Avicultura
Paraná puxa retomada do frango brasileiro no exterior
Com sanidade comprovada e logística eficiente, o estado responde por mais de 40% das exportações nacionais. União Europeia, Chile, Arábia Saudita e outros países já liberaram compras, impulsionando presença brasileira no mercado global.

A carne de frango brasileira voltou a ocupar espaço no mercado internacional com a queda de barreiras sanitárias e a normalização gradual das compras. Como maior produtor nacional e o segundo maior do mundo, o estado do Paraná lidera esse movimento e concentra a maior fatia das exportações brasileiras. “Os mercados voltaram. O setor respondeu com sanidade, eficiência e entrega. O Paraná puxa essa retomada porque tem escala, qualidade e logística para cumprir contrato em qualquer cenário para garantir segurança alimentar nos mercados globais”, afirma o empresário Roberto Kaefer, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

Presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer: “Os mercados voltaram. O setor respondeu com sanidade, eficiência e entrega” – Foto: Divulgação/Sindiavipar
O avanço ocorre em paralelo à reorganização sanitária global. Países vêm retirando restrições impostas após casos pontuais de gripe aviária no Rio Grande do Sul e retomando as negociações de forma progressiva. Kaefer pontua que a posição do Brasil sustenta a confiança do importador e dá previsibilidade à cadeia. O país é o principal exportador mundial de carne de frango – apesar de os Estados Unidos terem uma produção superior à brasileira, boa parte é para atender ao mercado interno.
Liberações
A União Europeia reconheceu o Brasil como livre de gripe aviária e autorizou a volta das compras. Países como Chile, Namíbia, Macedônia do Norte e Arábia Saudita retiraram as restrições. Além destes, outros sete mercados — Argentina, Cuba, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Índia, Mauritânia e Uruguai — também liberaram a carne de aves do País.
Kaefer fala que o país segue uma agenda ativa com mercados consumidores, como a China, para reabrir o acesso nas próximas semanas, com missão agendada para o próximo dia 22 de setembro no estado do Rio Grande do Sul. “Importante destacar que o registro de gripe aviária ocorreu no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, que está muito mais próximo do Uruguai (300 km) e a mais de 1,1 mil quilômetros do Paraná. Nossas plantas seguiram aptas, com sanidade comprovada e controles em dia. Mantivemos conformidade plena e estamos prontos para atender à retomada dos mercados”, pontua.
“Quando as barreiras caem, os mercados consumidores buscam quem garante volume, constância e cumpre contratos. O Brasil tem isso, o Paraná entrega isso. Nosso foco agora é transformar reaberturas em contratos de médio prazo e presença contínua”, afirma o presidente do Sindiavipar.
Os números recentes reforçam o quadro. O Estado responde por cerca de um terço da produção nacional e por mais de 40% das exportações do País. Em 2024, as indústrias paranaenses embarcaram 2,17 milhões de toneladas, o equivalente a 16% do comércio global de frango, de acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).

Avicultura
Alta do diesel e das embalagens eleva custos da avicultura brasileira
Alta simultânea do combustível e das resinas plásticas pressiona logística, processamento e competitividade da avicultura, especialmente no Rio Grande do Sul.

A combinação de aumento no preço do combustível e encarecimento de insumos industriais começa a pressionar uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro: a produção de proteína animal. Nas últimas semanas, produtores e agroindústrias passaram a enfrentar um novo ciclo de custos impulsionado pela alta do diesel e das resinas plásticas utilizadas na indústria de alimentos.
O Diesel S10 acumulou alta de 24,3% nos últimos 30 dias, alcançando preço médio nacional de aproximadamente R$

Foto: Divulgação
7,57 por litro em março de 2026. No mesmo período do ano passado, o combustível custava cerca de R$ 6,20 por litro, uma variação anual que pode chegar a 22% dependendo da região.
A elevação reflete fatores como a valorização do petróleo no mercado internacional, a desvalorização do real frente ao dólar e reajustes aplicados nas refinarias brasileiras.

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Para a cadeia avícola, produção de carne de frango e ovos, altamente dependente de logística rodoviária, o impacto é direto. O combustível está presente em praticamente todas as etapas da produção: transporte de ração, deslocamento de aves entre granjas e frigoríficos e distribuição da carne para o mercado interno e exportações.
Ao mesmo tempo, a indústria de alimentos enfrenta outro fator de pressão: o encarecimento das embalagens plásticas. Insumos como Polietileno e Polipropileno registraram aumentos próximos de 30% no último mês, impulsionados pelo custo da matéria-prima petroquímica e pela elevação da tarifa de importação dessas resinas no Brasil. Atualmente, a alíquota de importação de resinas plásticas está em 20%, enquanto a média global gira em torno de 6,5%, ampliando a diferença de custos em relação a outros mercados.
Na indústria de alimentos, as embalagens representam entre 15% e 25% do custo total de diversos produtos,

Foto: Divulgação
especialmente carnes resfriadas, congeladas e processadas.
Quando somados, os dois fatores, combustível e embalagens, geram um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva.
Setor acompanha cenário com atenção
Para o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, o momento exige atenção do setor produtivo. “A avicultura brasileira é uma das cadeias mais eficientes do agronegócio, mas também extremamente sensível a oscilações em insumos estratégicos. Quando diesel e embalagens sobem ao mesmo tempo, isso gera uma pressão importante sobre a logística, o processamento e a estrutura produtiva”, ressalta.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Quando diesel e embalagens sobem ao mesmo tempo, isso gera uma pressão importante sobre a logística, o processamento e a estrutura produtiva” – Foto: Divulgação/Asgav
Segundo ele, a competitividade construída pelo setor depende de equilíbrio no ambiente econômico. “O Brasil conquistou protagonismo global na produção de carne de frango. Para manter essa posição, é fundamental garantir previsibilidade de custos e um ambiente que preserve a competitividade das cadeias produtivas”.
Cadeia estratégica para o Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul está entre os principais polos da avicultura brasileira, com forte integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias. O setor gera milhares de empregos e tem papel relevante tanto no abastecimento do mercado interno quanto nas exportações de proteína animal.
Em um cenário global de demanda crescente por alimentos, o acompanhamento das variáveis de custo se torna decisivo para garantir sustentabilidade econômica e continuidade do crescimento da cadeia avícola.
Avicultura
Chile suspende exportações de frango após caso de gripe aviária
Primeiro caso em uma granja industrial da região Metropolitana leva autoridades a acionar protocolos sanitários e negociar com mercados importadores.

O Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (SAG) confirmou o primeiro caso de influenza aviária em aves de postura em um plantel industrial em Talagante, na região Metropolitana. Após a detecção, foram acionados protocolos sanitários e o país suspendeu temporariamente a certificação para exportações de produtos avícolas.
O caso foi comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e o SAG iniciou articulações com países importadores para retomar os embarques o mais rápido possível. O órgão informou que o abastecimento interno de carne de frango e ovos está garantido e que o consumo não oferece risco à saúde.
A ocorrência integra um surto já registrado em diferentes regiões do país, com casos em aves silvestres e de subsistência. O SAG reforça a adoção de medidas de biossegurança e orienta que suspeitas da doença sejam comunicadas imediatamente. Também segue disponível o seguro para indenização em casos de abate sanitário.
Avicultura
Cotação dos ovos oscila pouco e mantém estabilidade no país
Levantamento do Cepea indica variações moderadas entre regiões produtoras e consumidoras.

Os preços médios dos ovos registraram variações discretas nas principais praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em 31 de março de 2026.
Em Bastos (SP), referência nacional na produção, o ovo branco foi cotado a R$ 163,71, com leve recuo de 0,14% no dia, enquanto o vermelho chegou a R$ 187,34. Na região da Grande Belo Horizonte (MG), os preços foram de R$ 174,34 para o branco e R$ 198,74 para o vermelho, sem variação informada.
Em Santa Maria de Jetibá (ES), outro importante polo produtor, o ovo branco teve queda de 1,25%, sendo negociado a R$ 175,29. Já o ovo vermelho apresentou alta de 1,48%, alcançando R$ 198,34.
Na Grande São Paulo (SP), os valores ficaram em R$ 171,76 para o ovo branco e R$ 191,17 para o vermelho. Em Recife (PE), os preços foram de R$ 160,48 e R$ 177,24, respectivamente, também sem variações registradas no período.



