Notícias
Paraná alia produção recorde à recuperação ambiental
Estado lidera em frango, suínos e ovos, expande piscicultura e floricultura e ainda aumenta áreas de vegetação nativa, conciliando renda e sustentabilidade.

A piscicultura paranaense gerou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 2,29 bilhões em 2024, o que significa um aumento de 10,4% em comparação ao ano anterior. O dado é do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab e mostra que o setor continua uma trajetória ascendente.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A tilápia representa mais de 80% do valor gerado e a sua produção está concentrada na região Oeste do estado. Paranaguá, por sua vez, figura como região de pesca de captura, sobretudo do camarão, seguido pelos pescados marinhos de diversas espécies.
Este e outros dados foram abordados no Boletim de Conjuntura Agropecuária, do Departamento de Economia Rural (Deral), referente à semana de 12 a 18 de setembro. O editorial do boletim destaca que os pescados e as demais atividades elencadas na edição contribuíram para que a renda avançasse mesmo com a recuperação de florestas, também tema do boletim da semana 38.
Além do pescado, o Paraná continua a ser o maior produtor de carne de frango do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro semestre deste ano o estado foi responsável por 34,4% dos frangos abatidos no país, ou 1,132 bilhão de cabeças, seguido por Santa Catarina (453,833 milhões), Rio Grande do Sul (375,939 milhões), São Paulo (365,648 milhões) e Goiás( 257,600 milhões). Em termos de volume de carne produzida, neste primeiro semestre do ano, o Paraná segue liderando (2,480 milhões de toneladas), superando Santa Catarina (943.686), Rio Grande do Sul (682.364), São Paulo (824.159) e Goiás (575.470).
A Pesquisa Trimestral de Produção de Ovos (POG), do IBGE, revelou que apesar de o Paraná ser o sétimo produtor nacional de ovos para consumo (com 102,102 milhões de dúzias), o estado detém a liderança na produção de ovos para incubação. De janeiro a junho este segmento da cadeia produtiva de ovos apresentou um volume de 129,177 milhões de dúzias, 30,8% do total nacional.
A suinocultura apresentou um índice histórico no primeiro semestre deste ano. A produção atingiu 612,4 mil

Foto: Ari Dias/AEN-PR
toneladas, com um crescimento de 9,3% em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram abatidos 6,4 milhões de animais, o maior número já registrado em um semestre no Paraná. Vale destacar que o mês de maio foi o de maior produção da série histórica, tanto em volume de carne suína, quanto em número de animais abatidos. Foram produzidas 107,6 mil toneladas e abatidos 1,11 milhão de suínos. Como nos últimos dez anos o volume de carne suína produzida no Paraná tem sido maior no segundo semestre, há expectativa de um novo recordo neste ano.
A floricultura é outro setor que vem ganhando espaço, com um VBP de R$ 271,7 milhões em 2024, 1,8% a mais que no ano anterior. Os gramados e as plantas perenes ornamentais representam 73,6% desse valor. As orquídeas e os crisântemos participaram com 9,1% e 4,6% do total financeiro movimentado pelo segmento. A floricultura paranaense abrange 31 espécies e está distribuída pelas regiões de Curitiba, Maringá, Londrina, Toledo e Cascavel, envolvendo produtores em mais de 100 municípios.
Agricultura
Apesar de a agricultura ser uma das maiores forças da economia paranaense, nos últimos anos o Paraná recuperou parte de suas florestas, sem diminuir a renda no campo. Dados do MapBiomas mostram que 126 mil hectares de pastagens passaram a ser ocupados pela agricultura e silvicultura, entre 2023 e 2024. Também foi verificada a recomposição de matas nativas, ao mesmo tempo em que a agropecuária paranaense manteve um crescimento robusto no VBP.
A agricultura se expandiu de 4,36 milhões de hectares em 1985 para 6,69 milhões de hectares em 2024 no Paraná. Já

Foto: Shutterstock
a silvicultura passou de 353 mil hectares para 1,13 milhão. O ganho de área aconteceu, majoritariamente, sobre áreas de pastagens. Vale ressaltar que o uso agrícola das terras no Paraná apresentou uma redução em 2024, evidenciando uma tendência de queda iniciada nos anos 2000.
Vegetação nativa
Nos últimos 26 anos a vegetação nativa ganhou 219 mil hectares no estado. Assim, as matas nativas passaram de 26% para 27% do território estadual, ajudado pelo recuo do uso agrícola das terras.
O dado mostra que existe um potencial de conciliar a recuperação ambiental com a produção agrícola.

Notícias
CBNA 2026 discute como ciência impulsiona produção animal
Evento em São Paulo reúne especialistas para debater nutrição de aves, suínos e bovinos e estratégias que aumentam eficiência e reduzem custos.

A contribuição da ciência brasileira para um aumento da produtividade e da eficiência da produção animal estará entre os debates de um dos principais encontros técnicos do setor em 2026. A 36ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), que vai ser realizada de 12 a 14 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, abre a programação com um painel dedicado ao Impacto da pesquisa brasileira na produção animal.

O membro da diretoria do CBNA e professor da Esalq/USP, Felipe Dilelis. “Vamos discutir decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas” – Foto: Denise Guimarães/Esalq USP.
Coordenado pelo professor da Esalq/USP Felipe Dilelis, o debate reunirá especialistas de instituições de referência para discutir desde A importância das Tabelas Brasileiras para a indústria até as perspectivas de novas linhas de investigação em nutrição de aves e suínos. “O Brasil é potência na produção animal, mas só continuará avançando se investir em ciência aplicada. O que discutiremos aqui não é teoria, são decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas”, afirma Dilelis.
Entre os participantes estão o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Horacio Rostagno, o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) José Henrique Stringhini, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sergio Vieira, o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, e o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Bruno Silva. O encontro tem como proposta promover diálogo direto entre academia e indústria para analisar desafios, oportunidades e inovações capazes de transformar a nutrição animal nos próximos anos, tema considerado estratégico diante da pressão por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Além da 36ª Reunião Anual, voltada a aves, suínos e bovinos, o CBNA realizará simultaneamente outros dois eventos técnicos no mesmo local: o IX Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, no dia 12 de maio, e o XXV Congresso CBNA Pet, nos dias 13 e 14. A programação ocorrerá paralelamente à Fenagra, feira internacional dedicada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, apoiadora da iniciativa. A edição deste ano tem o patrocínio confirmado de empresas como AB Vista, Adimax, Alltech, APC, CBO Laboratório, dsm-firmenich, Evonik, Kemin Nutrisurance, Novus, PremieRpet, Royal Canin e Symrise, além do Sindirações. As empresas interessadas em participar ou patrocinar os eventos, podem entrar em contato com o CBNA através do e-mail cbna@cbna.com.br ou pelo What’sApp (19) 3232.7518.
Notícias
América Latina se reúne em Brasília para debater futuro do agro e da alimentação
39ª Conferência Regional da FAO discutirá estratégias para produção sustentável, combate à fome e transformação dos sistemas agroalimentares.

Brasília será o centro do debate sobre o futuro do agro e da alimentação na América Latina e no Caribe entre os dias 02 e 06 de março. A 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (LARC39) reunirá ministros e representantes de países membros para definir prioridades da FAO para os próximos dois anos.
O evento, que terá abertura oficial no dia 04 de março com a presença do diretor-geral da FAO, QU Dongyu, e de altas autoridades brasileiras, pretende traçar caminhos para “uma melhor produção, uma melhor nutrição, um melhor meio ambiente e uma vida melhor, sem deixar ninguém para trás”, conforme definição da organização.
A condução da conferência ficará a cargo do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Eles estarão presentes na abertura e em diversas mesas-redondas que discutirão a transformação dos sistemas agroalimentares, estratégias para sustentabilidade e políticas voltadas à segurança alimentar.
O evento também prevê visitas técnicas, como a da Embrapa Cerrados, que apresentará tecnologias aplicadas em estações experimentais, e debates sobre gestão agrícola e florestal resiliente ao clima. Painéis temáticos contarão com a participação de ministros de Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, e de Relações Exteriores, Mauro Vieira, que também marcarão presença no lançamento do Ano Internacional da Agricultora 2026.
Com cinco dias de programação intensa, a LARC39 busca unir diálogo político e técnico para enfrentar desafios históricos da região, como fome, má nutrição e desigualdade, ao mesmo tempo em que promove a inovação e a sustentabilidade nos sistemas agroalimentares.
O evento será realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e poderá ser acompanhado online em espanhol, inglês, português e francês. Jornalistas interessados devem se credenciar por meio do formulário oficial da conferência.
Notícias
Brasil amplia acordos de cooperação com a Coreia do Sul
Intercâmbio técnico, cooperação em sanidade e pesquisa de bioinsumos, buscando tecnologia e sustentabilidade para o campo brasileiro busca ampliar competitividade e fortalecer a produção sustentável.

O Ministério da Agricultura e Pecuária assinou, nesta segunda-feira (23), em Seul, dois memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul voltados ao fortalecimento da cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. Os atos foram celebrados na Casa Azul durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático. “A Coreia do Sul é um parceiro estratégico e esta agenda inaugura uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica. Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro: “Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar” – Foto: Caroline de Vita/Mapa
O primeiro acordo, firmado entre os ministérios da Agricultura dos dois países, estabelece a ampliação do intercâmbio técnico e institucional com foco em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O memorando inclui a cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com previsão de harmonização de normas e troca de informações para avançar em temas de interesse comum.
O documento também prevê cooperação em infraestrutura agrícola, promoção de investimentos, intercâmbio científico e criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Coreia para acompanhar a implementação das iniciativas conjuntas.
O segundo memorando reúne o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia. O acordo estabelece uma estrutura de cooperação voltada ao registro, avaliação e gestão de agrotóxicos e bioinsumos, além do intercâmbio de informações e desenvolvimento de pesquisas conjuntas.

Foto: Caroline de Vita/Mapa
Entre as ações previstas estão o compartilhamento de dados técnicos, intercâmbio de especialistas, programas de capacitação e realização de workshops e projetos científicos conjuntos.
Os acordos integram a agenda da missão oficial brasileira na Ásia e reforçam a parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul, com potencial para ampliar o intercâmbio tecnológico, estimular a inovação no campo e fortalecer a cooperação sanitária e regulatória no setor agropecuário.



