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Paraná quer estender eficiência da bacia leiteira dos Campos Gerais a outras regiões

Embora as regiões Oeste e Sudoeste se destaquem pelos volumes expressivos, é no Centro-Sul que se encontra a excelência na qualidade e competitividade, graças ao trabalho articulado de cooperativas e produtores locais.

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Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural

Em 2023, o Paraná produziu aproximadamente 4,4 bilhões de litros de leite, consolidando-se como o segundo maior produtor do Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná. Nos últimos 10 anos, a atividade cresceu 18,9%, mas a produção leiteira do Estado destaca-se não apenas pelo volume, mas também pela qualidade e eficiência, especialmente na região dos Campos Gerais. Embora as regiões Oeste e Sudoeste se destaquem pelos volumes expressivos, é no Centro-Sul que se encontra a excelência na qualidade e competitividade, graças ao trabalho articulado de cooperativas e produtores locais. Hernani Alves da Silva, engenheiro agrônomo e gerente de Projetos e Cadeias Produtivas do Emater/PR, oferece em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural uma visão aprofundada deste cenário dinâmico e, em sua visão, promissor.

Engenheiro agrônomo e gerente de Projetos e Cadeias Produtivas do Emater/PR, Hernani Alves da Silva: “A produção de leite no Paraná, em termos de volume, qualidade e competitividade, está bem resolvida em algumas regiões, particularmente na região Centro-Sul do Estado” – Foto: Arquivo pessoal

O Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite no Paraná, realizado em 2023 pelo IDR-Paraná, revela um panorama diversificado e em constante evolução. “A produção de leite no Paraná, em termos de volume, qualidade e competitividade, está bem resolvida em algumas regiões, particularmente na região Centro-Sul do Estado, onde estão presentes as cooperativas Capal, Castrolanda, Frísia e Witmarsum, que formam o Pool Leite”, explica Hernani.

Ele destaca que estas cooperativas têm demonstrado uma capacidade exemplar de organização e eficiência, atuando de forma conjunta em toda a cadeia produtiva. “Nesta região observamos alta escala de produção/propriedade, excelente qualidade do produto e competitividade no mercado, através da organização e estruturação destas cooperativas e operação conjunta na produção (fornecimento de insumos e assistência técnica), na logística (operam em conjunto o recolhimento da produção e industrialização) e no mercado (operam em conjunto), atendendo as expectativas do mercado. Nesta região a ‘crise do leite’ é menos impactante. Existe maior segurança dos produtores para aumento sustentável da produção, produtividade, melhoria da qualidade e acesso ao mercado, com produtos diferenciados”, elenca.

O profissional explica que as regiões Oeste e Sudoeste também têm mostrado avanços significativos, com alta densidade econômica na cadeia produtiva e melhorias contínuas na qualidade do leite, impulsionadas pela assistência técnica das cooperativas e do IDR-Paraná. No entanto, ele cita que “existem oportunidades para a produção de leite, como condições edafoclimáticas, culturais e sociais, mas as crises relacionadas ao mercado e a preços de leite geram insegurança e travam o crescimento”.

Por outro lado, nas demais regiões do Estado, como Noroeste e Norte, “o diagnóstico nos mostra grandes desafios, como baixa escala de produção, baixa oferta de assistência técnica e extensão rural, A ATER oficial e as cooperativas não têm conseguido atender esta demanda. Idade média elevada dos produtores, com dificuldades na sucessão familiar, falta de infraestrutura, como estradas, energia trifásica, comunicação e internet”, são outros pontos citados pelo gerente do Emater.

Tecnologia e inovação

A adoção de tecnologias de ponta tem sido um diferencial para os produtores de leite no Paraná. Hernani destaca que “o diagnóstico nos mostra que temos avançado na produção de leite no Paraná, com melhoria na escala de produção, uso de raças especializadas (melhoramento genético) – 76,4% dos produtores estão utilizando raças especializadas – Jersey, holandesa ou cruzamento destas raças. Além disso, a utilização de sistemas automatizados de ordenha e manejo do rebanho, assim como ferramentas de gestão zootécnica e econômica, tem transformado a produção leiteira no Estado. Também avançamos, principalmente nas propriedades médias e grandes, no uso de tecnologia da informação, com o uso de sistemas automatizados de ordenha e manejo do rebanho e no uso de ferramentas de gestão zootécnica, qualidade do leite e gestão econômica através da Associação de Produtores (APCBRH)”.

Isso ajudou o Estado a ter uma produção ao longo de todo o ano e se posicionar estrategicamente entre os produtores de lácteos do país. “A produção e produtividade do leite já não apresenta sazonalidade no Estado, oportunizando melhor acesso ao mercado em relação a outros Estados na oferta da produção”, observa Hernani. “De maneira geral ocorreram incrementos importantes na produção de alimentos volumosos, através do uso de tecnologias disponíveis, materiais genéticos, manejo e fertilidade do solo e no próprio manejo da produção de forragens, com melhoria na produtividade e qualidade dos alimentos”.

Desafios atuais

Apesar dos avanços, os produtores enfrentam desafios técnicos e de mercado que precisam ser superados para garantir a sustentabilidade do setor. Hernani identifica vários obstáculos: “O Diagnóstico da produção de leite no Estado nos mostrou alguns desafios: alto custo de produção, baixa lucratividade, falta de valorização da atividade leiteira, elevada carga de trabalho diária (penosidade), sucessão familiar nas unidades produtivas, pressão da sociedade por baixos preços e falta de assistência técnica”, enumera.

Sustentabilidade

A sustentabilidade ambiental e econômica é uma prioridade para os produtores de leite no Paraná. Hernani explica que “de uma maneira geral os sistemas de produção de leite são sustentáveis no Paraná, do ponto de vista ambiental. A maioria da produção é oriunda de sistemas com base na pastagem e/ou suplemento no cocho com forragem (silagem de milho e silagem de gramíneas). Nestes sistemas é comum o uso de sistema integrado de produção, com o sistema silvipastoril, que consiste na combinação de árvores, pastagem e gado numa mesma área e ao mesmo tempo, oferecendo boas condições de ambiente para produção de leite”.

Nos sistemas mais intensificados, como confinados e semiconfinados, a sustentabilidade ambiental é mantida com tratamentos adequados dos dejetos e boas práticas de bem-estar animal. “Nestes sistemas mais intensivos também apresentam boas condições de bem-estar animal, oferecendo conforto térmico para produção e reprodução e conforto físico (alojamento animal), preservando a saúde dos animais”, aponta o profissional.

Crescimento sustentável

As perspectivas para o setor de laticínios no Paraná são otimistas, aponta Hernani. Ele prevê um aumento na produção por propriedade e uma redução no número total de propriedades, sem comprometer a produção total. “O diagnóstico da atividade leiteira nos mostra a tendência de aumento na produção/propriedade, e redução no número de propriedades, sem redução da produção total. Permanecerão na atividade as propriedades com sistema de produção mais ajustado, com eficiência na gestão técnica e econômica da propriedade”, cita.

Um diagnóstico do estudo de 2023 revela que 54,71% dos produtores planejam aumentar a produção diária, enquanto 43,77% pretendem melhorar geneticamente o rebanho. Apenas 1,78% consideram vender a propriedade, indicando uma confiança geral no futuro do setor (veja gráfico 1 com mais intenções dos produtores de leite do Paraná).

Políticas públicas

O governo estadual desempenha um papel importante no apoio ao desenvolvimento do setor de laticínios. Hernani destaca políticas públicas importantes como o PRONAF e o Banco do Agricultor Paranaense, que oferecem crédito e apoio financeiro aos produtores. “Algumas políticas públicas disponibilizadas aos produtores de leite, principalmente na oferta de crédito para custeio e investimento e sustentabilidade econômica dos sistemas de produção. Na disponibilidade de crédito se destacam o PRONAF – Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, que disponibiliza crédito àquelas famílias que se enquadram como agricultores familiares, destinando apoio financeiro às atividades agropecuárias exploradas mediante emprego direto da força de trabalho do produtor e sua família, com juros subsidiados e prazos adequados”.

Outra política importante é o Banco do Agricultor Paranaense, que “possibilita ao Governo do Estado conceder subvenção econômica a produtores rurais, cooperativas e associações

Foto: Shutterstock

de produção, comercialização e a agroindústria familiar, além de projetos que utilizem fontes renováveis de energia e programas destinados à irrigação”. Hernani também destaca a importância do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (IDR-Paraná), que “atualmente consegue atender 22% dos produtores de leite do Estado, e os resultados obtidos são animadores, do ponto de vista econômico, social e ambiental, mostrando a importância desta política pública para a cadeia produtiva do leite no Paraná, que é essencialmente formada por agricultores familiares”.

Mercados

A diversificação da produção de laticínios, incluindo queijos especiais e iogurtes, é uma área com grande potencial de crescimento. Hernani sugere que “melhorar a qualidade e o rendimento industrial do leite, com aumento do percentual de gordura e proteína na composição e pagamento por sólidos totais”, é crucial para a diversificação bem-sucedida.

O setor de laticínios do Paraná tem demonstrado resiliência frente às crises, apostando na fidelização e formalização das relações entre produtores e indústrias. Hernani menciona a necessidade de “fidelizar e formalizar o relacionamento técnico e comercial entre produtores de leite e indústrias de laticínios por meio de parcerias duradouras, como no exemplo do Pool Leite”.

Melhorar a eficiência e o desempenho dos sistemas de produção, adequando-os aos princípios da sustentabilidade e bem-estar animal, é fundamental para acessar novos mercados. Hernani enfatiza a importância de “produzir leite com alta qualidade, a custo baixo e com organização logística eficiente para ser competitivo no mercado global como os principais exportadores mundiais, melhorar a eficiência e o desempenho agronômico e zootécnico dos diversos sistemas de produção de leite no Paraná, adequando a produção aos princípios da sustentabilidade, governança socioambiental (ESG) e bem-estar animal”.

Foto: Gisele Rosso

Hernani também destaca a necessidade de “melhorar a logística e a infraestrutura nas regiões produtoras de leite com investimentos em estradas, energia trifásica e internet, além de conquistar e manter a excelência sanitária e biossegurança dos rebanhos com serviço de defesa agropecuária e sanidade robusta”.

Alianças estratégicas

As parcerias entre produtores, indústrias, instituições de pesquisa e o governo são fundamentais para o desenvolvimento do setor. Hernani ressalta a necessidade de melhorar a organização e governança da cadeia produtiva do leite com estratégias setoriais pré-competitivas, eliminação de assimetrias tributárias, intercooperação visando eficiência na logística e investimentos em marketing geral para aumento do consumo de lácteos.

Ele também destaca a importância de proporcionar ao produtor rural e ao empresário industrial, qualificação em gestão empresarial, fomentando o empreendedorismo e a expansão sustentável do seu negócio, desenvolvimento de modelos de fidelização e contratualização da relação entre produtores de leite e indústrias, bem como modelos de pagamento do leite por qualidade e por sólidos. “Estímulo à inovação e investimentos por parte do IDR-Paraná, APCBRH e parcerias no desenvolvimento de equipamentos” também são apontados como cruciais por Hernani para garantir a competitividade do setor.

Com um olhar no futuro e uma base sólida de inovação e sustentabilidade, o Paraná está bem posicionado para continuar entre os líderes da produção de leite no Brasil. A combinação de excelência técnica, apoio institucional e resiliência dos produtores garante que o setor de laticínios do Estado continue a crescer e prosperar.

Gráfico 1: Em 2023 o IDR-PR fez o seguinte questionamento. No horizonte de 5 anos, quais os seus planos para a sua propriedade?

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura de leite e na produção de grãos acesse a versão digital de Bovinos, Grãos e Máquinas, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Investimento fomenta interiorização da produção de queijos finos no Paraná

Projeto coordenado pelo Biopark passa a atender quatro novas regiões e reforça integração com universidades estaduais. Com investimento de R$ 3,8 milhões, a iniciativa vai transformar a bacia leiteira nas regiões Sudoeste, Campos Gerais, Norte Pioneiro e Metropolitana de Curitiba, consolidando o estado como principal polo de queijos finos na América Latina.

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Foto: Ari Dias/AEN

O Governo do Paraná, em parceria com o Biopark de Toledo, anunciou na terça-feira (10) a expansão do Projeto Queijos Finos para quatro novas localidades no Estado. Com investimento de R$ 3,8 milhões, a iniciativa vai transformar a bacia leiteira nas regiões Sudoeste, Campos Gerais, Norte Pioneiro e Metropolitana de Curitiba, consolidando o Paraná como principal polo de queijos finos na América Latina.

Foto: Ari Dias/AEN

O anúncio ocorreu durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (Oeste), e contou com a presença do governador em exercício Darci Piana. “O nosso governo sempre tem defendido a realização de parcerias, pois não fazemos nada sozinhos, e isso envolve sociedade, empresários e todos os parceiros. Isso engrandece o Estado e faz com que a nossa produção cresça. Esse projeto, que começou no Biopark, conta agora com investimento do Governo do Estado para fortalecer a produção de queijo em todo o Paraná”, destacou Piana, destacando: “Temos o nono melhor queijo do mundo e agora estamos estendendo essa iniciativa para diversas regiões do Estado. Isso significa ajudar muita gente, especialmente o pequeno produtor, aquele que produz pouco leite. Em conjunto, eles vão aprender a fazer queijo de qualidade e nós teremos a segurança de adquirir esse produto, porque ele terá excelência e respeito com a saúde do povo do Paraná e do Brasil”.

A parceria vem sendo costurada desde 2025, a partir de uma visita do governador Carlos Massa Ratinho Junior no estande do Biopark no Show Rural. O projeto existe há cerca de seis anos e é realizado em conjunto pelo Biopark Educação, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o Sebrae/PR e o Sistema Faep/Senar.

Com a expansão, passam a fazer parte as secretarias estaduais da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), da Indústria, Comércio e

Foto: Ari Dias/AEN

Serviços (SEIC), além da Fundação Araucária e o próprio Biopark, que já desenvolve o projeto na região Oeste.

De acordo com o secretário da Seti, Aldo Bona, a iniciativa tem o potencial de transformar a realidade dos produtores em todo o Estado. “Este projeto é revolucionário porque ele pega aquilo que já era produzido na região, aquilo que os produtores já faziam cotidianamente, mas que tinham um ganho reduzido por ser um processo artesanal, e passa a formar essas pessoas, trazendo toda uma tecnologia para que se possa trabalhar com a produção de queijos finos”, ressaltou. “As pessoas passam a produzir com tudo aquilo que já tinham, mas em um processo com tecnologia aplicada, resultando em queijos que têm sido reconhecidos fora do País, premiados quadruplamente, agregando muito mais renda ao pequeno produtor”, acrescentou.

Foto: Ari Dias/AEN

Entre as ações realizadas estão treinamentos iniciais, com cursos teóricos e práticos para produtores interessados; consultoria personalizada, com a seleção de até 40 queijarias por região para atendimento direto na propriedade; doação de tecnologia, com a transferência de até cinco protocolos de fabricação de queijos finos já validados no mercado; e suporte laboratorial, com acompanhamento por três anos e análises gratuitas de água, leite e produto final. “Na expansão, vamos trabalhar com um curso teórico para o maior número possível de produtores de cada região. Depois disso, 20 serão selecionados para um curso prático, onde aprenderão boas práticas de fabricação de queijos e, desses 20, cinco serão escolhidos para receber uma tecnologia personalizada dentro da agroindústria, com acompanhamento da equipe para que o queijo seja produzido com alta qualidade e alto valor agregado”, explicou o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark, Tiago de Oliveira Mendes.

As atividades devem ocorrer nas universidades estaduais localizadas nas regiões que vão receber o projeto, como a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O Projeto Queijos Finos é coordenado por Kennidy de Bortoli, eleito o melhor queijeiro do Brasil. Além da capacitação, também serão

Foto: Ari Dias/AEN

oferecidas orientações para comercialização dos produtos. “Trabalhamos com tecnologia, transferência de conhecimento e também auxiliamos os produtores a colocar o produto no mercado, envolvendo marketing, embalagem, absolutamente tudo para que consigam comercializar melhor e lucrar um pouco mais dentro da propriedade, tornando-a mais sustentável”, disse ele, acrescentando: “A ideia é levar desenvolvimento para o campo da mesma maneira que já fazemos aqui, mas agora em todo o Estado”.

Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, o projeto entrega para a comunidade um resultado que transcende a técnica, a ciência e a tecnologia. “São resultados econômicos concretos. Essa possibilidade de transferência de tecnologia pode ampliar em mais de 380% o resultado obtido com as técnicas tradicionais. Saímos de um queijo vendido a R$ 25 o quilo para um produto que pode alcançar R$ 150 o quilo”, comentou.

Foto: Ari Dias/AEN

Fórum Internacional de TI

Durante a manhã, Darci Piana também participou da abertura do 7º Fórum Internacional de TI das Cooperativas, que visa a promoção de discussões sobre temas atuais e antecipar tendências da área da Tecnologia da Informação com foco no cooperativismo. Na programação estão palestras sobre conectividade rural, cibersegurança e inteligência artificial.

Show Rural

A 38ª edição do Show Rural Coopavel, que começou nesta segunda-feira (09), já teve recorde de público para um primeiro dia de feira. Foram 61.090 pessoas, 4.580 a mais que os 56.510 visitantes em 2025. O Governo do Estado participa com estandes, programas e convênios, além de anúncio de investimentos.

O Show Rural foi criado em 1989, quando reuniu apenas 15 empresas e recebeu 110 visitantes, e hoje se consolidou como um dos mais importantes eventos do setor no Brasil, sendo referência na difusão de tecnologias e no fortalecimento do setor agropecuário. A edição mais recente, realizada em fevereiro de 2025, atraiu mais de 407 mil visitantes em cinco dias e movimentou R$ 7 bilhões em comercialização.

Fonte: AEN-PR
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Carne bovina brasileira movimenta US$ 548 milhões na Gulfood 2026

Participação do Brazilian Beef fortalece presença no Oriente Médio e projeta quase US$ 3 bilhões em novos negócios.

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Fotos: Divulgação/ABIEC

A participação da indústria brasileira de carne bovina na Gulfood 2026, realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro, em Dubai, resultou em US$ 548,3 milhões em negócios realizados durante o evento e em expectativa de US$ 2,95 bilhões em negociações para os próximos 12 meses, decorrentes dos contatos comerciais estabelecidos ao longo da feira. Os resultados foram obtidos a partir da atuação do Brazilian Beef, iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O estande do Brazilian Beef contou com a participação de 31 empresas associadas, crescimento superior a 20% em relação à edição anterior. A feira reuniu mais de 8 mil expositores de 195 países e recebeu cerca de 200 mil visitantes qualificados no Dubai World Trade Centre.

Com área aproximada de 450 metros quadrados, o espaço apresentou dados do setor e os principais atributos da carne bovina brasileira, como qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e atendimento às exigências sanitárias e religiosas, incluindo a produção de carne halal. O estande também ofereceu aos visitantes a tradicional experiência do churrasco brasileiro, em parceria com o Barbacoa.

Durante os cinco dias de feira, foram servidos cerca de 800 quilos de carne bovina, com cortes como filé mignon, ancho e picanha, acompanhados de farofa Santa Rita e pratos tradicionais da culinária brasileira, como creme de milho, arroz biro-biro, arroz carreteiro e salada de batatas com maionese.

O estande do Brazilian Beef também recebeu diversas autoridades brasileiras, entre elas o embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, Sidney Leon Romeiro; o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; o gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir André Müller; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua; além dos deputados federais da Frente Parlamentar da Agropecuária Pedro Lupion, Arnaldo Jardim e Alceu Moreira.

As autoridades foram recepcionadas pelo presidente da Abiec, Roberto Perosa, e pelo diretor de Assuntos Estratégicos da entidade, Julio Ramos, que acompanharam as agendas institucionais e os encontros com empresas e compradores internacionais.

Para Roberto Perosa, os resultados confirmam a relevância estratégica da feira. “A Gulfood é uma plataforma fundamental para consolidar a presença da carne bovina brasileira no Oriente Médio e ampliar nosso alcance para outros mercados estratégicos. Os números desta edição demonstram a confiança dos compradores internacionais no produto brasileiro e na capacidade da nossa indústria de atender às mais diversas exigências globais”, afirmou.

Perosa também destacou a parceria de longo prazo com a ApexBrasil. “Ao longo de mais de duas décadas de participação na Gulfood, essa cooperação tem sido decisiva para fortalecer a imagem da carne bovina brasileira no exterior, ampliar o diálogo comercial e transformar contatos em negócios concretos.”

Participaram desta edição as empresas Agra, Astra, Barra Mansa, Beauvallet, Best Beef, Better Beef, Boi Brasil, Cooperfrigu, Fambras, Frialto, Frigoestrela, Frigol, Frigon, Frigosul, Frisa, Golden Imex, Iguatemi Beef, JBS, LKJ, MBRF, Masterboi, Mercúrio, Minerva, Naturafrig, Plena, Prima Foods, Ramax, Rio Maria, RXM, Supremo e Zanchetta Alimentos, reforçando a diversidade e a representatividade da indústria exportadora brasileira de carne bovina.

Fonte: Assessoria ABIEC
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Produtores de leite criam associação para enfrentar crise e desafios do setor no Paraná

Entidade formalizada durante Show Rural 2026 busca unificar atividade, cobrar medidas contra importações e desequilíbrios na cadeia e evitar a saída de produtores diante de margens negativas.

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Produtores de leite de diversas regiões do Paraná formalizaram, no fim da tarde de terça-feira (10), durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel, a criação da União Paranaense de Produtores de Leite. A nova entidade nasce com a proposta de representar institucionalmente o setor e articular medidas para enfrentar a crise que, segundo os pecuaristas, compromete a atividade há pelo menos três anos.

Foto: Divulgação

O ato contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional, deputado federal Pedro Lupion, além de dirigentes de entidades ligadas ao agro. A avaliação predominante entre os participantes é de que a organização coletiva é condição necessária para reequilibrar a cadeia e evitar a saída definitiva de milhares de produtores.

De acordo com Meysson Vetorello, uma das lideranças do movimento, o cenário projetado para 2026 repete as dificuldades enfrentadas ao longo de 2025. “Precisamos agir com rapidez. O quadro é o mesmo que afetou toda a atividade no ano passado”, afirmou.

Segundo ele, a criação da entidade é o primeiro passo para estruturar uma representação estadual sólida, nos moldes de outros estados, com perspectiva futura de articulação em âmbito nacional.

Entre as prioridades estão a unificação do discurso do setor, a busca por maior equilíbrio nas margens ao longo da cadeia e a adoção de

Meysson Vetorello, uma das lideranças do movimento: “Estamos pagando para trabalhar. Recebemos cerca de R$ 2 por litro e o custo chega a R$ 2,40” – Foto: Divulgação

medidas que reduzam a volatilidade de preços, apontada como fator recorrente de instabilidade. Produtores relataram discrepâncias na distribuição de resultados, com rentabilidade concentrada em outros elos enquanto a produção opera no limite. “Estamos pagando para trabalhar. Recebemos cerca de R$ 2 por litro e o custo chega a R$ 2,40”, exemplificou Vetorello.

Entre os entraves mencionados estão o volume de importações e a fragilidade na fiscalização de mercado.

Os pecuaristas alertam que a bovinocultura de leite exige investimentos de longo prazo e estruturação gradual das propriedades. Diante disso, produtores que deixam a atividade dificilmente retornam, o que pode resultar em redução permanente da base produtiva do Estado caso não haja mudanças estruturais no ambiente de mercado.

Fonte: O Presente Rural com Show Rural Coopavel
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