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Paraná deve produzir 24 milhões de toneladas na safra de verão

Nova avaliação da safra 20/21 mostra uma manutenção da estimativa da área a ser cultivada, com um crescimento de 2% na área de soja, que deve somar 5,56 milhões de hectares

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Divulgação/AENPr

O Paraná deve produzir 24,3 milhões de toneladas de grãos em uma área de 6,09 milhões de hectares na safra de verão 2020/2021. Os números estão no relatório mensal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O relatório mostra ainda o encerramento da colheita dos cereais de inverno da safra 2019/2020, com volume de produção estimado em 3,76 milhões de toneladas, uma variação positiva de 37% em relação ao ano anterior, que se deve principalmente ao desempenho do trigo, com 3,05 milhões de toneladas, e à produção de aveias.

“Com isso, a safra total de grãos do Paraná no ciclo 2019/2020 soma 40,57 milhões de toneladas, volume 13% maior do que na safra anterior”, diz o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

A nova avaliação da safra 20/21 mostra uma manutenção da estimativa da área a ser cultivada, com um crescimento de 2% na área de soja, que deve somar 5,56 milhões de hectares. “Neste relatório, ainda não é possível identificar os efeitos do atraso no plantio de algumas culturas devido ao clima seco, mas tanto a semeadura do milho quando a da soja estão praticamente encerradas”, afirma o chefe do Deral, Salatiel Turra.

Segundo Norberto Ortigara, os números mostram que pode ocorrer atraso na colheita da soja e na semeadura da segunda-safra de milho, tão importante para a segurança do abastecimento do Brasil para honrar contratos internacionais e acima de tudo para garantir o abastecimento das cadeias do leite, frango, suínos e do peixe. “Um movimento semelhante acontece em outros estados e, com o clima instável, os produtores estão em alerta”.

Soja

Estima-se que o plantio da soja se encerre no Paraná nos próximos dias. Até agora, cerca de 97% da área está plantada. Embora algumas regiões tenham enfrentado problemas com o clima seco, o desempenho da semeadura está próximo da média dos últimos anos, quando o índice era de aproximadamente 98% no mesmo período, já que o clima registrado no início do plantio era semelhante ao deste ano.

Enquanto no ano passado o Paraná teve chuvas um pouco mais regulares, agora a seca é mais rigorosa. Assim, embora a safra de soja 20/21 possa ter bons resultados, não repetirá o recorde da safra 19/20. “As chuvas em outubro e novembro foram importantes para a cultura e deram condições para o produtor dar continuidade ao plantio, mas ainda não foram suficientes para garantir a safra até o fim”, explica o economista do Deral, Marcelo Garrido.

Os produtores estão atentos para as condições do clima. Em alguns núcleos regionais, se o clima não melhorar há tendência de redução de produtividade. Até o momento, 72% das lavouras de soja estão em condições boas e 24% médias. “Se as condições climáticas se regularizarem, podemos ter recuperação das lavouras”, acrescenta o economista.

Os preços são o ponto positivo para esta safra. Na última semana, a saca de 60 kg de soja foi comercializada por R$ 147,00, um aumento de quase 90% com relação ao ano passado, quando o preço era de aproximadamente R$ 77,00. Até agora, cerca de 42% da safra de soja está comercializada, impulsionada pela alta do dólar frente ao real. No mesmo período do ano passado, por exemplo, o índice de comercialização era de 22%.

Segundo o Deral, os produtores de algumas regiões do Estado estão fazendo replantio. Em outras, esta prática não está sendo adotada devido ao custo – especialmente com as condições climáticas desfavoráveis –, e para não comprometer o plantio da segunda safra de milho.

Milho primeira safra

Na avaliação do Deral, as condições da primeira safra de milho estão razoáveis e os preços estão remunerando bem os produtores. A área é semelhante à da safra passada, somando 355,5 mil hectares, e a produção estimada é de 3,4 milhões de toneladas.

Assim como a soja, o milho pode sofrer impactos em função do clima seco. Mesmo assim, as principais regiões produtoras, como Ponta Grossa, Curitiba e Guarapuava, podem ter bons resultados. Até agora, as condições das lavouras são 77% boas. “É preciso aguardar a evolução do ciclo nas próximas semanas. A irregularidade da safra pode comprometer a expectativa de produção, mas o mercado nacional deve ser bem abastecido”, analisa o técnico do Deral Edmar Gervásio. A primeira safra no Brasil pode chegar a 27 milhões de toneladas, o que pode pressionar os preços. Nesta semana, a saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 68,00.

Feijão

O relatório do Deral indica que as lavouras de feijão onde o plantio aconteceu mais tarde têm um bom desenvolvimento, diferente dos locais onde a semeadura foi feita com antecedência, que podem ter uma produtividade reduzida. Até agora, a colheita chegou a 1% da área. Os núcleos regionais de Guarapuava, Irati e Ponta Grossa, grandes centros produtores, ainda não começaram a colher.

A estimativa de produção é de 298 mil toneladas, uma redução de 6% na comparação com a safra 2019/2020, quando foram produzidas 316 mil toneladas. A área plantada teve uma redução de 3%. Segundo o economista do Deral, Methodio Groxko, o déficit hídrico também preocupa essa cultura, considerando que 95% das lavouras estão em fase de floração. Desse total, 25% estão em condições médias e 75% em condições boas.

Nesta semana, a saca de 60 kg do feijão-preto é comercializada por R$ 260,00, mais que o dobro do registrado em novembro do ano passado, quando o preço atingiu R$ 127,00. Já o feijão-cores é comercializado por R$ 283,00, um aumento de 20% com relação a novembro de 2019.

Segundo o Deral, o mercado está bem abastecido. Com o crescimento da oferta do grão, na medida em que aumentar a produção, os preços devem estabilizar.

Trigo

A colheita do trigo no Paraná está se aproximando do final, com uma produção de 3,5 milhões de toneladas em uma área 1,12 milhão de hectares. Este volume é 17% menor que o potencial estimado inicialmente e 43% superior à produção da safra anterior, quando a seca e as geadas foram mais prejudiciais.

A comercialização atingiu 72%, o que representa o maior patamar dos últimos 15 anos para o mês de novembro. A saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 74,00, valor 61% maior que a média de novembro de 2019, de R$ 45,83. “Considerando o volume de produção, é um resultado duplamente positivo para o produtor, com uma lucratividade boa em cima do custo variável”, diz o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho.

Segundo ele, a rápida comercialização preocupa para os meses de entressafra, pois, quando o produto local acabar, haverá necessidade de intensificar as importações em valores superiores aos praticados internamente. Para o consumidor, isso deve refletir nos preços das farinhas, massas e pão, por exemplo.

Cevada

A colheita da cevada está encerrada em todos os núcleos produtores. O volume da safra 2019/2020 totalizou 261,9 mil toneladas em uma área de aproximadamente 63 mil hectares, índices semelhantes aos da safra anterior. Apesar de ter sido um bom ano para a cultura, houve uma perda de 10% na produção na comparação com o levantamento inicial, devido aos efeitos da estiagem no início da floração e frutificação. Com isso, houve impacto na produtividade, que ficou em 4.154 kg/ha.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira, os produtores estão satisfeitos com a excelente qualidade dos grãos. Também foi registrada uma alta nos preços. No início do plantio, quando os produtores tinham cerca de 50% da produção estimada comercializada, a saca de 60kg foi vendida por R$ 60,00. Agora, esse valor chega a R$ 82,00, uma alta de 37% na comparação com a média do ano passado.

Neste período, o índice de comercialização da cevada chegou a 82%. A área do núcleo regional de Guarapuava representa 60% do total do Estado e 64% da produção. Com relação à safra anterior, essa região registrou um aumento de 11% da área e 14% na produção. A região de Ponta Grossa, segunda principal produtora, representa 27% da área do Paraná e 25% da produção, mas registrou uma redução de 4% na área plantada.

Mandioca

A colheita de mandioca avançou para 90% da área, e a produção estimada é de 3,5 milhões toneladas. A pandemia refletiu negativamente na comercialização entre maio e setembro, com a redução do funcionamento das indústrias que utilizam fécula. Mas com a retomada da movimentação industrial, os preços devem estabilizar.

Além disso, com a falta de chuvas, essa cultura teve problemas com a colheita, o que aumentou o custo da mão de obra.  No entanto, para as lavouras plantadas no ciclo 2020/2021, a quantidade de chuvas está suficiente, segundo Methodio Groxko. Atualmente, a tonelada é comercializada. Atualmente, a tonelada é comercializada por R$ 434,00. No mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 499,00.

Fonte: AEN/Pr

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho

Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

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Foto: Freepik

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.

Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB

“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.

O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.

Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja

Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

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Foto: Breno Lobato

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.

O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.

Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho

Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.

Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.

Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.

Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.

A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.

Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Colunistas

Seu contrato de arrendamento pode ser extinto

Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).

Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.

Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.

Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.

A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.

Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.

Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.

E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.

Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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