Notícias
Paraná antecipa em 10 anos meta portuária e lidera avanço logístico no país
Os portos paranaenses registraram o maior crescimento percentual em volume de cargas entre os portos brasileiros ao longo de 2025. Nos últimos sete anos, o crescimento na movimentação foi de 38,16%, índice muito acima do registrado no período entre 2011 e 2018, quando o aumento foi de 29,15%.

Os portos paranaenses registraram o maior crescimento percentual em volume de cargas entre os portos brasileiros ao longo de 2025. Segundo dados atualizados do Comex Stat, divulgados neste mês, o crescimento foi de 10,1% em relação ao ano anterior, reflexo da movimentação de cargas da Portos do Paraná, que passou de 66,7 milhões de toneladas, em 2024, para 73,5 milhões considerando mercadorias exportadas e importadas. O Porto de Santos ficou em 2º lugar.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O recorde histórico da Portos do Paraná já havia sido quebrado no começo do mês de dezembro, quando a movimentação atingiu 70 milhões de toneladas. No dia 31, chegou a 73.506.480 toneladas. Na média, foram mais de 6,1 milhões de toneladas por mês de produtos que entraram e saíram do Paraná. Em 2024, a média mensal era de 5,5 milhões de toneladas.
De acordo com estudos técnicos realizados em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos, a previsão era de que esse volume só fosse alcançado a partir de 2035. Investimentos e a aplicação de um planejamento de gestão estão entre os principais fatores que contribuíram para esse resultado. “O porto que foi premiado seis vezes seguidas como o melhor do Brasil prova, mais uma vez, que é referência para todo o País”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
Nos últimos sete anos, o crescimento na movimentação da Portos do Paraná foi de 38,16%, índice muito acima do registrado no período entre 2011 e 2018, quando o aumento foi de 29,15%. “Não é simplesmente um novo recorde. É uma conquista que reflete em toda a cadeia econômica do nosso Estado. Prova que estamos trabalhando para fazer deste porto um equipamento logístico melhor e mais adequado, atendendo às solicitações do mercado”, comemorou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
Para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, o marco atingido é motivo de comemoração. “Esse novo recorde vem

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
coroar o trabalho altamente qualificado que coloca o Paraná, mais uma vez, em evidência com um dos portos mais eficientes do mundo”, afirmou.
Principais destaques
A commodity que apresentou o maior crescimento em 2025 foi o milho, que passou de 1.071.474 toneladas, em 2024, para 5.094.470 toneladas em 2025, representando um aumento de 375%. Outro crescimento expressivo foi o de óleos vegetais, com alta de 32% na movimentação, mantendo o Porto de Paranaguá como líder nacional na exportação do produto. Celulose e açúcar ensacado também se destacaram, com aumentos de 16% e 15%, respectivamente.
A soja seguiu em alta, com 14,6 milhões de toneladas enviadas para outros países, o que representa 11% a mais do que em 2024. Na safra 2024/2025, o Paraná colheu 21,4 milhões de toneladas de soja, ou seja, o volume movimentado pelo Porto de Paranaguá representa, de forma ilustrativa e não efetiva, 69% de toda a produção do Estado. Vale destacar que o porto também é responsável pelo envio ao Exterior da soja colhida em outros estados, como Mato Grosso do Sul e São Paulo, por exemplo.
O farelo de soja também se destacou ao longo do ano, com aumento de 5% em comparação ao período anterior, totalizando 6,5 milhões de toneladas exportadas.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
A madeira ficou entre os três principais produtos exportados, totalizando 1,6 milhão de toneladas, 0,24% a mais do que em 2024. Um dos principais destinos da mercadoria são os Estados Unidos. Vale destacar que a movimentação se manteve em linha, apesar da instabilidade gerada no mercado até a confirmação de que o produto ficaria fora dos tarifaços aplicados aos produtos brasileiros anunciados pelo governo norte-americano nos meses de abril e agosto.
Importação
Os fertilizantes lideraram o volume na importação, alcançando a marca de 11.609.133 toneladas, crescimento de 4%, batendo, mais uma vez, o recorde histórico. Os portos paranaenses seguem como a principal porta de entrada do produto no País. Mais de 25% do consumo nacional chega por Paranaguá e Antonina. O grupo dos cereais, como trigo, malte e cevada, também registrou recorde, com o desembarque de 1.104.808 toneladas em 2025, frente a 1.078.673 toneladas em 2024.
Fatores de impulsionamento
Além das estratégias que possibilitaram a aplicação de uma logística inteligente, elaborada pela empresa pública nos últimos oito anos para otimizar a operação de cargas, também houve melhorias estruturais.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Com a conclusão da derrocagem – remoção de parte do maciço rochoso da Pedra da Palangana, no final de 2024, foi possível tornar a navegabilidade no canal de acesso mais segura, com menos manobras e, consequentemente, mais ágil.
As ações e os investimentos constantes em dragagens permitiram o aumento do calado operacional, distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação. Um calado maior possibilita que o navio receba mais mercadorias de uma única vez, ampliando a capacidade operacional da estrutura portuária e reduzindo os custos para quem exporta ou importa.
Em menos de um ano, a empresa pública obteve duas permissões para o aumento do calado, fruto de um trabalho contínuo, com planejamento e ações práticas. Em dezembro de 2024, o calado passou de 12,8 metros para 13,1 metros e, em setembro de 2025, para 13,3 metros. Os 50 centímetros adicionais permitiram, por exemplo, o embarque de 3,7 mil toneladas a mais por navio.
Como resultado dessas mudanças, no início de dezembro, o Porto de Paranaguá carregou, nos porões do MV Minoan Pioneer, 77 mil toneladas de milho, um recorde. Foi a maior quantidade de granel vegetal sólido já embarcada em um único navio.
A profundidade do canal deve aumentar ainda mais nos próximos anos, e o calado poderá chegar a 15,5 metros. Isso será possível com a concessão do canal de acesso aos portos do Paraná, por meio de leilão realizado em outubro. A ampliação permitirá embarcar, em uma única embarcação, até 14 mil toneladas adicionais de granéis vegetais sólidos, como grãos ou farelos, ou ainda mil contêineres.
O diretor-presidente da Portos do Paraná destaca que o processo de qualificação dos portuários contribui significativamente para o

Foto: José Fernando Ogura/AEN
aumento constante da eficiência de um dos principais hubs logísticos portuários da América Latina. De 2019 a 2025, cerca de 80% dos trabalhadores da empresa pública receberam algum tipo de treinamento ou capacitação.
Garcia também ressalta que a comunidade portuária, que congrega todos os segmentos que atuam direta e indiretamente no complexo, mantém uma relação ímpar de união e comprometimento com os portos do Paraná. “Esses resultados são o reflexo da ação conjunta do Governo do Estado, da Autoridade Portuária, dos trabalhadores que, sob chuva ou sol, fazem tudo funcionar e das empresas que operam aqui dentro e acreditam no nosso potencial”, afirmou.
Geração de empregos
De acordo com o Órgão Gestor de Mão de Obra do Trabalho Portuário (OGMO) de Paranaguá, houve aumento no número de Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs) no litoral paranaense. Em 2025, 1.849 trabalhadores — entre estivadores, conferentes, vigias e arrumadores — atuaram no Porto de Paranaguá, crescimento de 12% em relação a 2024, quando foram registrados 1.639 portuários.
Investimentos
O potencial de produtividade da Portos do Paraná será ampliado ainda mais em curto prazo. Até fevereiro, será concluída a maior obra pública portuária do Brasil: o Moegão, que já ultrapassou 80% de execução.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O Governo do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está investindo mais de R$ 650 milhões no complexo de recepção de cargas pelo modal ferroviário. Após a conclusão, o Moegão poderá receber até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo os terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex).
Em breve, será iniciada a construção do Píer em “T”, cuja primeira fase está orçada em R$ 1,2 bilhão. A estrutura vai dinamizar o Corredor de Exportação Leste, com quatro novos berços de atracação equipados com o sistema de carregamento mais rápido do mundo. A segunda fase contará com aporte adicional de R$ 1 bilhão, representando o primeiro investimento do Governo do Estado na área portuária em mais de 50 anos.
Outra novidade será o Píer em “F”, que conectará os terminais do novo Corredor Oeste. Também está prevista a expansão do píer de líquidos, com a interligação dos terminais que operam esse tipo de carga.
Esses investimentos são resultado dos nove leilões realizados desde 2019 em áreas portuárias do litoral paranaense, que permitirão a ampliação e modernização do Porto de Paranaguá. Com a regularização total das áreas, denominadas PARs do complexo portuário, destinadas à exploração privada, a Portos do Paraná garantiu R$ 5,1 bilhões, incluindo a concessão do canal de acesso. “São compromissos firmados com as empresas, que passam a contar com garantia jurídica, contratos saudáveis e obrigações e direitos claramente definidos, tanto para quem assumiu os arrendamentos e a concessão quanto para a Autoridade Portuária”, declarou o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia.
O prazo para a conclusão de todos os investimentos previstos nos editais varia de cinco a sete anos, de acordo com as especificidades de cada contrato, contados a partir da assinatura definitiva das concessões.

Notícias
Instituto de Pesca aposta no futuro sustentável da tilapicultura brasileira com menos antibióticos e mais prevenção
Doenças causadas por bactérias como a Francisella orientalis e vírus Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV) estão entre os maiores desafios, provocando taxas de mortalidade e perdas significativas para os produtores.

O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem desenvolvido soluções para transformar a sanidade na piscicultura brasileira, com o fortalecimento da prevenção de doenças e redução do uso de antibióticos. As ações fazem parte do Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
De acordo com o anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), a tilápia (Oreochromis niloticus) é hoje uma das espécies mais cultivadas no mundo e lidera a produção brasileira, representando mais de 68% dos peixes de cultivo. No Estado de São Paulo, a produção ultrapassou 88 mil toneladas em 2025.
No entanto, o crescimento acelerado do setor traz desafios sanitários constantes. Doenças causadas por bactérias como a Francisella orientalis e vírus Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV) estão entre os maiores desafios, provocando taxas de mortalidade e perdas significativas para os produtores.
Tradicionalmente, o controle dessas doenças depende do uso de antibióticos e manejo sanitário adequados. Mas o uso frequente desses medicamentos tem se restringido devido ao surgimento de resistência a antibióticos: quando bactérias desenvolvem mecanismos para sobreviver a medicamentos que antes eram eficazes. Isso compromete a eficácia de tratamentos e representa um dos principais desafios globais em saúde única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental.
Para enfrentar este cenário, o projeto CCD Sanidade atua em três abordagens preventivas: desenvolvimento de vacinas, diagnóstico rápido e seleção genética de peixes mais resistentes.
Entre as estratégias em desenvolvimento estão vacinas inativadas e vacinas de DNA, que estimulam o sistema imunológico dos peixes a reconhecer e combater as doenças. Essas tecnologias podem ser aplicadas por injeção ou pela alimentação, ampliando seu potencial de aplicação.
Outra frente importante é a seleção genética de peixes com maior capacidade natural de sobreviver a infecções. Paralelamente, o projeto também investe no desenvolvimento de kits de diagnóstico rápido, capazes de detectar precocemente a presença de F. orientalis e ISKNV em campo.
Para o pesquisador do IP Leonardo Tachibana, a solução não está em tratar mais, mas em prevenir melhor. “Precisamos reduzir a dependência de antibióticos e oferecer alternativas sustentáveis ao produtor”, afirma.
As ações do CCD Sanidade não beneficiam apenas os produtores. Ao integrar diagnóstico, tratamento e melhoramento genético, o projeto contribui para uma piscicultura mais sustentável e segura fortalecendo a conexão entre ciência, mercado e o produtor.
SOBRE O CCD
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade) tem como instituição Sede o Instituto de Pesca e como parceiros a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), Instituto Biológico (IB-APTA), Instituto Butantan e a empresa Loccus Ltda. O projeto colaborativo é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e orientado a desenvolver soluções para problemas específicos de interesse social ou econômico do Estado de São Paulo.
Notícias
São Paulo anuncia R$ 1,2 bilhão para o agro durante abertura da Feicorte 2026
Governo também já emitiu mais de 6,3 mil títulos rurais e reforça ações voltadas à competitividade da pecuária paulista.

A abertura oficial da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte 2026), realizada na terça-feira (23), em Presidente Prudente (SP), foi marcada pelo anúncio de novos investimentos voltados ao desenvolvimento rural paulista. Durante a cerimônia, o governador Tarcísio de Freitas também realizou a entrega simbólica de títulos de propriedade rural, em uma ação voltada à regularização fundiária no Estado.
Segundo o governo paulista, a atual gestão já emitiu mais de 6,3 mil títulos rurais, abrangendo cerca de 270 mil hectares regularizados. No Pontal do Paranapanema, uma das principais regiões contempladas pelo programa, foram entregues 4.347 títulos, volume que corresponde a aproximadamente 75% da área passível de regularização na região.

Homenagem ao ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, responsável pela ida da Feicorte a Presidente Prudente – Foto: Divulgação/Agência Result
Além do governador Tarcísio de Freitas, participaram da solenidade o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, o senador Flávio Bolsonaro, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, além de deputados federais, estaduais e prefeitos da região.
Durante o evento, o governo paulista anunciou a disponibilização de R$ 1,2 bilhão em linhas de crédito voltadas ao setor agropecuário. Ao apresentar as medidas, o secretário destacou os indicadores da pecuária de corte paulista e defendeu a ampliação dos investimentos em tecnologia e intensificação produtiva. “Queremos mais confinamento, mais tecnologia, mais produção sustentável e maior inserção internacional”, afirmou.
Ao comentar o retorno da Feicorte ao interior do Estado, Tarcísio de Freitas associou a retomada do evento ao potencial de crescimento da região do Pontal do Paranapanema e às ações de regularização fundiária conduzidas pelo governo. “A Feicorte precisava voltar para o interior, onde o agro acontece de verdade. O Pontal do Paranapanema será uma nova fronteira de desenvolvimento, marcada pela prosperidade e pela segurança jurídica. O produtor precisa de estabilidade e previsibilidade nas políticas públicas e é isso que estamos garantindo em São Paulo”, declarou.
Infraestrutura e conexão com a sociedade
A cerimônia de abertura também foi marcada pelo anúncio da doação definitiva do Recinto de

Foto: Divulgação/Agência Result
Exposições Jacob Tosello ao município de Presidente Prudente. O espaço, que sedia a Feicorte, passará a integrar oficialmente o patrimônio da prefeitura após a formalização da escritura.
Durante o evento, o prefeito Milton Carlos de Mello (Tupã) informou que a administração municipal já prepara um projeto de modernização da estrutura. Segundo ele, a previsão é investir cerca de R$ 4 milhões na reforma do recinto. “A partir do momento em que a escritura estiver registrada, a Prefeitura de Presidente Prudente publicará o edital para a reforma do recinto de exposições. Será uma obra estimada em cerca de R$ 4 milhões, que vai modernizar o espaço e fortalecer ainda mais a realização de eventos como este”, afirmou.
Para a organização, a presença da Feicorte em Presidente Prudente está diretamente ligada à integração entre os diferentes segmentos da cadeia pecuária e a comunidade local. Segundo a CEO da Verum e organizadora da feira, Carla Tuccilio, o evento ampliou seu papel ao longo dos anos e passou a atuar como uma vitrine da produção pecuária brasileira. “A Feicorte já não é mais apenas um evento: ela se tornou um movimento da cadeia produtiva da carne. Conseguimos abordar desde a genética até a carne brasileira de qualidade e o grande objetivo é divulgar esse setor para que todos entendam como funciona nosso sistema produtivo”, destacou.

Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte 2026: “A Feicorte já não é mais apenas um evento: ela se tornou um movimento da cadeia produtiva da carne” – Foto: Divulgação/Agência Result
Durante seu discurso, Carla também homenageou o ex-secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, apontado por ela como um dos responsáveis por viabilizar a realização da Feicorte em Presidente Prudente.
A solenidade foi encerrada com a doação de uma camisa da seleção brasileira autografada pelo governador Tarcísio de Freitas para o Leilão Pecuária Solidária, programado para sexta-feira (26), às 19h. Os recursos arrecadados serão destinados ao Núcleo Ttere, entidade de Presidente Prudente que atua na qualificação profissional e na inclusão social de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Notícias
Nova rota pelo Pacífico pode reduzir custos e aproximar agro brasileiro dos mercados asiáticos
Programa lançado pelo governo federal prevê integração com a Bolívia, fortalecimento da infraestrutura e criação de corredores logísticos para escoar grãos e carnes com mais competitividade.

Uma nova estratégia para encurtar distâncias e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro começou a sair do papel na terça-feira (23). O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que busca criar alternativas para o escoamento da produção nacional por meio de corredores que atravessam a Bolívia e chegam aos portos do Oceano Pacífico.

Foto: Percio Campos/Mapa
A medida tem como objetivo reduzir custos logísticos, fortalecer a inserção internacional do agro brasileiro e ampliar o acesso aos mercados da Ásia e dos países banhados pelo Pacífico.
Durante a cerimônia de assinatura da portaria, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a importância da iniciativa para aproximar a produção brasileira de mercados considerados estratégicos. “Quando a gente fala do agro, a gente precisa reconhecer o papel de protagonismo do estado de Mato Grosso, que é responsável por cerca de 35% disso tudo que nós falamos aqui. Que bom saber que um ato singelo, simples, que coroou um conjunto de esforços, é tão importante no sentido de reduzir distâncias, reduzir custos e viabilizar o acesso a esse mercado tão promissor”, enfatizou.
Alternativa às rotas tradicionais
A proposta cria uma alternativa aos atuais corredores de exportação utilizados pelo país. Na prática, produtos como grãos, carnes e outros itens agropecuários poderão seguir por rotas terrestres até a Bolívia e, de lá, alcançar os portos do Pacífico, encurtando o trajeto até os principais compradores asiáticos.
Além da redução dos custos de transporte, o programa prevê estímulo à agregação de valor da produção, desenvolvimento regional e atração de investimentos em

Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que a nova rota pelo Pacífico pode reduzir custos e ampliar a competitividade do agro brasileiro – Foto: Percio Campos/Mapa
infraestrutura e comércio exterior.
Segundo o coordenador-geral de Cooperativismo, Associativismo Rural e Agregação de Valor do Mapa, Nelson Andrade, a iniciativa está estruturada em quatro pilares. “Os eixos envolvem apoio à infraestrutura e logística, facilitação regulatória e do comércio internacional, cooperação técnica e sanitária e promoção comercial com atração de investimentos”, explicou.
Mato Grosso no centro da estratégia
Por fazer fronteira com a Bolívia e concentrar a maior produção agropecuária do Centro-Oeste, Mato Grosso desponta como um dos principais beneficiados pela nova rota.
A expectativa é que a integração de trechos rodoviários, como a MT-199, fortaleça o oeste mato-grossense como porta de acesso ao Pacífico, ampliando a competitividade da produção regional.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, acredita que a iniciativa poderá impulsionar o desenvolvimento econômico da região. “Essa integração vai encurtar caminhos e desenvolver uma região que possui terras fantásticas e uma agricultura forte. Esse corredor que agora se abre para o oeste de Mato Grosso certamente vai melhorar a competitividade e trazer benefícios em todos os sentidos”, afirmou.

Foto: Percio Campos/Mapa
Projeto começou a ser articulado em 2024
De acordo com o ex-secretário-executivo do Mapa, Irajá Lacerda, o programa é resultado de um trabalho iniciado em 2024 e construído em conjunto com diferentes órgãos e setores. “Hoje é a consolidação de muitos anos de trabalho. Foram três anos e três meses dialogando com todos os ministérios e com todos os setores para mostrar que a fronteira oeste de Mato Grosso e a fronteira entre Brasil e Bolívia precisavam ser vistas como uma zona de integração”, disse.
O presidente do Comitê de Integração Brasil-Bolívia em Mato Grosso, Pedro Panoff de Lacerda, classificou a iniciativa como uma antiga demanda regional. “Essa rota mais próxima é um sonho para o estado de Mato Grosso”, destacou.
Próximos passos
O programa prevê a realização de estudos técnicos, recomendações estratégicas, monitoramento das ações e articulação entre diferentes instituições. A execução também poderá contar com parcerias público-privadas nacionais e internacionais.
A regulamentação ficará a cargo da Secretaria-Executiva do Mapa, responsável pela criação de um Comitê Gestor para acompanhar a implementação das ações.
Com a iniciativa, o governo busca diversificar os corredores logísticos do país e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro em um mercado cada vez mais disputado.



