sustentabilidade, governança socioambiental (ESG) e bem-estar animal”.

Foto: Gisele Rosso

Hernani também destaca a necessidade de “melhorar a logística e a infraestrutura nas regiões produtoras de leite com investimentos em estradas, energia trifásica e internet, além de conquistar e manter a excelência sanitária e biossegurança dos rebanhos com serviço de defesa agropecuária e sanidade robusta”.

Alianças estratégicas

As parcerias entre produtores, indústrias, instituições de pesquisa e o governo são fundamentais para o desenvolvimento do setor. Hernani ressalta a necessidade de melhorar a organização e governança da cadeia produtiva do leite com estratégias setoriais pré-competitivas, eliminação de assimetrias tributárias, intercooperação visando eficiência na logística e investimentos em marketing geral para aumento do consumo de lácteos.

Ele também destaca a importância de proporcionar ao produtor rural e ao empresário industrial, qualificação em gestão empresarial, fomentando o empreendedorismo e a expansão sustentável do seu negócio, desenvolvimento de modelos de fidelização e contratualização da relação entre produtores de leite e indústrias, bem como modelos de pagamento do leite por qualidade e por sólidos. “Estímulo à inovação e investimentos por parte do IDR-Paraná, APCBRH e parcerias no desenvolvimento de equipamentos” também são apontados como cruciais por Hernani para garantir a competitividade do setor.

Com um olhar no futuro e uma base sólida de inovação e sustentabilidade, o Paraná está bem posicionado para continuar entre os líderes da produção de leite no Brasil. A combinação de excelência técnica, apoio institucional e resiliência dos produtores garante que o setor de laticínios do Estado continue a crescer e prosperar.

Gráfico 1: Em 2023 o IDR-PR fez o seguinte questionamento. No horizonte de 5 anos, quais os seus planos para a sua propriedade?

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura de leite e na produção de grãos acesse a versão digital de Bovinos, Grãos e Máquinas, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Em expansão, raça de gado paranaense Purunã terá projeto de aprimoramento

Associação dos Criadores de Purunã está promovendo um amplo recadastramento dos animais puros ou cruzados para uma uma detalhada avaliação genética. Objetivo é saber não só a dimensão, mas também a qualidade do rebanho, cuja raça foi desenvolvida pelo IDR-Paraná.

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Foto: Divulgação/IDR-Paraná

Os atributos do gado de corte Purunã vêm ganhando o reconhecimento e atraindo cada vez mais criadores de diversas regiões do País. A raça, genuinamente paranaense, foi desenvolvida por pesquisadores do antigo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), atual IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater), e foi oficialmente reconhecida há apenas oito anos.

O pecuarista Marcos Ottoni Almeida, por exemplo, conheceu a raça em um dia de campo realizado em Ponta Grossa (Centro-Sul do Paraná) e adquiriu um touro Purunã no final de 2022 para iniciar cruzamentos na propriedade que mantém em Guaratinguetá, São Paulo. “Fiquei impressionado com os animais”, conta.

As primeiras 33 crias resultantes do touro estão agora em fase de desmame. “Estou muito contente com o reprodutor e com os bezerros, que vem demonstrando um desenvolvimento muito rápido”, relata.

Atual presidente da Associação dos Criadores de Purunã (ACP), Erlon Pilati, que introduziu a raça no Mato Grosso e tem propriedade no município de Sapezal, também destaca o desenvolvimento acelerado dos animais. “Um bezerro com sangue Purunã alcança a desmama com 20% a 25% mais peso que uma cria de rebanho convencional, é mais dinheiro no bolso do pecuarista com o mesmo custo de produção”, contabiliza.

Precocidade (os animais atingem antes a idade para reprodução e abate), adaptabilidade e rusticidade em diferentes regiões do Brasil, habilidade materna e carne macia e suculenta são outras características dos animais Purunã elencadas por Pilati.

O presidente da ACP informa que a entidade está promovendo um amplo recadastramento dos animais Purunã, puros ou cruzados, para uma detalhada avaliação genética. “É um pente-fino para saber exatamente a dimensão e qualidade do rebanho; um projeto de identificação genética que nos permitirá ganhar 10 anos de evolução em apenas dois anos”, relata.

A estratégia foi discutida recentemente com o diretor-presidente do IDR-Paraná, Richard Golba. “A identificação genética vai assegurar mais assertividade na realização de cruzamentos para transmissão aos descendentes de determinadas características desejáveis dos genitores”, aponta.

Atualmente, a ACP conta com 32 associados espalhados por diferentes estados do Brasil. Embora o Paraná ainda concentre cerca de 40% dos exemplares da raça, há rebanhos de Purunã nos dstados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Tocantins e Rondônia. São aproximadamente 12 mil animais registrados no território nacional, um crescimento contínuo e sólido.

Pesquisa

Purunã é a primeira raça de bovino para corte desenvolvida no Paraná e a única criada por um centro estadual de pesquisa no Brasil. “É uma conquista que orgulha os paranaenses, uma contribuição significativa para a cadeia produtiva de carne no Brasil que ressalta a importância do aparato estadual de ciência e tecnologia voltado à agropecuária”, afirma Golba.

Foi oficialmente reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2016, que também credenciou a Associação de Criadores de Purunã para fazer o controle genealógico, procedimento que atesta a origem dos animais, seus ascendentes e descendentes, e sua conformidade com os padrões zootécnicos da raça.

No jargão técnico, trata-se de um bovino composto, pois obtido do cruzamento entre diferentes raças — Charolês, Aberdeen Angus, Caracu e Canchim. Até ser finalizado e reconhecido pelo Mapa, foram quase quatro décadas de cruzamentos e seleções controladas para agregar ao Purunã os melhores atributos de cada estirpe utilizada na sua formação.

Caracu e Canchim transmitiram rusticidade, tolerância ao calor e resistência aos carrapatos. Charolês contribuiu com o rápido ganho de peso, carcaça de grande rendimento e elevado porcentual de carnes nobres, enquanto o Angus deu precocidade, tamanho adulto moderado e temperamento dócil, além de alta qualidade do marmoreio na carne.

Destaca-se ainda a habilidade materna e boa produção de leite das vacas Purunã, características importantes para o manejo dos rebanhos herdadas de Caracu e Angus.

Purunã

O nome presta uma homenagem à Serra do Purunã, que separa o Primeiro do Segundo Planalto do Paraná e está situada não muito longe da Estação de Pesquisa Fazenda-Modelo, localizada em Ponta Grossa, local onde foram realizados todos os estudos, cruzamentos e seleções dos rebanhos que resultaram na nova raça.

Fonte: AEN-PR
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Bovinos / Grãos / Máquinas Casca (Rio Grande do Sul)

Laticínios Santa Clara de Casca celebra cinco anos industrializando 550 mil litros de leite por dia

O espaço é utilizado para produzir todas as versões de leite UHT: integral, desnatado, semidesnatado, zero lactose e o último lançamento, Leite Senior 50+, além do creme de leite UHT.

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O espaço é utilizado para produzir todas as versões de leite UHT Foto: Divulgação/Cooperativa Santa Clara

A indústria de laticínios de Casca (Rio Grande do Sul) comemorou, na última sexta-feira (12), cinco anos de atividade, industrializando 550 mil litros de leite por dia. A inauguração ocorreu em 2019, com investimento de R$ 130 milhões. Há cinco anos, a unidade de 22 mil metros quadrados iniciou suas atividades com 150 funcionários, processando 300 mil litros por dia. Atualmente, conta com cerca de 325 funcionários, diretos e terceirizados, envolvendo fábrica, freteiros e prestadores de serviço no geral.

O espaço é utilizado para produzir todas as versões de leite UHT: integral, desnatado, semidesnatado, zero lactose e o último lançamento, Leite Senior 50+, além do creme de leite UHT. “Temos muito o que comemorar nesses cinco anos de atividade no município de Casca. Este foi um dos projetos mais importantes na história de vida da Cooperativa Santa Clara. Possuímos uma indústria consolidada, de alta tecnologia, contando com mais de 300 funcionários. Isso nos deixa muito felizes” comenta Gelsi Belmiro Thums, presidente da Cooperativa.

Laticínios Cooperativa Santa Clara de Casca celebra cinco anos de atividade

As operações iniciaram com uma máquina de envase, apenas durante o dia. Com o aumento das demandas, as operações passaram a ser de segunda a sábado. Hoje, a fábrica possui cinco linhas em operação, trabalhando 24 horas de segunda a domingo.

Em comemoração, a Cooperativa realizou um café da manhã com todos os funcionários da laticínios, visando festejar e agradecer o trabalho diário de todos.

A Santa Clara conta com três plantas de processamento do leite, Carlos Barbosa, Casca e Getúlio Vargas. A localizada em Casca é a que mais recebe e industrializa leite da Cooperativa.

10 anos Getúlio Vargas

Enquanto a unidade de Casca completa cinco anos, a indústria de Getúlio Vargas chega à marca dos 10 anos de atividade na Cooperativa Santa Clara, em 24 julho deste ano. Adquirida em 2014, processa cerca de três milhões de litros de leite por mês. A unidade é especializada na fabricação de derivados.

Fonte: Assessoria Cooperativa Santa Clara
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tendências até 2030

Sustentabilidade dita demanda por produtos lácteos

A evolução da demanda por produtos lácteos até 2030 será marcada por uma série de fatores, incluindo mudanças nas perspectivas do consumidor e avanços tecnológicos.

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Foto: Albari Rosa

A evolução da demanda por produtos lácteos até 2030 será marcada por uma série de fatores, incluindo mudanças nas perspectivas do consumidor e avanços tecnológicos. Segundo o economista, doutor em Economia Aplicada, pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa, Paulo Martins, essa questão é central nas tendências observadas atualmente no mercado. “Um dos principais elementos a considerar é a preocupação crescente dos jovens consumidores com a sustentabilidade e a produção do leite. Há estudos internacionais que apontam que o arroto da vaca e dos bezerros causa impacto ambiental. No entanto, pesquisas realizadas pela Embrapa e universidades brasileiras demonstram que a atividade leiteira pode mitigar esses efeitos por meio de práticas inovadoras e sustentáveis, como o sistema de integração lavoura, pecuária e floresta, que é facilitado pelo ambiente tropical brasileiro. Além disso, há esforços contínuos para minimizar a produção de gases no rúmen dos animais, com a introdução de produtos específicos que são importantes para essa redução” explica o assessor da Presidência da Embrapa.

Martins acredita que, com esses avanços, será possível entregar leite carbono zero de forma mais rápida do que se imagina. “Esse desenvolvimento é essencial para manter o interesse dos jovens consumidores em produtos lácteos. Com o aumento da renda per capita brasileira, que atingiu em média US$ 10 mil, há uma tendência de crescimento no consumo de queijos e outros derivados lácteos, enquanto o consumo de leite fluído se mantém estável” aponta o economista.

As mudanças nos hábitos alimentares também estão impulsionando a demanda por derivados lácteos. “Os jovens adotam cada vez mais bebidas lácteas, enquanto os adultos continuam a preferir o leite fluído. Atualmente, o consumo de leite no Brasil é de cerca de 170 litros por habitante ao ano, mas há potencial para aumentar esse número para 270 litros nos próximos anos. A indústria láctea tem respondido a essa demanda com novas soluções, como o whey, que é o soro do leite e tem sido amplamente aceito pelos jovens devido aos seus diversos usos industriais e benefícios nutricionais” afirma o doutor em Economia Aplicada.

Economista, doutor em Economia Aplicada, pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa, Paulo Martins: “A demanda por produtos lácteos no Brasil deve continuar crescendo, impulsionada por uma combinação de avanços tecnológicos, mudanças nas preferências dos consumidores e um aumento na renda per capita” – Foto: Arquivo pessoal

Enquanto isso, o consumo de leites vegetais, que teve um crescimento significativo na Europa e nos Estados Unidos, agora está em declínio. No Brasil, esses produtos ainda são caros e atraem um público limitado, principalmente aqueles preocupados com questões ambientais. No entanto, Martins salienta que os leites vegetais não oferecem a mesma qualidade nutricional que o leite natural, sendo compostos por uma mistura de ingredientes que não replicam os benefícios do leite. “A demanda por produtos lácteos no Brasil deve continuar crescendo, impulsionada por uma combinação de avanços tecnológicos, mudanças nas preferências dos consumidores e um aumento na renda per capita. A indústria láctea está bem posicionada para atender a essa demanda, oferecendo produtos sustentáveis e inovadores que atraem tanto os jovens quanto os adultos” ressalta o profissional.

Evolução do setor de lácteos

As regulamentações e políticas governamentais também vão exercer um papel relevante na evolução do setor de lácteos nos próximos anos, especialmente em termos de segurança alimentar e práticas de bem-estar animal. Martins aponta que muitos produtores ainda não perceberam que as mudanças climáticas não devem ser assunto apenas da política, mas, sobretudo, do setor de produção. “As recentes enchentes no Rio Grande do Sul são um exemplo claro de como os fatores climáticos representam riscos significativos para a atividade leiteira” salienta.

A necessidade de conceber novas tecnologias que levem em conta a variabilidade climática é urgente. Universidades, institutos de pesquisa e a Embrapa estão trabalhando para desenvolver essas tecnologias, que não visam apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a eficiência e a previsibilidade da produção. No entanto, é fundamental que haja uma política pública robusta para apoiar esses avanços tecnológicos.

O pesquisador é enfático ao afirmar que as políticas públicas devem focar na criação de seguros que protejam os produtores dos impactos climáticos extremos. Martins aponta que é fundamental que o Brasil reconheça a realidade das mudanças climáticas e implemente políticas que incentivem boas práticas de produção. “O setor privado, especialmente os laticínios, deve estimular a adoção de tecnologias mitigadoras de impactos ambientais. Por outro lado, o poder público, em suas diversas esferas, precisa fornecer infraestrutura básica como água e estradas, essenciais para a produção agrícola” enfatiza.

De acordo com o pesquisador, o governo federal está em um debate intenso para melhorar a previsibilidade das crises climáticas e reduzir os riscos por meio de zoneamento agrícola. “A Embrapa, junto com o Ministério da Fazenda e o Banco Central, está desenvolvendo políticas de crédito agrícola para incentivos a boas práticas de produção. Os governos estaduais e municipais também têm um papel fundamental em criar mecanismos de apoio e garantir a infraestrutura básica para os produtores” frisa.

Esses temas foram amplamente discutidos no 2º Fórum Nacional do Leite, realizado em abril pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). O evento destacou a importância de uma abordagem integrada entre o setor público e privado para enfrentar os desafios climáticos e garantir a sustentabilidade da produção láctea no Brasil.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura de leite e na produção de grãos acesse a versão digital de Bovinos, Grãos e Máquinas, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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