Bovinos / Grãos / Máquinas
Paraná de olho no leite e no queijo de Minas
Produção paranaense se notabiliza pela qualidade e, com aposta em capacitação e tecnificação, setor decolou nos últimos anos.

O leite é um dos produtos mais versáteis do setor agropecuário. Existem incontáveis aplicações e receitas do leite e seus derivados na gastronomia, seja em pratos doces ou salgados. Isso sem falar no bom e velho copo de leite, indispensável no café da manhã da população. A versatilidade também se reflete na produção: a pecuária leiteira está presente nos 399 municípios do Paraná, em pequenas, médias e grandes propriedades. São mais de 4,4 bilhões de litros produzidos anualmente, que proporcionam um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 12,1 bilhões, o quarto no ranking de produtos agropecuários.

Fotos: Jaelson Lucas
Todo esse volume faz com que o Paraná se consolide como o segundo maior produtor de leite do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais. Além da quantidade, os produtores paranaenses têm se destacado, cada vez mais, pela qualidade. Ao longo das últimas décadas, o setor passou por profundas transformações tecnológicas e organizacionais, que se refletem nos níveis do leite produzido.
Um dos principais indicadores desse avanço é o aumento da produtividade por vaca, que saltou mais de 50% em seis anos no Paraná: de 10,2 litros/animal por dia em 2017 para 15,3 litros em 2023. Essa evolução é resultado direto do investimento em genética, manejo adequado, alimentação de qualidade e assistência técnica especializada. Além disso, há inúmeros indicadores que apontam a melhoria da qualidade do leite produzido e processado no Paraná.
Um dos exemplos dessa excelência é a bacia leiteira localizada entre Castro e Carambeí. Com propriedades mais tecnificadas, as médias de produção por vaca superam os 23 litros por dia – o triplo da média nacional. Isso faz com que Castro seja reconhecido como a Capital Nacional do Leite. Mas não é só. O Paraná tem importantes bacias leiteiras em todas as suas regiões.

Uma das forças motrizes desse avanço é a capacitação constante, conduzida pelo Sistema Faep, por meio de seus cursos. São inúmeros títulos disponibilizados, voltados a todos os elos da cadeia produtiva – de etapas dentro da porteira, que vão desde a pastagem e do manejo do gado, até o processo do leite. Um dos expoentes desse movimento de capacitação é o Centro de Treinamento Pecuário (CTP), localizado em Castro, que oferta cursos mais aprofundados e modernos.
Além disso, a qualificação do setor está prestes a ganhar um reforço sem precedente. O Paraná vai sediar o Centro de Excelência em Leite, que será construído em Castro, ofertando cursos técnicos e especializações voltados a essa cadeia produtiva. A previsão é de que o espaço comece a funcionar em 2027, ampliando a formação de mão de obra especializada para o setor.
O resultado de tudo isso já se vê no mercado consumidor, com produtos que caíram no gosto das pessoas. Recentemente, por exemplo, a segunda edição do Prêmio Queijos do Paraná atestou a excelência dos derivados lácteos produzidos em nosso Estado. O concurso premiou 75 produtos, com medalhas de bronze, prata, ouro e super ouro. Mais do que isso, a iniciativa contribuiu para divulgar ainda mais a qualidade dos produtos do setor lácteo.
O futuro é promissor para a cadeia do leite no Paraná. A proposta é que os queijos paranaenses obtenham a mesma fama dos mineiros, pois a qualidade já é similar. Em alguns anos, o Paraná também pode ultrapassar Minas Gerais no ranking de produção de leite. A julgar pelo comprometimento do setor produtivo – de pecuaristas a instituições como o Sistema Faep, estamos trabalhando para isso e vamos consolidar ainda mais o papel do Paraná de referência no cenário nacional.

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Exportações de carne bovina batem recorde histórico até maio
Embarques somam 1,36 milhão de toneladas e receita supera R$ 40 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026.

As exportações brasileiras de carne bovina mantiveram ritmo acelerado nos primeiros cinco meses de 2026 e alcançaram o maior volume já registrado para o período na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997. Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas da proteína, avanço de 14,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e de 26,6% na comparação com os cinco primeiros meses de 2024.
Além do recorde em volume, o setor também atingiu o maior faturamento da história para o período. A receita acumulada com as exportações chegou a R$ 40,207 bilhões até maio, valor 20,24% superior aos R$ 33,44 bilhões registrados entre janeiro e maio do ano passado.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desempenho foi favorecido pela combinação entre a valorização do dólar frente ao real e o aumento do preço médio pago pela carne bovina brasileira no mercado internacional. No acumulado do ano, a tonelada exportada foi negociada, em média, por cerca de R$ 29,5 mil.
Somente em maio, os embarques totalizaram 290,453 mil toneladas, crescimento de 2,5% em relação a abril e de 17,2% na comparação com maio de 2025. O faturamento do mês alcançou R$ 9,04 bilhões, o maior resultado mensal de 2026 até o momento.
O valor médio recebido pelas exportações em maio foi de R$ 31.135,21 por tonelada, o que garantiu aumento de 5,35% na receita frente ao mês anterior e de 28,08% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para os pesquisadores do Cepea, o forte desempenho das vendas externas reforça a importância estratégica do mercado internacional para a pecuária brasileira. O cenário ganha relevância em um momento de transição entre safra e entressafra, período marcado por leve aumento na oferta de animais prontos para abate, demanda doméstica enfraquecida e maior competitividade de proteínas concorrentes no mercado interno.
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Fim da cota chinesa amplia incertezas sobre os preços do boi gordo
Mercado busca avaliar se demanda de outros países e consumo interno serão suficientes para compensar a redução dos embarques à China.

Não existem duas respostas para uma equação matemática.
Não existe ambiguidade nos conceitos da física.
Não existem mágicas na ciência contábil.
Mas quando o assunto é mercado do boi, muitas vezes a lógica dá lugar às narrativas.
Não faltam opiniões. Faltam números confiáveis.

Artigo escrito por Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo MT.
Se tivéssemos dados exatos sobre o tamanho do rebanho, taxa de desfrute e volume de abate, teríamos uma equação muito próxima da exatidão. Porém, além da ausência de números precisos, há outro fator que dificulta ainda mais qualquer análise: a bolsa.
A bolsa reflete o “papel” do boi, não necessariamente o boi físico. Reflete expectativas, apostas e movimentos especulativos. Muitas vezes, é utilizada mais para influenciar o mercado do que para servir como instrumento de proteção real das operações.
No mundo dos negócios existem períodos de estabilidade e momentos de tempestade, capazes de alterar abruptamente o ritmo do mercado.
Estamos às vésperas de uma dessas mudanças.
Com o encerramento da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira, teremos uma alteração importante no fluxo comercial. Nos últimos meses, o Brasil vinha embarcando para aquele país volumes superiores a 130 mil toneladas por mês. A partir de julho, esse excedente deixará de existir.
Naturalmente, devemos considerar outros fatores. Países que aumentarão suas exportações para a China, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, poderão ampliar suas compras de carne brasileira para abastecer seus mercados internos. Também não podemos ignorar o mercado doméstico, que tradicionalmente apresenta maior consumo durante o segundo semestre.
A grande dúvida é o tamanho desse volume adicional de demanda e se ele será suficiente para compensar a mudança no mercado chinês.
Existe ainda um segundo fator, não menos importante: o preço.
O valor atual do boi reflete uma realidade construída sobre vendas para a China na faixa de US$ 7.000 por tonelada. Já outros importantes destinos da carne brasileira como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Egito, México, Rússia e Canadá pagam, em média, cerca de US$ 5.500 por tonelada, patamar muito próximo ao praticado pelo mercado interno.
Estamos falando de uma diferença próxima de 22%.
Sem subjetividade, sem narrativas e sem exercícios de imaginação, essa diferença precisará ser absorvida por algum elo da cadeia.
O cenário não é confortável nem para a indústria nem para o produtor.
Essa é a equação que temos diante de nós e cuja solução precisaremos encontrar em conjunto.
Sou tradicionalmente otimista, mas confesso estar preocupado com esse novo desafio.
Nada que algumas semanas de acomodação não possam corrigir. Os mercados se ajustam, as oportunidades surgem e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a caminhar.
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Megaleite movimenta R$ 400 milhões e registra recordes de produção leiteira
Feira reuniu 100 mil visitantes, celebrou avanços em genética bovina e formalizou acordos para pesquisa e edição gênica da raça Girolando.

A 21ª edição da Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite) encerrou sua programação com números recordes em público, negócios e produção animal. Realizada entre os dias 02 e 06 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a feira movimentou cerca de R$ 400 milhões, valor R$ 100 milhões superior ao registrado na edição anterior.
Organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a Megaleite recebeu aproximadamente 100 mil visitantes vindos de diferentes regiões do Brasil e de países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, México, Panamá e Portugal.
Segundo o presidente da entidade, Alexandre Lacerda, o desempenho da feira reflete o momento favorável vivido pelo mercado de genética leiteira. “A demanda pela genética bovina leiteira está muito aquecida em 2026 e a Megaleite comprovou isso. Todos os leilões registraram crescimento nas vendas, bem como as empresas expositoras, que além dos negócios fechados puderam prospectar novos clientes”, afirmou.
Genética e inovação ganham espaço
Um dos principais anúncios da feira foi a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Girolando para o desenvolvimento de um projeto de edição gênica da raça.
A iniciativa utilizará ferramentas de genômica avançada para incorporar características desejáveis aos animais, como maior resistência ao calor, melhor imunidade, longevidade e aumento da produtividade.
Outro acordo firmado durante a Megaleite prevê o desenvolvimento de pesquisas e avaliações da raça Girolando na Fazenda Santa Mônica, pertencente à Embrapa.
A programação também marcou o lançamento da nova edição do Sumário de Touros e Fêmeas Girolando, ferramenta utilizada pelos criadores para orientar decisões de seleção genética.
Recordes nos torneios leiteiros

Os torneios leiteiros da Megaleite voltaram a ser um dos principais atrativos do evento e registraram três novos recordes de produção.
A vaca Jornada Montross FIV LPN, da composição racial Girolando 1/2, tornou-se a nova recordista mundial de produção de leite em torneios oficiais da raça. O animal produziu 337,950 quilos de leite durante a competição, com média de 112,650 quilos por ordenha.
A vaca pertence ao criador Rodrigo Nogueira Ferreira, da Fazenda Alvorada, em Inhaúma (MG), que também era proprietário da recordista anterior.
Outro destaque foi Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana, nova recordista entre as fêmeas Girolando 1/4. Ela alcançou produção de 263,790 quilos de leite, com média de 87,930 quilos.
O terceiro recorde foi obtido por Singela Countdown23072 Campos Lima, da Agropecuária Campos Lima, de Delfim Moreira (MG). A vaca jovem Girolando 3/4 produziu 269,780 quilos de leite, com média de 89,927 quilos.
Exposição reuniu sete raças
Ao longo dos cinco dias de evento, cerca de 1,4 mil animais participaram das exposições e julgamentos das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando, Sindi e búfalos.
As avaliações foram transmitidas ao vivo pela internet, ampliando o alcance do evento para criadores e técnicos de diversas regiões do país e do exterior.
A Megaleite também sediou a 35ª Exposição Nacional do Girolando, principal vitrine da raça leiteira desenvolvida no Brasil.
Sucessão e participação feminina
Entre as novidades desta edição estiveram os lançamentos dos programas Girolando Jovem e Girolando Mulher.
As iniciativas buscam ampliar a participação de jovens e mulheres na atividade leiteira, fortalecendo a sucessão familiar nas propriedades e estimulando a presença feminina nos processos de gestão e tomada de decisão.
Leite, queijo e capacitação
Além da programação técnica voltada ao melhoramento genético e à produção leiteira, a Megaleite promoveu palestras e cursos sobre gestão rural, genética, produção de queijos e bem-estar animal.
O Festival do Queijo Artesanal de Minas também integrou a programação, reunindo produtores de diferentes regiões do estado e oferecendo ao público uma ampla variedade de queijos e produtos típicos.
As atividades voltadas às crianças incluíram visitas à Mini Fazendinha e ações educativas promovidas pelo Clubinho Girolando.
Próxima edição já tem data
Durante o encerramento da feira, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando confirmou que a próxima edição da Megaleite será realizada entre os dias 08 e 12 de junho de 2027, novamente em Belo Horizonte.
Com recordes de público, negócios e produção animal, a edição de 2026 reforçou o papel da Megaleite como uma das principais vitrines da pecuária leiteira brasileira e da genética desenvolvida no país.



