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Paraná ensaia retomada da produção de búfalos

Rebanho do Estado diminuiu nos últimos 20 anos, mas espécie traz vantagens na produção de leite e de carne.

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O pecuarista Luiz Carlos Chimin Claudino olha, orgulhoso, para o seu rebanho de búfalos, que mantém em uma propriedade em Morretes, no Litoral do Paraná. Ressalta o porte vigoroso dos animais, de pelagem preta e chifres em formato de caracol. São 100 matrizes – das quais 30 estão em lactação – e três touros da raça Murrah e puros de origem, com certificação na Associação Brasileira dos Criadores de Búfalo (ABCB).

Luiz Carlos Chimin aposta nos bufalos para produzir carne e leite – Fotos: Divulgação/Sistema Faep/Senar-PR

Apesar de se empolgar ao falar dos animais, Chimin está na contramão de um movimento. Ao longo dos últimos 20 anos, o rebanho paranaense desta espécie encolheu em um terço, para 35,4 mil cabeças. A valorização dos derivados de leite de búfala, no entanto, abre boas perspectivas para a atividade.

Hoje, o negócio de Chimin está voltado à produção de matrizes e reprodutores, que são vendidos a criadores do interior do Paraná e de São Paulo. A intenção do pecuarista, por outro lado, é entrar de vez no mercado de lácteos.

Ele já mantém uma sala de ordenha mecânica e, em anexo, construiu uma queijaria, de olho na fabricação de queijo frescal e muçarela. O objetivo é conseguir, ainda neste ano, o licenciamento para começar a produção dos derivados em escala contínua. Por enquanto, os queijos são produzidos de forma pontual, destinados ao consumo familiar e de amigos. “Diferentemente do que se pensa, o búfalo é um animal dócil, amigável e fácil de trabalhar. Há um movimento de se voltar a apostar nos búfalos em todo o Brasil”, diz Chimin, ampliando: “O queijo muçarela de búfala é um produto bastante valorizado. Com a queijaria regularizada, temos condições de produzir 15 toneladas de queijos por ano. Mercado há, pois o Paraná só consome muçarela de búfala que vem de São Paulo, por falta de escala local”, aponta.

Cenário paranaense

Citada por Chimin, a falta de escala é o principal entrave à atividade no Paraná. Para justificar a operação de um laticínio, é necessária a oferta de leite em volume capaz de manter a produção constante. O problema é que as microrregiões paranaenses não têm, de modo geral, um grupo de criadores de búfalos que dê conta da demanda, formando uma cadeia.

A exceção diz respeito a produtores de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, que distribuem o leite a uma indústria localizada do outro lado da divisa com São Paulo, no Vale da Ribeira. “Se você tem um laticínio, precisa de leite em volume. Então, o principal problema é de escala. É preciso ter regularidade no fornecimento, com escala. Se a cadeia conseguir se estruturar, não tenha dúvidas de que é um excelente negócio. O leite de búfala tem quase o dobro do teor de sólidos totais do bovino, o que se reflete no rendimento, 40% menos colesterol e vitamina A. É um derivado muito valorizado no mercado”, destaca o médico-veterinário e presidente do Departamento Técnico da ABCB, Amauri Paske, que desde 1980 pesquisa os bubalinos.

O problema da escala também se reflete na produção de carne. Como não há uma cadeia estruturada, os produtores não conseguem manter a oferta regular. Os frigoríficos até compram búfalos para o abate, mas a carne é vendida como se fosse de bovinos.

“Não se tem oferta de animais para abate, o que dificulta a operação dos frigoríficos. Quando vai um lote ao frigorífico, eles vão para o supermercado como se fosse carne bovina, justamente por não ter regularidade na oferta. Os produtores nunca se organizaram para fornecer uma escala de abate com regularidade”, diz José Lino Martinez, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que acompanha a cadeia produtiva no Estado.

Vantagens

Apesar da dificuldade na estruturação da cadeia produtiva, os búfalos têm uma série de vantagens em relação ao gado bovino. No caso da Murrah, raça predominante no Paraná, os animais têm dupla aptidão: bom desempenho para carne e produção de leite.

Outro ponto positivo é a melhor resposta à alimentação, ganhando peso precocemente: passam de 600 quilos em dois anos e meio. Por serem animais rústicos, os pecuaristas gastam menos com medicamentos e carrapaticidas, por exemplo. Além disso, os búfalos têm um índice reprodutivo superior.

“Em uma propriedade voltada à cria, recria e engorda de búfalos, a taxa média de prenhez é de 85%. No caso de bovinos, mesmo falando de Pecuária Moderna, a taxa de natalidade fica entre 65% a 70%. Por aí se tem uma ideia da capacidade reprodutiva dos búfalos”, diz Martinez.

Ordenha de búfalas usa a mesma tecnologia empregada com as vacas

Por tudo isso, o custo de produção dos bubalinos é menor, o que cria possibilidades animadoras para os produtores. “Por suas características fisiológicas, os búfalos têm uma série de vantagens. É um animal precoce com capacidade de transformar a alimentação em carne e em leite, com um ganho interessante. Faz-se o abate em idade jovem. Com isso, o pecuarista fica com o dinheiro na mão para poder reinvestir”, aponta Paske.

“Hoje, um reprodutor em fase de produção, com dois anos e meio, é vendido a R$ 10 mil. Uma novilha desmamada e registrada gira em torno de R$ 3 mil a R$ 4 mil. É um bom negócio”, reforça Chimin.

Leis ambientais inibem produção no Paraná

O encolhimento do rebanho bubalino no Litoral do Paraná tem a ver com o acirramento de leis ambientais, que desestruturaram a cadeia produtiva na região. Por ser uma região de Mata Atlântica, os produtores passaram a ter dificuldades em implantar áreas de pastagens. Ao mesmo tempo, grandes empresas e organizações não-governamentais (ONGs) passaram a adquirir grandes áreas, de olho em cotas de crédito carbono. Por outro lado, com as dificuldades, laticínios instalados na região encerraram suas operações.

“Chegamos a ter 72 fazendas com criação de búfalos [no Litoral]. Hoje, não deve ter dez. Tinha uma usina de leite e uma queijaria, que foram fechadas. Isso desanimou o pessoal, porque não tem para quem vender o leite. O desafio é reestruturar isso”, diz o pecuarista Luiz Chimin. “Os produtores do Litoral passaram a vender suas propriedades para esses grandes grupos. Quem comprou, tirou os búfalos, fez replantio. Do que era uma grande atividade no Litoral, restaram poucos produtores”, diz o presidente do Departamento Técnico da ABCB, Amauri Paske.

Além disso, a atividade tinha um evento anual significativo: uma feira de búfalos, realizada no Parque Castelo Branco, em Pinhais, na RMC, e que reunia pecuaristas dos principais Estados criadores. O parque foi fechado em 1998, sob argumento de que as feiras agropecuárias poderiam causar danos ambientais ao entorno.

“A feira era um grande mobilizador, um evento importante nacionalmente. Tinha leilões e exposições”, relembra Paske.

Adaptáveis, búfalos estão em todas as regiões do Paraná

Duas décadas atrás, os rebanhos de búfalos do Paraná se concentravam, principalmente, no Litoral do Estado, em municípios como Morretes, Guaraqueçaba e Paranaguá. Isso, em grande medida, estava associado a um mito: de que os bubalinos só se adaptariam a ambientes quentes e úmidos, caso da região litorânea. O IDR-PR, que mantinha uma fazenda experimental em Morretes, transferiu seu rebanho para Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), comprovando que os animais têm bom desempenho em condições diversas.

“Já se tinham animais sendo criados em regiões extremamente frias no Sudeste Asiático e até na base da Cordilheira do Himalaia. Nós sabíamos que não teríamos dificuldades em trazer os búfalos para a região de planalto”, diz José Lino Martinez, pesquisador do IDR-PR, entidade que desenvolve projetos de pesquisa voltados principalmente à produção orgânica de búfalos de corte e de leite na fazenda experimental.

Em seus levantamentos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera o Litoral do Paraná como parte da mesorregião Região Metropolitana de Curitiba. Assim, a RMC continua a deter a maior parte do rebanho estadual, com 18,4 mil búfalos. Mas ao analisar o número de cabeças por município, percebe-se o deslocamento da atividade, das áreas litorâneas para a divisa com São Paulo. Hoje, Morretes tem 445 cabeças, Guaraqueçaba 1,6 mil e Paranaguá 2,8 mil, enquanto o rebanho de Cerro Azul passa de 11,5 mil animais, o de Adrianópolis é superior a 3,6 mil cabeças; e de Rio Branco do Sul, de 2,7 mil.

Olhando no mapa, também se percebe que os búfalos estão em todas as mesorregiões do Paraná. Em algumas, há rebanhos significativos, como no Centro Oriental, Norte Pioneiro e Norte Central. Neste contexto, alguns municípios começam a ampliar a ênfase nos bubalinos, como Castro e Ponta Grossa, nos Campos Gerais. “A produção de búfalos pode ser um ótimo negócio em regiões com uma cadeia leiteira instalada ou em locais de relevo acidentado, como a região de planalto do Paraná. Em locais com problema de relevo, o gado bovino não se desenvolve, mas os búfalos, por serem rústicos, vão bem”, afirma Amauri Paske, da ABCB.

Confira as principais raças de búfalos criadas no Paraná

Murrah

Originária da Índia, seu nome no idioma Hindu significa “espiralado” e deriva da formação de seus chifres encaracolados. Têm pelagem preta ou negro-azeviche. São animais maciços, robustos e de conformação profunda. Possuem extremidades curtas e ossos pesados. É considerada excelente raça leiteira e com grande aptidão para carne. Os machos pesam 600 a 800 quilos e as fêmeas, de 500 a 600 quilos. A produção leiteira é de aproximadamente 1,6 mil litros em 305 dias.

Mediterrâneo

Descendentes de raças indianas, com cruzamentos na Europa, principalmente na Itália. Têm pelagem negra, cinza escuro e marrom escuro. Os chifres são medianos, voltados para trás, com as pontas formando uma meia-lua. O corpo é robusto em relação ao seu comprimento e as patas curtas e robustas. A traseira é curta e em geral é um animal compacto, musculoso e profundo. São animais desenvolvidos para produção de leite, mas também com aptidão para corte. O peso de um macho varia entre 700 e 800 quilos e de uma fêmea, cerca de 600 quilos.

Fonte: Ascom Sistema Faep/Senar-PR

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C.Vale assume unidade estratégica de grãos e insumos no Oeste do Paraná

Operação em Guaíra reforça estrutura de armazenagem e atendimento aos produtores da região.

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A cooperativa C.Vale assumiu as operações da cerealista I.Riedi no município de Guaíra. O anúncio foi feito pelas duas empresas no dia 22 de abril.

Com o acordo, a C.Vale passa a operar o escritório localizado na entrada da cidade e a unidade de grãos e insumos na localidade de Maracaju dos Gaúchos, ambas às margens da BR-163. A mudança amplia a presença da cooperativa no município, onde já possui uma unidade na região de Bela Vista, e permitirá o recebimento de grãos e fornecimento de insumos aos produtores.

A estrutura da unidade adquirida conta com capacidade de armazenagem de 21.296 toneladas de grãos, além de secador com capacidade de 120 toneladas por hora, duas máquinas de limpeza, dois tombadores e duas balanças.

Em nota conjunta, as empresas informaram que a operação está alinhada às estratégias de crescimento e fortalecimento no agronegócio, com foco na ampliação da atuação e na geração de valor para clientes, cooperados e parceiros.

A transferência das operações passa a valer de forma imediata após o anúncio.

Fonte: Assessoria C.Vale
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Bem-estar animal passa a pesar na análise de risco e no valor da proteína brasileira

Fórum reúne especialistas em 07 de maio para debater como práticas no campo influenciam crédito, reputação e competitividade no mercado internacional.

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As perspectivas e os desafios da cadeia de produção de proteína animal no Brasil serão tema do Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance. O evento inédito trará debates em torno da dinâmica de mercado e da cadeia, credibilidade, agregação de valor ao produto e o olhar dos agentes financeiros sobre o tópico em seus painéis.

Organizado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) e por sua idealizadora, a Produtor do Bem Certificação, o evento ocorre no dia 07 de maio no Radisson Blue, em São Paulo (SP). As inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Bruno Bernardo, analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital: “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável” – Fotos: Divulgação/COBEA

A abertura do Fórum terá como tema “Estratégia, política e o papel do agro na nova ordem econômica”, apresentado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua. Em seguida, ele participa do painel “Mercados em movimento: Bem-estar e sustentabilidade na agregação de valor à proteína brasileira”, mediado pela diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sullivan Alves. Participam também o consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado, e a diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara. “O evento vai tratar de um tema extremamente contemporâneo e eu diria hoje real. Ao longo do tempo a gente vem falando em bem-estar animal, vem tratando o bem-estar animal e hoje estamos vivendo na realidade o bem-estar animal. Esse é um evento preparado para tratarmos dos assuntos referentes ao tema e que estamos vivendo na prática”, menciona Delgado.

De acordo com Sheila, eventos e discussões do setor são importantes para avançar no bem-estar animal de forma inclusiva, garantindo que produtores de diferentes portes acompanhem a evolução técnica. “Meu foco na discussão será mostrar como a integração entre eficiência produtiva, bem-estar animal e inovação tecnológica vem se consolidando como um diferencial competitivo na agregação de valor à proteína brasileira. Diante da crescente demanda global, com a população projetada para 10 bilhões até 2050, a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, diretamente ligada à sustentabilidade e à segurança alimentar”, comenta.

A diretora de Sustentabilidade da Seara ressalta que práticas de bem-estar animal são fundamentais para garantir que a produção acompanhe a demanda global de forma resiliente e sustentável. “Para produtores e consumidores, o impacto é direto: quem cumpre metas de bem-estar tende a ser melhor remunerado, mostrando que ser sustentável também é rentável”, destaca.

Agenda ESG crescente

Celso Funcia Lemme, doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da UFRJ: 

O segundo painel será “Capital e competitividade: O olhar do mercado financeiro sobre o futuro da proteína animal”, que terá mediação do doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Celso Funcia Lemme. Completam o debate o consultor e sócio-líder da ABC Associados, Aron Belinky; a head de Riscos Socioambientais do Santander, Maria Silvia Chicarino; e o analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital, Bruno Bernardo.

Para o moderador do painel, a agenda ESG pode ajudar o mercado de investimentos a entender e valorizar melhor o bem-estar animal nos setores que envolvem o manejo de animais. “O analista de mercado precisa acompanhar essa mudança em curso. Nem sempre é evidente como as práticas de bem-estar animal impactam o valor de uma empresa, mas a agenda ESG ajuda a tornar isso mais claro, mostrando o tema como um fator de inovação, geração de valor e adaptação às novas demandas da sociedade”, pontua.

Avaliação de risco e gestão

Maria Silvia Chicarino, head de Riscos Socioambientais do Santander: “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco”

Segundo Maria Silvia, do Banco Santander, um marco importante para a agenda ESG no mercado financeiro foi a Resolução CMN nº 4.327, de 2014, que definiu diretrizes para a gestão de riscos socioambientais. Desde então, o tema passou a ser cada vez mais incorporado à análise de risco e às decisões de crédito. “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco. Nesse contexto, o bem-estar animal ganha relevância, especialmente na cadeia de proteína animal, por estar ligado a riscos reputacionais, operacionais e de mercado. No Santander, esse tema já faz parte da análise socioambiental e influencia diretamente a concessão de crédito”, explica Maria.

Ela acrescenta que empresas com boa gestão socioambiental tendem a ter desempenho mais consistente no longo prazo, com maior previsibilidade e resiliência, fatores valorizados pelo mercado financeiro. Também destaca que fóruns como este ampliam a visibilidade do bem-estar animal, promovem o diálogo, alinham expectativas e ajudam a posicionar o Brasil no cenário internacional.

Para Bruno Bernardo, da Régia Capital, o mercado financeiro está caminhando e adotar os protocolos e certificações de bem-estar animal pode ser um divisor de águas para viabilizar o financiamento de produtores rurais. “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável”, pontua.

Ele observa que atrelar boas práticas de bem-estar animal pode contribuir com ganhos financeiros, uma vez que aumenta a eficiência da produção, pode aumentar o valor agregado do produto final e pode vir a reduzir emissões de gases de efeito estufa. “Para os investidores, esse evento reforça uma movimentação do mercado e um amadurecimento do tema no mercado brasileiro”, complementa.

Responsabilidade compartilhada

Fabricio Delgado, consultor em agronegócio e sustentabilidade

Conforme o sócio fundador da Produtor do Bem e cocriador da COBEA, Leonardo Thielo de La Vega, a escolha dos nomes e temas para o evento demonstra e visão estratégica da organização em abranger os vários aspectos chaves que impactam a evolução do bem-estar animal no Brasil. “Teremos uma programação que nos darão uma visão macro de como mercado e cadeia de valor podem atuar conjuntamente para facilitar os avanços, em benefício de ambos no país”, observa.

A diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, acredita que esse primeiro Fórum irá mostrar que o bem-estar animal é hoje uma realidade que traz desafios, mas com amplas oportunidades para quem entender sua importância. “O tema está em evidência e nesse Fórum teremos a oportunidade de conhecer a visão de especialistas de diferentes setores sobre o tema, e como podemos trabalhar juntos para desbloquear suas barreiras no Brasil”, finaliza.

Fonte: Assessoria COBEA
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Projeto de educação no agro com IA é lançado para formar nova geração de líderes no setor

Iniciativa quer transformar um gargalo de gestão e formação em plataforma disruptiva de negócios e educação para o agro brasileiro.

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O agronegócio brasileiro opera com escala global, elevada produtividade e domínio técnico. Ainda assim, enfrenta um entrave menos visível dentro de muitas propriedades e empresas: a capacidade de quem lidera o setor de incorporar novas práticas de gestão, tecnologia e inteligência artificial na tomada de decisão.

A partir dessa leitura surgiu o Agro Fora da Caixa, iniciativa concebida para funcionar como um hub de educação e negócios voltado à modernização da gestão no campo. A proposta mira profissionais, sucessores e herdeiros do agro interessados em transformar conhecimento tecnológico em prática operacional.

O projeto já começou a estruturar ações concretas. Uma delas é o curso IA no Agro – do preparo de solo à colheita, ministrado pelo consultor e produtor rural Fábio Kinsch, conhecido pela aplicação de tecnologia na produção rural. A capacitação reúne participantes interessados em inserir a inteligência artificial na rotina das propriedades.

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Outra frente foi a 4ª edição do evento Mulheres em Todas as Suas Versões, realizado no dia 16 de abril pela Agropatys, coletivo feminino de Goiás que atua na promoção e inovação no agro. No encontro, o Agro Fora da Caixa apresenta casos práticos de uso de IA no campo e promove conexões com o público presente.

A principal iniciativa do projeto, porém, é uma imersão internacional no Vale do Silício, nos Estados Unidos, programada entre 06 e 12 de setembro. A agenda foi desenhada para aproximar os participantes do ecossistema que concentra parte relevante das transformações em tecnologia, gestão e inovação, com foco em soluções que possam ser aplicadas diretamente nas fazendas.

Segundo Brunno Montolli, um dos idealizadores, a proposta vai além de uma viagem técnica. “O agro brasileiro já é referência em produção, mas a próxima fronteira é a gestão orientada por tecnologia e por inteligência aplicada. O Agro Fora da Caixa nasce para encurtar essa distância entre o que está acontecendo no mundo e o que pode gerar resultado concreto dentro da porteira”, afirma, enaltecendo que a jornada combina visão estratégica, contato com empresas, leitura de tendências e implementação prática de inteligência artificial nas operações agropecuárias.

Raphael Nascimento, também idealizador do projeto, destaca o foco pragmático da iniciativa. “Nosso foco não é deslumbramento com inovação. É traduzir essa inovação em decisão, processo, eficiência e novas oportunidades de negócio para quem lidera o agro. Isso vai de donos e herdeiros a profissionais técnicos e gestores”, diz.

Ecossistema de formação

A proposta do Agro Fora da Caixa foi desenhada para além da imersão e atende diferentes perfis que hoje convivem com a mesma urgência: atualizar repertório, melhorar a gestão, aplicar IA na prática e tomar decisões com mais inteligência em um setor que mudou de patamar. “A gente está falando de um setor que precisa continuar evoluindo sem perder sua força prática. O que propomos é uma ponte entre o campo e os ambientes onde as próximas ferramentas e modelos de gestão estão nascendo”, enfatiza Montolli. “O Agro Fora da Caixa é uma plataforma de preparação de liderança. A imersão no Vale do Silício é a primeira grande vitrine, mas o projeto foi pensado para ser maior, com educação continuada, comunidade, parceiros e aplicação real no Brasil”, completa Nascimento.

Nesse grupo estão proprietários de propriedades rurais, profissionais da operação e da gestão (técnicos, agrônomos, gestores operacionais e especialistas), estudantes em formação e recém-formados e empresas do segmento interessadas em capacitar equipes internas e parceiros para uma nova fase do setor.

O ecossistema de formação contará com frentes presenciais, on-line, experiências e módulos customizados. “Queremos profissionalizar gestão, ampliar rentabilidade, fortalecer liderança e sucessão, e conectar técnica com visão de negócio. Esses são pontos sensíveis para um setor em transição geracional e cada vez mais pressionado por eficiência, governança e competitividade”, comenta Montolli.

IA como eixo da transformação

tecnologia

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O grande impulsionador da proposta é a inteligência artificial. O Agro Fora da Caixa estrutura sua narrativa e sua jornada em torno da necessidade de preparar o agro para uma revolução que já está em curso, com impacto em gestão, tomada de decisão, produtividade, análise de dados, novos negócios e operações.

Montolli explica que no programa de imersão, por exemplo, existe uma etapa específica de implementação prática de IA nas fazendas, que é apresentada como um momento de contato direto com IA aplicada ao agro, incluindo identificação de soluções já disponíveis no mercado e treinamentos práticos para uso no dia a dia.

A proposta de valor da experiência internacional também enfatiza três pilares: conexões reais, conteúdo focado em experiências práticas e culturais, para consolidar aprendizado e ampliar visão de mundo dos participantes.

Laboratório de visão do futuro

Dentro de todo esse contexto, o Vale do Silício funciona como laboratório de referência. A imersão prevista para setembro de 2026 reúne um roteiro com visitas e trilhas temáticas voltadas à inteligência artificial, workplace, management, indústria de tecnologia e mentalidade de startups.

Entre os nomes mencionados na programação estão empresas e instituições que se tornaram símbolos da inovação global, como Nvidia, OpenAI, Tesla, LinkedIn, X, Meta, Google, Plug and Play, Circuit Launch, Stanford University e Apple. “Toda a jornada foi pensada para ampliar repertório, criar conexões e estimular leitura de cenários”, explica Nascimento.

Ele ressalta que embora a visita técnica seja realizada em inglês, contará com apoio de tradutor para português, além de prever encontros preparatórios digitais antes da viagem, reforçando o caráter formativo da experiência.

Além do roteiro internacional, o modelo desenhado inclui momentos pós-viagem, com curadoria, debriefings e networking, em um sistema pensado para aumentar a chance de aplicação prática e evitar que a experiência se encerre no turismo corporativo, desafio recorrente em missões empresariais.

O Agro Fora da Caixa se posiciona como uma proposta que integra agro, tecnologia, educação executiva e gestão aplicada em um mesmo ambiente. “A iniciativa é pioneira porque trata de temas que hoje estão no centro da agenda do setor e leva essa discussão para o campo prático, com projetos de aceleração já em andamento e uma imersão internacional pensada como ponto de partida para algo ainda mais amplo”, evidencia Montolli.

Mais detalhes no site, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Agro Fora da Caixa
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