Bovinos / Grãos / Máquinas Da Holanda para o Paraná
Paixão pelo leite reflete em produtividade para a família Dijkstra
Fazenda Frisia está com 560 vacas em lactação, que tem uma produção diária de 20 mil litros de leite

“O meu avô imigrou da Holanda para Carambeí em 1947 e trouxe com ele 40 novilhas e um touro”, sintetiza o
pecuarista Bauke Dijkstra. Foi assim que começou a história da família na pecuária leiteira brasileira. Mas, segundo o pecuarista, a família já estava na atividade ainda na Holanda, muito antes de se mudar para o Brasil. “Nós somos criadores por paixão”, afirma. Desde que se conhece por gente, Dijkstra está no setor leiteiro. Atualmente, a Fazenda Frisia está com 560 vacas em lactação na propriedade, que tem uma produção diária de 20 mil litros de leite. São, aproximadamente, 36 litros por animal ao dia.
O valor é significativo. Dijkstra se considera pequeno produtor, mas entre os maiores da região. Não por menos, uma vez que os Campos Gerais do Paraná são considerados o braço forte da pecuária leiteira estadual e nacional. Para se ter uma ideia, na região estão dois dos três maiores municípios de produção de leite nacional – Castro e Carambeí. Segundo dados do IBGE de 2018, Castro lidera a produção brasileira de leite (292 milhões de litros). Em terceiro lugar está o município de Carambeí (180 milhões de litros).
Mas, mesmo Castro sendo o maior produtor nacional, quando o assunto é Valor Bruto da Produção quem se destaca é Carambeí. De acordo com dados levantados pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), em 2018 o leite representou 31% do VBP do município. A maior representação desse segmento em todo o Estado. A cada R$ 100 movimentado pelo agronegócio, R$ 31 estão diretamente ligados ao leite.
Por causa de toda essa significância, a expedição do jornal O Presente Rural pelo Paraná foi até Carambeí para ouvir essa história que envolve tradição, amor pela pecuária e muita determinação.
De pai para filho
De acordo com Dijkstra, a pecuária leiteira já está na família há gerações. “Meu avô e bisavô eram produtores de leite na Holanda e provavelmente antes deles ainda a atividade já era feita na família”, afirma. Ele explica que a propriedade em que ele está hoje foi o pai dele quem adquiriu, em 1955. “Na época eram somente umas 15 vacas”, conta. “Eu nasci em 1957. Então, nasci e fui criado aqui, e nessa atividade”, diz.
Agora, o pecuarista comenta que pretende transformar a fazenda em uma verdadeira empresa. “Queremos deixar tudo em quotas parte para todos”, explica. Isso porque têm herdeiros que estão diretamente trabalhando na propriedade e outros não. “Tem o Mateus, que é meu genro e administra a parte da pecuária na fazenda. E tenho um filho que trabalha comigo na agricultura, outro que está em uma cooperativa e uma filha que trabalha em uma escola de idiomas junto com a minha esposa”, conta.
Segundo ele, o filho que trabalha na cooperativa já é um investidor da propriedade. “Ele já tem umas quotas partes, já tem gado aqui, mas ele sempre trabalhou fora”, explica. No entanto, informa que todos os investimentos foram feitos na fazenda quando os filhos decidiram que iriam continuar tocando o negócio. “Então decidimos que precisávamos crescer, porque um espaço muito pequeno não comporta quatro pessoas, não é rentável. Nós temos que ganhar bem e sobrar dinheiro para continuar investindo na pecuária”, afirma.
Conforto e qualidade
O segredo para uma boa produção nos quatro barracões da Fazenda Frísia é o conforto e bem-estar oferecido aos animais, sempre. “Aqui trabalhamos com o sistema free stall, mas a cama ao invés de ser com serragem é com areia. Isso garante melhor bem-estar animal, já que a areia é mais fresca para o animal e também tem menos agentes bacterianos do que a serragem”, explica o gerente do setor pecuário da fazenda, Mateus Gonçalves dos Santos. E esta é somente uma pequena parte do conforto que é oferecido para elas. O espaço ainda possui ventiladores e chuveiros para garantir total conforto térmico. “Quando a temperatura está acima de 18°C os ventiladores e os chuveiros ligam”, diz Santos.
Há também, na fazenda, uma segunda sala de espera para as vacas, onde elas ficam antes de entrar na ordenha. “É uma sala de resfriamento, que fica antes da sala de espera da ordenha. Elas ficam ali por aproximadamente 30 minutos recebendo água e vento”, explica. Segundo ele, este é um sistema israelense que é feito na fazenda há poucos meses. “Já vimos bastante resultado, principalmente quanto a reprodução, que é um ponto em que tínhamos bastante dificuldade. Assim, a nossa taxa de concepção melhorou muito. Acreditamos que agora vamos chegar mais preparados para o verão”, especula.
Volume com qualidade
Dessa forma, o caminho que a vaca percorre quando ela sai do barracão é passar pela sala de resfriamento, a de espera, então ela vai para a ordenha e retorna para o barracão. “Simultaneamente ordenhamos 20 vacas por vez. Ela não passa mais do que 50 minutos fora do barracão. Isso também garante melhor conforto para o animal. Ele vem o mais rápido possível, se refresca e volta para o barracão para tomar água, comer e se deitar”, diz. Santos conta que a intenção é em cinco anos ter mil vacas em lactação.
Todo esse conforto reflete na qualidade do leite produzido na fazenda. “Trabalhamos com CBT (Contagem Bacteriana Total) em torno de 10 mil, células somáticas entre 140 e 150 mil, gordura em 3,8 e 3,9%, e proteína entre 3,5 e 3,55%”, informa. “Temos mantido a qualidade do leite, mas isso é resultado de muitos ajustes até conseguirmos chegar nesses números”, comenta.
Investimento no gado, na fazenda e nas pessoas
Dijkstra lembra que quando começou as formas de tirar o leite eram diferentes, assim como todo o estilo de uma propriedade. “Com o passar do tempo foi mudando, do balde para a ordenhadeira mecânica. Houve crises e então nos recuperamos, mas nunca desisti da atividade”, assegura. O pecuarista lembra que anos atrás havia um preço de leite ruim e um comércio de gado bom. “O nosso rebanho era todo registrado. A gente tinha um bom nome como criador. Então a comercialização de gado sempre foi uma válvula de escape boa para compensar épocas de preço ruim ou coisas assim”, conta.
Porém, agora o comércio de gado não é mais tão lucrativo e a produção de leite ficou mais tecnificada. “Antigamente, cada produtor de leite tinha a sua cartilha de como as coisas deveriam ser feitas, o seu modo de fazer. Hoje, temos assistência técnica que é muito boa e métodos de trabalho bons, com protocolos. É outro nível”, comenta. “Hoje funciona tudo com base em controle e planejamento. A rotina está certa”, assegura.
Dijkstra reitera que o pai, assim como toda a família, era criador de gado por paixão. “Ele gostava muito da parte de genética. E isso foi ótimo para nós, porque sempre houve a preocupação com isso aqui na fazenda”, diz. Assim como em outras áreas, com o passar do tempo também houve investimento em quesitos como conforto do gado, qualidade do leite e nutrição. “Hoje, na minha opinião, o que faz toda a diferença em uma produção de leite de qualidade são duas coisas: a qualidade da forrageira que o gado come e o conforto que você oferece para o seu rebanho. Para mim, estes são os dois pilares que diferenciam um produtor do outro”, conta. Claro que outros pontos, como genética, também são essenciais, diz o pecuarista. Mas os dois citados, em sua opinião, fazem toda a diferença.
Além do mais, algo em que a Fazenda tem investido bastante também, é no fator humano. “Isso é o básico, porque tudo aqui é feito por gente. Nós temos que treinar e motivar as pessoas, proporcionar para elas também um conforto, porque elas também precisam estar felizes no trabalho. Esse é o passo principal, as pessoas precisam estar e trabalhar satisfeitas”, assegura. Para garantir isso, Dijkstra oferece treinamentos constantes para os funcionários. “Porque assim você transforma o seu pessoal em co-participantes na tomada de decisões e trabalhos realizados”, conta. “Eles fazem reuniões semanais, com todas as equipes, em que todos falam sobre as anomalias que veem na fazenda. Por exemplo, eles têm um caixa em que anotam e colocam informações sobre alguma coisa que atrapalhou o serviço naquele dia. Isso não é para apontar o dado do que outro deixou de fazer, mas é para a gente ir identificando problemas e facilitando o trabalho de cada um deles e para eles terem o espírito de ir ajudando um ao outro, deixando o trabalho mais alinhado”, conta.
Vacas funcionais
Ao fundo do escritório de Dijkstra, a Reportagem notou alguns troféus de exposições. “Nós paramos de participar”, revela. “Na verdade, isso é um hobbie, eu não vejo como uma fonte de lucro, é um custo. Tem gente que adora ver sua vaca campeã, mas se for reparar bem é um investimento muito grande”, comenta.
Para ele, hoje é preciso que as fazendas tenham o que ele chama de vacas funcionais para produzir. “Precisamos de uma vaca que não seja grande demais, que tenha um tamanho médio, um úbere bom, pernas boas e, de preferência, fértil”, analisa. O pecuarista, que trabalha somente com vacas holandesas, diz que estas características variam bastante de animal para animal, e não é possível contar somente com a raça da vaca para se ter uma boa produção.
Laboratório na fazenda
Outro fator que ajuda bastante na produção da Fazenda Frísia é um pequeno laboratório, chamado SmartLab, que foi desenvolvido pelo professor doutor Marcos Veiga, da FMVZ/USP, especialista em qualidade do leite. “Dependendo do grau da mastite, se você identificar ela certo se for grau 1 ou 2, que não seja tão agressiva para o animal, você coleta o leite, faz uma análise nesse laboratório e em 24 horas ele consegue mostrar o tipo de agente patológico daquela mastite. Assim, dependendo da mastite, não necessariamente precisa tratar com antibiótico”, explica o gerente. Segundo ele, desde que estão usando o pequeno laboratório, há aproximadamente sete meses, já foi possível diminuir em 35% o uso de antibióticos nos animais.
E a diminuição de uso de antibióticos é muito bom, tanto para os animais quanto aos ganhos da fazenda. Segundo Dijkstra, todo o leite da fazenda é entregue para a Cooperativa Frísia. A qualidade da matéria prima é exigida e um dos pontos analisados é justamente a quantidade de antibióticos que há no leite. “Nós perdemos 4,5% dos ganhos se houver antibiótico no leite. Isso é mais que um dia de produção. Se voltar a acontecer no mesmo mês a perda é de 7%, e se acontecer uma terceira vez sobe para 11%”, informa.
Mais do que leite
A produção leiteira é o carro-chefe da fazenda, porém Dijkstra conta com outras atividades na propriedade. Atualmente, além das 560 vacas em lactação, ele ainda planta 1.150 hectares de lavoura e possui três mil suínos em terminação. “A agricultura é boa parte em terras arrendadas, mais ou menos uns 80%. Então eu planto com as máquinas do banco, com os insumos da cooperativa, a mão de obra dos funcionários, o aval do agrônomo e as terras dos vizinhos”, brinca.
Outras notícias você encontra na 8ª edição do Anuário do Agronegócio Paranaense.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina
Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais. Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.
No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.
Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.



