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Paraná entrega pavimentação de estrada rural emblemática a agricultores
Estado destinou R$ 2 milhões para a obra de pavimentação com blocos sextavados. Estrada do Boré será a próxima beneficiada. Também nesta quinta foi assinado um contrato entre a Cooperativa de Agricultores Familiares dos Municípios da Amenorte (Cooanorte) com a Polpanorte para incentivar a produção de maracujá na região.

Os produtores rurais e a comunidade de Japurá, no Noroeste do Paraná, comemoraram na quinta-feira (05) a entrega oficial da pavimentação com blocos sextavados da Estrada Coroa. O investimento do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, foi de R$ 2 milhões, com contrapartida municipal de R$ 816 mil.
Pelo menos 123 famílias de agricultores serão beneficiadas de forma direta. Elas têm as propriedades às margens da estrada e terão acesso melhorado, principalmente no transporte dos produtos para a Feira do Produtor, realizada duas vezes por semana, e para os que possuem barracões de frango e produzem milho e soja. Também é uma via que facilita o trânsito entre Japurá e São Tomé.
Essa foi a primeira estrada rural a receber pavimentação em Japurá. Ela foi construída na década de 1950 e um dos pioneiros que a abriram, Manuel Molinari, foi homenageado com uma placa.
O secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, anunciou que a pasta vai continuar a ajudar o município e que o segundo trecho a ser pavimentado será a Estrada do Boré, também beneficiando agricultores familiares, que são a maioria no município.
“É uma conquista da comunidade e uma obra que mostra a visão estratégica da administração do município”, disse. “O Estado tem de perceber onde pode contribuir e ter sensibilidade para trabalhar junto com a gestão local, que sabe quais as obras mais importantes”.
Para a prefeita Adriana Cristina Polizer, a obra é um marco e ficará na história de Japurá. “A pavimentação da Estrada Coroa beneficia uma região que tem vários produtores. Estamos investindo na infraestrutura local, promovendo o crescimento econômico e melhorando a qualidade de vida de nossa população. Além disso, a beleza natural que envolve essa estrada certamente atrairá moradores e visitantes que desejam desfrutar de momentos de lazer em um ambiente tranquilo e agradável”, complementou.
Cooanorte
Também nesta quinta foi assinado um contrato entre a Cooperativa de Agricultores Familiares dos Municípios da Amenorte (Cooanorte) com a empresa Polpanorte para incentivar a produção de maracujá. Mais de 60 produtores receberam mudas da planta. Com a assistência técnica dos servidores do IDR-Paraná, eles estão cultivando os frutos e terão lucro com a comercialização.
A Cooanorte é fruto da junção de dezenas de associações de agricultores familiares dos 12 municípios que compõem a Associação dos Municípios do Médio Noroeste do Estado do Paraná – Cianorte, Tapejara, Tuneiras do Oeste, Terra Boa, Jussara, São Tomé, Japurá, Indianópolis, São Manoel do Paraná, Rondon, Cidade Gaúcha e Guaporema.
“Nós tínhamos várias pequenas associações, procuramos os prefeitos da Amenorte que estão com uma visão nova, de desenvolvimento regional, foi proposto às associações que se unissem para criar uma cooperativa e foi montada a Cooanorte, uma cooperativa da agricultura familiar”, explicou o chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em Cianorte, Francisco Cascardo Neto, um dos idealizadores da cooperativa. “Nasceu pequena, mas com raízes profundas”.
Com pouco mais de cinco meses de atividade, a Cooanorte já é composta por 136 cooperados e recebe 36 produtos diferentes. Com apoio dos prefeitos, a cooperativa está ampliando sua logística de transporte com a instalação de entrepostos nas diversas cidades, onde também será diversificada a produção para morango e acerola, um dos destaques da região.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



