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Paraná deverá colher 20,6 milhões de toneladas de grãos
O Paraná está colhendo um volume de 20,6 milhões de toneladas de grãos nesse período do ano, contra 22 milhões de toneladas colhidas no mesmo período do ano passado
O clima, sob a influência da corrente El Niño, prejudicou o desempenho de parte da safra de grãos de verão 2015/16, frustrando as expectativas de produção no Paraná. O relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, relativo ao mês de abril, reviu a avaliação e aponta uma queda de produção de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O Paraná está colhendo um volume de 20,6 milhões de toneladas de grãos nesse período do ano, contra 22 milhões de toneladas colhidas no mesmo período do ano passado.
Para o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, mesmo com a quebra na produção o resultado da safra é satisfatória, pois só ficou abaixo do volume alcançado no ano passado, que foi um recorde. Ele ressaltou que a atenção com o zoneamento agrícola, adesão ao Proagro e/ou ao seguro rural privado reduzem os riscos de perdas da produção e de rentabilidade, considerando que os mecanismos de proteção cobrem os gastos com o custeio e de produção respectivamente.
Ortigara observou que o zoneamento agrícola é uma ferramenta muito importante à disposição dos produtores, pois com ele é possível fazer o plantio escalonado, dentro da época recomendada pela pesquisa, o que ajuda a minimizar o risco em casos de eventos climáticos severos.
Para a segunda safra de grãos e safra de inverno, a expectativa também é de cautela, disse o diretor do Deral, Francisco Carlos Siminioni. Segundo ele, a maior parte das culturas entra em fase de risco com a chegada do inverno, e produtos importantes, como milho e feijão da segunda safra, já sofreram com excesso de chuvas nos meses de fevereiro e março, seguido de temperaturas elevadas acima da média em abril. “Ao contrário do que ocorreu na primavera e verão, este mês foi muito seco e também prejudicou principalmente o milho segunda safra, cujo plantio se estendeu até o início de março devido ao atraso na colheita da soja”.
Simioni diz que a redução na oferta de produção de grãos nos mercados interno e externo elevou as cotações de praticamente todos os produtos agrícolas, com poucas exceções, o que está beneficiando muito o produtor. Segundo ele, este ano o produtor que conseguiu escapar dos reveses do clima está faturando mais, especialmente aquele que diversificou e não apostou todas as fichas em soja, plantando parte da área da primeira safra com milho, produto que vem tendo uma remuneração excelente.
Soja
O Deral fez um ajuste na dimensão da produção de soja no Paraná, em função das informações de campo que apontam redução de 8% na produção do grão. O plantio de soja ocupa 5,3 milhões de hectares, quase a totalidade da área agricultável neste período do ano em todo o Estado. A expectativa inicial apontava para uma produção de 18,2 milhões de toneladas, e a colheita está revelando que a produção será de 16,7 milhões.
Com isso, a safra será 1% menor do que a do ano passado, quando foram colhidas 16,95 milhões de toneladas. Para o economista da Conjuntura Agropecuária do Deral, Marcelo Garrido, ainda assim será uma grande safra de soja, devendo ser a segunda maior da história.
Com a redução na oferta de soja na região Sul do País, mais o estrago que as chuvas provocaram na produção do grão, com queda de 10% prevista na Argentina, os preços se elevaram no mercado internacional, cenário que beneficiou os produtores paranaenses. Em um ano, os preços pagos ao produtor subiram 16%, passando de R$ 57,57 a saca em abril do ano passado para R$ 66,73 a saca em abril deste ano.
Segundo Garrido, a tendência para o preço da soja é de manutenção de preços bons no médio prazo, podendo se elevar ainda mais dependendo do desempenho da safra norte-americana que está sendo plantada. Em contrapartida, o produtor vem enfrentando aumento nos custos de produção, por causa da valorização do câmbio.
A segunda safra de soja plantada no Paraná, que está em campo, está mais promissora, apontando para um aumento de 17% na produção. Esse resultado é reflexo do aumento de área plantada, que este ano foi de 21% e a melhora no clima até agora, quando as temperaturas se mantiveram mais elevadas. Com a chegada do inverno, pode ter alterações na expectativa de produção que aponta para uma colheita de 355.323 toneladas.
Milho
A produção que está em campo atualmente é o milho da segunda safra, que sofreu com a elevação da temperatura a partir do final de março e até o final de abril. O Deral já está calculando uma quebra de 4% na produção esperada. O potencial produtivo inicial previsto apontava para uma produção recorde de 12,9 milhões de toneladas. Agora, com a reavaliação do mês de abril, está sendo prevista uma produção de 12,4 milhões de toneladas, uma redução de 500 mil toneladas de milho no Estado, que se destaca como o maior produtor do País.
Segundo Edmar Wardensk Gervasio, responsável técnico pela área de milho, a preocupação agora é com o período de inverno que se inicia e pode provocar mais baixas na produção. Isso porque cerca de 84% da área plantada, avaliada em 1,8 milhão de hectares plantados, entra na fase de risco. A ocorrência de geadas daqui para frente pode prejudicar o período de formação dos grãos, explicou.
O volume de produção de milho no Paraná já vem em queda desde a primeira safra, quando a lavoura teve perdas de 26% no resultado final em relação ao ano passado. Na safra de verão 2015/16 estão sendo colhidas 3,4 milhões de toneladas, uma das menores safras da história neste período do ano.
Com a redução na oferta de milho no Paraná, na Argentina e queda nos estoques internacionais, o preço está num ritmo de alta nunca verificado antes. Em um ano, teve um aumento de 77% no preço pago ao produtor.
Segundo levantamento do Deral, o milho vendido pelo produtor estava a R$ 20,87 a saca com 60 quilos em abril do ano passado. Este ano, no mesmo mês, o produtor está vendendo a saca por R$ 37,00. Esse aumento provoca impactos nos custos de produção de aves, suínos e de bovinos de leite que usam o milho como principal insumo na ração animal.
Feijão
Segundo o Deral, a segunda safra de feijão, em campo, está com 19% da área de 205.459 hectares colhida e a produção que já estava com uma previsão menor para o volume colhido em relação ao mesmo período do ano passado será menor ainda. A falta de estabilidade do clima prejudicou o desenvolvimento das lavouras, que já apresentam uma quebra na produção de 7%. A produção esperada era 374.328 toneladas.
O excesso de chuvas entre os meses de janeiro e fevereiro, seguido de temperaturas muito elevadas para o período durante o mês de abril, provocou a redução no rendimento das lavouras, explicou o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador. O técnico acredita que a queda na produção poderá ainda se acentuar já que 53% da área plantada, que equivale a 110 mil hectares, está em fase de risco.
Segundo Salvador, esse cenário influencia o mercado porque essa região que está vulnerável à queda de temperaturas representa cerca de 54% da produção de feijão da segunda safra. Ele ressalvou que o período mais crítico para o feijão da segunda safra está nos próximos 15 dias. Depois disso, as lavouras saem do risco, disse.
O reflexo desse cenário é o aumento no preço do feijão para o consumidor final. No último ano o preço do feijão de cor subiu 78% no preço pago ao produtor, e 32% de alta para o feijão preto. Em abril do ano passado, o feijão de cor era vendido por R$ 119,20 a saca com 60 quilos e em abril deste ano está cotada a R$ 212,50. O feijão de cor era vendido, pelo produtor, por R$ 110,51 a saca em abril do ano passado e um ano depois está sendo vendido, em média, por R$ 145,43 a saca.
Trigo
O avanço do plantio de trigo revela um recuo ainda maior na área ocupada, em relação à área plantada no ano passado. Este ano deverá ser plantado um total de 1,15 milhão de hectares, uma queda de 14% em relação aos 1,34 milhão de hectares plantados no ano passado. Com isso, a expectativa de produção é de 3,5 milhões de toneladas, se tudo correr bem com o clima, observou o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho.
Houve atraso no plantio de trigo, em decorrência da seca no mês de abril, mas essa situação pode ser recuperada com tranquilidade porque as lavouras são todas mecanizadas, ressaltou o técnico. Além disso, o retorno do frio ajuda nesse período. Espera-se um incremento no plantio a partir desta semana e a recuperação desse pequeno atraso no plantio.
O estágio de risco só começa daqui a 60 dias, quando a cultura entra em fase de vulnerabilidade à queda acentuada das temperaturas, explicou Godinho. Esta semana foi a primeira vez que o preço do trigo superou os R$ 40,00 a saca. Os preços vinham abaixo desse patamar desde junho de 2014, cenário que afugentou muitos produtores para o plantio do milho safrinha.
Essa cotação representa cerca de 20% de aumento no preço de venda, mas o produtor também enfrentou alta de 17% nos custos de produção, o que não animou ampliar o plantio. Havia a expectativa dos preços do trigo melhorarem ainda mais para o produtor, em função da desvalorização cambial. Mas a valorização do real nos últimos dias acabou com essa vantagem para o produtor. Atualmente, as cotações do trigo estão mais equilibradas entre os preços praticados internamente com o mercado internacional.
Segundo Godinho, agora que os preços melhoraram internamente não há oferta do produto no Paraná. Ele explica, porém, que não há espaço para aumento acentuado nas cotações do trigo porque a produção argentina representa uma ameaça à produção nacional. Principalmente depois que o novo governo da Argentina retirou as restrições de exportações, facilitando as vendas de trigo argentino para o mundo.
Além disso, o mercado internacional está com estoques elevados de trigo, num dos melhores níveis dos últimos cinco anos, disse Godinho.
Mandioca e Fumo
Os produtores de mandioca e de fumo também estão satisfeitos com os preços de comercialização de seus produtos, que estão em alta no mercado. O preço da mandioca, pago ao produtor, teve um aumento de 86% no último ano. Em abril do ano passado, a raiz era vendida por R$ 194,00 a tonelada, valor que não cobria os custos de produção. E em abril deste ano o preço médio da raiz de mandioca vendido pelo produtor está em média, por R$ 361,00 a tonelada. E o custo de produção estimado é de R$ 208,00 a tonelada.
Segundo o economista do Deral, Methódio Groxco, os preços da mandioca tendem a permanecer em alta porque a oferta do produto é menor. Este ano, em decorrência do desestímulo dos produtores no ano passado, a produção caiu 6% no volume e 8% na área plantada. O principal derivado da raiz de mandioca, que é a fécula, aumentou 100% no preço desde setembro do ano passado. A saca de 50 quilos com fécula que era vendida em média por R$ 25,00 em abril do ano passado aumentou para R$ 52,00 em abril deste ano.
O fumo, lavoura também afetada pelo excesso de chuvas durante o período vegetativo, está com uma previsão de 14% na produção, que deverá ser de 149.728 toneladas. Com a menor oferta, o preço aumentou 46% este ano, passando de R$ 106,00 a arroba em abril do ano passado, para R$ 155,00 em abril deste ano.
Apesar das chuvas, o período de calor que se seguiu depois beneficiou o processo de maturação das folhas de fumo, que está com melhor qualidade em relação à produção dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Com isso, a produção de fumo do Paraná está sendo disputada pelas indústrias”, disse o técnico.
Fonte: ANPr

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
