Bovinos / Grãos / Máquinas
Pará assume protagonismo global com a primeira carne bovina 100% rastreada
Primeira exportação com identificação individual reconhecida internacionalmente inaugura um novo patamar de exigência, valor e governança na pecuária brasileira.

O embarque de 108 toneladas de carne bovina com rastreabilidade individual completa, realizado pelo Pará em 2025, não foi apenas uma operação comercial inédita. Foi um movimento calculado de política agropecuária, que reposiciona o Estado no tabuleiro global da carne e responde, com dados e tecnologia, às pressões crescentes por transparência ambiental, sanitária e produtiva.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
Mais de 350 animais da raça Nelore, identificados individualmente ao longo de toda a vida produtiva, deram origem ao primeiro lote de carne bovina do Brasil com rastreabilidade plena reconhecida por mercados internacionais. O destino foi a Ásia, mas o recado foi direcionado a todos os grandes compradores globais: o Pará quer competir no segmento premium da carne, onde exigência e valor caminham juntos.
A operação marca a entrada em funcionamento do Sistema de Rastreabilidade Bovina Individual do Pará (SRBIPA), uma plataforma que conecta identificação animal, bases sanitárias oficiais e comprovação ambiental. Na prática, cada animal passa a ter um histórico auditável desde o nascimento, permitindo verificar não apenas sanidade e desempenho produtivo, mas também a conformidade da origem com critérios ambientais cada vez mais rígidos.
Para um Estado que concentra cerca de 26 milhões de cabeças de gado, a decisão tem peso econômico e simbólico. A rastreabilidade individual surge como instrumento para reduzir barreiras comerciais, antecipar exigências regulatórias e ampliar o acesso a mercados que remuneram melhor produtos com origem comprovada, como União Europeia, Estados Unidos e China.
A primeira remessa já sinalizou o potencial do modelo. Os animais certificados apresentaram ganho médio de 592 quilos, totalizando mais

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
de 7,2 mil arrobas rastreadas com precisão. O desempenho reforçou o interesse da indústria frigorífica local, que passou a avaliar novos investimentos para ampliar a oferta de carne apta a contratos de maior valor agregado.
Mais do que atender compradores externos, o SRBIPA foi desenhado como uma política estrutural de longo prazo. O governo estadual estabeleceu, por decreto, a meta de alcançar 100% do rebanho rastreado até 2030. Caso o cronograma seja cumprido, o Pará se tornará o primeiro Estado da Amazônia Legal a controlar individualmente toda a produção bovina — um diferencial competitivo em um cenário internacional no qual a origem da carne se tornou tema central de negociações comerciais e debates climáticos.
A estratégia também mira dentro da porteira. Pequenos e médios produtores, que respondem por mais de 70% das propriedades rurais do Estado, passam a ter acesso a oportunidades antes restritas a grandes operações. A certificação individual abre portas para programas de compra pública, cooperativas com maior valor agregado e linhas de crédito que exigem comprovação sanitária e ambiental.
Para viabilizar essa transição, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) estruturou uma agenda contínua de capacitação, com foco em manejo, identificação animal e processos de certificação. A lógica é combinar inclusão produtiva com qualificação da base, elevando renda no campo e padronizando práticas ao longo da cadeia.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
No centro do debate está a relação entre custo, responsabilidade e mercado. A rastreabilidade individual exige investimento, mudança de rotina e adaptação tecnológica por parte do produtor. Por isso, o governo paraense tem insistido que a sustentabilidade só se consolida quando é economicamente reconhecida. Em declaração que sintetiza essa visão, o governador Helder Barbalho destacou que boas práticas precisam ser remuneradas de forma objetiva. Sem esse reconhecimento, argumenta, não há incentivo econômico suficiente para que o produtor assuma sozinho os custos adicionais do sistema.
O desafio, portanto, não é apenas técnico, mas comercial. A consolidação do SRBIPA depende da disposição dos mercados em transformar transparência em preço, governança em contratos e sustentabilidade em diferencial competitivo real.
Até 2030, o plano do Estado prevê a integração de novos frigoríficos, o fortalecimento dos mecanismos de auditoria, a ampliação da cobertura tecnológica e o avanço da qualificação no campo. A meta é clara: fazer da rastreabilidade não um requisito imposto de fora, mas uma ferramenta de valorização da pecuária local.
A primeira exportação totalmente rastreada funciona como um marco inicial. Demonstra que a tecnologia é viável, que o setor produtivo respondeu e que o Pará enxerga na rastreabilidade uma alavanca de mercado. Em um contexto global cada vez mais atento à origem da proteína animal, o Estado aposta que controlar, provar e comunicar como se produz pode ser o caminho mais curto para crescer, atrair investimentos e liderar uma nova agenda para a carne brasileira.

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Associação Brasileira de Angus define agenda estratégica de eventos para 2026
Exposições nacionais em Vacaria, Esteio e Pelotas ampliam a visibilidade das raças Angus e Ultrablack e preparam criadores para compromissos internacionais.

A Associação Brasileira de Angus terá um calendário repleto de importantes atividades em 2026. Ao todo, serão mais de 10 eventos, organizados ou com apoio e participação da entidade. Entre eles, três exposições nacionais, estratégicas para atingir objetivos técnicos, comerciais e institucionais, fomentando e dando mais visibilidade à raça.
Entre os destaques do calendário, no primeiro semestre, está a Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack, que será realizada entre os dias 15 e 19 de abril, em Vacaria, no nordeste do Rio Grande do Sul. Já no segundo semestre, durante a Expointer, que ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio, haverá a Exposição Nacional de Terneiros, com o objetivo de fomentar e divulgar a criação de animais jovens. E de 5 a 12 de outubro, ocorrerá, ainda, a Exposição Nacional de Curral, em Pelotas, na zona sul do Estado.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Cairoli, explica que a decisão de realizar as nacionais em locais diferentes é estratégica para a entidade. Vacaria, por exemplo, sedia um núcleo relativamente novo e que tem uma proximidade importante com Santa Catarina. Pelotas, por sua vez, terá este ano a 100ª edição da sua Expofeira, além de estar em uma região com um bom número de animais de curral. As nacionais, segundo ele, também servem como preparação para o Secretariado Mundial da Raça Angus, que começa em maio de 2027.
“Estamos valorizando cada vez mais as exposições, porque entendemos que elas são uma das formas de divulgar as raças Angus e Ultrablack. As nacionais têm um papel estratégico no nosso calendário porque são promovidas diretamente pela Associação e têm como principal objetivo congregar o maior número possível de criadores, de diferentes estados e regiões, além de reunir um volume expressivo de animais”, destaca Cairoli.
Além das exposições nacionais, o ano terá outros eventos importantes, como a Expoutono, em Uruguaiana (RS), a Fenagen, em Pelotas, a Expovac, em Vacaria, entre outros.
Confira o calendário da Angus em 2026
- Expocampos 2026 – 26 a 29 de março, em Campos Novos (SC)
- Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack – 15 a 19 de abril, em Vacaria (RS)
- Exposição de Maringá – 7 a 17 de maio, em Maringá (PR)
- 24ª Expoutono de Uruguaiana – 18 a 24 de maio, em Uruguaiana (RS)
- Fenagen – 1º a 4 de julho, em Pelotas (RS)
- 49ª Expointer e Exposição Nacional de Terneiros – 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS)
- 114ª Expofeira de Bagé – 25 e 26 de setembro, em Bagé (RS)
- Exposição Nacional Curral Angus e Ultrablack – 5 a 12 de outubro, em Pelotas (RS)
- Expolages – 7 a 12 de outubro, em Lages (SC)
- 93ª Expofeira de Dom Pedrito – 10 a 18 de outubro, em Dom Pedrito (RS)
- 95ª Expofeira Santa Vitória do Palmar – 13 a 18 de outubro, Santa Vitória do Palmar (RS)
- Expovac – 14 a 18 de outubro, Vacaria (RS)
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Projeto piloto no Rio Grande do Sul antecipa nova fase da rastreabilidade bovina no Brasil
PNIB reúne produtores e frigoríficos, antecipa ajustes do chamado Sisbov 2.0 e prepara o setor para exigências do mercado internacional.

O Rio Grande do Sul deu passos concretos na implantação da rastreabilidade individual de bovinos, considerada estratégica para a manutenção da competitividade da carne brasileira no mercado internacional. O estado avança como laboratório do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos (PNIB), com projeto piloto em andamento, aporte de recursos para aquisição de insumos e envolvimento direto de produtores, frigoríficos e do serviço veterinário oficial.
A iniciativa, conduzida em parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), tem como foco preparar o setor produtivo para a transição do atual modelo de rastreabilidade em lote para a identificação individual dos animais, etapa considerada irreversível para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, a adoção da identificação individual não é mais um diferencial competitivo, mas uma condição mínima para o país se manter na liderança global. “O esforço que nos trouxe até o topo não será o mesmo que vai nos manter lá. Chegar à liderança é diferente de se manter na liderança”, afirmou. Para ele, a rastreabilidade individual coloca o Brasil em igualdade de condições com grandes players do mercado, como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Uruguai.
O projeto piloto gaúcho já envolve dezenas de propriedades e inclui o rebanho da Embrapa Pecuária Sul. O Fundesa tem aportado recursos para a compra de brincos, extratores e outros materiais, além de apoiar a execução operacional do sistema. A expectativa é que a experiência do estado ajude a antecipar desafios técnicos, operacionais e regulatórios que devem surgir em outras regiões do país.
De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Marcelo Mota, o cronograma nacional prevê que, até o final de 2027, a base tecnológica do PNIB esteja pronta para uso em todo o território brasileiro. A implantação completa do sistema está prevista para ocorrer de forma gradual até 2033.
Durante os encontros com produtores e frigoríficos, foram esclarecidas dúvidas sobre a migração do atual Sisbov para o novo modelo de identificação individual, informalmente chamado de “Sisbov 2.0”. O processo exigirá revisão de normas existentes e criação de novas regras, para acomodar a realidade operacional do setor e garantir segurança jurídica e sanitária.
Para o governo gaúcho, o objetivo é construir um modelo compatível com a diversidade produtiva do estado, que reúne grande número de pequenos produtores, além de intensa movimentação de animais em exposições, feiras e remates. “Temos total interesse em desenvolver um formato que dialogue com a realidade do produtor gaúcho e que possa servir de referência nacional”, afirmou o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena.
Ao final das discussões, o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, destacou que o avanço do PNIB no estado é resultado de diálogo e cooperação entre setor público e iniciativa privada. “A tarefa é complexa e exige cuidado, dedicação e alinhamento. O mais importante é que esse processo foi iniciado de forma transparente e conjunta, o que aumenta as chances de sucesso”, salientou.
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Mato Grosso responde por 23,1% das exportações de carne bovina do Brasil ao exterior
Foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína em 2025, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.

Mato Grosso foi o estado com maior participação nas exportações brasileiras de carne bovina em 2025, respondendo por 23,1% de todo o volume embarcado pelo país. Ao longo do ano, foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.
Na comparação entre os estados, Mato Grosso ocupa a liderança do ranking de exportações. Em seguida aparecem São Paulo, com 833,8 mil toneladas exportadas, Goiás, com 508,1 mil toneladas, Mato Grosso do Sul, com 450,1 mil toneladas, e Minas Gerais, que fecha a lista dos cinco maiores exportadores, com 324,6 mil toneladas vendidas ao mercado externo.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números refletem uma mudança estrutural na pecuária estadual.

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“Mato Grosso avançou muito em eficiência produtiva, sanidade e organização da cadeia. Temos investido também na participação em feiras e eventos internacionais para divulgar a carne mato-grossense e que o estado está preparado para atender os mercados mais exigentes tanto em quantidade quanto em qualidade”, avalia.
O desempenho foi impulsionado por um ano considerado histórico para a pecuária mato-grossense. Em 2025, o estado registrou o abate de 7,4 milhões de cabeças de gado, alcançando uma receita aproximada de US$ 4 bilhões com as exportações de carne bovina. O preço médio da tonelada ficou em torno de US$ 5,4 mil, refletindo a valorização do produto em mercados estratégicos.
Houve também mudanças no perfil dos principais destinos da carne produzida em Mato Grosso. A China manteve a liderança como maior compradora, concentrando 54,8% das importações. Na sequência aparecem a Rússia, com 6%, o Chile, com 4,85%, e os Estados Unidos, que responderam por 4,1% das compras da proteína mato-grossense ao longo do ano.
“Embora a China continue sendo o principal destino, o crescimento de outros mercados mostra que Mato Grosso tem conseguido acessar países com diferentes exigências sanitárias e comerciais. Isso reduz riscos e amplia as oportunidades de valorização da carne mato-grossense no cenário global”, afirma o diretor de Projetos do Imac.
Os mercados que pagaram os valores mais elevados pela carne bovina de Mato Grosso foram a União Europeia, com média de US$ 6.022,79 por tonelada, e o Oriente Médio, com US$ 4.250,79. Já a China, apesar de ser o principal destino em volume, registrou preço médio de US$ 4.145,84 por tonelada, abaixo do praticado em mercados mais exigentes em termos de padrão sanitário e certificações.



