Notícias Participação de 22%
Paraná aumenta produção de peixes em 9,3% e mantém liderança nacional
Em volume de tilápias inteiras congeladas exportadas, o Estado também ocupa a primeira posição. O bom desempenho é puxado pelo modelo cooperativista de integração, que garante suporte produtivo, industrial e de comercialização.

A produção de peixes de cultivo, particularmente a tilápia, no Paraná, chegou a 188 mil toneladas em 2021, confirmando ainda mais o Estado na liderança nacional desse segmento, no qual tem . O crescimento foi de 9,3% em relação a 2020. O segundo colocado é o Estado de São Paulo, que encerrou o ano com 81.640 toneladas. O levantamento é da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), que congrega produtores, empresas da cadeia produtiva e entidades de classe, e publica o Anuário PeixeBR.

Norberto Ortigara, secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná. Foto: José Gomercindo/AEN
“Essa é uma cadeia consolidada no Paraná e com excelentes perspectivas de crescimento”, afirmou o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. “Temos acompanhado e visitado empreendimentos novos, confirmando que esse segmento será ainda mais importante para a economia do Estado e para o aumento de renda de produtores.”
O bom desempenho do Estado é puxado pelo modelo cooperativista de integração, que garante suporte produtivo, industrial e de comercialização dos pescados. “Além do cooperativismo, que investe fortemente na atividade, o Paraná tem uma legislação ambiental simples e ativa para garantir qualidade e respeito à natureza, um rigoroso controle de sanidade e uma assistência técnica qualificada”, disse Ortigara.
No ano passado, o governo lançou o programa Banco do Agricultor Paranaense para incentivar a agropecuária do Estado. Uma das linhas contempla projetos de implantação, aquisição de equipamentos, assistência técnica e custeio para a piscicultura com a concessão de subvenção econômica na forma de equalização da taxa de juros. De maio de 2021 a 31 de janeiro deste ano, foram apresentados 13 projetos ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná). Eles somam R$ 1.431.773,00 de investimento.
Tilápia
Em 2021, a piscicultura brasileira produziu 534.005 toneladas de tilápia, com crescimento de 9,8% sobre o ano anterior (486.255 toneladas). A espécie, que está presente em todas as regiões do País, representou 63,5% da produção de peixes de cultivo. Na região Sul, a tilápia equivale a 86% de todos os peixes cultivados e tem

Palotina – 10-10-2020 – Cooperativa C Vale – Industria de Aves e Tilapia – Foto : Jonathan Campos / AEN
participação de 43,4% na produção nacional, com 231.900 toneladas.
Da produção de 188 mil toneladas de peixes no Paraná, 182 mil são tilápias, o que garante, também nesse quesito, a liderança do Estado. A segunda colocação é de São Paulo, com 76.140 toneladas. O Paraná também tem registro de cultivo de 3,8 mil toneladas de peixes nativos, além de 2,2 mil toneladas de outras espécies, sobretudo carpas, trutas e pangas.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a piscicultura movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano no Estado. A região Oeste concentra cerca de 70% da produção. “Em 2021, a produção foi prejudicada em consequência da pandemia e da estiagem, que encareceu o custo de produção e reduziu as margens dos produtores e indústria, mas temos boas expectativas de que este ano o crescimento ganhe ritmo mais rápido”, disse o analista do Deral, Edmar Gervásio.
Nacional
A produção nacional de peixes de cultivo, no ano passado, foi de 841.005 toneladas, um crescimento de 4,7% sobre as 802.930 toneladas de 2020. De acordo com a PeixeBR, que divulga o anuário desde 2014, o Brasil mantém uma média de crescimento anual de 5,6%, ainda que o consumo seja baixo, com menos de 5 quilos por pessoa ao ano.
Além das 534.005 toneladas de tilápias, o Brasil produziu 262.370 toneladas de peixes nativos (31,2% do total), com recuo de 5,85% em relação a 2020, enquanto carpas, trutas e pangas foram responsáveis por 5,3% da produção total de 2021, atingindo 44.585 toneladas, uma elevação de 17% sobre o resultado do ano anterior.
De acordo com a PeixeBR, a piscicultura envolve mais de 1 milhão de produtores, gera cerca de 1 milhão de empregos diretos e outros 2 milhões indiretos e, em 2021, movimentou R$ 8 bilhões.
Exportação
As exportações da piscicultura brasileira bateram recorde em 2021, com crescimento de 49% em relação ao ano anterior. Enquanto em 2020 foram 6.681 toneladas enviadas ao Exterior, no ano passado o volume alcançou 9.932 toneladas. Em termos monetários, o aumento foi ainda maior, com a entrada de US$ 20,7 milhões, ou 78% superior ao ano anterior.
De acordo com o levantamento da PeixeBR, os peixes inteiros congelados apresentaram os maiores volumes, com US$ 8,6 milhões (41% do total) e alta de 390% no comparativo com 2020. Os filés frescos ou refrigerados renderam US$ 5,4 milhões (26% do total), com aumento de 3%. Os filés congelados tiveram aumento de 573% em recursos (US$ 2,2 milhões) e de 406% no volume (381 toneladas).
As tilápias, com participação de 86%, são a espécie mais exportada. O Paraná é o primeiro colocado quando se trata de volume, com 3.471 toneladas de tilápias inteiras congeladas enviadas ao Exterior, um aumento de 129% em relação a 2020. No entanto, fica em segundo em volume de arrecadação, com US$ 6,2 milhões (34% do total

exportado pelo País).
Mato Grosso do Sul figura como o Estado que mais arrecadou com a exportação de tilápia em 2021, alcançando US$ 6,7 milhões, o que representa 37% do total brasileiro. O Estado tem tradição de exportar filés frescos ou refrigerados. No ano passado, foram enviados ao Exterior 1.899 toneladas.
Estados Unidos (64%), Colômbia (9%), China (8%) e Chile (5%) foram os principais importadores da piscicultura brasileira em 2021. As exportações para os EUA apresentaram aumento de 123% em valor, atingindo US$ 13,3 milhões. Os embarques para a Colômbia apresentaram aumento de 204%, e para China o crescimento foi de 88%.

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Produzir mais em menos área é desafio central do agro diante do crescimento populacional
Intensificação produtiva, manejo do solo e eficiência no uso de recursos despontam como estratégias-chave para garantir segurança alimentar e sustentabilidade.

Com a população mundial projetada para atingir 9,9 bilhões de pessoas até 2054, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: aumentar a produção de alimentos sem ampliar o uso de recursos naturais na mesma proporção. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que, para atender essa demanda, será necessário produzir 60% mais alimentos, além de consumir 50% mais energia e 40% mais água.
No Brasil, onde a área agrícola corresponde a cerca de 7,6% do território nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a intensificação produtiva tem se consolidado como caminho estratégico. Para o engenheiro agrônomo e empresário Luís Schiavo o foco deve estar na eficiência do uso do solo e na adoção de práticas agronômicas sustentáveis. “Não se trata apenas de produzir mais, mas com qualidade. O aumento da eficácia em áreas menores é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos e preservar biomas importantes, como florestas e áreas de conservação”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Entre as principais estratégias para alcançar esse equilíbrio está o manejo adequado do solo. A manutenção da cobertura vegetal, especialmente no período de plantio, tem papel fundamental na proteção da estrutura da terra, na conservação da umidade e no estímulo à atividade microbiana. “O solo coberto funciona como um sistema vivo. A palhada atua como um colchão de matéria orgânica que reduz impactos mecânicos, protege contra a erosão causada pela chuva e favorece a ciclagem de nutrientes”, explica.
Outra prática destacada por Schiavo é a rotação de culturas, técnica que contribui para a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e melhora o aproveitamento de nutrientes. Um exemplo comum no campo brasileiro é a sucessão entre soja e milho safrinha. “Após a colheita, o solo permanece enriquecido com nitrogênio, o que favorece diretamente o desenvolvimento do milho. Esse tipo de rotação preserva as características físicas, químicas e biológicas garantindo produtividade consistente ao longo das safras”, pontua.
Segundo o engenheiro agrônomo, investir em tecnologia, manejo eficiente e insumos adequados é decisivo para tornar o agro mais competitivo e sustentável. “Quando o produtor otimiza os fatores de produção, ele melhora a relação custo-benefício, preserva recursos naturais e contribui para um modelo agrícola mais equilibrado. É uma equação em que todos ganham: o produtor, o consumidor e o planeta”, ressalta.
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Embrapa recebe missões de 14 países interessadas em pecuária sustentável brasileira
Delegações internacionais visitaram centro de pesquisa em São Carlos em 2025 para conhecer tecnologias de baixo carbono, como recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta.

A produção pecuária sustentável e a mitigação dos impactos ambientais foram foco de 19 missões internacionais à Embrapa Pecuária Sudeste em 2025. No total, foram 55 visitantes estrangeiros de 14 países, dos cinco continentes.
As missões de organizações internacionais, principalmente da Europa (37,5%) e da África (25%), visitaram o centro de pesquisa para conhecer as inovações brasileiras no setor agropecuário.
De acordo com o articulador internacional, Alberto Bernardi, as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste, apresentadas durante as visitas das delegações internacionais, contribuem para mostrar que o setor pecuário pode fazer parte da solução climática ao melhorar o desempenho em harmonia com o meio ambiente, com uso de tecnologias sustentáveis, como a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), a recuperação de pastagens e a pecuária de precisão. “A recuperação de pastagens degradadas é, talvez, o elemento mais estratégico, pois não só pode reverter a degradação ambiental (um dos principais emissores de gases de efeito estufa (GEE), como transformar essas áreas em eficientes reservatórios de carbono”, explica Bernardi.
O interesse dos visitantes internacionais concentrou-se em linhas de pesquisa voltadas à otimização e à redução do impacto ambiental da atividade pecuária. Os principais temas buscados incluíram eficiência, baixo carbono na produção de carne e leite, Pecuária de Precisão e recuperação de pastagens.
Para o pesquisador Sérgio Medeiros, as visitas são oportunidades para celebrar parcerias em projetos de pesquisa estratégica para o país, principalmente na área de mudanças climáticas, atualmente uma prioridade global.
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste também participaram de missões a países estrangeiros, realizando visitas técnicas e participando de eventos técnico-científicos na Argentina, Áustria, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Paraguai, Quênia e Uruguai.
Os países que estiveram representados nas missões ao centro de pesquisa de São Carlos foram França, Itália, Reino Unido, Rússia, Suécia, Egito, Gana, Marrocos, Zimbábue, China, Japão, Colômbia, Estados Unidos e Austrália.
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ASBRAM empossa nova diretoria em fevereiro e projeta ciclo positivo para pecuária até 2028
Entidade que reúne a indústria de suplementos minerais aposta em continuidade de gestão, vê cenário favorável para o setor e alerta para desafios como juros elevados e reforma tributária.

Manter as sucessões programadas das diretorias para fomentar um trabalho mais próximo com todos os parceiros de negócios, preparar-se ainda mais para atender os clientes no ciclo virtuoso da Pecuária até 2028 e comemorar a coesão e o entrosamento entre as equipes das cem corporações que compõem o quadro da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM). Esse foi o objetivo cumprido pelos executivos e profissionais das empresas do segmento nesta passagem de ano, ratificado durante a última reunião promovida pela entidade no fim de 2025.
O encontro marcou a eleição dos novos membros do Conselho de Administração da Associação para o biênio 2026 – 2027. O executivo Rodrigo Miguel assume a presidência no lugar de Fernando Cardoso Penteado Neto, com Leonardo Matsuda como vice-presidente. Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A nova diretoria toma posse no próximo dia 25 de fevereiro. “Confio demais na pecuária brasileira. Basta ver o que conseguimos fazer em 2025, quase empatando nossas vendas com 2024, que teve um segundo semestre histórico. Tenho certeza de que em 2026 não vai ser diferente. E tenho orgulho em apontar a ASBRAM como uma entidade sadia financeiramente e estruturada para permanecer atuando forte”, analisou Fernando Penteado.
“Chego muito otimista e com energia para atuarmos em nome de nossas empresas, do nosso mercado e para atender cada vez melhor e mais de perto os pecuaristas de todos os estados produtores brasileiros”, acrescentou o novo presidente, que mandou sua mensagem pela web, direto da Holanda.
Foram quase 90 pessoas presentes no encontro realizado na Capital paulista e outras 200 acompanhando pela internet, atentos a quatro palestras, aos debates e à apresentação dos números de comercialização de suplementos minerais no Brasil neste ano. “Estamos muitos felizes, as palestras foram ótimas, todos os convidados muito entrosados e felizes. Nesta casa, todos se dão bem. Todos conversam e eu até pareço a mãe deles. 2025 não foi um período fácil. Teve tarifaço dos EUA, impostos, insegurança, mas fizemos um ano com um resultado positivo face ao que passamos. Também porque a base de comparação, principalmente com o segundo semestre do ano passado, que foi ‘fora da curva’. Trabalhei muito tempo com fertilizantes e sonhava com a soja na ponta das exportações. E conseguimos. E agora é a carne bovina, liderando o mundo em produção e exportação. Estamos no caminho certo, ajudando o Brasil a consolidar-se como o maior fornecedor e embarcador da nossa proteína no planeta”, comentou Beth Chagas.
O encontro destacou a dimensão ambiental do agro brasileiro, com a preservação de 66% da vegetação original do país e a economia de 164 milhões de hectares cultivados, resultado do avanço da produtividade agrícola, além de quase 400 milhões de hectares destinados à pecuária. A adoção de práticas como agricultura de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, uso de bioinsumos e recuperação de áreas degradadas tem sustentado esse desempenho.
Com esse modelo, o Brasil alcançou a quarta posição mundial em produção e exportações agropecuárias e responde por cerca de metade do superávit da balança comercial, próximo de US$ 150 bilhões. “O país consolida sua presença como uma potência agroambiental tropical, com clima, terras, água e recursos humanos para avançar ainda mais. Esses resultados também se traduziram em alimentos mais baratos para os brasileiros”, afirmou o professor da Universidade de São Paulo José Otávio Menten.
Cenário favorável
O encontro da ASBRAM traçou um cenário favorável para a pecuária, com expectativa de bons preços para o boi gordo e consumo interno estável, mesmo diante de uma desaceleração da economia nos próximos anos.
Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, da Fundação Getúlio Vargas, o ambiente positivo convive com desafios estruturais que exigem atenção dos produtores, como a reposição do rebanho, a incerteza política, os custos de produção, os preços de venda e a gestão do caixa das propriedades.
Para Serigati, 2025 passou sem grandes impactos econômicos internos, e 2026 deve registrar crescimento mais moderado, ainda em terreno positivo. A inflação, afirma, tende a seguir em queda, impulsionada principalmente pelos alimentos, enquanto o principal fator de risco permanece sendo a trajetória dos gastos públicos do governo federal.
Fatores que pressionam o setor
A trajetória dos gastos públicos também pressiona a pecuária por meio da manutenção de juros elevados, usados como instrumento de controle da inflação.
Esse cenário tem levado produtores a vender vacas mesmo com a valorização dos bezerros, a racionalizar o uso da nutrição e a comprometer parte das margens para honrar financiamentos oficiais contratados em 2024, sem acesso a novas linhas de crédito. “O agro segue batendo recordes no mercado interno e externo e ajudando a conter os preços nas gôndolas dos supermercados. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios relevantes que precisam ser equacionados. Por isso, 2026 deve exigir foco total na gestão do negócio. Considerando o desempenho de 2025, será um bom resultado se o segmento de suplementos minerais encerrar o ano com vendas em torno de 2,5 milhões de toneladas”, avaliou Serigati.
Outro ponto de atenção destacado no encontro foi a nova legislação tributária, que entra em fase de transição e testes a partir de janeiro. “A reforma é uma realidade, e produtores rurais precisarão estruturar e capacitar equipes para escolher as melhores alternativas em cada fazenda, sistema produtivo e modalidade de comercialização. As mudanças atingem todas as empresas, em um ambiente cada vez mais digital, que transfere ao contribuinte a responsabilidade pelo correto recolhimento dos tributos”, afirmou o advogado e contador Lincoln Diones Martins.



