Avicultura Consumo de proteína animal
Osler Desouzart afirma que frango não perde mais posição de carne mais consumida no mundo
Para o especialista, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes. Confira!

O Presente Rural conversou com Osler Desouzart, que palestrou sobre o cenário de carnes no mundo durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em abril na cidade de Chapecó (SC). Osler é membro da Diretoria Consultiva do World Agricultural Forum, membro da equipe do The Sustainable Food Laboratory e CEO da OD Consulting. Para ele, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes.
O Presente Rural – Fale sobre o atual mercado das carnes no mundo e como o senhor avalia esse cenário?
Osler Desouzart – O agronegócio foi dos poucos setores que no meio dos lockdowns não deixou de fazer sua parte. Não faltou comida e as exportações da agropecuária brasileira cresceram. Além da pandemia, e a inevitável recessão econômica gerada pelos lockdowns, enfrentamos um outro tsunami – a FSA na China em agosto de 2018 – maior produtor e consumidor mundial de carne suína – de onde se expandiu para a Ásia e daí para a Europa.
A FSA na China obrigou ao sacrifício de cerca de 174 milhões de cabeças de um rebanho de 447 milhões. Isso gerou um déficit de 10 milhões de toneladas no abastecimento chinês de carnes e o país buscou diminuir o impacto através da importação de todos os tipos de carnes, incluindo o frango e a carne bovina.
O mercado mundial de carnes virou de cabeça para baixo. Como podemos observar na tabela 1, a produção de carnes, que crescia anualmente entre 6,5 e 7 milhões de toneladas, sofre queda em 2019, tem aumento pífio em 2020 e somente em 2021 ultrapassou o volume produzido em 2018.

Tabela 1 – Elaborado por ODConsulting com base em dados de FAO. 2021. Food Outlook – Biannual Report on Global Food Markets. Food Outlook, November 2021. Rome.
Verifiquem que a diminuição de produção se centra na carne de porco, com as demais carnes crescendo sendo que a de aves consolida uma liderança que não mais perderá.
Interessante observar que o comércio internacional de carnes conhece um crescimento sem precedentes e o eixo de demanda muda para a Ásia, que nos próximos 10 anos responderá por 62% do aumento da demanda por carnes.
O Presente Rural – Qual a produção e consumo da carne bovina, suína e de aves?
Osler Desouzart – A tabela 1 dá uma dimensão da produção das principais carnes no mundo, mas o mundo come vários tipos de carnes e o gráfico 1, onde verificamos quantos países produzem algum tipo de carne para consumo.

O Presente Rural – A guerra na Ucrânia pode interferir no cenário de produção e consumo de carnes no mundo?
Osler Desouzart – Mesmo que essa guerra não evolua para nível mundial, afetará os preços de uma forma impensável. Petróleo e seus derivados escalarão picos inéditos, fretes internacionais conhecerão níveis recorde, assim como alimentos. O Brasil é o 3º maior produtor mundial de alimentos, 2º maior exportador e 4º maior consumidor. Somos autossuficientes, mas somos inteiramente dependentes da importação de fertilizantes, que representam um dos principais custos de produção até na carne.
Acrescentem a isso que Rússia é o 4º produtor e 2º maior exportador mundial de trigo. E a Ucrânia o 4º maior exportador. Breve, preparem-se para pagar mais pelo pãozinho do café da manhã, pela macarronada e pela amada pizza.

A Ucrânia é considerada a “food basket” da Europa. Prestei serviços a um grupo ucraniano por 18 meses, período em que fiz umas 10 viagens àquele país. Saindo de Kiev na direção sul as terras são negras e quando se apanha um punhado e a cheira verifica a quantidade de vida que ela embute. A áreas planas dessas terras férteis permitem duas colheitas anuais (o inverno não é tão intenso quanto o da Rússia, mas é severo).
O país tem tradição de produzir trigo, milho, girassol e outros cereais grãos susceptíveis de serem usados em alimentação humana e animal. Com uma produção 42 MM t o país é o 6º maior produtor de milho e é o 4º maior exportador.

Em resumo, preparem-se para que o milho experimente novas altas. Petróleo, fretes nacionais e internacionais, alimentos subirão a ponto de provocar uma nova recessão econômica mundial, exatamente quando o mundo saia daquela do “fique em casa, o importante é salvar vidas, assim que 65% da população estiver vacinada a pandemia cessa, etc.” Por favor não me interpretem mal. Defendo ciência e estou com muita confiança que a 29ª dose da vacina resolverá o problema.
Breve, piores momentos para o mundo e com o peso sempre sendo arcado pelos menos favorecidos. Será que os filhos do Putin tinham que armar essa excreta justamente agora?
O candidato Ciro Gomes falou que a recente visita oficial do Bolsonaro à Rússia não passava de turismo. Talvez alguém possa informar a essa excelência que o Brasil – país potência do agronegócio que ele pretende presidir – consome em média 40 milhões de toneladas de fertilizantes, dos quais 85% são importados, sendo que a Rússia foi responsável por 22% de todo o fertilizantes importados pelo Brasil.
As figuras abaixo foram gentilmente cedidas por um dos papas em termos de fertilizantes, Paulo Junior, amigo e diretor da Timac Agro, no evento MT Beef, onde apresentamos conferências.


Citarei o professor Delfim Netto ao dizer que à luz desses dados e fatos “até os cegos bem-intencionados” conseguem ver a importância da Rússia para o agronegócio brasileiro. Em 11 de março, enquanto trabalhava nessa resposta, o governo, quando a Ministra Tereza Agricultura (como é bom ter na pasta da Agricultura alguém do ramo) e o Ministro Paulo Guedes anunciaram o Plano Nacional de Fertilizantes.
Como podem bem ver aquela excelência, palavra mui similar a excrescência, não conseguiu ver, mesmo não sendo cego, o que deixa a hipótese de não estar bem-intencionado.
O Presente Rural – A inflação no mundo causada pela pandemia e outros fatores pode interferir no consumo de carnes no Brasil e no mundo?
Osler Desouzart – Para desespero e horror dos novos evangelistas escreverei uma blasfêmia: + renda = + carnes. Esse afirmação é válida até que a renda do indivíduo alcance o equivalente a US$ 54 por dia, o que em geral reduz os gastos de alimentação para menos de 20% do orçamento das despesas domésticas. A partir de então o indivíduo fica susceptível a comer conceitos.
Estudo dados de 204 países e tal ocorre em pelo menos 202 desses países. Mais dinheiro no bolso representa mais produtos de origem animal na dieta, principalmente carnes. Permitam-me que eu embase essa afirmação com dois slides de uma conferência que fiz em janeiro deste ano em Atlanta, no evento La Cumbre Latinoamericana de Avicultura – IPPE, organizado pelo USPoultry.
E perdoem-me que não busque as versões em português, pois tenho vários clientes querendo me crucificar com trabalhos “para ontem”. E aos novos evangelistas que pregam que o mundo caminha para comer menos carnes, pergunto: em qual mundo? Pois no que conheço mais renda é igual a mais carne na dieta. O aumento da ingesta de calorias a nível mundial tem como vetor do crescimento os produtos de origem animal e não os de origem de vegetal.

Ilustro como exemplo do Planeta China minha afirmação e poderiam trazer uma centena de exemplos semelhantes.

Isso exposto, não poderia ser diferente com a recessão provocada pela inépcia do dilmanomics (2015 e 2016) e pelos lockdowns em 2019 e 2020. E quando começamos a ver a luz do túnel em 2021 aparecem os filhos do Putin para lançar o mundo em uma nova e grave recessão.

O Presente Rural – Qual a tendência para o consumo de carnes no mundo e qual o papel do frango nesse contexto?
Osler Desouzart – Fácil. Vai crescer e seguirá crescendo, com a carne de frango ocupando uma liderança que não perderá mais. A razão é simples – a carne de frango é a que exige menos recursos naturais para sua produção, principalmente água e terra arável.

O Presente Rural – Em relação aos produtores, quais são seus desafios atuais e quais devem ser seus desafios futuros?
Osler Desouzart – Sobreviver e melhor logrará aquele que “caçar em manada e defender-se em manada”. Numa atividade em que não dominas 65% dos teus custos (grãos) a possibilidade de sobreviver como independente é quase nula. A manada moderna são as cooperativas, as empresas integradoras e as produções sob contrato. Aprendam a aprender e tragam aliados para sua trincheira. Num mundo global não dá mais para bancar o super-herói e lutar sozinho. Teus aliados são teus fornecedores que querem teu crescimento para que também eles possam crescer, assim como tua cooperativa, a agroindústria e teu contratante.
O Presente Rural – Ainda em relação aos produtores, quais são as oportunidades para o futuro?
Osler Desouzart – Fui contratado há muitos anos por uma empresa norte-americana de investimentos. Um de seus executivos disse que as empresas de carnes tinham um lucro operacional de 3% ou (eles adoram essa abreviatura) um ebitda de 9 a 13%. Em seguida me mostrou seu telefone celular e disse que aquele segmento apresentava ebitda duas a três vezes maiores. Pediu-me então um único argumento que justificasse investir em empresas de carnes. Pedi-lhe para ver seu telefone que naturalmente devia ser um Iphone moderníssimo. Não sei qual, pois como eles lançam um a cada 11 meses não consigo distinguir um do outro. Sou um primata que usa o celular para falar no telefone, enviar SMS, ver e-mails, mas por favor não me enviem estudos para serem lidos naquela telinha liliputiana e nem que eu responda usando aquele teclado menor ainda.
Fingi examinar o telefone com atenção e em seguida perguntei: Você acha que ainda se usará celulares em 2050? E respondeu que seguramente não. E aí comentei que “em 2050 as pessoas continuariam comendo carnes”? Respondeu-me que sim. Calei-me, pois, uma coisa que aprendi é que se lograste a venda, fique em silêncio ou acabas comprando de volta.
Aos produtores digo: vocês estão no negócio certo e no país certo para esse tipo de negócio. Sobrevivam, pois de tempos em tempos ele permite que se lave a égua.
O Presente Rural – O agronegócio está cada vez mais digital, usando tecnologia para produzir mais e melhor. Nesse cenário, para onde os produtores de carne devem mirar?
Osler Desouzart – Para frente. Aquela conversa do eu sempre fiz assim já provocou o fechamento de muita gente. Adoto o socrático “Sei que não sei” e me permito inclusive complementar que sei que o que sei não é suficiente. O que determina o futuro é a capacidade de cada um saber mais que seu concorrente e aplicar o conhecimento mais rápido que ele.
O Presente Rural – Fale a respeito do status sanitário para a produção de carnes e situe os principais produtores mundiais e o Brasil neste contexto.
Osler Desouzart – Fiz uma conferência recentemente sobre esse assunto, onde pediam-me que discutisse a questão: regulação global, regional e nacional, status sanitário etc.: aplicabilidade ou restrição? Argumentei que há vários tipos de exigências.
1. Autênticas, traduzindo a evolução das demandas dos consumidores ou valores de sustentabilidade;
2. Sanitária, visando garantir a integridade da saúde dos rebanhos em uma realidade de mercado global que inclui a rua onde você mora;
3. Pseudo-sanitário, formas de protecionismo vestidas com a pureza branca da defesa da saúde dos rebanhos ou dos consumidores;
4. Restrições, consagrando o princípio secular eternamente novo de que “quem pode fazer mais, chora menos”.
A América Latina, capitaneada pelo Brasil, vem ganhando espaço na oferta global de carne de frango, deslocando sobretudo a Europa, que dominou o mercado internacional até a década de 1990. É óbvio que não estão felizes. Somos uma potência do agronegócio situada num país que não conta internacionalmente. Porque fazer concessões ao Brasil se não ameaçamos ninguém, se respeitamos o acordo de não proliferação de armas nucleares, se não invadimos ninguém e nos comportamos? Tenho uma colega que diz com muita razão: só te respeitam na proporção do mal que podes causar. Porque dar doces ao menino comportado já que ele se comporta? A todos, concessões; ao Brasil, acusações e restrições.
As exigências mudam, principalmente quando já foram cumpridas: livre de antibióticos (b.), livre de OGM (d.), ética (???), e a atual, em pleno vigor, a nobre defesa do meio ambiente.
Como sabem, o culpado da situação climática são os bovinos e o Brasil, já que a Europa está fazendo a sua parte, apesar de gerar sua energia a partir de matérias primas altamente poluentes, como o carvão. Por falar nisso, o preço internacional do carvão subiu desde que o Putin se colocou no papel de salvar a Ucrânia da nazificação, já que como Hitler, o presidente ucraniano invade seus vizinhos em guerras de conquista, não respeita tratados, faz ameaças se não fizerem o que ele quer, outras típicas de um ditador nazista e mente horrores como… Ia citar um mentiroso maior no Brasil, mas não consegui pensar em nenhum, pois aqui tem gente mais honesta que Jesus Cristo.
O Presente Rural – Veganismo, vegetarianismo, flexitarianismo, carne de laboratório, carne vegetal, entre outras situações. Como isso interfere no mercado mundial de carnes?
Osler Desouzart – Os “ismos” são os novos evangelistas, com um toque de Inquisição Espanhola. Não se conformam em comer suas alfaces e nos deixar comer nossos churrascos em paz. Querem que o mundo se conforme democraticamente ao que pensam.
A coisa que mais adoro é quando citam números. Num debate ouvi, “18% dos brasileiros são vegetarianos”. Imediatamente pedi a palavra e fingindo olhar um tablet disse: “há um erro na sua planilha que o fez chegar aos 18%. O resultado real é 12,6%”. Continuou e interrompi de novo: “perdão, mas encontrei novo erro na planilha, e o resultados é agora de um dígito”. Infelizmente ele não caiu na armadilha de dizer que os valores que citava não vinham de uma planilha.
Há um estudo que estima o número de “ativistas alimentares” em 3%. Esse percentual faz com que não sejam uma tendência maior. Não são o leito do rio principal que é o “mais renda igual a mais consumo de carnes”. São um pequeno afluente desse rio, assim como a dieta a base de insetos e outras coisitas mais.
A foto abaixo tirada num supermercado de país rico (+US$ 54/dia) durante um período de desabastecimento mostra o inegável êxito desses “ismos”.

Fontes alternativas em prateleira de supermercado durante desabastecimento de proteína animal – Foto: Arquivo/Divulgação
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Avicultura
Argentina confirma novo surto de gripe aviária em aves comerciais
SENASA detectou a doença em um estabelecimento de linhagens genéticas na cidade Ranchos, na província de Buenos Aires, ativando imediatamente seu Plano de Contingência.

Por meio de diagnóstico laboratorial, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) confirmou um caso positivo de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) H5 em aves de produção comercial, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado após a análise de amostras coletadas em um estabelecimento localizado na cidade de Ranchos.
A notificação ao órgão sanitário ocorreu depois da observação de sinais clínicos compatíveis com a doença e de elevada mortalidade no plantel. Veterinários oficiais realizaram a coleta das amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Oficial do Senasa, em Martínez, responsável por confirmar o resultado para IAAP H5.

Foto: Shutterstock
Após a confirmação, o Senasa ativou o plano de contingência e determinou a interdição imediata do estabelecimento. Conforme o protocolo sanitário, foi instituída uma Zona de Controle Sanitário, composta por uma área de perifoco de 3 quilômetros ao redor do foco, com reforço nas medidas de contenção, biosseguridade e restrição de movimentação, além de uma zona de vigilância de 7 quilômetros, destinada ao monitoramento e rastreamento epidemiológico.
Entre as medidas previstas, o órgão supervisionará o despovoamento das aves afetadas e a destinação adequada dos animais, seguidos por procedimentos de limpeza e desinfecção no local.
O Senasa comunicará oficialmente o caso à Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Com isso, as exportações de produtos avícolas para países que mantêm acordo sanitário com reconhecimento de livre da doença serão temporariamente suspensas. Ainda assim, a Argentina poderá continuar exportando para os países que reconhecem a estratégia de zonificação e compartimentos livres de IAAP.
Caso não sejam registrados novos focos em estabelecimentos comerciais e transcorridos ao menos 28 dias após a conclusão das ações de abate sanitário, limpeza e desinfecção, o país poderá se autodeclarar livre da doença junto à OMSA e restabelecer sua condição sanitária, permitindo a retomada plena das exportações.
A produção destinada ao mercado interno seguirá normalmente, uma vez que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.
Medidas preventivas

Foto: Adapar
Para reduzir o risco de disseminação da IAAP, os estabelecimentos avícolas devem reforçar as práticas de manejo, higiene e biosseguridade previstas na Resolução nº 1699/2019. Entre as orientações estão a inspeção periódica das telas antipássaros, a verificação da correta lavagem e desinfecção de veículos e insumos, a intensificação da limpeza em áreas com acúmulo de fezes de aves silvestres e a eliminação de pontos com água parada que possam atrair outros animais.
Criadores de aves de subsistência também devem manter os animais em locais protegidos, evitar o contato com aves silvestres, utilizar roupas exclusivas para o manejo, higienizar regularmente as instalações e restringir o acesso de aves silvestres às fontes de água e alimento.
Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.
Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.



