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Paraná mostra resultados da política de saúde animal para a agroindústria no Alimenta 2025
Durante o Congresso e Feira de Proteína Animal foram apresentadas medidas de prevenção à gripe aviária e a conquista do status sanitário Livre de Febre Aftosa, que reforçam o Estado como referência em saúde animal e da qualidade sanitária dos alimentos.

O protagonismo e a eficiência do Paraná frente a grandes desafios da saúde animal foram destaques na quarta-feira (18), terceiro e último dia do Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal – Alimenta 2025, realizado em Curitiba (PR). No encontro, foram apresentadas as medidas de prevenção à gripe aviária e a atuação na conquista e manutenção do status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação, que reforçam a posição do Estado como referência nacional na promoção da saúde animal e da qualidade sanitária dos alimentos.

Chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias: “Estivemos nos preparando há muitos anos para este momento [Influenza aviária em granja comercial]. Estamos falando de quase 20 anos de investimentos e de uma união sólida entre o setor público e o privado para que o impacto na nossa produção seja mínimo – Fotos: Germano Busato/Adapar
Ele contextualizou a situação da zoonose em âmbito mundial e continental e detalhou como o Paraná tem atuado de forma vigilante para manter a sanidade nas granjas comerciais. “Vivemos hoje um desafio muito grande. Praticamente todos os continentes, todo país com produção relevante no setor avícola tem registros de foco dessa doença”, afirmou Rafael.
Ele destacou o Paraná como pioneiro na prevenção e controle da enfermidade. “Estivemos nos preparando há muitos anos para este momento. Estamos falando de quase 20 anos de investimentos e de uma união sólida entre o setor público e o privado para que o impacto na nossa produção seja mínimo”, afirmou.
Rafael também ressaltou que, desde a intensificação dos focos no mundo, em 2022, o Brasil, e principalmente o Paraná, tem se destacado na contenção e na manutenção do status sanitário.

Chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Adapar, Pauline Sperka de Souza: “Deslocamos servidores de todo o Estado, trabalhamos fins de semana e feriados para que o Paraná tivesse um controle eficaz e evitasse a disseminação da doença”
Ações da Adapar
Reforçando essas ações preventivas, a chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Adapar, Pauline Sperka de Souza, detalhou as medidas adotadas pelo Estado desde o aumento dos casos da doença no mundo. Ela explicou que, no Litoral, a Adapar intensificou o monitoramento de aves migratórias, que são principais vetores do vírus, para impedir a entrada da Influenza aviária nas granjas comerciais.
Além disso, foram promovidas palestras técnicas, orientações em campo e ações voltadas à biosseguridade. Pauline destacou que, já em 2025, novas fiscalizações ocorreram na região litorânea, com visitas a todas as 265 propriedades mapeadas.
Ela explicou que essas ações foram fundamentais para o controle da enfermidade no Paraná. Na região litorânea não existem granjas comerciais, apenas propriedades de subsistência, destinadas à criação para consumo próprio. No entanto, a interação entre aves migratórias e essas criações representa um risco de disseminação da doença.
Ao todo, desde de 2023 foram mais de 2.600 ações realizadas no Litoral. O Paraná registrou apenas 13 focos da doença em aves silvestres, todos rapidamente controlados, sendo o último desses registros em 14 de novembro de 2023. “Deslocamos servidores de todo o Estado, trabalhamos fins de semana e feriados para que o Paraná tivesse um controle eficaz e evitasse a disseminação da doença”, disse Pauline. “Desde então, seguimos atendendo notificações de rotina e mantendo a vigilância ativa. Não podemos nunca baixar a guarda”, reforçou.
Livre de febre aftosa
Ainda dentro do contexto de sanidade animal, o chefe da Divisão de Vigilância para Febre Aftosa da Adapar, Walter de Carvalho Ribeirete, apresentou o panorama do Brasil, que em maio de 2025 obteve o reconhecimento como país Livre de Febre Aftosa sem vacinação. O status foi concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após a certificação ser oficializada durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), realizada na França.

Chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias: “Vivemos hoje um desafio muito grande”
O Paraná já havia conquistado esse status em 2021, resultado de mais de 50 anos de trabalho conjunto entre iniciativa privada, entidades do agronegócio e o governo estadual. Com isso, a vacinação contra a febre aftosa foi substituída pela Campanha de Atualização de Rebanhos, realizada anualmente entre maio e junho.
Durante a apresentação, Walter enfatizou que o destaque paranaense é fruto de ações permanentes de vigilância ativa conduzidas pela Adapar. “Nossos fiscais e assistentes de fiscalização visitam as propriedades comerciais, realizam conferências de dados e, principalmente, identificam fatores de risco para garantir a qualidade sanitária e a saúde animal”, explicou. Segundo ele, mais de 7 milhões de animais já foram vistoriados no Paraná apenas neste ciclo de vigilância.
Sobre o Alimenta 2025
O Alimenta 2025 é um congresso internacional que reúne palestras sobre estratégias e tendências na produção e processamento de proteína animal, além de feira de tecnologias, workshops temáticos e espaços de relacionamento institucional.
Durante três dias, o evento em Curitiba abordou temas como a situação atual das proteínas animais no mercado global, segurança alimentar, novas soluções tecnológicas, avanços científicos, tendências de consumo e o papel do Brasil e especialmente do Paraná, no cenário internacional.
Patrocínio e apoio
O Alimenta 2025 – Congresso e Feira Internacional da Proteína Animal, é realizado pela Hollus Comunicação e Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação). Tem como correalizadores o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) e o Jornal O Presente Rural.
O evento tem o patrocínio da Copel (Companhia Paranaense de Energia), do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Apoiam o Alimenta 2025: Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Frimesa Cooperativa, Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Paraná) e Governo do Estado do Paraná.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



