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Paraná inicia censo inédito para mapear perfil da agricultura orgânica
Trabalho em todo o Estado deve ser feito no primeiro semestre.

Líder nacional na produção de orgânicos, com mais de 4.500 agricultores certificados, o Paraná vai fazer um censo, no primeiro semestre deste ano, para levantar as características dos produtores de todo o Estado. O passo inicial já foi dado. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em parceria com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), levantou inicialmente dados do Norte Pioneiro e está divulgando os resultados preliminares. O estudo foi feito com recursos do Programa Universidade Sem Fronteira, da Seti, e também do Fundo Paraná.
Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a iniciativa reforça o protagonismo do Paraná no cenário nacional e internacional. “Hoje, além de sermos reconhecidos como o supermercado do mundo, o Paraná é tetracampeão em sustentabilidade, resultado de políticas públicas que valorizam quem produz com responsabilidade ambiental e social. A produção orgânica tem papel estratégico nesse processo, porque agrega valor, abre mercados e, principalmente, gera mais renda ao produtor rural, garantindo qualidade de vida no campo e fortalecendo a economia do Estado”, afirmou.
No Norte Pioneiro, o projeto envolveu 40 pessoas, entre extensionistas e bolsistas. Partindo de dados do Cadastro Nacional de Produtores de Orgânicos de janeiro de 2024, foram feitas filtragens e chegou-se a uma amostra de 776 indivíduos, ao nível de significância de 95%, com uma margem de erro de 2,5%. Os questionários permitiram definir várias características dos produtores de orgânicos e das unidades produtivas da região.
No perfil socioeconômico, verificou-se que 72% dos responsáveis pela produção são homens e 28% mulheres. 75% residem na área rural e 24 % na área urbana. Notou-se também um envelhecimento do produtor: a maioria está na faixa etária de mais de 50 anos. Quanto à escolaridade, metade (50%) tem ensino fundamental, seguido de ensino médio (29%) e ensino superior (20%).
A pesquisa levantou várias outras particularidades dos produtores, como uso de assistência técnica; necessidade de linhas de financiamento; garantia de conformidade orgânica; custos de produção; mercados acessados pelos produtores; tamanho da produção; tipo de frutas e olerícolas produzidas; renda média e uso de estufas.
Outras aspectos são a adoção de sistemas de irrigação; equipamentos de preparo do solo e adubação; técnicas de manejo de pragas, doenças e plantas espontâneas; tipos de sementes e mudas; problemas relacionados ao manejo e a motivação para ser um produtor de orgânicos. Neste caso, 66% declaram que é a saúde da família.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, aprovou os resultados e explica que a pasta está ampliando a pesquisa para que o levantamento seja feito em todo o Paraná já no primeiro semestre de 2026. A Seti vai liberar R$ 550 mil para o IDR-PR dobrar o número de bolsistas envolvidos no projeto. E o Instituto vai disponibilizar os outros R$ 300 mil necessários para agilizar o processo.
“A previsão é concluir o censo até agosto para ser deixado como um legado para ajudar a estabelecer diretrizes para a produção de orgânicos no Estado”, afirmou Bona.
Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, a parceria com a Seti é um processo importante para o Estado, que torna possível a certificação das propriedades com cultivo orgânico.
“O Paraná avança rapidamente nesse conceito de produção mais limpa por uma série de questões que foram demonstradas nesse diagnóstico, que passa pela saúde da família dos agricultores, pela renda, e que tem no Norte Pioneiro hoje um dos esteios do Estado. A extensão desse processo para outras regiões vai permitir o aprofundamento do tema. Nós ficamos felizes por poder estender esse diagnóstico para as demais regiões do Paraná, em especial para a Região Metropolitana de Curitiba”, disse.
Segundo Souza, esse levantamento também pode ajudar em uma outra questão preocupante: o envelhecimento do agricultor. “A agricultura do Paraná é uma agricultura exitosa do ponto de vista da balança econômica do Estado, mas tem algumas questões que precisam ser aprimoradas. Uma delas é você ter qualidade de vida e renda suficiente para atrair os jovens, porque senão você fica com uma agricultura envelhecida. E a gente tem consciência de que uma produção mais limpa, mais agroecológica, mais orgânica é um caminho de você segurar o jovem no campo. Agente tem essa convicção da importância da produção orgânica na sucessão familiar”, concluiu.

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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



