Notícias
Paraná aposta no biometano e estrutura mercado e rodovias para atender frotas pesadas
Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária.

O Paraná tem liderado em nível nacional algumas iniciativas verdes relacionadas ao transporte do futuro. Essa estratégia inédita no País busca acelerar a descarbonização do transporte de veículos comuns, com as eletrovias, e de cargas pesadas, criando condições para que o biometano produzido no campo substitua progressivamente o diesel nas rodovias.
Com uma cadeia produtiva estruturada do produtor rural ao caminhoneiro, o Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária. O resultado é o surgimento de um novo mercado energético que transforma os dejetos da produção de proteína animal em combustível limpo e mais barato.
Os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis têm como objetivo ampliar a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões, diversificando a matriz energética com soluções como eletrificação, etanol e biodiesel.

Foto: IDR
Em 2024, a Compagas iniciou a operação da primeira rota entre Londrina e Paranaguá, conectando Norte e Litoral e permitindo que veículos pesados circulem abastecidos com GNV e, futuramente, biometano. Hoje já são 13 postos preparados para caminhões em pontos estratégicos, possibilitando a integração com São Paulo e Santa Catarina e também com Mato Grosso do Sul e garantindo autonomia às frotas.
A segunda linha de atuação, em implementação, leva o biometano para o Interior do Estado, onde não há gasodutos e a produção rural de biomassa é abundante.
“O gás já está disponível nas principais rotas rodoviárias que interligam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda possui alto potencial para incorporar o gás na sua matriz de transporte rodoviário. Nossa estratégia é inserir amplamente o gás natural e o biometano nas rotas que movimentam a produção agroindustrial do Estado e obter um avanço significativo na descarbonização do setor, oferecendo economia para transportadoras, reduções dos custos de frete e ganhos em eficiência logística”, destaca o diretor-presidente da Compagas, Eudis Furtado Filho.
A Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN), vinculada à Secretaria do Planejamento, coordena a estratégia estadual de transição energética. O superintendente Sandro Vieira explica que os Corredores Sustentáveis resultam de uma evolução do conceito de mobilidade limpa.
“Quando surgiram as eletrovias, chamava-se corredor verde. Depois veio o gás natural, o corredor azul. Hoje chamamos de corredor sustentável porque não importa mais a fonte. O Paraná trabalha com eletromobilidade, biometano, etanol e biodiesel, e isso reforça a diversidade energética do Estado”, afirma.
O biometano é quimicamente idêntico ao gás natural, sendo intercambiável na infraestrutura existente. A diferença está na origem: enquanto o gás natural é fóssil, o biometano é obtido a partir da digestão de resíduos como dejetos suínos, frangos, bovinos, vinhaça de cana ou aterros sanitários.
O coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio da SUPEN, Thiago Olinda, resume o potencial dessa combinação. “Interpretamos o gás natural como um combustível de transição e um indutor do biometano. Aonde o gás natural chega, o biometano também se conecta. Por isso o desenvolvimento de postos pela Compagas é fundamental para dar capilaridade ao projeto”, diz.
O Estado também fortalece a produção de biometano por meio de programas como o RenovaPR, que oferece financiamentos e equalização de juros para implantação de biodigestores, e com incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. A justificativa é ambiental e econômica. A suinocultura, por exemplo, é um dos segmentos que mais geram biogás.
Segundo o coordenador do RenovaPR no IDR-PR, Herlon Almeida, o biometano fecha um ciclo virtuoso. Ele explica que os dejetos animais emitem metano, gás até 21 vezes mais agressivo que o CO2, se liberados na atmosfera. Com a biodigestão, o produtor trata o resíduo, reduz emissões, obtém licenciamento ambiental, gera energia e cria um ativo.
“Temos que criar um mercado demandante de biometano. O grande mercado é a substituição do diesel, como já ocorre nos Estados Unidos e Europa. Estamos iniciando uma caminhada cujo horizonte é 2035, quando o Paraná poderá substituir cerca de 15% do diesel consumido no Estado”, avalia.
Exemplos em andamento
No Oeste, esse novo mercado já é realidade. A cooperativa Primato, de Toledo, inaugurou em 2023 uma bioplanta que transforma 630 mil litros de dejetos suínos por dia em biometano e fertilizante organomineral, abastecendo seis caminhões da própria frota e permitindo que 13 produtores aumentem sua produção sem ampliar áreas de disposição de resíduos.

Foto: Copel
O diretor-executivo da Primato, Juliano Millnitz, destaca que a motivação inicial nasceu de um problema regional. “O maior plantel de suínos do Brasil está aqui. Percebemos que o nosso problema trazia uma oportunidade em um projeto de descarbonização. Hoje abastecemos caminhões com biometano e reduzimos em 30% a 35% o custo em relação ao diesel”, conta.
Para ele, o impacto ambiental ainda é maior que o econômico. “A parte ambiental desse projeto é muito forte. É economia circular. O dejeto vira adubo para milho e soja, que alimentam o suíno novamente. E ainda reduzimos emissões e abrimos mercado internacional para carne produzida de forma sustentável”, explica.
Outro exemplo de como o biometano está reunindo investimentos é com a Potencial. A empresa que tem planta na Lapa vai se tornar a segunda fabricante nacional de biodiesel a escoar parte de sua produção per meio de dutos. O projeto é parte de uma grande rodada de investimentos focados na expansão da oferta de gás natural e de biometano que está sendo realizado pela Compagas. No total, a empresa pretende investir R$ 200 milhões na iniciativa.
O plano é interligar a usina da Potencial em Lapa às distribuidoras localizadas no entorno da Refinaria Presidente da Getúlio Vargas (Repar) da Petrobras na cidade de Araucária, a cerca de 50 quilômetros de distância. A cidade conta com 13 bases de distribuição autorizadas pela ANP incluindo uma pertencente ao próprio Grupo Potencial.
Frota mais verde
Além das cooperativas, o Estado trabalha ao lado da demanda. A Secretaria da Indústria e Comércio (Seic) firmou parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) para estimular transportadoras a migrarem para veículos híbridos ou movidos integralmente a gás.
O assessor técnico da Seic, Rodrigo Becegato explica que o setor de transporte é responsável por 74% das emissões do setor energético no Paraná, principalmente devido ao diesel. “Nosso foco é fomentar o consumo e criar condições para que o transportador considere o biometano como alternativa viável. Os workshops que realizamos com os sindicatos mapeiam rotas, gargalos e perfis das frotas para entender a infraestrutura necessária. Vemos o modelo híbrido como um caminho seguro até a adoção de caminhões exclusivamente movidos a gás”, detalha.
O conjunto dessas ações faz com que o Paraná esteja entre os pioneiros na regulação e na operação em escala do biometano como combustível. O projeto está alinhado ao Programa Combustível do Futuro, à Lei Federal nº 14.993/2024 e ao Decreto nº 12.614/2025, que tratam da descarbonização e certificação de origem do biometano.
A expectativa é que o combustível possa reduzir em até 60% o custo do quilômetro rodado quando usado no modo puro, além de ampliar a competitividade da proteína animal paranaense no mercado internacional, devido às exigências ambientais.
Com infraestrutura de abastecimento se expandindo, incentivos à produção, parceria com transportadores e novas plantas anunciadas, o Estado enxerga no biometano um vetor de desenvolvimento. Para Herlon Almeida, trata-se de um novo ciclo econômico. “O Paraná tem uma nova cadeia produtiva altamente promissora. Ela gera emprego, movimenta a economia local, reduz emissões e diminui o custo do frete. É o que na economia chamamos de cadeia produtiva promissora”, pontua.
Eletrovias
O investimento do Paraná em diferentes soluções de mobilidade sustentável também acompanha o avanço acelerado do mercado de veículos eletrificados no Brasil. Segundo dados divulgados no início de janeiro pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em 2025 em comparação com 2024, saltando de 177.538 emplacamentos em 2024 para 223.192 neste ano.
Nesse contexto, o Estado conta hoje com uma das eletrovias mais robustas do País. A Copel faz a gestão de 12 pontos de recarga de veículos elétricos distribuídos ao longo da BR-277 e em áreas urbanas, formando uma eletrovia de 730 quilômetros que liga o Porto de Paranaguá às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Essa tecnologia também está instalada na BR-376. Apenas em 2025, os eletropostos operados pela companhia registraram 23.970 recargas, com consumo de 429 MWh de energia e tempo médio de 43 minutos por recarga.

Notícias
Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
Notícias
Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.



