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Paraná quer – e tem tudo para – se tornar hub logístico da América Latina

Dessa maneira o Paraná passa a ajudar o setor produtivo e se torna atrativo para investimentos estrangeiros, o que pode ajudar o escoamento da produção de outros estados e países. O Estado passa a ser um centro distribuidor, gerando dividendos e empregos.

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O governo do Paraná quer se tornar um hub logístico da América Latina. Essa é uma bandeira que está sendo empunhada pelo governador Ratinho Junior, que está dando atenção às rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para alcançar tal status.

Mas o que é um hub logístico? Porque o Paraná está perseguindo essa meta? Em entrevista exclusiva, o governo do Paraná responde essas e outras perguntas aos leitores e leitoras do jornal O Presente Rural.

O Presente Rural – Explique o que é um hub logístico? Cite alguns pelo mundo.

Governo do Paraná – Hub logístico é o potencial de concentrar diversos serviços em um mesmo local (nesse caso, o Paraná) para atender a demanda do setor produtivo estadual, nacional e internacional. O Paraná é a divisa entre o Sul, o Sudeste, o Centro-Oeste e faz fronteira com Argentina e Paraguai. Está no centro de 70% do PIB da América do Sul, de um mercado consumidor com mais de 200 milhões de pessoas, perto de São Paulo e Buenos Aires. O Paraná também tem acesso ao mar, com portos em Paranaguá e Antonina, e a maior hidrelétrica do mundo na faixa Oeste.

Hub logístico é a capacidade de conectar todos esses ativos e facilitar a logística da iniciativa privada. Para isso, o Estado está investindo na Nova Ferroeste (corredor de 1,3 mil km entre Maracaju, no Mato Grosso do Sul, e Paranaguá), na concessão de aeroportos e na aviação regional, em obras no Porto de Paranaguá para aumentar o calado do mar e o potencial de movimentação de cargas, e em rodovias estaduais e federais.

Dessa maneira o Paraná passa a ajudar o setor produtivo e se torna atrativo para investimentos estrangeiros, o que pode ajudar o escoamento da produção de outros estados e países. O Estado passa a ser um centro distribuidor, gerando dividendos e empregos.

Frankfurt-ALE (com porto e aeroporto fundamentais para a Europa) e Xangai-CHI (com um dos maiores portos da Ásia) são exemplos de conexões globais.

O Presente Rural – Porque o Paraná pretende se tornar um hub logístico?

Governo do Paraná – O Paraná tem algumas das maiores cooperativas agroindustriais da América Latina, é o maior produtor de energia elétrica do país, tem liderança nacional em importantes segmentos agrícolas (avicultura, piscicultura, milho), tem uma indústria pesada (automotiva, equipamentos, móveis), e é uma das maiores economias do país.

O Governo do Estado tem investido ainda mais nessa locomotiva, com crédito subsidiado para pequenos agricultores, programas de atração de grandes investimentos e organização das principais vocações regionais.

O Paraná já tem uma infraestrutura bem organizada, mas pela localização e pelo potencial, é possível crescer ainda mais. Temos que olhar para o alto, chegar nas maiores economias do mundo, o que gera desenvolvimento social. Ser um hub logístico vai potencializar ainda mais essas conexões.

O Presente Rural – Quais as vantagens de ser um estado hub logístico na América Latina?

Governo do Paraná – O Paraná passa a ser uma referência. Com infraestrutura adequada, pode atrair mais investimentos e ser uma alternativa para o escoamento da produção de Argentina e Paraguai para a Europa. Um dos objetivos é que o Paraná seja uma das referências da ligação multimodal bioecânica, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico, facilitando a integração do Mercosul. Com a Nova Ferroeste, a nova ponte entre Brasil e Paraguai e o ramal ferroviário em Foz do Iguaçu, o Estado passa a contar com novas possibilidades de integração, que é o que o comércio global exige.

O Presente Rural – Quais as obras que estão em andamento para melhorar a logística atual no Paraná? Quais os prazos?

Governo do Paraná – Nova Ferroeste: Com um total de 1.304 quilômetros de extensão, a ferrovia vai ligar Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, ampliando e modernizando o trecho já existente entre Cascavel e Guarapuava. A previsão é que o investimento alcance R$ 33,4 bilhões. Já com relação à movimentação de carga, a estimativa do estudo é que se chegue a 38 milhões de toneladas no primeiro ano de concessão, ampliando essa cota para 85 milhões de toneladas ao final do período.

Estão em andamento o Estudo de Viabilidade Técnico-Operacional, Econômico-Financeira, Ambiental e Jurídico (EVTEA-J) e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). Após finalizadas todas as fases do projeto, como os estudos de viabilidade e os estudos de impactos ambientais, será lançado o edital para encaminhar o projeto ao leilão da concessão. O Governo do Estado estima que o projeto vá para a Bolsa de Valores do Brasil (B3) no início de 2022.

A implantação da nova via férrea permitirá o escoamento de grãos vindos do Paraguai e do Mato Grosso do Sul, além de proteína animal e grão do Oeste do Paraná. Atualmente, uma viagem de caminhão de Cascavel à Paranaguá leva em torno de uma semana. O novo projeto prevê que a viagem feita pelo modal ferroviário deve durar em torno de 20 horas.

Concessão de Rodovias: O novo leilão das rodovias terá seis lotes, totalizando 3.368 quilômetros. O pacote é dividido em 65% de rodovias federais e 35% estaduais. Será a maior concessão rodoviária da América Latina.

A proposta ainda está sendo ajustada e será analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), último estágio antes de avançar para leilão na Bolsa de Valores (B3). A perspectiva é que o pregão ocorra no primeiro trimestre de 2022. Lembrando que os atuais contratos vencem no dia 27 de novembro.

A diminuição do valor da tarifa é uma das premissas da nova proposta. A previsão é de redução média de 45% a 50% em relação aos atuais valores.

O projeto prevê investimentos de R$ 44 bilhões em obras. Serão 1.783 quilômetros de duplicação; construção de 11 contornos urbanos (Arapongas, Apucarana, Ponta Grossa, Califórnia, Sul Maringá, Norte Londrina, Nova Londrina, Itaúna do Sul, Guaíra, Peabiru e Marmeleiro); 253 quilômetros de faixa adicional nas rodovias já duplicadas; 104 quilômetros de terceira faixa para apoio ao trânsito; sinal wi-fi em todos os trechos de estradas, câmeras de monitoramento e iluminação em LED; e mais 1.000 obras como viadutos, trincheiras e passarelas. Além disso, a proposta estipula outros R$ 35 bilhões para custos de operação e manutenção das vias.

Segunda ponte com o Paraguai está com 70% das obras concluídas. Foto: Divulgação/DER

Investimentos em rodovias: Além da concessão, o Paraná mantém um programa robusto de investimentos em rodovias. Fazem parte do pacote contornos urbanos (Francisco Beltrão, Castro, Wenceslau Braz, Palotina e Marechal Cândido Rondon), duplicações (Rodovia dos Minérios, Maringá-Iguaraçu, Londrina-Mauá da Serra, Doutor Camargo-Rio Ivaí, Umuarama, Guarapuava, Cascavel e Matinhos) e pavimentações (Irati-São Mateus do Sul, Pitanga-Mato Rico, Palmas-Coronel Domingos Soares).

Também há mais de R$ 1 bilhão em investimentos em parceria com a Itaipu Binacional para a Estrada Boiadeira, duplicação do Contorno de Cascavel, duplicação da Rodovia das Cataratas, Contorno de Guaíra, ligação entre Ramilândia e Santa Helena e diversas outras iniciativas.

Concessão de aeroportos: Quatro aeroportos paranaenses foram leiloados no ano passado: Foz do Iguaçu, Curitiba (Bacacheri), São José dos Pinhais (Afonso Pena) e Londrina. O Bloco Sul, do qual os terminais paranaenses fazem parte, foi arrematado pelo valor de R$ 2,128 bilhões, um ágio de 1.534% da proposta inicial mínima de R$ 130,2 milhões.

A expectativa é que eles recebam investimentos na ordem de R$ 1,4 bilhão, com obras de ampliação, manutenção e exploração da infraestrutura dos terminais.

A previsão é que o Aeroporto Internacional Afonso Pena, por exemplo, receba R$ 566,2 milhões de investimentos. A principal obra prevista é a construção da terceira pista, com extensão de 3 mil metros, o que permitirá pousos e decolagens simultâneos, ampliação da capacidade e a possibilidade de receber voos diretos da Europa e dos Estados Unidos.

Obras em aeroportos: Além dos quatro concedidos, o Paraná terá 10 aeroportos completamente modernizados nos próximos anos. Dois deles, inclusive, já estão em operação – Cascavel, na Região Oeste, e Umuarama, no Noroeste.

Quatro aeroportos estão com obras com recursos do Estado e do governo federal. No de Pato Branco, no Sudoeste, o Estado investiu R$ 2,87 milhões na pavimentação asfáltica, recapeamento e sinalização horizontal da pista de pouso, área de escape, pátio de manobras e pista de taxiamento. Mais R$ 27 milhões foram destinados recentemente, o que vai permitir à prefeitura concluir a ampliação, incluindo o aumento da pista.

Já a pista do Aeroporto Municipal Aguinaldo Pereira Lima, em Siqueira Campos, no Norte Pioneiro, está recebendo recapeamento asfáltico e sinalização horizontal. Ela tem 1.210 metros de extensão e 23 metros de largura. As intervenções estão 84,37% executadas. O valor é de R$ 2 milhões, com recursos da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística.

Polo regional do Noroeste, Maringá ganhou uma ampliação da pista em 280 metros – vai chegar agora a 2.380 metros –, nova taxiway, ampliação do pátio e balizamento de LED. Também com recursos federais, estimados em R$ 35,3 milhões, o Aeroporto Comandante Antônio Amilton Beraldo, mais conhecido como Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, vai ganhar uma nova taxiway, a reforma e ampliação do pátio de aeronaves, estacionamento de veículos, cerca operacional e terminal de passageiros com mais de 2 mil metros quadrados.

Há, também, quatro protocolos em fase de instrução processual para a celebração de convênios entre Governo do Estado e municípios, em Cornélio Procópio e Arapongas (Norte) e Paranavaí e Loanda (Noroeste).

Portos: A Portos do Paraná já concluiu a primeira etapa das obras de detonação da Pedra da Palangana. Ao todo, a obra deve remover 22,3 mil metros cúbicos das formações rochosas – o equivalente a 12% do total. A profundidade atual, que no trecho mais crítico é inferior a 12 metros, será atualizada e a expectativa é que passe para 14,6 metros, podendo receber navios maiores.

Outra obra emblemática é o Moegão, projeto de centralização da descarga ferroviária em uma moega exclusiva para trens no Corredor de Exportação da região Leste do Porto de Paranaguá. Entre os benefícios, além de aumentar a participação e dar mais agilidade à descarga pelo modal, estão a redução das interferências e cruzamentos rodoferroviários (de 16 para cinco pontos) e a redução dos custos para a cadeia logística. O investimento é de R$ 450 milhões.

O Presente Rural – O que o Estado faz para atrair investidores para esta área?

Governo do Paraná – O Paraná tem o maior programa de desburocratização do país, o Descomplica, o que tem permitido novos investimentos e um bom ambiente de negócios.

O Estado também tem a Invest Paraná, agência dedicada a atrair novos negócios privados. Em pouco mais de 2 anos, mais de R$ 80 bilhões foram prospectados para o Paraná – apenas a Klabin, nos Campos Gerais, vai investir mais de R$ 12 bilhões.

Com legislação moderna, o Paraná também criou o modelo de autorização para projetos de infraestrutura, o que deve facilitar a construção de ramais ferroviários, e uma Lei de Inovação capaz de aproximar a iniciativa privada da administração pública.

Com o BRDE e a Fomento Paraná, o Estado também tem uma política agressiva de crédito para novos investimentos, gerando empregos e potencializando os municípios.

O Estado também desenvolve diversos programas regionalizados para que os potenciais de cada localidade sejam melhor aproveitados, fortalecendo a economia como um todo. Exemplo disso são a cadeia da cultura da seda; o turismo; e a rede de Pequenas Centrais Hidrelétricas.

O Presente Rural – Quais são os investimentos privados já previstos ou no radar?

Governo do Paraná – Investimentos futuros ainda são sigilosos, mas o Estado já anunciou nos últimos meses apoio a grandes projetos, como a Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa (fábrica de R$ 3 bilhões para produzir 240 mil toneladas de malte por ano); a maior fábrica de empanados e salsichas do mundo, em Rolândia (investimento de R$ 1,8 bilhão da JBS); e o maior frigorífico de suínos da América Latina, em Assis Chateaubriand (a primeira fase da obra deve ser concluída em 2022, com a capacidade inicial de abate de 7.500 suínos por dia e investimentos de R$ 840 milhões).

O Presente Rural – Como ficarão os pedágios após a nova concessão?

Governo do Paraná – O Governo do Estado preparou um guia para entender a nova concessão de rodovias. Ela está dividida em seis lotes que totalizam 3,3 mil quilômetros de estradas. O conjunto é formado por estradas estaduais (35%) e federais (65%). O projeto prevê investimentos de R$ 44 bilhões em obras.

O modelo desenvolvido em conjunto pelo Governo do Estado, governo federal, Assembleia Legislativa, setor produtivo e sociedade civil organizada tem como base três premissas: menor tarifa, maior número de obras e transparência. O contrato será de 30 anos. Vence o leilão quem apresentar o maior desconto na tarifa de pedágio, com expectativa de redução média, já na largada, de 30% em relação aos preços atuais. O Paraná será o único estado sem outorga e sem o limitador de desconto no leilão. O modelo foi personalizado para o Estado.

Os lotes serão leiloados de maneira separada. Ou seja, cada fatia pode ficar sob administração de uma empresa/consórcio. A competição será livre, inclusive para arrematar mais de um lote.

A diminuição do valor da tarifa é uma das premissas da nova proposta. Por exemplo, uma praça de pedágio que tenha uma tarifa de R$ 16,30 vai a leilão com uma redução média de 31%. Antes mesmo do desconto concedido pela concessionária, a tarifa já será reduzida para R$ 11,30. Esse valor ainda diminui conforme a proposta de cada empresa. Se ela conceder 10% de desconto, a tarifa vai a R$ 10,20. Se o desconto for de 17%, a tarifa chega a R$ 9,40. Se for de 26%, R$ 8,50. Ou seja: o valor final esperado é de 37% a 48% menor que o atual. O desconto inicial vai variar de acordo com o trecho e o lote. A média atual das tarifas é de R$ 16,30. Esse valor deve ficar abaixo de R$ 10 depois do leilão.

Os novos acordos contemplarão gatilhos para a implantação da cobrança por quilômetro rodado, decretando o fim da necessidade das praças de cobrança de pedágio. Mas a iniciativa ainda passa por regulamentação no governo federal.

O Paraná e os paranaenses não tiveram uma experiência exitosa com o primeiro pedágio. Foram anos de preços abusivos e obras não realizadas. É hora de mudar essa realidade. A nova concessão é a chance de dar um salto logístico de longo prazo porque transformará as principais rodovias, agora de maneira concreta, nas melhores e mais seguras do país. E esse processo ocorre em paralelo com a responsabilização das atuais concessionárias pelo fracasso dos contratos que se encerram neste ano.

As rodovias do programa foram selecionadas de acordo com a necessidade de investimentos em infraestrutura rodoviária e com critérios técnicos e de viabilidade. A ampliação da malha concedida do Estado visa a melhor integração do modal rodoviário e conectividade entre cidades, polos produtivos e de escoamento, bem como aprimorar a segurança viária, fluidez do tráfego e oferta de serviços de atendimento ao usuário. O Estado é líder em diversos setores, e precisa de uma infraestrutura à altura para que possa continuar crescendo e ampliando sua relevância na economia brasileira.

O Governo do Paraná incluiu no pacote federal a PR-280 (Sudoeste), a PR-323 (Noroeste) e a PR-092 (Norte Pioneiro). As três rodovias têm histórico de acidentes e, apesar do crescimento das cidades e dos negócios que as envolvem, continuam a demandar recursos com manutenção e modernização. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) está começando a implementar terceiras faixas nessas rodovias para antecipar as melhorias, mas o objetivo é de solução definitiva. Com a inclusão, serão 1,1 mil quilômetros de rodovias estaduais com os requisitos do pedágio, que envolvem melhora na segurança, na iluminação e no trânsito.

Uma concessão conjunta facilita a atração de investidores para essas rodovias, que têm fluxo menor do que as federais. As rodovias estaduais também concentrarão cerca de 60% dos investimentos dos contratos de concessão, ou seja, terão padrão internacional de qualidade e segurança. Esse projeto soluciona gargalos históricos em PRs que nunca receberam o devido cuidado.

O Presente Rural – Atualmente boa parte dos custos do agronegócio está ligado à logística. Como essas obras e projetos podem melhorar esse cenário, especialmente para as agroindústrias?

Governo do Paraná – Apenas a Nova Ferroeste vai reduzir em 27% o custo das exportações. De acordo com os técnicos responsáveis pelo estudo, a construção da ferrovia terá um impacto imenso dentro da logística nacional, diminuindo custos e ampliando a capacidade de exportação.

A área de influência indireta abrange 925 municípios de três países. São 773 do Brasil, 114 do

Nova Ferroeste deve reduzir preço do frete para o agronegócio. – Foto: Jonathan Campos/AEN

Paraguai e 38 da Argentina. No Brasil, impacta diretamente 425 cidades do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, totalizando cerca de 9 milhões de pessoas. A área representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Há estimativa de um aumento de 40% nas exportações de grãos e celulose para o Paraguai, por exemplo.

Já as tarifas de pedágio poderão ter redução de até 50% no Paraná, com expectativa até de ultrapassar esse patamar na disputa da nova concessão. Esse cálculo, elaborado em conjunto entre o Governo do Estado e a União, pode derrubar o valor cobrado atualmente em algumas praças pela metade, com garantia de execução das obras previstas no edital de concessão. Dessa maneira, o custo logístico das empresas também será reduzido.

O Presente Rural – O Paraná tem algum projeto ou programa para melhorias em estradas rurais?

Governo do Paraná – O Paraná tem o Programa Estradas Rurais Integradas, que garante o acesso aos serviços de saúde, transporte escolar, escoamento da produção, lazer e turismo rural. O Estado já garantiu a pavimentação de 474 quilômetros em 118 convênios apenas neste ano. Os recursos somam R$ 144,7 milhões. O objetivo é terminar o ano com 600 quilômetros.

Parte dos recursos para investimento nas estradas rurais vem do financiamento de R$ 1,6 bilhão com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, sacramentado no ano passado pelo Governo do Estado. Do montante, cerca de R$ 126 milhões serão destinados a obras de reestruturação nas vias do campo. Outra fatia é oriunda das taxas do Detran.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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