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Paraná propõe Plano Safra 2026/27 de R$ 670 bilhões
Entidades do agro defendem ampliação de recursos para custeio, investimento e seguro rural diante de custos elevados no campo.

O Sistema Faep, em conjunto com outras entidades do agronegócio paranaense, defende que o Plano Safra 2026/27 contemple recursos da ordem de R$ 670 bilhões, sendo R$ 486,3 bilhões destinados a programas de custeio e comercialização e R$ 183,7 bilhões para investimento. O documento com as propostas foi encaminhado, na quarta-feira (04), aos Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário (MDA), além da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA).
Elaborado a partir de estudos técnicos e contribuições dos sindicatos rurais do Paraná, o documento foi desenvolvido pelo Sistema Faep, a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).
Acesse o documento das propostas para o Plano Safra 2026/2027 na íntegra

Alexandre Leal, presidente da Fetaep; José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar; Márcio Nunes, secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep
“O Plano Safra é determinante para garantir previsibilidade e competitividade ao setor. Estamos falando de um cenário desafiador para a safra 2026/27, com custos de produção pressionados. Por isso, defendemos um volume adequado de recursos, taxas compatíveis com a realidade do produtor e o fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O documento também foi entregue em mãos ao superintendente de Agricultura e Pecuária no Paraná, Almir Antonio Gnoatt, e à superintendente federal do Desenvolvimento Agrário no Estado, Leila Aubrift Klenk, reforçando o alinhamento entre as entidades do setor produtivo e as representações federais no Paraná. Além do presidente do Sistema Faep, participaram da reunião o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes; o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal; e o diretor de Gestão de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Richard Golba.
“As propostas são bem recebidas e analisadas pelos ministérios porque foram elaboradas com embasamento técnico e com informações coletadas no campo sobre as intenções do produtor rural, além de serem construídas coletivamente por todas as entidades do setor no Paraná”, ressalta o gerente do Departamento Técnico e Econômico (DTE), Jefrey Albers.
A iniciativa reforça o protagonismo do Paraná na formulação do Plano Safra, principal instrumento de apoio ao desenvolvimento da agropecuária brasileira, e evidencia a articulação do setor produtivo paranaense junto aos Poderes Executivo e Legislativo na construção das diretrizes da política agrícola.

Iniciativa de entidades reforça o protagonismo do Paraná na formulação do Plano Safra – Foto: Divulgação/Sistema Faep
O compilado também reúne propostas para o aprimoramento dos mecanismos de gestão de riscos, com recomendações específicas voltadas ao seguro rural e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), refletindo o compromisso das entidades com a construção de um ambiente produtivo mais seguro, previsível e resiliente. O documento ainda destaca medidas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo sua relevância econômica, social e estratégica para a segurança alimentar do país.
“Diante dos desafios enfrentados nas últimas safras, as medidas apresentadas no documento requerem atenção especial do governo federal, principalmente quanto aos volumes de recursos e na política agrícola. A não adoção dessas diretrizes pode comprometer o desenvolvimento e o crescimento do agronegócio brasileiro”, reforça Meneguette.
Custeio e comercialização
Dentro dos R$ 486,3 bilhões, o pedido é para R$ 50 bi para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); R$ 70 bi para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp); e R$ 366,3 bi para os demais produtores.
As entidades também solicitam o aumento do limite de contratação anual para R$ 4,5 milhões para os demais produtores e a elevação do limite de custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura, exploradas sob regime de integração não classificadas como cooperativa, de R$ 240 mil para R$ 400 mil.
Investimento

Considerando o montante de R$ 183,7 bilhões para investimentos, o documento prevê a ampliação do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) de R$ 8,15 bilhões para R$ 9 bilhões; e o aumento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp Investimento) de R$ 10,2 bilhões para R$ 15 bilhões, incluindo a atividade de turismo rural.
No Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro) e no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), o pedido é de elevação dos recursos de R$ 3,8 bilhões para R$ 7 bilhões, além do aumento do limite de crédito por beneficiário para R$ 4 milhões e coletivo para R$ 12 milhões.
Já para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), a reivindicação é de aumento dos recursos de R$ 8,2 bilhões para R$ 9,7 bilhões, ampliação do limite de crédito para R$ 250 milhões em armazéns com capacidade acima de 12 mil toneladas, inclusão da armazenagem de produtos frigorificados de origem animal e vegetal e autorização para aquisição de armazéns usados.
Juros
Para a safra 2026/27, o pedido é de juros máximos de 10,5%, dependendo da linha de custeio, comercialização e investimento. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o pedido é de 7%.
As entidades defendem que o Plano Safra 2026/2027 opere de forma estratégica, garantindo previsibilidade, condições adequadas de financiamento e instrumentos capazes de mitigar os efeitos de juros ainda altos sobre a atividade produtiva.
Seguro rural

Foto: Gilson Abreu/AEN
Entre os principais pontos do documento está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O pedido é de R$ 4 bilhões para o PSR, além da implementação de uma subvenção diferenciada para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, mais vulneráveis a eventos climáticos adversos.
O documento também propõe a transferência do orçamento do PSR para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (2OC), com aplicação obrigatória, a fim de evitar contingenciamentos.
No âmbito do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), as entidades defendem a destinação de recursos para que a Embrapa realize levantamentos técnicos que embasem o ZARC – níveis de manejo, ampliando a segurança das recomendações técnicas.
Confira os principais pedidos para o Plano Safra 2026/27:
Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM)
– Corrigir em 20% os preços mínimos atuais;
– Incluir novos produtos;
– Melhorar a rentabilidade dos produtos;
– Promover a participação social e inclusão em políticas públicas.
Crédito para custeio e comercialização

Foto: Jaelson Lucas/AEN
– Disponibilizar R$ 486,3 bilhões para o custeio e comercialização da safra brasileira: R$ 50 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); R$ 70 bilhões para Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp); e R$ 366,3 bilhões para os demais produtores;
– Aumentar o limite de contratação anual para R$ 4,5 milhões para os demais produtores;
– Elevar de R$ 240 mil para R$ 400 mil os limites para custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura, exploradas sob regime de integração não classificadas como cooperativa.
Crédito para investimento
– R$ 183,7 bilhões para investimento da safra brasileira no total;
– Aumento do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) de R$ 8,15 bilhões para R$ 9 bilhões;
– Aumento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP Investimento) de R$ 10,2 bilhões para R$ 15 bilhões, incluindo atividade de turismo rural.
Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro) e Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro)

Foto: Gilson Abreu/AEN
–Aumentar recursos de R$ 3,8 bilhões para R$ 7 bilhões;
– Aumentar o limite de crédito por beneficiário para R$ 4 milhões e coletivo para R$ 12 milhões;
– Excluir a obrigatoriedade de que o projeto seja limitado à demanda energética da atividade instalada.
Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA e PCA até 12.000 toneladas)
– Aumentar de R$ 8,2 bilhões para R$ 9,7 bilhões;
– Aumentar o limite de crédito de R$ 200 para 250 milhões para armazéns com capacidade acima de 12 mil toneladas;
– Incluir a armazenagem de produtos frigorificados de origem animal e vegetal;
– Incluir a aquisição de armazéns usados.
Gestão de risco rural
– Prever no Plano Safra 2026/2027 a liberação de R$ 4 bilhões para o ano de 2026 para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural;
– Implementação de uma subvenção diferenciada para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, que são mais vulneráveis a eventos climáticos adversos;
– Transferir o orçamento do PSR para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional, 2OC, com aplicação obrigatória.
Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)
– Disponibilizar recursos para a Embrapa realizar levantamentos e estudos técnicos que embasem o ZARC – níveis de manejo.

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Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade começa formação prática em Toledo
Capacitação organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná treina equipes municipais para readequação de estradas rurais, conservação de solo e recuperação de nascentes.

O Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade inicia nesta quinta-feira (16), às 14 horas, em Toledo, a etapa prática de formação de técnicos municipais que atuam no meio rural. O curso será realizado no Centro de Eventos Ismael Sperafico e marca o início das atividades após o lançamento institucional ocorrido em dezembro, em Curitiba (PR).

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
A formação é direcionada principalmente a profissionais das prefeituras envolvidos na operação de máquinas da chamada “linha amarela” e na readequação de estradas rurais. A proposta combina orientação técnica para manejo de solo e drenagem com ações de recuperação de nascentes e educação ambiental.
A coordenação geral do projeto está a cargo de Altair Bertonha. A organização do curso foi estruturada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que indicaram articuladores locais.
De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Mokfa, o objetivo é alinhar práticas de conservação ambiental às rotinas operacionais das prefeituras. “A proposta é qualificar tecnicamente as equipes municipais para que as intervenções em estradas rurais considerem critérios de conservação do solo, da água e da paisagem”, afirma.
O evento também marca o lançamento de dois materiais didáticos que serão utilizados no curso: um Manual de Boas Práticas e uma

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
história em quadrinhos voltada à educação ambiental. A intenção, conforme a organização, é alcançar tanto técnicos quanto estudantes da rede escolar. “Os materiais foram pensados para traduzir conceitos técnicos em linguagem acessível e apoiar as ações nas comunidades”, menciona Mokfa.
A equipe de instrutores reúne engenheiros agrônomos, agrícolas, ambientais e de produção, além de biólogos, geógrafos e economistas. A abordagem é interdisciplinar e inclui aspectos produtivos, ambientais, sociais e de planejamento público.
O projeto prevê ainda a produção de trabalhos acadêmicos e a criação de uma plataforma digital para registro de demandas dos municípios, com foco na organização das informações sobre intervenções em estradas e pontos críticos de erosão e drenagem.
A cerimônia contará com representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), além de lideranças municipais e instituições de ensino superior.
Além da programação presencial, o evento também será transmitido de forma remota pelo link https://meet.google.com/iam-oxvj-bmu, ampliando o acesso e permitindo a participação de interessados de diferentes regiões.
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Mapa e CVM firmam acordo para ampliar financiamento do agro via mercado de capitais
Parceria prevê compartilhamento técnico e ações para facilitar acesso de produtores a instrumentos financeiros fora do crédito tradicional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão de Valores Mobiliários formalizaram um Acordo de Cooperação Técnica com foco na ampliação do financiamento ao setor agropecuário por meio do mercado de capitais.
A iniciativa ocorre em um contexto em que uma parcela relevante dos recursos destinados ao agro já tem origem em operações com títulos e valores mobiliários, como instrumentos de securitização e crédito privado. A parceria busca aprofundar esse movimento, ampliando o uso dessas ferramentas no financiamento da produção.
O convênio prevê o compartilhamento de conhecimento técnico entre as instituições, além do desenvolvimento de diagnósticos, estudos e análises voltadas ao aprimoramento do ambiente de financiamento do setor. Também estão previstas ações para promover o acesso de produtores e empresas agropecuárias ao mercado de capitais.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola do ministério, com apoio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, e da área de securitização e agronegócio da CVM.
O acordo tem vigência inicial de dois anos, contados a partir da publicação no Diário Oficial da União, com possibilidade de prorrogação. A expectativa é que a cooperação contribua para diversificar as fontes de recursos do agro e reduzir a dependência exclusiva das linhas tradicionais de crédito rural.
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Milho se mantém em R$ 69/sc com mercado travado por compradores retraídos
Cotações recuam pontualmente diante de estoques nas mãos da demanda e expectativa de novas quedas.




