Avicultura
Panorama da Influenza aviária e seus impactos nos Estados Unidos
Desde o início do atual surto, em fevereiro de 2021, até o início de julho, a doença causou a morte de 58,8 milhões de aves em mais de 300 granjas comerciais em 47 estados, representando o pior desastre de saúde animal já registrado no país norte-americano.

Maior produtor mundial de frango de corte e de perus, os Estados Unidos vivem atualmente uma emergência sanitária no setor avícola. O atual surto de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP – H5N1) assola o país e já provocou consequências devastadoras para a cadeia produtiva, que já estima prejuízos superiores a US$ 1 bilhão.

Presidente da United Egg Producers, Chad Gregory – Foto: Divulgação/United Egg Producers
Desde o início do atual surto, em fevereiro de 2021, até o início de julho, a gripe aviária já havia causado a morte de 58,8 milhões de aves em mais de 300 granjas comerciais em 47 estados, representando o pior desastre de saúde animal já registrado no país norte-americano, cenário esse que impactou na alta dos preços de ovos, frangos e perus. “Essa situação coloca uma pressão adicional sobre os produtores, que já estão lidando com as perdas econômicas e os desafios impostos pelo vírus”, frisou Chad Gregory, presidente da United Egg Producers, uma cooperativa agrícola que atua de forma colaborativa para lidar com questões legislativas, regulatórias e de defesa que impactam a produção de ovos norte-americana, durante sua participação online na 4ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul Ovos), realizada entre os dias 18 e 20 de junho, em Gramado, na serra gaúcha.
Apenas Havaí, Louisiana e Virgínia Ocidental ainda não haviam relatado focos de gripe aviária. Iowa, o maior produtor americano de ovos, lidera o surto no país com cerca de 16 milhões de aves abatidas.
Para mitigar os efeitos e lidar com essa crise, o governo estadunidense já destinou US$ 793 milhões em resposta ao surto, incluindo a eliminação de aves mortas, implementação de quarentenas, implementação de estratégias de prevenção, controle e vigilância a fim de evitar uma propagação ainda maior do vírus e para minimizar danos futuros. Em junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou mais US$ 502 milhões para garantir uma resposta rápida a possíveis futuros casos de gripe aviária, mesmo que o pior surto da história do país esteja se estabilizando. “Esses recursos são cruciais para financiar medidas de controle, pesquisa, diagnóstico e possíveis indenizações aos produtores”, destacou Gregory, acrescentando: “É necessário investir cada vez mais em medidas de biossegurança nas granjas avícolas e fortalecer a capacidade de resposta das autoridades sanitárias”.
De acordo com Gregory, ao contrário dos anos anteriores, o vírus H5N1 encontrou uma maneira de sobreviver ao calor do verão, provocando um aumento nos casos relatados durante o outono norte-americano. “Em comparação com o surto de 2014/2015, quando o primeiro caso positivo foi registrado em 02 de abril, a disseminação atual da IAAP é mais ampla. Há oito anos, o surto afetou mais de 36 milhões de poedeiras e seis milhões de frangos nos estados do Centro-Oeste, sendo controlado no final de junho daquele ano. Enquanto que no surto atual a disseminação está muito mais ampla, agravando a situação e os desafios enfrentados pelos produtores avícolas”, analisou, ampliando: “A capacidade do vírus de resistir ao calor do verão e continuar se espalhando durante o outono indica uma maior adaptabilidade e persistência em comparação com os surtos anteriores”.
Segundo o USDA, desde 19 de abril não houve novos registros da doença em lotes de aves comerciais, nem em lotes de criação doméstica desde 18 de maio.
Preços
No início deste ano, os preços dos ovos chegaram a atingir US$ 4,82 por dúzia, em comparação com US$ 1,93 no ano anterior. Nos meses seguintes apresentou queda, passando a US$ 4,20 no começo de julho, redução de US$ 0,62 por dúzia.
Enquanto que o preço de meio quilo de peito de frango em janeiro era comercializado a US$ 4,32; e o peru aumentou de US$ 1,29 por libra para US$ 1,72 por libra. “Esses números refletem um aumento considerável nos custos para os consumidores, impactando seus orçamentos e opções alimentares. A variação nos preços dos ovos, peito de frango e peru reflete a complexa interação entre fatores como a demanda, a oferta e as condições de mercado”, pontua Gregory.
Mitigações dos impactos econômicos
Com base nas informações fornecidas pelo USDA, a experiência adquirida desde o surto ocorrido há oito anos destacou a importância de fortalecer a biossegurança, intensificar a vigilância e melhorar os testes e a presença in loco de profissionais do Serviço de Inspeção Sanitária Animal para uma resposta ágil aos casos, controle e prevenção da disseminação da doença. Com isso, durante o atual surto, o USDA conseguiu obter uma economia significativa de custos, com uma redução estimativa em quase 50% em comparação ao surto anterior. “Ao mesmo tempo, o USDA trabalhou para garantir acordos de regionalização e manter os mercados abertos com os principais parceiros comerciais. Essas medidas foram fundamentais para mitigar os impactos econômicos e proteger a indústria avícola durante a crise”, expôs Gregory.
Durante uma mesa redonda que reuniu líderes da indústria avícola e representantes de vários estados para discutir a estratégia atual e futura de combate à gripe aviária, a subsecretária de Agricultura para Programas Regulatórios e de Marketing do USDA, Jenny Moffitt, enfatizou as lições aprendidas que influenciaram a estratégia atual de eliminação e erradicação dos focos da doença. “No surto de gripe aviária ocorrido em 2015, cerca de 70% dos casos foram atribuídos à disseminação lateral, propagação essa que foi reduzida para 15% no atual surto. Mas precisamos permanecer vigilantes, especialmente porque as aves selvagens continuam a representar riscos de doenças. Todos nós devemos reconhecer o importante papel desempenhado pela biossegurança como limitadora do impacto ocasionado por aves selvagens em granjas e suas instalações”, salientou.
Produção de ovos
A produção de ovos norte-americana está concentrada em apenas seis estados, representando 47% do total produzido. Essa concentração geográfica destaca a importância dessas regiões na oferta nacional de ovos. Com o surto de IAAP houve uma perda significativa no plantel de poedeiras, com 43,3 milhões de poedeiras abatidas, com 30,7 milhões entre fevereiro e junho e 12,6 milhões ainda entre setembro e dezembro de 2022.
Essa perda de plantel impactou a disponibilidade de ovos no mercado, com o setor registrando picos de preço durante os períodos festivos, devido à alta demanda combinada com baixos estoques, que registraram uma queda de 29% em dezembro. Os preços dos ovos orgânicos e livres de gaiolas atingiram o valor de US$ 11,49 nesse período. “As mudanças no consumo também impactaram a indústria de ovos norte-americana e muitos restaurantes tiveram que alterar seus cardápios, buscando opções mais diversificadas, situação essa que tem influenciado a demanda de consumidores e as estratégias de produção atual”, comentou a médica-veterinária e gerente de Inteligência de Mercado da DSM-firmenich, Stephanie Hajaj, que participou do Painel Novos Mercados e Novos Horizontes na 4ª Conbrasul Ovos.
Exportações

Médica-veterinária e gerente de Inteligência de Mercado da dsm-firmenich, Stephanie Hajaj – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A exportação de carne de frango dos Estados Unidos se manteve estável nos 12 meses encerrados em abril de 2023, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo USDA. Neste período, 3,327 milhões de toneladas de carne de frango foram exportadas, apenas três mil toneladas a menos em comparação entre maio de 2021 e abril de 2022, representando uma queda de 0,01%. Também houve um resultado negativo em relação ao total acumulado nos 12 meses encerrados em abril de 2021.
Em abril passado, o volume de exportação foi de aproximadamente 275 mil toneladas, o que representa um aumento de quase 2% em relação ao ano anterior. No acumulado do quadrimestre, o total exportado foi um pouco acima de 1,123 milhão de toneladas, um aumento de 2,34% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Essas exportações representaram cerca de dois terços do total exportado pelo Brasil no mesmo período, que foi um pouco mais de 1,710 milhão de toneladas. No entanto, o USDA não inclui as exportações de pés/patas de frango em seus levantamentos, produtos esses que vêm sendo vendidos em volumes bastante significativos.
No que diz respeito às exportações de ovos, algumas nações importantes reduziram suas compras dos Estados Unidos. A Coréia do Sul interrompeu os embarques em janeiro, seguida pelos Emirados Árabes em abril e pela Malásia posteriormente. Além disso, as exportações para o Canadá diminuíram em 83%, para o México em 29% e para Hong Kong em 98%. Esses três países representavam 80% das exportações totais.
Com isso, os embarques de ovos totais tiveram uma queda significativa de 47%, passando de três bilhões de unidades em 2021 para 1,6 bilhão em 2022. Além disso, as exportações de produtos derivados de ovos diminuíram em 33% em comparação com o ano anterior. “Essas tendências e mudanças na indústria de ovos têm impactado produtores, consumidores e o mercado internacional, que buscam estratégicas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades futuras”, mencionou Stephanie.
Biossegurança
As medidas de biossegurança implementadas pela indústria comercial tiveram um impacto significativo na redução do número de focos no setor. Um exemplo disso é o registro de apenas sete casos em aves comerciais no terceiro mês deste ano frente aos 51 focos encontrados em março de 2022, representando uma queda de 85% em comparação ao ano anterior. “O Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do USDA continua a colaborar com parceiros estaduais e da indústria para realizar uma vigilância ativa para erradicação rápida de lotes positivos. Esses esforços são particularmente intensificados durante os meses mais quentes, quando os casos tendem a aumentar. O objetivo é identificar prontamente os focos de infecção e tomar as medidas necessárias para controlar e erradicar o vírus”, evidencia Gregory.
Essas medidas de biossegurança incluem práticas como a implementação de barreiras físicas (cercas e telas, para impedir o acesso de animais selvagens e vetores ao local); controle rigoroso do tráfego de pessoas e veículos; protocolos estritos de higiene pessoal e desinfecção de equipamentos; monitoramento regular de aves para detecção precoce de qualquer sinal de doença; e restrição do contato entre aves comerciais e aves migratórias. “Por meio dessas ações, a indústria comercial está trabalhando para garantir a saúde e o bem-estar das aves, proteger a segurança alimentar e reduzir o risco de propagação de doenças. A colaboração contínua entre o Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal, parceiros estaduais e da indústria é essencial para manter a eficácia dessas medidas e garantir a segurança do setor avícola”, reforça o presidente da United Egg Producers.
Desenvolvimento de vacinas
O Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal é o órgão regulador responsável pela avaliação e aprovação de produtos biológicos veterinários, incluindo vacinas para animais. A agência realiza uma análise cuidadosa das vacinas candidatas para garantir sua segurança, potência, pureza, eficácia e compatibilidade com a genética da cepa atual do vírus.
Em abril, o Serviço de Pesquisa Agrícola do USDA iniciou os testes de vacinação contra a gripe aviária. Os pesquisadores estão atualmente conduzindo estudos com várias candidatas a vacinas, com previsão de divulgação dos resultados dos testes vacinais com duas doses ainda este ano.
Caso os testes sejam bem-sucedidos e o USDA decida dar continuidade ao desenvolvimento, o próximo passo será identificar fabricantes interessados na produção das vacinas. Após a identificação de um ou mais fabricantes, serão necessárias 20 etapas distintas antes da entrega da vacina. Essas etapas incluem avaliação de viabilidade do fabricante e finalizam com o envio e revisão do rótulo do produto. Em geral, o processo leva entre dois anos e meio a três anos. No entanto, em situações de emergência, os fabricantes podem acelerar o desenvolvimento, resultando em prazos menores para o licenciamento.
Desde o desenvolvimento da vacina até a produção em larga escala e distribuição para os lotes, há diversos fatores que tornam a implementação de uma estratégia de vacinação um desafio e requer tempo para fornecer uma vacina eficaz. O USDA estima que, na melhor das hipóteses, levará de 18 a 24 meses para ter uma vacina disponível em quantidades comerciais, que corresponda à cepa viral atualmente circulante e possa ser facilmente administrada na avicultura comercial.
Estratégias de vacinação
De acordo com os dados mais recentes do USDA, os Estados Unidos estão considerando a possibilidade de implementar uma estratégia de vacinação contra a gripe aviária, concentrando-se especificamente em perus e nos estados com maior concentração de granjas com esses animais.
No entanto, segundo a vice administradora do programa de Serviços Veterinários do USDA, Rosemary Sifford, essa abordagem busca equilibrar os custos e benefícios envolvidos. “Ainda não temos uma decisão final em relação à vacinação, mas defendemos que qualquer estratégia de vacinação precisa estar muito focada. Estamos olhando para um alvo muito específico, potencialmente geográfico e orientado para as espécies, que talvez se concentre em certos perus de uma determinada área. Esses são os cenários sobre os quais estamos conversando”, frisou.
A regionalização e compartimentação por granjas ou espécies são permitidas pelas regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que geralmente resulta na redução do risco de enfrentar barreiras comerciais em todo o país.
Estimativas do USDA apontam que a carne de peru represente cerca de 10% da produção total de aves nos Estados Unidos em 2023, enquanto as exportações desse tipo de carne devem corresponder em torno de 7% da produção total de peru. Em contraste, as exportações de carne de frango são estimadas em aproximadamente 16%.
O atual surto de gripe aviária tem levado alguns governos a reconsiderar a estratégia de vacinação para frangos de corte. No entanto, outros países, como os Estados Unidos, ainda apresentam relutância devido às possíveis restrições comerciais que essa medida acarretaria. “Essas preocupações comerciais são um fator importante a ser considerado na tomada de decisões, juntamente com outros aspectos relacionados à eficácia e aos impactos econômicos da vacinação”, informou Rosemary.
Aprendizados

Vice administradora do programa de Serviços Veterinários do USDA, Rosemary Sifford – Foto: Divulgação/USDA
Dentre os inúmeros aprendizados que a IAAP proporcionou ao setor avícola, Stephanie cita que a colaboração entre o governo e a indústria se fortaleceram, gerando uma melhora significativa na comunicação e na coordenação de esforços para mitigar os efeitos causados pelo surto. “A agilidade nas ações e processos de tomada de decisão foi aprimorada, permitindo uma resposta mais rápida diante de surtos da doença. Além disso, as medidas de biossegurança foram aperfeiçoadas, visando prevenir a disseminação de doenças avícolas”, frisou.
Esses avanços na gestão da gripe aviária resultaram em uma redução nos desembolsos necessários para lidar com surtos futuros, além de fortalecer a segurança e a saúde das aves de criação.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Avicultura
Congresso APA 2026 destaca papel do Brasil na produção global de alimentos
Especialistas analisam mercado de grãos, expansão das exportações de ovos e desafios da segurança alimentar no maior evento da avicultura de postura da América do Sul.

A cidade de Limeira (SP) sediou, na segunda-feira (10), a abertura oficial do 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, considerado o maior encontro da avicultura de postura da América do Sul. Realizado no Zarzuela Eventos, o congresso reúne produtores, empresas, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os principais desafios e perspectivas da produção de alimentos no Brasil.

Economista Alexandre Mendonça de Barros: “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles” – Foto: Alan Carvalho
A programação da manhã foi marcada por análises estratégicas sobre economia agrícola, mercado de grãos, exportações e segurança alimentar global. Participaram o economista Alexandre Mendonça de Barros, diretor da MB Agro; o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin; e o ex-ministro Aldo Rebelo, responsável pela palestra magistral da edição de 2026 do Congresso APA.
O encontro abriu oficialmente a programação técnica do evento, que, ao longo de quatro dias, reúne especialistas, empresas e profissionais da cadeia produtiva para debater temas como nutrição, sanidade, sustentabilidade, inovação tecnológica e mercado.
Ciclos agrícolas e impactos sobre a proteína animal
Abrindo a programação da manhã, o economista Alexandre Mendonça de Barros apresentou uma análise sobre os ciclos do mercado agrícola global e seus reflexos nos custos da produção de proteína animal.
Segundo ele, o comportamento dos preços agrícolas está diretamente ligado à dinâmica dos mercados de grãos. “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles”, afirmou.
O economista destacou que eventos recentes, como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia, provocaram forte volatilidade nos preços internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da produção brasileira teve papel determinante na recomposição da oferta global. “Em apenas três anos, o Brasil ampliou em cerca de 50 milhões de toneladas suas exportações de grãos. Costumo dizer que quem derrubou o preço da soja e do milho fomos nós, brasileiros”, ressaltou.
Para Mendonça de Barros, o sistema agrícola internacional passa agora por um momento de transição após um ciclo de forte expansão. “Provavelmente veremos

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico” – Foto: Alan Carvalho
uma recuperação dos preços dos grãos nos próximos anos. Choques geopolíticos ou climáticos podem acelerar esse processo”, enfatizou.
Consumo interno e avanço das exportações
Na sequência da programação, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, apresentou uma análise sobre o cenário atual da produção e do mercado de ovos no Brasil.
Segundo ele, o setor vem consolidando avanços importantes tanto no consumo interno quanto no comércio internacional. “O ovo é um dos alimentos mais completos que existem. É uma concentração extraordinária de proteínas, colina e aminoácidos essenciais”, frisou.
Santin destacou que o Brasil ampliou significativamente sua presença no mercado externo. “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico”, salientou.
O dirigente também reforçou a necessidade de planejamento na expansão da produção. “A demanda existe, o mercado existe e o ovo tem espaço para crescer. Mas a decisão sobre o quanto produzir continua sendo nossa. Se produzirmos em excesso, o preço cai”, mencionou.
Segurança alimentar e papel estratégico do Brasil
Encerrando a programação da manhã, o ex-ministro Aldo Rebelo conduziu a palestra magistral do Congresso APA 2026, abordando a produção de alimentos sob

Ex-ministro Aldo Rebelo: “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida” – Foto: Alan Carvalho
uma perspectiva histórica, econômica e geopolítica.
Durante sua apresentação, Rebelo destacou que a segurança alimentar permanece como uma das principais agendas globais e que a produção agrícola desempenha papel central nesse cenário. “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida”, salientou.
Segundo ele, o Brasil reúne condições estruturais únicas para ampliar sua contribuição à produção mundial de alimentos. “O Brasil dispõe de recursos naturais, tem produtores empreendedores e possui conhecimento tecnológico. Essa combinação faz do país uma potência capaz de contribuir decisivamente para a segurança alimentar do planeta”, destacou.
O ex-ministro também ressaltou a importância da cadeia produtiva de alimentos para o desenvolvimento econômico e social do país. “A produção de alimentos gera emprego, movimenta a indústria, fortalece a economia e garante proteína acessível à população”, enalteceu.
Avicultura Em São Paulo
Congresso APA 2026 é aberto em Limeira com foco em sanidade, ciência e expansão das exportações de ovos
Autoridades, lideranças do setor e representantes do governo destacam o papel social da avicultura, a credibilidade sanitária do Brasil e os desafios para o crescimento sustentável da cadeia produtiva.

O 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos foi oficialmente aberto na terça-feira (10), em Limeira (SP), reunindo produtores, especialistas, empresas e autoridades para debater os desafios e as oportunidades da avicultura de postura no Brasil. Promovido pela Associação Paulista de Avicultura (APA) e apoio da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Defesa), o encontro destaca temas como biossegurança, inovação tecnológica, sustentabilidade, mercado e exportações.

Presidente da APA, Érico Pozzer: “Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação” – Foto: Alan Carvalho
Na abertura do evento, o presidente da APA, Érico Pozzer, ressaltou a importância econômica e social da avicultura para o País e destacou o papel do setor na oferta de proteínas acessíveis à população. “A nossa atividade é extremamente necessária e desempenha um papel social importante. Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação”, afirmou.
Durante a cerimônia, Rogério Iuspa, mestre de cerimônias e integrante da comissão organizadora, apresentou o médico-veterinário e produtor Josimário Gomes Florêncio, de Caruaru (PE), como presidente de honra desta edição do congresso. Ao agradecer a homenagem, Florêncio destacou a relevância do evento para o fortalecimento técnico da atividade. “Para mim, este é o maior e mais importante palco da avicultura de postura comercial da América Latina. É uma honra representar os produtores de ovos do Brasil neste congresso”, salientou.

Médico-veterinário, avicultor pernambucano e presidente do Congresso APA 2026, Josimário Florêncio: “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade” – Foto: Alan Carvalho
Ele também ressaltou o papel evento para o conhecimento científico no desenvolvimento do setor. “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade”, mencionou, defendendo a ampliação da presença brasileira no mercado internacional. “O Brasil precisa ampliar sua participação nas exportações. A produção brasileira de ovos já não cabe apenas dentro do Brasil”, enfatizou.
Dando sequência à cerimônia de abertura, foi realizada a entrega de uma placa de homenagem ao professor doutor Evandro de Abreu Fernandes, em reconhecimento ao seu profissionalismo e à dedicação ao desenvolvimento da avicultura brasileira.
Natural de Minas Gerais e médico-veterinário de formação, o professor Evandro construiu uma trajetória sólida no setor, com atuação destacada no desenvolvimento da produção avícola. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de liderança, exerceu a função de diretor de produção, contribuindo para o crescimento e a consolidação da atividade no cenário nacional. Atualmente, segue atuando como consultor, compartilhando sua experiência e visão estratégica com o setor avícola.
Representando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o coordenador da Defesa Agropecuária, Luiz

Coordenador da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da SFA-SP, Luiz Henrique Barrochelo: “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade” – Foto: Alan Carvalho
Henrique Barrochelo, destacou a importância do congresso para a difusão de conhecimento técnico e para o fortalecimento da produção agropecuária. “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade. A agricultura brasileira demonstra que é possível produzir com eficiência, qualidade e responsabilidade ambiental”, frisou.
O superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em São Paulo, Estanislau Steck, destacou o compromisso do governo federal em apoiar o produtor e fortalecer a agropecuária brasileira. Segundo ele, a atuação do ministério busca criar condições para que o setor continue se expandindo, especialmente por meio da abertura de novos mercados internacionais. “É importante que o governo esteja ao lado do produtor. Como se costuma dizer no campo, se o governo não atrapalhar, o produtor brasileiro faz acontecer”, mencionou.
A diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Mapa, Juliana Satie Becker de Carvalho Chino, destacou o reconhecimento internacional do sistema sanitário brasileiro. “O Brasil continua sendo uma verdadeira ilha de credibilidade e segurança sanitária. Manter esse status é um grande desafio e só é possível graças ao trabalho integrado do serviço oficial e ao comprometimento do setor produtivo”, enalteceu.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer” – Foto: Alan Carvalho
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também destacou a importância da dedicação das equipes técnicas e do trabalho conjunto entre setor privado e governo. “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer. Nosso segredo é simples: dedicação e trabalho para manter o status sanitário do País”, evidenciou.
Segundo ele, a cadeia representada pela entidade, que abrange os setores de ovos, carne de frango e suínos, envolve cerca de quatro milhões de pessoas direta e indiretamente no País.
Encerrando as manifestações da mesa de abertura, Roberto Betancourt, diretor do Deagro/Fiesp, presidente do Sindirações, da FeedLatina e vice-presidente da IFIF, destacou o potencial do agronegócio brasileiro. “O Brasil tem um potencial extraordinário na produção de alimentos e proteína animal. A avicultura é um setor diferenciado, que cresceu com base em trabalho sério, pesquisa e empreendedorismo”, afirmou.
Avicultura
Exportações de ovos superam US$ 6 milhões em fevereiro
Resultado reflete o avanço das vendas externas do setor e a ampliação da presença do produto brasileiro em mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, segundo a ABPA.

As exportações brasileiras de ovos (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 2.939 toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 16,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 2.527 toneladas.
Em receita, o crescimento foi ainda mais expressivo. As vendas internacionais do setor somaram US$ 6,175 milhões, valor 25,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações totalizaram US$ 4,936 milhões.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina” – Foto: Divulgação/Alimenta
No acumulado do primeiro bimestre, as exportações brasileiras de ovos alcançaram 6.025 toneladas, número 23,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 4.884 toneladas. Em receita, o crescimento comparativo chega a 37,9%, com US$ 12,583 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 9,122 milhões no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de ovos em fevereiro estão Chile, com 767 toneladas (+156,8%), Emirados Árabes Unidos, com 531 toneladas (-3,1%), Japão, com 524 toneladas (+143,5%), e México, com 284 toneladas (+12,7%).
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho das exportações reflete o fortalecimento da presença internacional da cadeia produtiva de ovos brasileira e a ampliação da diversificação de destinos. “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina. A diversificação de destinos e a competitividade do produto brasileiro têm ampliado o espaço da nossa produção no comércio internacional, consolidando gradualmente a cultura exportadora do setor de ovos”, avalia Santin.



