Bovinos / Grãos / Máquinas
Palestrante aponta estratégias para maximizar rentabilidade e qualidade na fase de cria
Trouxe uma análise aprofundada das principais oportunidades e desafios enfrentados pelos pecuaristas de cria no Brasil.

O mercado pecuário de cria, essencial para a sustentabilidade e competitividade da cadeia produtiva da carne bovina, foi tema central da palestra do zootecnista, mestre em Produção Animal e diretor do Instituto Inttegra, Antonio Chaker, durante o 28º Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores, promovido pela Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores (ANCP). O evento, que faz parte da programação da ExpoGenética 2024, foi realizado no dia 16 de agosto, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG).
Reconhecido por sua expertise na área, Chaker trouxe uma análise aprofundada das principais oportunidades e desafios enfrentados pelos pecuaristas de cria no Brasil. Em um cenário marcado por oscilações de mercado, avanços tecnológicos e impacto ambiental, a palestra apresentou reflexões importantes aos pecuaristas que buscam aprimorar suas estratégias produtivas, garantir rentabilidade e se adaptar às novas demandas do setor.
De acordo com o profissional, a fase de cria é o momento da atividade pecuária com mais oportunidades dentro do sistema de produção. Essa etapa é composta por diversos indicadores, como fertilidade, perda pré-parto e taxas de desmame, cada um oferece oportunidades específicas para melhorias ao longo do ciclo produtivo.
Além disso, o avanço das novas tecnologias, especialmente nos programas de suplementação, inseminação artificial em tempo fixo (IATF), e a crescente oferta de animais com alta qualidade genética, tem potencializado ainda mais o valor do animal na fase de cria. “A fase de cria na pecuária é a que apresenta o maior potencial de rentabilidade. Mesmo durante os períodos de baixa no ciclo pecuário, as fazendas de criação mais eficientes conseguem atingir margens superiores a 30%. Esse desempenho supera ao das outras etapas, como a recria e a terminação, que frequentemente registram margens abaixo de 20%”, ressalta o mestre em Produção Animal.

Zootecnista, mestre em Produção Animal e diretor do Instituto Inttegra, Antonio Chaker: “Hoje, não é incomum encontrar fazendas que desmamem mais de 400 quilos de bezerros por hectare, enquanto a média brasileira atinge em torno de 70 quilos por hectare” – Foto: Fernando Samura
Mercado
A crescente demanda por carne bovina de alta qualidade tem gerado grandes mudanças no mercado de cria, especialmente na valorização dos bezerros. Segundo o zootecnista, essa demanda, além de impulsionar o consumo, também redefine os rumos da produção e da seleção genética na pecuária de corte. “Com o consumidor cada vez mais exigente, a busca por carne de excelência se intensifica, e uma vez que experimentam um produto superior, passam a exigir de forma contínua”, salienta Chaker.
A qualidade da carne é resultado tanto de características genéticas quanto de práticas produtivas. Do ponto de vista produtivo, fatores como a idade ao abate e a consistência no ganho de peso são fundamentais. “Embora os sistemas de terminação sejam determinantes para atingir esses padrões técnicos e produtivos, eles só atingem seu pleno potencial quando os animais já possuem predisposições genéticas desenvolvidas. Características como espessura de gordura subcutânea, marmoreio e área de olho de lombo (AOL) são características que vão conferir a qualidade final da carne”, detalha o zootecnista.
Diante desse cenário, a seleção genética tem se intensificado, com foco em atributos que garantem essa qualidade. Como resultado, a valorização dos bezerros de alto padrão genético está crescendo, se tornando cada vez mais uma exigência do mercado. “Para se manterem competitivos, os criadores precisam direcionar seus esforços para atender a essas demandas, garantindo que seus animais possuam as características desejadas para a produção de carne de excelência”, aponta o especialista.
Sustentabilidade do negócio

A gestão de custos e a sustentabilidade do negócio na pecuária de cria estão mais intimamente ligadas ao modelo produtivo e à eficiência operacional da propriedade do que ao custo dos insumos em si, evidencia o mestre em Produção Animal. Em outras palavras, a saúde econômica de uma propriedade depende muito mais de seu desempenho produtivo do que dos preços dos insumos. “Fazendas que alcançam índices elevados, como mais de 160 quilos de bezerro desmamados por vaca exposta e taxas de desmame superiores a 75%, conseguem estruturar suas finanças de maneira muito mais eficiente do que aquelas com menor produtividade”, salienta.
No sistema de cria, o diferencial da gestão de custos está em atingir altos índices de desempenho mantendo um sistema produtivo focado na produção e colheita de forragens de qualidade. “O equilíbrio entre a gestão de custos e a sustentabilidade depende de práticas produtivas que não apenas reduzem os custos, mas também promovem um uso responsável e eficiente dos recursos disponíveis. Por isso é preciso ter um sistema de produção de elevada eficiência operacional, garantindo que a produtividade seja feita em pastagens de alta qualidade”, pontua Chaker.
Eficiência na produção de bezerros
O especialista afirma que setor vivencia um superciclo tecnológico, marcado pela chegada de inúmeras inovações. A inteligência artificial, a sensorização e as câmeras de monitoramento, por exemplo, já oferecem grandes diferenciais no acompanhamento do desempenho das fazendas. Contudo, o impacto mais profundo vem das práticas de manejo. “Já é amplamente reconhecido que animais manejados de forma adequada, com foco no bem-estar, apresentam um desempenho até 15% superior, devido ao seu comportamento mais calmo”, relata Chaker.
Além disso, a atenção à qualidade da água, à altura de entrada e saída dos animais, ao tamanho dos lotes e aos indicadores de bem-estar – sejam eles nutricionais, sanitários ou reprodutivos – tem sido realizada de maneira cada vez mais tecnológica. “Novos processos reprodutivos estão impulsionando avanços inovadores em eficiência produtiva. Hoje, não é incomum encontrar fazendas que desmamem mais de 400 quilos de bezerros por hectare, enquanto a média brasileira atinge em torno de 70 quilos por hectare”, cita o palestrante, enfatizando: “Esse progresso é resultado não apenas das inovações tecnológicas, mas principalmente da implementação de novas práticas de manejo, alinhadas ao bem-estar animal”.
Planejamento de longo prazo
As mudanças climáticas têm tornado cada vez mais imprevisíveis os ciclos de chuvas e secas em todo o planeta. Dada a alta demanda por alimentos na pecuária, especialmente pastagens, que é o modelo predominante no Brasil, é essencial que o pecuarista esteja bem preparado para enfrentar períodos de seca e veranicos inesperados ou muito prolongados.
Para garantir consistência nos resultados, Chaker diz que é fundamental que o planejamento forrageiro garanta pelo menos 500 quilos de matéria seca armazenada por unidade animal. “Esse estoque proporciona maior segurança durante os períodos mais desafiadores, especialmente em secas prolongadas”, expõe, acrescentando: “Em sistemas com maiores densidades de lotação, é pesado até uma tonelada de matéria seca por unidade animal em fazendas de criação. Ou seja, um planejamento forrageiro de longo prazo é determinante a esse êxito”.
Estratégias para melhorar a qualidade dos bezerros
Chaker destaca que, para aumentar a produtividade e a qualidade dos bezerros, os criadores devem focar em dois indicadores principais: o quilo de bezerro desmamado por matriz exposta e o quilo de bezerro desmamado por hectare.
Conforme o palestrante, para melhorar o primeiro indicador, é importante manter uma alta taxa de desmame e um elevado peso ao desmame, buscando superar 160 quilos de bezerro por vaca exposta. Já o segundo indicador exige não apenas um alto volume de quilos desmamados por matriz, mas também uma alta densidade de matrizes por hectare.
As estratégias para alcançar esses objetivos incluem práticas avançadas de manejo e colheita de forragens, ou seja, excelente manejo de pastagens e estratégias eficazes para a entressafra, além de ter uma estação de montagem bem planejada para que o nascimento dos bezerros ocorra no período ideal para cada bioma, técnica conhecida como bezerro do cedo.
O zootecnista menciona ainda que é importante garantir taxas rápidas de reconcepção para que se possa emprenhar de novo essa vaca o mais rápido possível, e descartar matrizes vazias, que deverão ser comercializadas antes do início da seca. “A combinação de práticas reprodutivas e alimentares eficientes é fundamental para o sucesso na atividade de criação”, frisa.
Sistemas integrados de produção
A integração da pecuária com outras atividades agrícolas, como lavoura e a produção de florestas pode ser mais rentável. De acordo com o Instituto Integra, que monitora 813 propriedades, aquelas que adotam práticas integradas demonstram uma maior capacidade de geração de caixa.
A lavoura pode fornecer uma importante fonte de alimentação durante a entressafra, enquanto as florestas oferecem sombra, promovendo o bem-estar animal. Além disso, a interação entre agricultura e pecuária é mutuamente benéfica: enquanto a agricultura sustenta a pecuária, a pecuária também beneficia a agricultura. Estudos mostram que fazendas de integração lavoura-pecuária têm aumentos na produtividade da soja, com uma média de cinco sacas nas mais áreas em que houve pastejo. Dessa forma, o sistema brasileiro de produção é, sem dúvida nenhuma, potencializado por práticas integradas.
Exigências de mercado
Chaker destaca que os mercados internacionais que importam a carne brasileira frequentemente exigem características específicas, especialmente aqueles que pagam os melhores preços. “Para atender a essas demandas, é essencial que o animal possua uma genética adequada, que garanta a qualidade da carne”, pondera. “É inquestionável que a excelência na cadeia pecuária começa com a produção de bezerros de alta qualidade. Isso exige que os criadores estejam continuamente atentos às necessidades de recria e de terminação para atender às exigências desses mercados”, complementa.
Tendências
O palestrante sugere que para que os criadores que queiram manter a competitividade nos próximos anos, é importante que se concentrem na monetização de seus ativos. Em termos econômicos, existem dois ativos principais a serem considerados: a terra e o gado. Os criadores devem buscar monetizar a terra em pelo menos 4% e o gado em pelo menos 20% ao ano, sugere.
Para alcançar essas metas, é fundamental otimizar a arquitetura do rebanho de cria. Isso significa reduzir a idade da primeira monta e do primeiro parto dentro da fisiologia do animal. “Animais mais jovens no início da reprodução e um desempenho reprodutivo eficiente aumentam a proporção de fêmeas produtivas e melhoram a reprodução geral do rebanho”, enfatiza Chaker.
A grande tendência é maximizar a eficiência do rebanho, garantindo que os ventres em reprodução produzam altos volumes de bezerros por hectare e por matriz exposta. Além disso, a arquitetura dos rebanhos deve ser ajustada para garantir o melhor aproveitamento das categorias de criação, maximizando a produtividade e a rentabilidade. “Além da cria ser a maior oportunidade de rentabilidade na pecuária, é também a atividade de maior potencial de melhora através da seleção genética e do avanço tecnológico. Cada novo ciclo, cada nova safra, se renovam as oportunidades de touros e de encontrar novos indivíduos. Somado a isso, o produtor pode através do melhoramento genético conseguir sistematicamente melhorar seu rebanho ano após ano”, evidencia.
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Bovinos / Grãos / Máquinas
Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina
Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais. Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.
No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.
Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.



