Peixes
Paraná consolida liderança na piscicultura brasileira
Setor cresceu 17,35% em 2024, impulsionado pela qualidade dos recursos hídricos e pelos sistemas integrados de produção das cooperativas.

A piscicultura paranaense vive um momento de consolidação e expansão, com resultados expressivos e perspectivas ainda mais otimistas para os próximos anos. Em 2024, o estado alcançou a marca de 250.315 toneladas de peixes produzidos, um crescimento de 17,35% em relação ao ano anterior, mantendo-se como líder nacional na produção de tilápia.

Fotos: Shutterstock
O sucesso do setor está alicerçado em um conjunto de fatores que tornam o Paraná um ambiente atrativo para investimentos. “A piscicultura do Paraná é muito forte e as perspectivas são ainda melhores, pois possui atrativos para investimentos, como cooperativas que trabalham com cortes de peixes, garantindo a compra a preços justos e assegurando aos produtores a assistência técnica adequada”, afirma Fábio Peixoto Mezzadri, médico-veterinário da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Além do suporte oferecido pelas cooperativas e agroindústrias integradoras, o estado conta com um diferencial competitivo: a disponibilidade de água de qualidade em todas as regiões produtoras, o que assegura a sustentabilidade da atividade e o cumprimento das exigências legais da produção aquícola. Essa condição favorece não apenas o crescimento produtivo, mas também a valorização de práticas responsáveis e ambientalmente adequadas, segundo dados da Associação Brasileira de Peixe (Peixe BR).

Espécies mais produzidas
A liderança na produção é impulsionada, sobretudo, pela tilapicultura. Somente em 2024, foram 245.115 toneladas de tilápia, que dominam amplamente o cenário, seguidas pelas espécies nativas, com 2.400 toneladas, e por outras variedades — como carpa, truta e panga — que somaram 2.800 toneladas.
Mapa da piscicultura
A estrutura da piscicultura paranaense também impressiona em números: 95.327 viveiros distribuídos em 15.964 hectares e 5.976 tanques-rede, configurando um cenário robusto e profissionalizado. Essa base sólida tem impulsionado a produtividade mesmo em um ambiente de desafios regulatórios.
Entre os principais obstáculos que impactam a competitividade do setor, estão questões como a Lei de Imposição do

Foto : Jonathan Campos / AEN
Registro Geral da Atividade Pesqueira e a burocracia na outorga de uso da água, especialmente para os produtores independentes que ainda não contam com o suporte de cooperativas ou indústrias integradoras.
Maiores municípios produtores
Mesmo assim, o engajamento dos produtores, que se qualificam continuamente e buscam entregar ao consumidor um produto de excelência, ajuda a manter o Paraná como referência nacional. No ranking dos municípios mais produtivos, se destacam Nova Aurora, Palotina, Assis Chateaubriand, Toledo e Terra Roxa, evidenciando a força regional da atividade.
Com a combinação entre infraestrutura, apoio técnico e organização setorial, o Paraná mostra que a piscicultura pode ser não apenas um grande negócio, mas também um exemplo de desenvolvimento rural sustentável.

Peixes
Piscicultura brasileira ganha radiografia atualizada com lançamento do Anuário 2026
Publicação reúne números atualizados por estado, análises de mercado, consumo, tecnologias e balanço dos principais fatos de 2025. Lançamento será transmitido ao vivo pelo YouTube nesta terça-feira (24), a partir das 15 horas.

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) lança na terça-feira (24), a partir das 15 horas, a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura, principal publicação da cadeia produtiva de peixe de cultivo no país.
Consolidado como a mais importante referência estatística do setor, o Anuário 2026 traz, em primeira mão, os dados atualizados da produção nacional, o desempenho da atividade nos últimos anos, a produção por estado, além de informações sobre consumo, mercado e tendências.
Nesta edição comemorativa, a publicação apresenta um panorama completo da piscicultura brasileira, destacando os avanços do setor, o crescimento da atividade, a adoção de novas tecnologias e as oportunidades que impulsionam a cadeia produtiva em solo nacional. O material também reúne os principais acontecimentos de 2025 e análises estratégicas sobre o cenário atual e as perspectivas para os próximos anos.
O evento contará com transmissão ao vivo pelo YouTube da Peixe BR, acesse clicando aqui.
Peixes
Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica
IP-Apta articipa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.
A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.
Foco no pescado e na segurança alimentar
Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.
A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.
Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.
O que o projeto vai investigar
Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.
A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.
Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.
O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.
Peixes
Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral
Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.
No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.
“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.



