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Pandemia aumenta consumo de leite e derivados, mas indústria monitora mercado em possível retração

No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia

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A chegada do coronavírus ao Brasil trouxe à necessidade de mudanças de rotinas e hábitos para todo o país. No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia. Porém, para alguns elos dos setores, esta realidade ainda não atingiu com tanta força como outros. Na Frimesa, por exemplo, uma das maiores empresas de recebimento de leite do Brasil, a rotina de captação e produção de leite ainda está dentro da normalidade pré-covid. A reportagem foi produzida em meados de maio.

 Segundo o médico veterinário e supervisor de Fomento e Política Leiteira da Frimesa, Eduardo Portugal, na rotina de produção praticamente não houve mudanças. “Mas há a preocupação com os cuidados de saúde, orientados pelo Ministério da Saúde e da Agricultura”, conta. Ele conta que então, seguindo as medidas recomendadas pelos órgãos competentes, a empresa adotou as providências de prevenção para evitar a entrada e proliferação do vírus, as pessoas pertencentes ao grupo de risco estão trabalhando em home office, além de todos que estão trabalhando nas indústrias terem suas temperaturas conferidas antes da entrada do expediente, o uso de máscaras e álcool em gel. “A preocupação dentro da indústria é grande e, eventualmente, se algum funcionário foi para alguma cidade em que há casos de Covid essa pessoa, quando retornar, fica em home office por, pelo menos, 15 dias”, explica.

Já quanto ao recolhimento do leite nas propriedades, Portugal diz que não houve mudanças substanciais, uma vez que o sistema de logística da empresa é enxuto. “Nós acompanhamos de perto a roteirização do trajeto do caminhão. Além disso, o transportador também deve tomar todos os cuidados exigidos, ou seja, usar luvas e máscaras, e evitar contato direto com o produtor, mantendo uma distância adequada”, informa. Agindo dessa forma, ele explica que não houve nenhuma alteração na logística ou captação de leite nas unidades da Frimesa. “Nós estamos acompanhando de perto os horários e a roteirização, além de observar se há algum problema nesse sentido ou não”, conta.

Portugal diz que a indústria também não sentiu nenhuma alteração no quesito custos de produção. “A Frimesa é uma empresa em que suas indústrias contam com um excelente portfólio, então estamos acompanhando o mercado de perto. Assim, se a área comercial solicita alguma mudança no portfólio oferecido aos clientes, rapidamente há um direcionamento do leite captado para aqueles produtos que o mercado está apto a comprar”, informa. Ele diz que, por esse motivo, não houve alterações significativas que tiveram que ser feitas nas indústrias. “Estamos acompanhando o mercado. Inclusive a próprio Embrapa Gado de Leite fez uma pesquisa onde mostra que no meio da pandemia um dos produtos que está na preferência dos consumidores são os lácteos. Isso é já algo esperado, visto que o queijo é o preferido do consumidor, sem falar no leite UHT e doce de leite”, explica.

O leite na pandemia

O profissional esclarece também que o setor ainda está estudando as ações que podem ser tomadas durante a pandemia. “Se o mercado não reage e não agrega valor aos produtos no ponto de venda, logicamente que isso interfere no preço da matéria-prima. Dessa forma, o produtor já está orientado que ele deve primeiro pensar em reduzir o custo, pensar nos desperdícios, porque ele deve fazer a conta e precisa saber os pontos de estrangulamento no sistema de produção e, logicamente, não pode esquecer as informações técnicas que são repassadas”, afirma.

O inverno é outro fator em que o produtor deve ficar atento, especialmente neste período de pandemia. “Não é somente ele tomar cuidado com os custos na propriedade. Hoje estamos passando por um período de estiagem, então quem tinha as pastagens de inverno já teve complicações. Esse é outro fator que pode interferir no aumento ou não da produção de leite no inverno”, declara.

Portugal comenta que é perceptível que o mercado está muito flutuante. “De uma hora para a outra para retornar as aulas, os bares e lanchonetes podem voltar a abrir, e estes são locais que consomem principalmente queijos. E isso vai aumentar a demanda”, menciona. Dessa forma, diz o profissional, em um primeiro momento no início da pandemia, houve até uma grande procura dos consumidores por produtos lácteos nos supermercados, principalmente em razão do medo do desabastecimento. “Mas isso é algo que dificilmente vai acontecer, porque o nosso produtor está preparado para produzir e vai continuar produzindo”, assegura.

O profissional reitera que este é um momento para o setor “apertar o cinto”. “Isso vale para toda a cadeia láctea, porque se o pessoal está se reservando e ficando em casa e com o nível de desemprego aumentando, isso automaticamente vai interferir na baixa do consumo”, explica. Ele comenta que ainda quem está passando por maiores dificuldades neste momento são as pequenas empresas, com portfólios menores. “Conversamos muito com os laticínios e queijarias da região (Oeste do Paraná). Mas, para ter uma ideia nesse momento, até me parece que houve uma reação do queijo no mercado. Então, é um momento para analisarmos o que fazer”, diz. “Acreditamos que a pandemia uma hora vai acabar e nós iremos retomar as nossas atividades. Estamos prontos para atender ao consumidor”, afirma.

Desafios da indústria de lácteos

Portugal destaca as ações que estão sendo tomadas para garantir um leite de melhor qualidade, garantindo agregação de valor ao produto. “É importante salientar o avanço das Instruções Normativas 76 e 77 para o leite, onde houve uma melhora substancial na qualidade do leite, especialmente em relação ao CBT (Contagem Bacteriana Total). Isso mostra que estamos preparados para produzir produtos de ótima qualidade”, confirma. Outro ponto importante é o reconhecimento dos Estados brasileiros como área livre de febre aftosa sem vacinação. “No ano passado aconteceu uma feira de queijos na França e houve indústrias brasileiras que foram premiadas. Isso mostra que nós temos que nos prepararmos para avançar no mercado internacional”, sustenta.

O profissional destacou que é preciso observar que, cada vez mais, o Brasil é o país responsável por alimentar o restante do mundo. “Temos que entender que, independente da pandemia, a Rússia com o mais de 30% do território virando um deserto e a China que está com problemas de contaminação no solo vão precisar de alimentos”, explica. “Nós temos que respeitar toda a parte ambiental e produzir adequadamente, sem agressão ao meio ambiente, entregando alimento de qualidade as exportações e para atender estes países que hoje sentem a necessidade de produtos, principalmente vindos do Brasil”, destaca.

É hora de pensar no futuro

Portugal destacou ainda alguns pontos nos quais a pecuária leiteira brasileira pode melhorar e, assim que a pandemia acabar, se destacar ainda mais no mercado nacional e internacional. “Acho importante salientar que apesar de estarmos aguardando a chancela de área livre de febre aftosa sem vacinação, temos também que nos preocuparmos e ter um maior controle sobre a brucelose e tuberculose. O status sanitário é um assunto muito discutido nos últimos anos e, por isso, temos que repensar os níveis de vacinação que estão acontecendo nas propriedades de leite e os exames anuais de tuberculose”, diz. Ele comenta que a pecuária leiteira ainda tem muito a evoluir. “Talvez podemos começar a pensar em certificação de propriedades, que podem dar opções de alguns produtos com selo, como é muito difundido na Europa. Nós precisamos inovar”, comenta.

Para ele, é preciso também estimular mais o consumo de produtos lácteos do brasileiro. “Hoje está em torno de 260, 270 litros ao ano. Isso também é de fundamental importância, porque se conseguirmos aumentar entre dois e três litros o consumo habitante/ano vai haver a demanda por um aumento na produção de leite, e é exatamente isso que a gente quer”, afirma. “O leite é um produto nobre, talvez um dos mais completos da natureza. Por isso, não podemos perder esse ‘timer’. Houve uma grande evolução na qualidade do leite e eu acho que com isso a indústria pode se preparar para produzir produtos finos e de valor agregado, que com certeza é isso que diversos países do mundo querem adquirir”, argumenta.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Como fazer uma desmama eficiente

O desmame pode ser realizado de formas diferentes, de acordo com as intenções do pecuarista

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Artigo escrito por João Paulo Lollato, médico veterinário e coordenador de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó; e Reuel Luiz Gonçalves, médico veterinário e gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó

O índice zootécnico Taxa de Desmama é um excelente indicador para se avaliar uma fazenda de cria ou ciclo completo. Este índice consiste na relação entre o número de bezerros desmamados dividido pelo número de vacas expostas dentro de um determinado período pecuário. Alguns indicadores mais produtivos relatam que esta relação pode chegar a 79,1%. Este índice leva em consideração as perdas gestacionais e também a mortalidade de bezerros dentro do mesmo período avaliado.

A desmama se caracteriza pela retirada do bezerro do contato com a vaca. Tradicionalmente, realiza-se este manejo entre o 7º e 9º mês de idade. Nessa época, o animal já é um ruminante e tem plena condição de utilizar forragem sólida como única fonte de energia e de nutrientes de que necessita. Além do mais, a participação do leite na dieta do bezerro é pequena após o terceiro mês de lactação.

O desmame pode ser realizado de formas diferentes, de acordo com as intenções do pecuarista. Além disso, pode ocorrer em momentos distintos da vida do bezerro, dependendo do manejo realizado em cada propriedade. No entanto, para que esse período não seja crítico e/ou acarrete perdas, é preciso um planejamento com antecedência. Só assim, haverá uma desmama com eficiência e com bezerros que atinjam bom peso.

Para isso, é fundamental adotar um programa sanitário e aliá-lo ao programa de desmama, dando início neste protocolo antes do nascimento do bezerro. Um dos problemas recorrentes durante a fase de aleitamento e que pode influenciar no seu desenvolvimento, por exemplo, são as diarreias neonatais. Para se evitar essa enfermidade, a indicação é para que se faça uma vacinação preventiva na vaca com 60 e 30 dias antes do parto, contra Escherichia coli e Rotavírus (G6 e G10). Essa medida ajudará a baixar os índices de diarreia neonatal nos primeiros 35 dias de vida do bezerro, além de promover um excelente desenvolvimento, garantindo um bezerro mais sadio e, consequentemente, com melhor peso até a desmama.

No nascimento temos a etapa da cura do umbigo, quando se deve utilizar no manejo iodo 10% (“queima” do umbigo), uso de um repelente mosquicida, além de ser recomendada a aplicação de doramectina 1,1% para prevenir a instalação de uma miíase.

Entre 60-90 dias o produtor deve se atentar à prevenção efetiva contra doenças que podem prejudicar ou causar a mortalidade em bovinos. Esse é o momento de vacinar contra a clostridiose (indicada uma com 8 cepas + a cepa de E. coli J5) e, caso a região seja endêmica para a raiva, é fundamental fazer a aplicação da vacina antirrábica, com reforço 30 dias depois da primeira dose (simples, não conjugado). Ainda entre os três e oito meses, as fêmeas devem receber vacina B19 contra a brucelose, uma doença que, além de prejuízos econômicos na propriedade, é uma zoonose e possui controle oficial.

O produtor pode aproveitar esse manejo, com 90-120 dias, para desverminar o animal com vermífugo concentrado. Caso seja uma época chuvosa, em que há o desafio de combater os endo e ectoparasitas, há a indicação de ministrar a Ivermectina concentrada (3,15%), que atua com longa ação. Caso seja na época da seca, com apenas o desafio de combater os parasitas internos, pode-se ter como aliado o fosfato de levamisol concentrado (23,63%).

Um ponto importante que temos observado é que a suplementação com minerais injetáveis, à base de Cobre e Zinco orgânicos, nessa fase auxilia de forma efetiva para o desenvolvimento dos animais, influenciando positivamente na imunidade.

Após esse primeiro manejo, de dose e reforço das vacinações, já por volta dos sete/nove meses preferencialmente antes da desmama, a orientação é que seja realizada uma terceira dose das vacinações contra clostridiose (com 8 cepas + cepa de E. coli J5 para prevenção de diarreias), vacina antirrábica e novamente a aplicação de vermífugo de longa ação. Isso porque caso esse animal seja encaminhado a um manejo de recria, poderá ficar até quatro meses sem ter que voltar para um manejo de curral. Neste momento também é indicada novamente a aplicação da suplementação injetável (Zinco e Cobre orgânicos), que auxiliará na imunidade e minimizará o estresse que esse animal passará no período da desmama.

Protocolo sugerido – nascimento a desmama

  • Adultos*

– Anualmente: vacina clostridial + vacina antirrábica

– Sessenta dias pré-parto: Vacina para prevenção da Diarreia Neonatal

– Trinta dias pré-parto fazer reforço da vacina para prevenção da Diarreia Neonatal e um vermífugo à base de fosfato de levamisol concentrado (23,63g)

  • Bezerros (AS)*

– Nascimento: “Queima do umbigo com Iodo 5% ou 10% + Doramectina 1,1% + Repelente

– Noventa dias de nascido: Vacina Clostridial com 8 cepas + E. coli J5 + Vacina antirrábica + Vacina prevenção Botulismo + Doramectina 1,11% ou Ivermectina 1,13% LA + Suplementação Injetável com Zinco e Cobre orgânicos

– Cento e vinte dias de nascimento: Ivermectina 3,15% LA + reforço vacina clostrial + reforço vacina antirrábica + reforço vacina antibotulínica + suplemento mineral injetável

– Desmama: Nova dose da vacina clostridial + nova dose vacina antirrábica + suplemento mineral injetável e ivermectina 3,15% LA

*Bezerros e bezerras filhos de mães não vacinadas, iniciar a vacinação no D60 e reforço no D90. Depois refazer na desmama e anualmente.

Cuidados com a vaca

Caso a vaca não tenha sido imunizada e o bezerro apresente diarreia nos primeiros meses de nascimento, é necessário intervir com tratamento, além de identificar o agente causador para tomar as medidas necessárias de prevenção. A indicação nesta situação é o uso imediato de antibióticos. Nesse sentido, indicamos o Florfenicol 30% devido à sua praticidade de aplicação em dose única subcutânea, bem como a utilização de suplementação oral com probióticos e prebióticos.

Na prática, o produtor de gado de corte processa a desmama visando principalmente a vaca, a fim de que ela possa recuperar a condição corporal para parir bem e poder emprenhar logo, considerando que uma vaca produtiva e rentável é aquela que fornece para a fazenda um bezerro por ano.

Durante o período de desmama, o animal em desenvolvimento tem de fazer a transição de um estado de completa dependência dos cuidados maternos para um de independência. Num sentido amplo, desmama envolve todo um complexo aparato de mudanças comportamentais, nutricionais, morfológicas, fisiológicas e metabólicas, que constituem a transição para uma existência adulta independente.

Dessa forma, para os animais nascidos entre agosto e novembro, provenientes da estação de monta de novembro a fevereiro, recomendada pela Embrapa-CNPGC para o Brasil Central, a desmama tradicional deve ocorrer em duas etapas, nos meses de fevereiro e abril, mais tardar maio.

Separação

Uma alternativa para amenizar o estresse da separação é a introdução de animais adultos junto com os recém-desmamados, o chamado “amadrinhamento”, que tem a função de acalmar esses bezerros. Se possível, os bezerros devem ser desmamados tirando-se as mães do piquete de desmama, de forma que eles permaneçam em ambiente conhecido.

Após a separação, os bezerros devem permanecer em pastagens adequadas (forrageiras de alto valor nutritivo, de pequeno porte e alta densidade), com acesso a água e minerais de excelente qualidade. Observações realizadas na Embrapa-CNPGC com mães e crias desmamadas e separadas em pastos adjacentes demonstraram maior tranquilidade, tanto para as vacas quanto para os bezerros, desde os primeiros dias. Entretanto, tal separação exige a construção de cercas apropriadas que evitem possíveis mamadas. Existe uma crença de que para facilitar o manejo, deixar as crias no mangueiro por quatro a sete dias após a desmama pode ser prático, porém mesmo fornecendo água, ração no cocho e capim fresco à vontade, o estresse para este momento é ainda maior.

Em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a relação de desmama, que consiste no peso do bezerro desmamado dividido pelo peso da vaca que o desmamou, possuem grande influência sobre a eficiência do processo de criação. Quanto mais pesado desmamar este bezerro, menor será seu tempo até o abate, reduzindo sua permanência na propriedade caso seja de ciclo completo, ou maior será seu valor quando este animal for vendido.

Creep-Feeding

Uma das formas de aumentar o ganho de peso na desmama é por meio do fornecimento de alimentos direcionados para os bezerros, método chamado “creep-feeding”, isto é, fornecimento de ração através do uso de um cocho privativo, geralmente anexo ao cocho de mineral das matrizes, porém com acesso restrito aos bezerros. O “creep-feeding”, além de proporcionar uma excelente resposta em ganho de peso, ajuda a tornar o bezerro menos dependente da mãe, diminuindo o número de mamadas e minimizando os fatores de estresse no momento da desmama. Outro ponto importante é que a vaca sofre menos com o bezerro consumindo esta ração, o que melhora sua condição corporal, possibilitando um rápido retorno ao cio e consequente aumento da taxa de prenhez.

As desmamas são classificadas da seguinte forma:

Desmama Tradicional – Prática que depende da condição corporal da vaca e da disponibilidade de forragens e suplementação alimentar de boa qualidade. É comum em gado de corte, sendo realizada entre 7-9 meses. Pode ser antecipada ou adiada e aconselha-se o uso de suplementos ao bezerro. Este manejo também pode ser relacionado aos meses de maior valor do bezerro no mercado, avaliação regional ou local.

Desmama temporária ou interrompida – Para a melhoria da fertilidade de rebanhos de corte, utiliza-se a remoção temporária do bezerro, que consiste em separar a cria da vaca por um período de 48 a 72 horas, a partir de 40 dias pós-parto. Dependendo da condição corpórea da vaca, essa prática pode provocar o aparecimento do cio, podendo aumentar a taxa de concepção das genitoras em até 30%. Este manejo atualmente é pouco usado devido a outras tecnologias que vêm sendo utilizadas com os manejos de IATF, como o uso da eCG, entre outros. Favorece uma desmama precoce.

Desmame com amamentação controlada – Este tipo de desmame preconiza a diminuição da amamentação, com considerável aumento sobre a taxa de prenhez. Além de poupar a mãe de frequentes mamadas, esse processo vai acostumando o bezerro para a desmama definitiva. A amamentação controlada consiste em permitir a permanência do bezerro com a mãe durante dois curtos períodos do dia, entre 6 e 8 horas e das 16 às 18 horas, a partir do 30º dia de vida. Esse sistema exige muita mão de obra e também era utilizado como um método de desmama temporária. Favorece uma desmama precoce.

Desmama Precoce – Essa prática consiste em separar o bezerro, definitivamente, bem mais cedo, aos 90-120 dias de vida. É recomendada para períodos de escassez de forragem e tem a finalidade de reduzir o estresse da amamentação e os requerimentos nutricionais da vaca, permitindo que recuperem seu estado corporal e manifestem o cio. Em se tratando de novilhas de primeira cria, cujo desenvolvimento ainda é incompleto, a desmama precoce pode ser uma boa opção, principalmente em anos com secas prolongadas. Para a maior eficiência do sistema, entretanto, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando a re-concepção imediata. Assim sendo, para a estação de monta anteriormente citada (novembro a janeiro), ocorreriam duas desmamas: em novembro e em janeiro.

Para que não ocorram problemas, recomenda-se:

a) desmama de bezerros com peso superior a 90 kg;

b) desmama em época adequada (para o Brasil Central: novembro a janeiro);

c) pastos diferenciados para animais desmamados precocemente;

d) suplementação com ração concentrada até 5-6 meses de idade;

e) uso de “creep-feeding” ou “creep-grazing” na fase pré-desmama.

Desmame com uso de tabuleta – Este tipo de desmame causa menos estresse comparado ao desmame tradicional, visto que não ocorre separação entre vaca e bezerro. Para isso é utilizado um dispositivo instalado na narina dos bezerros, impedindo que o mesmo efetue a mamada. Resultados de pesquisas mostram que não há diferença no desempenho dos bezerros desmamados com esta técnica comparados com o desmame tradicional, mas existe um grande benefício para a vaca em termos de melhoria na condição corporal.

Existem alguns fatores que podem influenciar no peso ao desmame, dentre os quais a época de nascimento, idade das mães ao parto e a região do nascimento do bezerro. O Efeito de Mês de Nascimento apresenta grande influência, pois está, de certo modo, associado às condições climáticas, que afetam de forma direta ou indireta as funções do organismo animal, gerando flutuações na quantidade e qualidade de alimentos e na incidência de enfermidades, influenciando o crescimento animal. Pesquisadores relataram um ganho do nascimento a desmama dos animais nascidos na primavera 15,6% maior que dos animais nascidos no outono. Com estes resultados, concluíram que para a produção de bezerros a parição de primavera é a mais recomendável.

Outro fator com alta influência no peso ao desmame é a idade da vaca ao parto e/ou ordem de parição, pois está intimamente ligada ao desenvolvimento do bezerro no período pré-desmama. Isto é uma consequência da habilidade materna, principalmente a produção de leite e a qualidade de colostro produzido pela mãe. Como regra geral, as vacas de primeira cria desmamam bezerros 10 a 15% mais leves em relação às vacas adultas. A partir das novilhas, o peso dos bezerros à desmama vai aumentando com a idade da mãe até alcançar um pico máximo entre 5 e 10 anos, depois do qual os pesos à desmama voltam a decrescer.

Influência do ambiente

O Brasil com sua grande extensão territorial apresenta uma grande variação de ambientes, os quais influenciam diretamente a produção de alimentos e o desempenho dos animais para as características de valor econômico do rebanho bovino brasileiro. As diferenças dos efeitos de meio sobre o peso ao desmame entre as regiões provavelmente possuem como causa, além dos fatores naturais como pluviosidade, clima, topografia e qualidade do solo, também as diferenças quanto ao sistema de produção, nível de tecnologia e tipo racial do rebanho bovino.

A Figura abaixo representa as curvas dos valores de peso predito a desmama (PDM) para as quatro regiões.

Figura – Peso ao Desmame Predito (PDM) de acordo com o mês de nascimento do bezerro, nas quatro regiões estudadas (2004).

Pesquisadores trabalhando com animais Aberdeen Angus no Rio Grande do Sul agruparam os animais em duas épocas de nascimento: outono (de fevereiro a junho, com 15% dos nascimentos) e a primavera (de julho a janeiro, com 85% dos nascimentos). Observaram que animais nascidos na primavera foram 12,9% mais pesados a desmama do que os animais nascidos no outono. De acordo com o trabalho “Idade da vaca e mês de nascimento sobre o peso ao desmame de bezerros nelores nas diferentes regiões brasileiras”, para a região Sul, este valor foi de 6,8%.

Portanto, o sucesso da desmama começa com um ótimo programa nutricional das vacas e bezerros, suplementação mineral e vitamínica em conjunto com um programa vacinal e antiparasitário completo para que, devido ao estresse da desmama, o animal não apresente queda imunitária e manifestação de doenças, tendo assim uma ótima desmama.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

O uso de ácidos orgânicos como ferramenta valiosa na pós-colheita de grãos

Armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natália Vicentini, TSM Líquidos, Kemin Kasa

Segundo a Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento (2020), o Brasil deve colher aproximadamente 265,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/2021, e apesar da estimativa ser inferior ao previsto decorrente da estiagem da região Sul, trata-se ainda de uma produção recorde de grãos no Brasil, sendo soja e milho responsáveis por 89% dessa produção.

De acordo com a CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2014), a capacidade estática armazenadora existente no Brasil não acompanhou o crescimento da produção agrícola, contribuindo decisivamente para o estrangulamento da infraestrutura logística.

A armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos, diminuindo as perdas e permitindo maior autonomia na comercialização da produção.

No contexto da conservação de qualidade, é preciso ter especial cuidado com os fungos, que se caracterizam como um dos principais agentes causadores de danos aos grãos, pelo fato destes serem substratos adequados ao desenvolvimento desses microrganismos, quando o teor de água, a temperatura e a umidade relativa de equilíbrio do ar intergranular são favoráveis. Suas consequências podem ser vistas através da produção de micotoxinas, perda de matéria seca, descoloração, e produção de odores desagradáveis são danos depreciativos causados pelo desenvolvimento fúngico e podem levar a inviabilidade do uso dos grãos para alimentação humana e/ou animal.

Um dos danos de maior impacto econômico causado aos grãos pelos fungos de armazenamento é a perda de peso resultante de matéria seca (amido, proteínas e gorduras). Em um estudo, a perda de matéria seca entre grãos sadios e contaminados por fungos chegou a 25% em milho e 18% em soja. Uma outra pesquisa demonstrou que para que a conversão alimentar de frangos não fosse alterada, entre dietas contendo milho de boa qualidade e milho mofado, a inclusão de fonte de estrato etéreo como óleo de soja deveria ser triplicada.

A utilização de aditivos químicos adequados e aprovados por órgãos competentes pode ser considerada uma ferramenta importante na conservação da qualidade dos grãos e redução de perdas. Os ácidos orgânicos, como ácido propiônico, sórbico e fosfórico, são aditivos conservantes comumente utilizados na indústria de nutrição animal e possuem poderosa ação antifúngica, prevenindo o desenvolvimento desses microrganismos e promovendo maior estabilidade da ração tratada. Pelo efeito sinérgico entre ativos, a mistura entre dois ou mais ácidos orgânicos é mais eficiente em controlar o crescimento dos fungos do que um único ácido sozinho, desse modo a utilização de um mix de ácidos orgânicos é preferível.

Um estudo brasileiro (2019) em condições experimentais demonstrou que o desenvolvimento fúngico de grãos de milho permaneceu estável por 120 dias após tratamento com ácidos orgânicos, enquanto grãos de milho não tratados tiveram um crescimento de até 1,0 x 104 UFC/g de bolores e leveduras para o mesmo período e condições de armazenagem. Neste mesmo estudo, foi possível verificar efeito benéfico do tratamento também na conservação de carboidratos não fibrosos e contaminação por aflatoxinas, parâmetros relevantes para grãos utilizados na indústria de nutrição animal.

Outro estudo brasileiro (2019) em condições experimentais comparou grãos de milho sem tratamento com umidade 10% frente a grãos de milho de aproximadamente 12% de umidade, com tratamento de ácidos orgânicos, e demonstrou que o tratamento contribuiu com a estabilidade da temperatura de armazenamento e da emissão de CO2, ambos produtos provenientes da respiração de micoorganismos.

Com base na importância do Brasil como um produtor mundial de alimentos num cenário de preços altamente elevados, da armazenagem no processo de conservação, e dos impactos que o desenvolvimento fúngico pode trazer, os ácidos orgânicos se mostram uma alternativa simples e viável na conservação dos grãos em condições pouco tecnificadas e como um reforço juntamente as práticas tradicionais de armazenagem entregando benefícios fantásticos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Importância do manejo, conforto e nutrição sobre o período de transição de vacas leiteiras

Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite

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Artigo escrito por Josiane Pereira dos Santos, zootecnista, metre e doutora em Nutrição e Produção de Ruminantes e especialista em Nutrição de Ruminantes na Vaccinar

O período de transição é extremamente importante para a saúde, a produção e a rentabilidade de vacas leiteiras e compreende as três semanas que antecedem o parto e as três semanas após o parto. Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite. Assim, o animal precisará em torno de duas a três vezes mais nutrientes do que estava sendo exigido nos primeiros dias do período seco.

Uma das mudanças mais importantes durante o período de transição é a ingestão de alimentos. Em média, o consumo de matéria seca (CMS) diminui 30% durante a última semana que antecede o parto e é uma das principais preocupações neste período.

Vários cuidados com os animais como, estratégias nutricionais, manejo adequado, conforto e sanidade, podem minimizar os doenças e problemas metabólicos associados ao período de transição e melhorar o desempenho produtivo e reprodutivo da vaca durante a lactação. Dessa forma, o produtor deverá conhecer muito bem a estrutura da fazenda e a atual situação dos animais para que assim possa ser realizado um plano de ações estratégicas com o objetivo de melhorar o manejo dos animais no período de transição.

            A seguir serão comentados alguns pontos relevantes e que merecem atenção nesse período crítico.

  • Avaliação do escore de condição corporal (ECC) ≥ 3,5:A condição corporal é uma medida subjetiva da quantidade de gordura ou da quantidade de energia reservada que uma vaca possui. O ideal é que a vaca apresente ECC entre 3,0 e 3,5 ao parto. Vacas que parem com ECC ≥ 3,5 apresentam menor CMS, maior mobilização de gordura corporal e maior risco de doenças metabólicas. Para isso, é importante manter o controle sobre o manejo nutricional no final da lactação e do período seco para evitar que as vacas cheguem ao parto com ECC alto (vacas gordas).
  • Maximizar o consumo de alimentos
  1. Disponibilidade de alimentos: sempre deverá ter alimento disponível para esses animais, em qualquer período do dia. Recomenda-se que as sobras (alimento recusado pelo animal) sejam por volta de 10% do total ofertado.
  2. Qualidade da forragem pós-parto: Forragens com maior digestibilidade da fibra são essenciais para potencializar o consumo de matéria seca no pré e pós-parto. Vacas que consomem mais alimento no pré-parto consequentemente consomem mais no pós-parto e diminuem o impacto do déficit de nutrientes no pós-parto imediato.
  3. Conforto: vacas que não estão confortáveis durante o período de transição irão consumir menos alimento e ruminar menos e, desta forma, estarão mais propensas a doenças metabólicas. Os animais devem ter sombra, água fresca e de qualidade, espaçamento do cocho de no mínimo 80 cm por vaca, e ainda deve-se evitar superlotação dos lotes. Outro ponto importante e aconselhável é separar novilhas de vacas adultas. Em relação ao estresse térmico seja em produções extensivas ou intensivas os sistemas de resfriamento devem ser implantados a fim de minimizar o estresse por calor. Estudos indicam que vacas pré-parto em galpões com aspersão e ventilação produzem até 7 litros/dia de leite a mais que vacas sem ventilação e aspersão.
  4. Cetose: Com o aumento da demanda de energia, a vaca mobiliza as reversas de gorduras corporais e o aumento da oxidação dos ácidos graxos no fígado resulta em corpos cetônicos, como por exemplo o beta-hidroxibutirato (BHB), que são liberados na corrente sanguínea e que, em excesso nos tecidos, trazem danos à saúde do animal. A cetose pode ser mensurada em vacas com cinco a 10 dias pós-parto e a fazenda deve ter um protocolo de tratamento de vacas em cetose, os quais geralmente incluem a utilização de “drench” (Vacci Drench) com propilenoglicol e glicose com intuito de fornecer energia para a vaca.
  5. Identificação de vacas com histórico de problema: é necessário que o produtor tenha o registro de doenças das vacas do rebanho, pois animais que já apresentaram histórico de febre do leite, cetose ou mastite, têm maior chance de repetir este problema nas subsequentes lactações. Assim o produtor poderá tomar medidas preventivas no período de transição desses animais.
  • Estratégias nutricionais do período de transição:
  1. Dietas acidogênicas no pré-parto: A dieta aniônica consiste no fornecimento de sais aniônicos com base em sulfatos e cloretos para negativar o balanço cátion-aniônico da dieta (DCAD). Dietas com níveis altos de sódio e potássio resultam em alcalose metabólica, o que dificulta a habilidade de manter em equilíbrio o metabolismo do cálcio. Com o comprometimento dos níveis séricos de cálcio, os animais podem apresentar o quadro de hipocalcemia clínica (febre do leite) ou a hipocalcemia “subclínica” em que as vacas não apresentam os sintomas de hipocalcemia, mas com os baixos níveis de cálcio, a capacidade de contração muscular fica reduzida e ocorre uma imunossupressão. Com isso, a motilidade dos tratos digestivo e reprodutivo são menores e as vacas podem apresentar concomitantemente retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e mastite. O fornecimento da dieta aniônica no pré-parto irá auxiliar na normalização do fluxo de cálcio sanguíneo e evitar os problemas no pós-parto. Uma ferramenta prática que pode ser utilizada na fazenda é a mensuração do pH da urina e valores entre 6 – 6,5, que é suficiente para estimular os mecanismos do metabolismo do cálcio.
  2. Importância dos minerais: O sal comum (NaCl) não é a mesma coisa que a mistura mineral (sal mineralizado), também chamado de sal mineral. O sal mineral é uma mistura de sal comum, que é o cloreto de sódio, com outras fontes de minerais, tais como: fosfato bicálcico, que contém cálcio e fósforo disponíveis para absorção pelo animal, sulfato de cobre, sulfato de zinco, iodato de potássio, óxido de magnésio, selenito de sódio. Enfim, a mistura mineral deverá ser composta em macro e micronutrientes para atender as exigências nutricionais dos animais em cada etapa da vida (crescimento, transição, lactação e reprodução). Logo, é imprescindível a utilização de suplementos balanceados para cada fase. Os nutrientes minerais mais importantes na mistura são: cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cloro, iodo, cobre, cobalto, manganês, selênio e ferro. Existem minerais importantes para a reprodução, como por exemplo, cálcio, fósforo, zinco, cobre, selênio e manganês e também aqueles imprescindíveis à saúde da glândula mamária e do sistema imunológico como por exemplo zinco, selênio e cobre.
  3. Antioxidantes: algumas vitaminas e minerais são capazes de estimular o sistema imune melhorando a saúde e a reprodução dos animais. Os principais antioxidantes são selênio e vitamina E.
  4. Aditivos para fermentação e controle pH ruminal: Aditivos que modulam e auxiliam a eficiência da fermentação ruminal podem ser utilizados nos períodos pré e pós-parto, como por exemplo ionóforos e leveduras. Já para os desafios do controle do pH e acidose ruminal no período pós-parto o uso de aditivos tamponantes e alcalinizantes, como bicarbonato e óxido de magnésio são estratégias pertinentes.
  5. Balanceamento adequado de proteína: durante o período de transição, a vaca exige grande quantidade de proteína metabolizável. Porém, o rúmen não consegue fornecer esta quantidade necessária por meio de seus microrganismos (chamada de proteína microbiana), pois neste período o CMS está reduzido. Desta forma, durante o período de transição pode ser recomendado a substituição parcial do farelo de soja por fontes de menor degradação ruminal, como grãos e farelos tratados termicamente (“by pass”). No período de transição pode ser recomendado que 60 – 62% da proteína seja degradada no rúmen, e o restante passe “by pass” (proteína não degradável no rúmen – PNDR) para ser digerido e absorvido no intestino. Outra opção é o uso de aminoácidos protegidos. Estudos indicam que a suplementação com metionina protegida durante o período de transição (relação lisina: metionina de 2,8:1) pode aumentar a produção de leite após o parto e ainda auxiliar na redução de distúrbios metabólicos e do desempenho reprodutivo.

É essencial que o produtor conheça seus animais, faça um planejamento adequado traçando as metas à curto, médio e longo prazo para melhorias das condições nutricionais e ambientais desses animais, proporcionando longevidade e produtividade aos animais e maior rentabilidade da atividade leiteira.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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