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Pandemia aumenta consumo de leite e derivados, mas indústria monitora mercado em possível retração

No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia

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A chegada do coronavírus ao Brasil trouxe à necessidade de mudanças de rotinas e hábitos para todo o país. No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia. Porém, para alguns elos dos setores, esta realidade ainda não atingiu com tanta força como outros. Na Frimesa, por exemplo, uma das maiores empresas de recebimento de leite do Brasil, a rotina de captação e produção de leite ainda está dentro da normalidade pré-covid. A reportagem foi produzida em meados de maio.

 Segundo o médico veterinário e supervisor de Fomento e Política Leiteira da Frimesa, Eduardo Portugal, na rotina de produção praticamente não houve mudanças. “Mas há a preocupação com os cuidados de saúde, orientados pelo Ministério da Saúde e da Agricultura”, conta. Ele conta que então, seguindo as medidas recomendadas pelos órgãos competentes, a empresa adotou as providências de prevenção para evitar a entrada e proliferação do vírus, as pessoas pertencentes ao grupo de risco estão trabalhando em home office, além de todos que estão trabalhando nas indústrias terem suas temperaturas conferidas antes da entrada do expediente, o uso de máscaras e álcool em gel. “A preocupação dentro da indústria é grande e, eventualmente, se algum funcionário foi para alguma cidade em que há casos de Covid essa pessoa, quando retornar, fica em home office por, pelo menos, 15 dias”, explica.

Já quanto ao recolhimento do leite nas propriedades, Portugal diz que não houve mudanças substanciais, uma vez que o sistema de logística da empresa é enxuto. “Nós acompanhamos de perto a roteirização do trajeto do caminhão. Além disso, o transportador também deve tomar todos os cuidados exigidos, ou seja, usar luvas e máscaras, e evitar contato direto com o produtor, mantendo uma distância adequada”, informa. Agindo dessa forma, ele explica que não houve nenhuma alteração na logística ou captação de leite nas unidades da Frimesa. “Nós estamos acompanhando de perto os horários e a roteirização, além de observar se há algum problema nesse sentido ou não”, conta.

Portugal diz que a indústria também não sentiu nenhuma alteração no quesito custos de produção. “A Frimesa é uma empresa em que suas indústrias contam com um excelente portfólio, então estamos acompanhando o mercado de perto. Assim, se a área comercial solicita alguma mudança no portfólio oferecido aos clientes, rapidamente há um direcionamento do leite captado para aqueles produtos que o mercado está apto a comprar”, informa. Ele diz que, por esse motivo, não houve alterações significativas que tiveram que ser feitas nas indústrias. “Estamos acompanhando o mercado. Inclusive a próprio Embrapa Gado de Leite fez uma pesquisa onde mostra que no meio da pandemia um dos produtos que está na preferência dos consumidores são os lácteos. Isso é já algo esperado, visto que o queijo é o preferido do consumidor, sem falar no leite UHT e doce de leite”, explica.

O leite na pandemia

O profissional esclarece também que o setor ainda está estudando as ações que podem ser tomadas durante a pandemia. “Se o mercado não reage e não agrega valor aos produtos no ponto de venda, logicamente que isso interfere no preço da matéria-prima. Dessa forma, o produtor já está orientado que ele deve primeiro pensar em reduzir o custo, pensar nos desperdícios, porque ele deve fazer a conta e precisa saber os pontos de estrangulamento no sistema de produção e, logicamente, não pode esquecer as informações técnicas que são repassadas”, afirma.

O inverno é outro fator em que o produtor deve ficar atento, especialmente neste período de pandemia. “Não é somente ele tomar cuidado com os custos na propriedade. Hoje estamos passando por um período de estiagem, então quem tinha as pastagens de inverno já teve complicações. Esse é outro fator que pode interferir no aumento ou não da produção de leite no inverno”, declara.

Portugal comenta que é perceptível que o mercado está muito flutuante. “De uma hora para a outra para retornar as aulas, os bares e lanchonetes podem voltar a abrir, e estes são locais que consomem principalmente queijos. E isso vai aumentar a demanda”, menciona. Dessa forma, diz o profissional, em um primeiro momento no início da pandemia, houve até uma grande procura dos consumidores por produtos lácteos nos supermercados, principalmente em razão do medo do desabastecimento. “Mas isso é algo que dificilmente vai acontecer, porque o nosso produtor está preparado para produzir e vai continuar produzindo”, assegura.

O profissional reitera que este é um momento para o setor “apertar o cinto”. “Isso vale para toda a cadeia láctea, porque se o pessoal está se reservando e ficando em casa e com o nível de desemprego aumentando, isso automaticamente vai interferir na baixa do consumo”, explica. Ele comenta que ainda quem está passando por maiores dificuldades neste momento são as pequenas empresas, com portfólios menores. “Conversamos muito com os laticínios e queijarias da região (Oeste do Paraná). Mas, para ter uma ideia nesse momento, até me parece que houve uma reação do queijo no mercado. Então, é um momento para analisarmos o que fazer”, diz. “Acreditamos que a pandemia uma hora vai acabar e nós iremos retomar as nossas atividades. Estamos prontos para atender ao consumidor”, afirma.

Desafios da indústria de lácteos

Portugal destaca as ações que estão sendo tomadas para garantir um leite de melhor qualidade, garantindo agregação de valor ao produto. “É importante salientar o avanço das Instruções Normativas 76 e 77 para o leite, onde houve uma melhora substancial na qualidade do leite, especialmente em relação ao CBT (Contagem Bacteriana Total). Isso mostra que estamos preparados para produzir produtos de ótima qualidade”, confirma. Outro ponto importante é o reconhecimento dos Estados brasileiros como área livre de febre aftosa sem vacinação. “No ano passado aconteceu uma feira de queijos na França e houve indústrias brasileiras que foram premiadas. Isso mostra que nós temos que nos prepararmos para avançar no mercado internacional”, sustenta.

O profissional destacou que é preciso observar que, cada vez mais, o Brasil é o país responsável por alimentar o restante do mundo. “Temos que entender que, independente da pandemia, a Rússia com o mais de 30% do território virando um deserto e a China que está com problemas de contaminação no solo vão precisar de alimentos”, explica. “Nós temos que respeitar toda a parte ambiental e produzir adequadamente, sem agressão ao meio ambiente, entregando alimento de qualidade as exportações e para atender estes países que hoje sentem a necessidade de produtos, principalmente vindos do Brasil”, destaca.

É hora de pensar no futuro

Portugal destacou ainda alguns pontos nos quais a pecuária leiteira brasileira pode melhorar e, assim que a pandemia acabar, se destacar ainda mais no mercado nacional e internacional. “Acho importante salientar que apesar de estarmos aguardando a chancela de área livre de febre aftosa sem vacinação, temos também que nos preocuparmos e ter um maior controle sobre a brucelose e tuberculose. O status sanitário é um assunto muito discutido nos últimos anos e, por isso, temos que repensar os níveis de vacinação que estão acontecendo nas propriedades de leite e os exames anuais de tuberculose”, diz. Ele comenta que a pecuária leiteira ainda tem muito a evoluir. “Talvez podemos começar a pensar em certificação de propriedades, que podem dar opções de alguns produtos com selo, como é muito difundido na Europa. Nós precisamos inovar”, comenta.

Para ele, é preciso também estimular mais o consumo de produtos lácteos do brasileiro. “Hoje está em torno de 260, 270 litros ao ano. Isso também é de fundamental importância, porque se conseguirmos aumentar entre dois e três litros o consumo habitante/ano vai haver a demanda por um aumento na produção de leite, e é exatamente isso que a gente quer”, afirma. “O leite é um produto nobre, talvez um dos mais completos da natureza. Por isso, não podemos perder esse ‘timer’. Houve uma grande evolução na qualidade do leite e eu acho que com isso a indústria pode se preparar para produzir produtos finos e de valor agregado, que com certeza é isso que diversos países do mundo querem adquirir”, argumenta.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Escolha adequada dos equipamentos de vacinação para eficiência de cada manejo

A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários

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Divulgação/Agrozootec

 Artigo escrito por Giana Hirose, médica veterinária e gerente nacional de vendas da Agrozootec

Na pecuária de corte ou de leite, as práticas de vacinação e vermifugação são rotinas básicas de saúde animal na fazenda que demandam atualização de processos e equipamentos. A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários. Sem os equipamentos apropriados, corre-se o risco de uma subdosagem e falha na expectativa do protocolo que está sendo trabalhado, o que pode interferir em uma reposta imunológica ou reprodutiva. Por outro lado, com a superdosagem, há risco de se criar uma resistência ao medicamento, impacto ambiental e desperdício de recursos.

Portanto, a palavra de ordem é precisão e, atualmente, existem muitos equipamentos acessíveis para isso. A turma precisa deixar de usar uma única seringa para todas aplicações de vacinas, vermífugos, complexos vitamínicos, antibióticos e hormônios (IATF) e por aí vai. É preciso lembrar que cada medicamento tem dosagem e densidade diferente de acordo com o veículo utilizado no produto.

Após a mudança do volume da dose de vacina de Febre Aftosa de 5ml para 2ml, isso ficou mais evidente. Antes, um equipamento com defeito ou refluxo, que gerasse uma perda de 0,5 ml impactava em 10% da dose. Agora, ao usar o equipamento com problema, a perda vai representar um quarto da dose. Por isso, o pecuarista precisa estar muito atento aos processos e aos produtos disponíveis.

Apesar de estarem acostumados com a vacinadora de 50 ml, o mercado tem disponível, equipamentos com capacidade de 30 ml, 25 ml e outras de 5 ml e 2 ml com fluxo contínuo, ou seja, com frasco acoplado diretamente na seringa ou com o frasco ligado a ela por uma mangueira, o que é muito usado em suínos.

Mas, por qual motivo deveria mudar o equipamento? Pela precisão e eficiência. Principalmente, nessa, com a mangueira, há a melhor conservação do produto, já que o frasco pode ficar na caixa e é mantido refrigerado pelo maior tempo.

Em regiões muito quentes isso é essencial, além disso, a vacinadora tem conquistado os vaqueiros pela agilidade de aplicação e percepção na mão de que “a missão foi cumprida”. Antes, com a vacinadora de 50 ml perdem a percepção do gatilho, pois ele ficou mais curto. E, vem a dúvida: será que a dose foi completa? Com a mudança no tipo de equipamento, evita-se o problema. Isso vale para a vacinação, como também para a vermifugação.

Nos protocolos para IATF muitos usam a seringas descartáveis de 1ml, 3ml e 5ml, porém, há também equipamentos muito precisos de excelente qualidade usados para a vacinação de aves e peixes, para doses pequenas e, que podem ser alternativa na utilização de hormônios nos protocolos. Com a busca incessante pela redução de custo do ciclo pecuário, mais uma vez, a palavra de ordem é a precisão.

Por fim, além da escolha da seringa adequada, é necessário que o produtor tenha reparos e equipamentos de reserva. Principalmente na época em que o manejo é mais intenso, não há como parar uma vacinação, para buscar um reparo na cidade. Essas são emergências que atrapalham todo o processo.

Atenção às boas práticas

Diante disso, cada produtor deve analisar suas prioridades de gestão, realidade de clima e das instalações e treinamento da equipe. O pecuarista eficiente já tem a certeza de que precisa do equipamento certo para cada atividade e tirou da cabeça que se usa a mesma seringa para tudo.

Feita a escolha, para se ter bons resultados também é preciso investir na capacitação constante da equipe. Antes de qualquer manejo é importante repassar as etapas em uma reunião no próprio curral e explicar a finalidade de cada uma delas.

Atualmente, fala-se da importância de que as aplicações sejam feitas no tronco de contenção, para certeza da aplicação e também segurança da equipe. Essa é uma regra que cada vez mais avança pelas fazendas, demanda conscientização constante de todos. Mesmo em grandes rebanhos, quando se fala em sanidade, a atenção individual é essencial para o melhor resultado.

Outro ponto importante é a conscientização para separar e organizar todo material antes de iniciar os procedimentos, trocar de agulha a cada 10 animais, independente da seringa que irá utilizar.

Após o manejo, todos os equipamentos devem ser higienizados e desinfectados, principalmente as seringas e agulhas, pois quando sujas, são ótimos veículos de contaminações e formação de abcessos nos animais. Já existem fazendas que, ao fim do dia, passam todo o material em autoclave para, realmente, evitar qualquer contaminação.

Com todas essas medidas simples e positivas, o resultado é bom para o produtor e para a cadeia como um todo, pois há a garantia sanitária e produtiva, assim o produtor terá um bom ganho de peso da carcaça (gado de corte) e melhor qualidade e produtividade de leite (gado de leite). Esteja atento aos processos e as ferramentas ideais para cada etapa.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

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Fonte: O Presente Rural
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