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Bovinos / Grãos / Máquinas Brasil

“Outros países usam estratégia ambiental como fator protecionista”, avalia assessor do Mapa

A questão das queimadas na Amazônia e o desmatamento ilegal é a bola da vez que concorrentes estão utilizando para atacar o agronegócio nacional

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Arquivo/OP Rural

Produzir com qualidade e sustentabilidade, em uma quantia considerável, mas sem precisar ocupar um grande espaço tem suas consequências. O Brasil é hoje um dos maiores produtores de alimentos do mundo e cada vez mais vem conquistando mercados. Isso pode incomodar alguns concorrentes, que não estão gostando desse protagonismo verde e amarelo, podendo então utilizar de alguns pretextos para tentar manchar a imagem do Brasil no mercado internacional. A questão das queimadas na Amazônia e o desmatamento ilegal é a bola da vez que concorrentes estão utilizando para atacar o agronegócio nacional.

 Para se ter uma ideia, nos últimos 40 anos a agropecuária brasileira aumentou sua produtividade em 380%, enquanto a área foi somente 30%. “Aqui temos um claro indício de que a nossa produção e produtividade crescem cada vez mais. Se tivéssemos mantido a produção como acontecia nos anos 1980, estimamos que mais de 120 milhões de hectares deveriam ter sido abertos para produção. A medida que aumentamos a nossa produtividade, reduzimos a necessidade de abertura de novas áreas”, explica o assessor de Assuntos Socioambientais no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), João Francisco Adrien Fernandes.

Estes resultados, segundo Fernandes, são decorrentes de toda a tecnologia que o produtor brasileiro utiliza. “O Brasil tem estas tecnologias que chamamos de agricultura tropical brasileira. Nós desenvolvemos uma agricultura adaptada aos trópicos. Assim, temos de fato uma agricultura tropical, que cresce em produtividade. Desenvolvemos tecnologias como a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) e a Integração Lavoura Pecuária (ILP) que contribuíram para que o Brasil de fato consiga aumentar a produção, produzir mais na mesma área, sem a necessidade de demandar novos espaços. O Brasil é um dos poucos países do mundo que consegue fazer isso”, afirma.

De acordo com o assessor, esta alta produtividade faz que o Brasil ganhe um destaque em âmbito internacional, fazendo com que receba críticas de concorrentes que não conseguem fazer o mesmo. “Entendemos que boa parte destas críticas ao setor vem dessa preocupação que a nossa agropecuária de fato é muito competitiva. Acho que os outros países usam essa estratégia ambiental como um fator protecionista. Temos que tomar cuidado com isso para que essas questões ambientais não venham a ser utilizadas como um termo de proteção, temos que ficar bastante atentos a isso”, alerta.

Fernandes comenta que no âmbito internacional a questão de o Brasil produzir bastante em um espaço menor de área com sustentabilidade acaba comprometendo outros países na questão de competitividade. “Nós temos feito um trabalho também em termos de comunicação, mostrando que o Brasil e os países consumidores tem muito a ganhar com uma parceria, porque nós podemos suprir o mundo com alimentos de qualidade, seguros, saudáveis e sustentáveis. Mostramos que a ideia de boicotar os produtos brasileiros certamente não é a melhor solução”, conta.

O assessor comenta que as comercializações brasileiras não foram afetadas diretamente, mas tem gerado questionamentos. “Nós somos constantemente questionados a respeitos da nossa sustentabilidade. Então temos que de fato tomar cuidado para que isso não venha de fato a ser utilizado contra nós. Mesmo assim, temos respondido constantemente perguntas de outros países que querem saber se estamos desmatando, ou seja, o questionamento está ocorrendo, mas nós conseguimos responder muito bem. Nós estamos bem cientes da situação, combatendo a ilegalidade, implementando o Código Florestal e separando o joio do trigo, ou seja, o desmatamento legal do ilegal”, afirma.

Brasil é exemplo

De acordo com Fernandes, o Brasil possui uma das legislações mais rígidas e amplas em termos de preservação ambiental, que é o Código Florestal. “Temos a responsabilidade de respeitar, com as regras mais rígidas do mundo e temos avançado muito nessa agenda”, diz. Ele explica que o Mapa tem como desafio o fomento da agricultura às boas práticas agropecuárias, que são com grandes fatores de sustentabilidade. “Temos a agricultura tropical brasileira, que se torna cada vez mais intensiva e sustentável”, comenta.

O assessor informa que entre as responsabilidades do Mapa estão o Plano ABC, de baixa emissão de carbono, e a sustentabilidade. “Temos a competência de fomentar isso, e os resultados têm sido muito positivos”, revela. Segundo ele, nos últimos 10 anos do Plano ABC foram melhorados aproximadamente 35 milhões de hectares. “Ou seja, áreas degradas que passaram a ser áreas de melhor qualidade. Com isso reduzimos a emissão, que melhora a qualidade do solo e assim reduz a necessidade de abertura de novas áreas”, conta. “Nós temos um setor que consegue produzir alimento de forma competitiva e sustentável”, complementa.

Um grande problema que ocorre na região da Amazônia, segundo Fernandes, é o fato da questão fundiária. “A falta da regularização fundiária é um problema para aquela região. Por isso, não conseguimos saber exatamente quem está ocupando aquela região, e assim fazer a lei se aplicar em algumas situações”, expõe. Para ele, isso é um bom indicativo da importância da regularização fundiária e titulação de terras daquele local. “Isso não foi feito no passado e agora estamos com essa questão da regularização fundiária, em que temos uma situação de ilegalidade naquela região. Portanto, fazendo isso, conseguimos separar o que é legal do que é ilegal”, afirma.

Fernandes reitera que é importante deixar claro que essa situação de irregularidade é totalmente minoritária e muito localizada. “Vemos que mais de 90% dos produtores produzem de acordo com a lei. É importante defender que a grande maioria dos produtores rurais brasileiros estão de acordo com a legislação”, expõe. “Essas críticas (externas) não convêm. Vemos pessoas querendo colocar todo mundo no “mesmo balaio”, mas temos que separar, caso contrário não vamos conseguir combater a ilegalidade, punir os infratores e dar benefícios da lei para aqueles que fazem a atividade de forma legalizada”, acentua.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Como controlar e combater a mastite ambiental?

Introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Guilherme Luiz Gomes da Silva, médico veterinário e analista de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal; e Eduardo de Castro Rezende, médico veterinário e coordenador de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal

A bovinocultura brasileira tem grande relevância na produção láctea mundial, gerando desenvolvimento econômico e muitos empregos diretos e indiretos. Porém determinadas patologias podem causar altos prejuízos como é o caso da mastite.

A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária, que causa queda acentuada na produção e alterações na composição do leite. É a doença mais incidente e prevalente no rebanho leiteiro nacional, ocasionando prejuízos que vão desde a queda na produção leiteira, acréscimos nos custos de serviços e medicamentos veterinários, perdas de tetos, descarte prematuro e até a morte do animal. É considerada uma alteração complexa e multifatorial, que envolve vários patógenos, sendo o ambiente e fatores inerentes ligados ao animal.

Além disso, vale ressaltar que a mastite representa risco à saúde pública, podendo prejudicar o consumidor de leite e derivados. Nesse sentido, a introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque, pois ele irá introduzir programas de melhoria da qualidade do leite, protocolos de tratamento para animais que apresentam algum tipo de patologia e métodos de prevenção. Uma pesquisa realizada identificou que, entre 180 produtores que faziam parte de um programa de qualidade do leite, somente 24% destes procuravam um veterinário para o auxílio e planejamento de melhoria da qualidade do leite.

Contagiosa e ambiental

Epidemiologicamente, as mastites podem ser classificas em mastite contagiosa e ambiental. A primeira é ocasionada por microrganismos advindos do próprio animal e, a segunda, por agentes infecciosos provenientes do ambiente. A mastite ambiental caracteriza-se por ser uma infecção de curta duração, manifestando geralmente sinais clínicos mais severos e, em alguns casos, até mesmo causar a morte da vaca. Por incrível que pareça, rebanhos bem manejados e com baixos índices de Contagem de Células Somáticas (CSS) possuem maior incidência desse tipo de mastite, visto que os agentes responsáveis pelas mastites contagiosas subclínicas competem com os da mastite ambiental, conferindo certo tipo de proteção.

Existem algumas medidas que podem e devem ser tomadas para a prevenção dos casos de mastite ambiental, sendo um dos pontos principais o cuidado com a higiene do ambiente onde os animais são mantidos. É preconizado a diminuição do contato direto das extremidades dos tetos aos patógenos ambientais, que estão presentes no solo, fezes e água contaminada. As instalações como free-stall ou compost barn devem ser bem manejadas. O arraçoamento após a ordenha é uma medida fundamental, visto que dessa forma impede-se que as vacas se deitem rapidamente com o esfíncter do teto aberto e, consequentemente, facilitar a entrada de microrganismos pelo canal do teto.

A qualificação técnica da equipe, a educação sanitária e a delegação de responsabilidades são fatores que influenciam diretamente no sucesso do plano de controle dessa enfermidade, sendo necessário um trabalho conjunto, englobando não somente o veterinário, mas todos os envolvidos na ordenha.

A linha de ordenha necessita ser estabelecida de modo que primeiramente sejam ordenhados os animais sadios e, por último, aqueles que apresentam mastite, diminuindo a contaminação dos animais sadios. O manejo de higienização dos tetos com o pré e pós-dipping deve ser rotina na ordenha da propriedade, procedimentos esses que têm como função a prevenção da mastite e a manutenção da qualidade do leite.

Os patógenos que causam as mastites são diversos, dentre eles podemos destacar as bactérias, que são os agentes de maior relevância, atingindo em torno de 80% dos casos. O tratamento deve ser fundamentado no tipo de microrganismo que está provocando a doença, sendo necessário a realização de testes periódicos no rebanho. Por sua vez, deve-se utilizar medicamentos eficazes e os mais indicados para cada caso, que sejam de alta permeabilidade na glândula mamária, associados a terapia antimicrobiana e anti-inflamatória sistêmica, quando necessário.

Uma das classes de antimicrobianos mais utilizadas para o controle das infecções intramamárias em bovinos é a dos Penicilinicos, na qual se inclui a Amoxicilina, um tipo de Penicilina sintética. Por sua vez, os Penicilínicos sozinhos possuem eficácia limitada a determinadas bactérias, devido ao fato de algumas delas produzirem enzimas conhecida como beta-lactamases, que destroem a Penicilina. Entretanto, quando se associa a Amoxicilina com o Clavulanato de Potássio, há a inibição das beta-lactamases, permitindo com que a Amoxicilina consiga combater de forma muito eficaz os agentes patogênicos da mastite resistentes aos Penicilínicos. Outra grande vantagem da Amoxicilina é o seu alto potencial de difusão na glândula mamária da vaca, visto sua característica físico-química de ser um ácido fraco, atributo ideal na terapia intramamária.

Concluindo, a mastite é impactante na bovinocultura leiteira e causa grandes perdas econômicas, tornando-se relevante conhecer suas causas, tratamentos, controles e seus métodos de prevenção. Neste último caso, o treinamento nas propriedades é o procedimento mais indicado para a redução de novos casos.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

Lavoura pode manter produtividade mesmo com árvores crescidas em sistemas ILPF

Com operações de desbaste e corte seletivo de árvores, lavouras de soja e milho em ILPF produzem como se estivessem em áreas sem sombreamento

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Gabriel Faria

O manejo correto das árvores pode manter a produtividade da agricultura mesmo em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) já consolidados, com árvores crescidas. O resultado comprovado por pesquisa realizada pela Embrapa Agrossilvipastoril (MT) abre novas possibilidades para produtores que fazem ILPF e que queiram rotacionar a pastagem com lavoura após as árvores já estarem com porte maior.

Avaliações realizadas no campo experimental do centro de pesquisa mostraram que fazendo o desbaste e a desrama, elevando-se a copa dos eucaliptos, reduz-se a sombra sobre a cultura agrícola. Isso permitiu à soja recuperar, por até dois anos, a produtividade de uma lavoura sem sombreamento. No caso do milho, também houve a recuperação da produtividade, porém o efeito só é sentido em uma safra.

“Isso não é problema, pois o produtor que quiser rotacionar o pasto, pode fazer uma safra de soja seguida de milho e, no ano seguinte, outra de soja seguida da semeadura da forrageira, retornando à pecuária no sistema silvipastoril, com um pasto recuperado”, explica o pesquisador da Embrapa Ciro Magalhães.

De acordo com o cientista, o resultado é importante para quebrar o entendimento comum que existia de que em sistemas integrados com componente arbóreo só é viável manter a lavoura nos anos iniciais de crescimento das árvores. Assim, abre-se uma nova possibilidade estratégica de mexer no planejamento, caso seja necessário.

“Esses resultados possibilitam mudanças na gestão da propriedade. Se o produtor está querendo desacelerar a pecuária, por exemplo, ele pode fazer o desbaste e modificar um pouco as proporções das atividades. Ele pode ajustar o planejamento e aumentar a área de lavoura em determinado ano”, exemplifica o pesquisador.

Além disso, a possibilidade de reduzir o ciclo da pecuária traz os benefícios da rotação das culturas, como a quebra do ciclo de pragas e doenças e melhoria da fertilidade do solo.

Arranjo experimental

A pesquisa foi feita analisando tratamentos de ILPF com renques de eucalipto plantados inicialmente em linhas triplas, com distância de 30 metros entre si. Os dados de produtividade foram comparados aos da lavoura em áreas testemunhas sem sombreamento, de modo a obter-se o potencial produtivo usado como referência.

A primeira intervenção nas árvores ocorreu após o quinto ano de implantação, quando algumas parcelas tiveram as linhas externas dos renques suprimidas, tornando-as sistemas de linha simples, com distância de 37 metros entre si. As demais parcelas tiveram desbaste seletivo de 50% das árvores, mas mantendo as linhas triplas.

Antes da intervenção nas árvores, a soja em ILPF estava obtendo 80% da produtividade da lavoura sem sombra, enquanto o milho produzia 67% do potencial produtivo. Após essa intervenção a soja produziu 80%, 87% e 66% do potencial produtivo nos três anos seguintes no sistema que se manteve em renques triplos. Já no sistema com renques simples, a recuperação foi maior, com 93%, 97% e 76% de produtividade, respectivamente.

Já o milho, no caso do sistema com renques triplos, a lavoura, além de não recuperar a produtividade, continuou caindo, mesmo com a intervenção. A produção que estava em 70% foi para 64%, 60% e chegou a 47% do potencial obtido na área de lavoura sem sombra. No sistema com linhas simples, houve uma recuperação, mas menor que a da soja. No primeiro ano produziu-se 85% do potencial, no segundo 79% e no terceiro, 71%.

De acordo com Magalhães, os dados mostraram que o sistema convertido para renques simples permitiu melhor recuperação da lavoura, chegando a igualar estatisticamente às áreas sem sombra. Porém, o efeito positivo durou apenas dois anos na soja e um ano no milho.

Diante disso, nova intervenção foi feita nas árvores antes da 9ª safra. Todas as áreas com renques triplos tiveram desbaste nas linhas externas, tornando-se linhas simples. Além disso, foi feita a desrama em todas as árvores dos dois tratamentos analisados, até a altura de 12 metros.

A intervenção mais uma vez se mostrou positiva para a lavoura, possibilitando que a soja retomasse a produtividade para níveis estatisticamente iguais aos da área de referência. No caso do milho, isso aconteceu na área que era anteriormente renque triplo. Já na área que já estava com renques simples, a desrama possibilitou recuperação da produtividade, mas ainda ficando com 85% do potencial. O maior número de árvores na área que não teve o corte de 50% dos indivíduos, ainda que estivessem em linha simples, reduziu a entrada de luz para as plantas.

“O manejo das árvores é crucial para manutenção das produtividades das lavouras de soja e milho. E esse manejo deve ser feito antes que ocorra a redução de produtividade. Existe a necessidade de um acompanhamento do desenvolvimento do componente florestal, que vai ser o indicador do momento da intervenção. Quanto menor o espaçamento entre os renques, menor o tempo para realizar a intervenção, a fim de manter os níveis de produtividade”, explica Ciro Magalhães.

Incidência solar

Em todos os resultados, a cultura do milho se mostrou mais sensível aos efeitos do sombreamento do que a soja. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação está na menor incidência solar sobre a cultura.

Nos meses em que a soja está no campo, entre outubro e fevereiro, os dias são mais longos e o ângulo de incidência solar permite maior entrada de luz entre os renques. Já no período em que o milho está no campo, entre fevereiro e junho, além do encurtamento dos dias, o ângulo de incidência solar aumenta a projeção de sombra sobre a lavoura, reduzindo a taxa fotossintética das plantas.

“Temos uma correlação muito forte da produtividade com a taxa fotossintética. Quanto mais próximo das árvores, menor a taxa fotossintética. Mas não é só isso que reduz a produtividade nas linhas mais próximas às árvores. Há também a competição por água e nutrientes”, pondera o pesquisador da Embrapa.

Em um sistema como o da Embrapa Agrossilvipastoril, disposto em sentido leste-oeste, a mudança no ângulo dos raios solares, em função da estação do ano, influencia também na produtividade de cada face do sistema. No caso da soja, a maior produtividade ocorre na face sul dos renques. Já no milho, a maior produtividade ocorre na face norte.

Pisoteio não reduz produtividade em área de ILP

Além de uma área de lavoura exclusiva, usada como referência, a pesquisa também avaliou áreas de integração lavoura-pecuária, nas quais a atividade era alternada a cada dois anos, sendo a agricultura feita com soja e milho; e a fase da pecuária com pastagem de braquiária Marandu, com pastejo de gado nelore. Em ambos os tratamentos a produtividade observada na soja e no milho foi estatisticamente igual em todos os anos analisados.

“Isso mostra, com toda segurança, que o pastejo intensivo por dois anos não prejudicou a produtividade da lavoura nos anos seguintes. O pisoteio dos animais não provoca a compactação do solo, desde que feito seguindo critérios de manejo de pasto que permitam a recuperação do capim, como por exemplo, ter uma altura de pastejo como meta,” afirma Magalhães.

O pesquisador destaca ainda que a ILP traz outras vantagens, como quebra do ciclo de pragas e doenças, melhoria física do solo, melhor aproveitamento dos nutrientes pela forrageira, cujas raízes não exploram camadas mais profundas. Na pecuária, a pastagem de melhor qualidade resulta em maior capacidade de lotação e maior ganho de peso dos animais, quando comparada a um pasto solteiro.

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia no Campo

Sistema Antecipe diminui riscos de plantio para milho safrinha

Sistema Antecipe promete incrementar a produção do milho safrinha, que já responde por mais de 70% da produção nacional

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Décio Karam

Um sistema inédito de produção de grãos, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), promete incrementar ainda mais a produção da soja e do milho safrinha.  Trata-se do Antecipe, um método de cultivo intercalar que possibilita a redução dos riscos causados pelas incertezas do clima durante a segunda safra. Resultado de 13 anos de pesquisas, a tecnologia é composta por três pilares: um sistema inédito de produção de grãos, uma semeadora-adubadora exclusiva e um aplicativo para auxiliar o produtor a tomar as melhores decisões.

O pesquisador Décio Karam, líder do projeto, explica que “o Antecipe foi desenvolvido e aprimorado por pesquisas e validado em várias regiões do País que adotam a safrinha, como Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso”. De acordo com ele, os resultados têm sido promissores, tanto nas operações de plantio intercalar do milho, como na colheita da soja e no desenvolvimento do milho após a colheita dessa leguminosa. 

Para o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Durães, o Antecipe é um sistema em franca evolução, na parceria público-privada, com grande potencial de impactar o desenvolvimento da agricultura brasileira. “É uma inovação que envolve conhecimento e ativos tecnológicos tangíveis e intangíveis”, afirma.

Como funciona o Sistema Antecipe? 

Na prática, o Sistema Antecipe começa com a semeadura mecanizada da cultura do milho nas entrelinhas da soja, quando a leguminosa está na fase de enchimento de grãos, a partir do estádio R5.

Na hora da colheita, o milho é cortado junto com a soja, ficando apenas um pequeno caule de cada planta de milho.  Só que, nesse momento, toda a lavoura de milho já está implantada, com raízes em pleno desenvolvimento e pronta para continuar crescendo.

Com o sistema, o produtor pode antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias e diminuir os riscos de perda de produtividade em função de condições climáticas adversas, que ocorrem no fim do verão e início do outono. Dessa forma, a lavoura de milho pode se desenvolver em época com precipitação mais favorável, o que possibilita ganhos em produtividade e rentabilidade.

Segundo Karam, “essa antecipação do plantio do milho possibilita ainda redução no custo de produção da soja, já que não é mais necessário fazer a dessecação dessa cultura para antecipar a colheita, o que traz benefícios operacionais, econômicos e ao meio ambiente”. Além disso, em regiões com maior experiência em safrinha, é possível o uso de cultivares de soja de ciclo mais longo, notadamente mais produtivas do que as cultivares precoces, sem prejuízo em produtividade do milho na sequência.

Outra oportunidade de uso da tecnologia é a implantação do milho safrinha em regiões agrícolas onde a segunda safra ainda não foi plenamente estabelecida, abrindo janelas de cultivo que antes eram limitadas ou inviáveis.

A semeadora-adubadora

Patenteada pela Embrapa, a semeadora-adubadora representa um novo conceito para o mercado brasileiro. A máquina faz o plantio e a adubação do milho, nas entrelinhas da soja, sem que haja danos mecânicos, amassamento, perda de área foliar ou outro prejuízo que comprometa a produtividade dessa oleaginosa.

Além da adaptação específica para o cultivo intercalar, a máquina também faz todas as operações de semeadora-adubadora para plantios convencionais.

Em 2019, a Embrapa e a Jumil, empresa de implementos agrícolas, iniciaram uma parceria para a construção industrial do primeiro protótipo dessa semeadora-adubadora.

Já nesta safra 2020/2021, o implemento passará por ajustes finos em ambientes reais de produção a fim de cumprir as exigências dos protocolos para sua fabricação em escala e comercialização a partir da safra 2021/2022.

O diretor-presidente da Jumil, Fabrício Rosa de Morais, explica que, nesta primeira fase do projeto, a semeadora-adubadora foi desenvolvida pensando nos pequenos e médios produtores, dando a eles a oportunidade de competir em resultados, diminuir riscos e ampliar a produtividade.  Morais destaca ainda o sucesso e a velocidade do desenvolvimento desse protótipo, que, mesmo com a pandemia, conseguiu cumprir todos os cronogramas planejados.

 O aplicativo

O aplicativo Antecipe é um serviço estratégico para o novo sistema, pois facilita a tomada de decisões no campo. O produtor poderá realizar não só o acompanhamento dos estádios fenológicos da lavoura de soja, mas também obter orientações sobre o momento adequado para a implantação da lavoura de milho, dentro das premissas técnicas do Sistema Antecipe.  O aplicativo já está em fase final de testes.

O analista de sistemas Pedro Gomide, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que “esse aplicativo armazena também os dados inseridos pelo produtor sobre o cultivo da soja e do milho, além de informações das análises de solos realizadas, os tratos culturais e adubação”. Assim, além de enviar mensagem de texto avisando a hora para a realização das práticas, o aplicativo servirá também para o produtor ter um histórico da sua lavoura.

Como o milho mantém a produtividade no Antecipe

No Sistema Antecipe, quando é feita a colheita da soja, o milho também é cortado, ficando apenas com um pequeno caule. Mesmo assim essa cultura não tem sua produtividade comprometida por esse estresse. Como isso ocorre? Um dos pontos-chave do conhecimento gerado ao longo das pesquisas é o momento adequado de cada operação agrícola.

O pesquisador Paulo César Magalhães, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que, com a desfolha precoce das plantas de milho no estádio V4-V5, naturalmente, ocorre a perda total de 3 a 4 folhas completamente expandidas e a perda parcial de 3 a 4 folhas que ainda estão em desenvolvimento e se encontram no cartucho da planta. “Logo após a desfolha, o milho rebrotará, recuperando-se daquele estresse, emitindo novas folhas a partir do cartucho danificado e retomando o seu crescimento normal. Isso acontece porque o ponto de crescimento [tecido meristemático] ainda se encontra abaixo da superfície do solo”, complementa.

Magalhães afirma que resultados experimentais de um grande número de trabalhos demonstram que a produtividade do milho não deve ser influenciada por essa perda inicial de folhas. “A explicação se deve ao fato de que essas folhas são pequenas em tamanho e o seu grau de contribuição para a produção de grãos é muito reduzido. Sendo assim, essa pequena perda da fonte de fotoassimilados em V4-V5 será insignificante nas fases mais decisivas para a produção de grãos, como por exemplo o período de enchimento”, pontua.

Relevância do Sistema Antecipe para a produção de milho no Brasil

Na safra 2019/2020, o Brasil superou o volume de 100 milhões de toneladas de milho. Desse total, 74 milhões de toneladas são provenientes da segunda safra, semeada após a colheita da soja. Embora esse resultado seja impactante, condições climáticas adversas, principalmente na região centro-sul, reduziram o potencial produtivo do milho safrinha neste ano agrícola.

Na safra 2020/2021, o cenário climático pode ser ainda mais severo, com a presença do fenômeno conhecido como La Niña, que influencia a distribuição de chuvas em todas as regiões do Brasil.

O pesquisador Emerson Borghi, da Embrapa Milho e Sorgo, diz que neste início de safra “muitas áreas em quase todos os estados produtores de soja das regiões Centro-Oeste e Norte já estão sofrendo com o atraso de chuvas e tendo o plantio muito prejudicado. Em algumas regiões, para recuperar a área cultivada, o produtor está tendo que trabalhar quase 24 horas por dia para conseguir plantar a soja”.

Plantios tardios aumentam o risco de chuvas ou geadas na hora da colheita da soja e, com isso, ocorre maior atraso na implantação do milho safrinha. Mas os problemas no plantio da soja não são causados apenas pelos atrasos.Produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins têm iniciado o plantio da soja antes do período chuvoso ou imediatamente após a primeira chuva.

Os produtores esperam, com isso, realizar o plantio do milho safrinha mais cedo, logo após a colheita da leguminosa. Essa prática, entretanto, pode prejudicar não só a germinação e a emergência da planta de soja – já que a semente não encontra água suficiente no solo –, mas também a própria produtividade da cultura.

Borghi explica que essa é uma das vantagens do Antecipe, pois “o produtor vai poder antecipar o cultivo do milho em até 20 dias, antes da colheita da soja. Com isso, ele vai trazer a soja para a época ideal de cultivo na sua região e diminuir os riscos de implantação do milho safrinha”.

O pesquisador alerta, porém, que a Embrapa não está recomendando a mudança do sistema de cultivo de milho safrinha que hoje existe no Brasil. “O Antecipe é uma tecnologia para diminuir riscos. Ou seja: aquele milho que estava sendo plantado fora da época recomendada, agora, volta para a janela ideal plantio”, destaca.

Dessa forma, o Sistema Antecipe demonstra enorme relevância para redução de riscos na safrinha, que é responsável por mais de 70% da produção nacional de milho e tem potencial de continuidade de expansão.

Além disso, esse sistema de cultivo está alinhado às principais diretrizes estratégicas do governo brasileiro na redução da emissão de gases de efeito estufa e com a Política Nacional de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC).

Karam espera que, “após o lançamento comercial do Antecipe, em 2021, novas pesquisas adaptativas envolvendo outras espécies e regiões possam atender pequenos e médios produtores, especialmente no Nordeste brasileiro”.

Principais impactos que o Antecipe pode trazer para a agricultura brasileira

  • Estabelecimento precoce da cultura do milho, com redução de riscos de frustração por perda de produtividade na safrinha, em função das condições climáticas adversas no fim do período do verão e início do outono;
  • Possibilidade do cultivo de milho em sequência ao da soja, mesmo para cultivares de soja de ciclo mais longo, com ganhos consideráveis no sistema de sucessão e/ou rotação;
  • Possibilidade de redução do custo com a operação de produtos químicos (herbicidas para dessecação da cultura da soja e herbicidas pós-emergência do milho);
  • Otimização do uso de insumos com adubação para altas produtividades do sistema;
  • Expansão do cultivo do milho para regiões antes limitadas pelo Zoneamento de Risco Climático (Zarc), com maio estabilidade na safrinha, em função da redução de riscos de frustração;
  • Possiblidade de desenvolver novos modelos de cultivos consorciados, iniciando pelo sistema soja/milho, mas podendo ser validado posteriormente, com alto potencial de impacto para outras culturas, como sorgo, trigo, milheto etc., além da possibilidade do cultivo de gramíneas forrageiras para composição de novas modalidades de cultivo para a integração lavoura-pecuária.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
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