Conectado com

Notícias Estimativa

Paraná deve produzir 24 milhões de toneladas na safra de verão

Nova avaliação da safra 20/21 mostra uma manutenção da estimativa da área a ser cultivada, com um crescimento de 2% na área de soja, que deve somar 5,56 milhões de hectares

Publicado em

em

Divulgação/AENPr

O Paraná deve produzir 24,3 milhões de toneladas de grãos em uma área de 6,09 milhões de hectares na safra de verão 2020/2021. Os números estão no relatório mensal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O relatório mostra ainda o encerramento da colheita dos cereais de inverno da safra 2019/2020, com volume de produção estimado em 3,76 milhões de toneladas, uma variação positiva de 37% em relação ao ano anterior, que se deve principalmente ao desempenho do trigo, com 3,05 milhões de toneladas, e à produção de aveias.

“Com isso, a safra total de grãos do Paraná no ciclo 2019/2020 soma 40,57 milhões de toneladas, volume 13% maior do que na safra anterior”, diz o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

A nova avaliação da safra 20/21 mostra uma manutenção da estimativa da área a ser cultivada, com um crescimento de 2% na área de soja, que deve somar 5,56 milhões de hectares. “Neste relatório, ainda não é possível identificar os efeitos do atraso no plantio de algumas culturas devido ao clima seco, mas tanto a semeadura do milho quando a da soja estão praticamente encerradas”, afirma o chefe do Deral, Salatiel Turra.

Segundo Norberto Ortigara, os números mostram que pode ocorrer atraso na colheita da soja e na semeadura da segunda-safra de milho, tão importante para a segurança do abastecimento do Brasil para honrar contratos internacionais e acima de tudo para garantir o abastecimento das cadeias do leite, frango, suínos e do peixe. “Um movimento semelhante acontece em outros estados e, com o clima instável, os produtores estão em alerta”.

Soja

Estima-se que o plantio da soja se encerre no Paraná nos próximos dias. Até agora, cerca de 97% da área está plantada. Embora algumas regiões tenham enfrentado problemas com o clima seco, o desempenho da semeadura está próximo da média dos últimos anos, quando o índice era de aproximadamente 98% no mesmo período, já que o clima registrado no início do plantio era semelhante ao deste ano.

Enquanto no ano passado o Paraná teve chuvas um pouco mais regulares, agora a seca é mais rigorosa. Assim, embora a safra de soja 20/21 possa ter bons resultados, não repetirá o recorde da safra 19/20. “As chuvas em outubro e novembro foram importantes para a cultura e deram condições para o produtor dar continuidade ao plantio, mas ainda não foram suficientes para garantir a safra até o fim”, explica o economista do Deral, Marcelo Garrido.

Os produtores estão atentos para as condições do clima. Em alguns núcleos regionais, se o clima não melhorar há tendência de redução de produtividade. Até o momento, 72% das lavouras de soja estão em condições boas e 24% médias. “Se as condições climáticas se regularizarem, podemos ter recuperação das lavouras”, acrescenta o economista.

Os preços são o ponto positivo para esta safra. Na última semana, a saca de 60 kg de soja foi comercializada por R$ 147,00, um aumento de quase 90% com relação ao ano passado, quando o preço era de aproximadamente R$ 77,00. Até agora, cerca de 42% da safra de soja está comercializada, impulsionada pela alta do dólar frente ao real. No mesmo período do ano passado, por exemplo, o índice de comercialização era de 22%.

Segundo o Deral, os produtores de algumas regiões do Estado estão fazendo replantio. Em outras, esta prática não está sendo adotada devido ao custo – especialmente com as condições climáticas desfavoráveis –, e para não comprometer o plantio da segunda safra de milho.

Milho primeira safra

Na avaliação do Deral, as condições da primeira safra de milho estão razoáveis e os preços estão remunerando bem os produtores. A área é semelhante à da safra passada, somando 355,5 mil hectares, e a produção estimada é de 3,4 milhões de toneladas.

Assim como a soja, o milho pode sofrer impactos em função do clima seco. Mesmo assim, as principais regiões produtoras, como Ponta Grossa, Curitiba e Guarapuava, podem ter bons resultados. Até agora, as condições das lavouras são 77% boas. “É preciso aguardar a evolução do ciclo nas próximas semanas. A irregularidade da safra pode comprometer a expectativa de produção, mas o mercado nacional deve ser bem abastecido”, analisa o técnico do Deral Edmar Gervásio. A primeira safra no Brasil pode chegar a 27 milhões de toneladas, o que pode pressionar os preços. Nesta semana, a saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 68,00.

Feijão

O relatório do Deral indica que as lavouras de feijão onde o plantio aconteceu mais tarde têm um bom desenvolvimento, diferente dos locais onde a semeadura foi feita com antecedência, que podem ter uma produtividade reduzida. Até agora, a colheita chegou a 1% da área. Os núcleos regionais de Guarapuava, Irati e Ponta Grossa, grandes centros produtores, ainda não começaram a colher.

A estimativa de produção é de 298 mil toneladas, uma redução de 6% na comparação com a safra 2019/2020, quando foram produzidas 316 mil toneladas. A área plantada teve uma redução de 3%. Segundo o economista do Deral, Methodio Groxko, o déficit hídrico também preocupa essa cultura, considerando que 95% das lavouras estão em fase de floração. Desse total, 25% estão em condições médias e 75% em condições boas.

Nesta semana, a saca de 60 kg do feijão-preto é comercializada por R$ 260,00, mais que o dobro do registrado em novembro do ano passado, quando o preço atingiu R$ 127,00. Já o feijão-cores é comercializado por R$ 283,00, um aumento de 20% com relação a novembro de 2019.

Segundo o Deral, o mercado está bem abastecido. Com o crescimento da oferta do grão, na medida em que aumentar a produção, os preços devem estabilizar.

Trigo

A colheita do trigo no Paraná está se aproximando do final, com uma produção de 3,5 milhões de toneladas em uma área 1,12 milhão de hectares. Este volume é 17% menor que o potencial estimado inicialmente e 43% superior à produção da safra anterior, quando a seca e as geadas foram mais prejudiciais.

A comercialização atingiu 72%, o que representa o maior patamar dos últimos 15 anos para o mês de novembro. A saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 74,00, valor 61% maior que a média de novembro de 2019, de R$ 45,83. “Considerando o volume de produção, é um resultado duplamente positivo para o produtor, com uma lucratividade boa em cima do custo variável”, diz o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho.

Segundo ele, a rápida comercialização preocupa para os meses de entressafra, pois, quando o produto local acabar, haverá necessidade de intensificar as importações em valores superiores aos praticados internamente. Para o consumidor, isso deve refletir nos preços das farinhas, massas e pão, por exemplo.

Cevada

A colheita da cevada está encerrada em todos os núcleos produtores. O volume da safra 2019/2020 totalizou 261,9 mil toneladas em uma área de aproximadamente 63 mil hectares, índices semelhantes aos da safra anterior. Apesar de ter sido um bom ano para a cultura, houve uma perda de 10% na produção na comparação com o levantamento inicial, devido aos efeitos da estiagem no início da floração e frutificação. Com isso, houve impacto na produtividade, que ficou em 4.154 kg/ha.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira, os produtores estão satisfeitos com a excelente qualidade dos grãos. Também foi registrada uma alta nos preços. No início do plantio, quando os produtores tinham cerca de 50% da produção estimada comercializada, a saca de 60kg foi vendida por R$ 60,00. Agora, esse valor chega a R$ 82,00, uma alta de 37% na comparação com a média do ano passado.

Neste período, o índice de comercialização da cevada chegou a 82%. A área do núcleo regional de Guarapuava representa 60% do total do Estado e 64% da produção. Com relação à safra anterior, essa região registrou um aumento de 11% da área e 14% na produção. A região de Ponta Grossa, segunda principal produtora, representa 27% da área do Paraná e 25% da produção, mas registrou uma redução de 4% na área plantada.

Mandioca

A colheita de mandioca avançou para 90% da área, e a produção estimada é de 3,5 milhões toneladas. A pandemia refletiu negativamente na comercialização entre maio e setembro, com a redução do funcionamento das indústrias que utilizam fécula. Mas com a retomada da movimentação industrial, os preços devem estabilizar.

Além disso, com a falta de chuvas, essa cultura teve problemas com a colheita, o que aumentou o custo da mão de obra.  No entanto, para as lavouras plantadas no ciclo 2020/2021, a quantidade de chuvas está suficiente, segundo Methodio Groxko. Atualmente, a tonelada é comercializada. Atualmente, a tonelada é comercializada por R$ 434,00. No mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 499,00.

Fonte: AEN/Pr

Notícias

Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Publicado em

em

Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
Continue Lendo

Notícias

Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Publicado em

em

Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.