Avicultura Consumo de proteína animal
Osler Desouzart afirma que frango não perde mais posição de carne mais consumida no mundo
Para o especialista, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes. Confira!

O Presente Rural conversou com Osler Desouzart, que palestrou sobre o cenário de carnes no mundo durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em abril na cidade de Chapecó (SC). Osler é membro da Diretoria Consultiva do World Agricultural Forum, membro da equipe do The Sustainable Food Laboratory e CEO da OD Consulting. Para ele, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes.
O Presente Rural – Fale sobre o atual mercado das carnes no mundo e como o senhor avalia esse cenário?
Osler Desouzart – O agronegócio foi dos poucos setores que no meio dos lockdowns não deixou de fazer sua parte. Não faltou comida e as exportações da agropecuária brasileira cresceram. Além da pandemia, e a inevitável recessão econômica gerada pelos lockdowns, enfrentamos um outro tsunami – a FSA na China em agosto de 2018 – maior produtor e consumidor mundial de carne suína – de onde se expandiu para a Ásia e daí para a Europa.
A FSA na China obrigou ao sacrifício de cerca de 174 milhões de cabeças de um rebanho de 447 milhões. Isso gerou um déficit de 10 milhões de toneladas no abastecimento chinês de carnes e o país buscou diminuir o impacto através da importação de todos os tipos de carnes, incluindo o frango e a carne bovina.
O mercado mundial de carnes virou de cabeça para baixo. Como podemos observar na tabela 1, a produção de carnes, que crescia anualmente entre 6,5 e 7 milhões de toneladas, sofre queda em 2019, tem aumento pífio em 2020 e somente em 2021 ultrapassou o volume produzido em 2018.

Tabela 1 – Elaborado por ODConsulting com base em dados de FAO. 2021. Food Outlook – Biannual Report on Global Food Markets. Food Outlook, November 2021. Rome.
Verifiquem que a diminuição de produção se centra na carne de porco, com as demais carnes crescendo sendo que a de aves consolida uma liderança que não mais perderá.
Interessante observar que o comércio internacional de carnes conhece um crescimento sem precedentes e o eixo de demanda muda para a Ásia, que nos próximos 10 anos responderá por 62% do aumento da demanda por carnes.
O Presente Rural – Qual a produção e consumo da carne bovina, suína e de aves?
Osler Desouzart – A tabela 1 dá uma dimensão da produção das principais carnes no mundo, mas o mundo come vários tipos de carnes e o gráfico 1, onde verificamos quantos países produzem algum tipo de carne para consumo.

O Presente Rural – A guerra na Ucrânia pode interferir no cenário de produção e consumo de carnes no mundo?
Osler Desouzart – Mesmo que essa guerra não evolua para nível mundial, afetará os preços de uma forma impensável. Petróleo e seus derivados escalarão picos inéditos, fretes internacionais conhecerão níveis recorde, assim como alimentos. O Brasil é o 3º maior produtor mundial de alimentos, 2º maior exportador e 4º maior consumidor. Somos autossuficientes, mas somos inteiramente dependentes da importação de fertilizantes, que representam um dos principais custos de produção até na carne.
Acrescentem a isso que Rússia é o 4º produtor e 2º maior exportador mundial de trigo. E a Ucrânia o 4º maior exportador. Breve, preparem-se para pagar mais pelo pãozinho do café da manhã, pela macarronada e pela amada pizza.

A Ucrânia é considerada a “food basket” da Europa. Prestei serviços a um grupo ucraniano por 18 meses, período em que fiz umas 10 viagens àquele país. Saindo de Kiev na direção sul as terras são negras e quando se apanha um punhado e a cheira verifica a quantidade de vida que ela embute. A áreas planas dessas terras férteis permitem duas colheitas anuais (o inverno não é tão intenso quanto o da Rússia, mas é severo).
O país tem tradição de produzir trigo, milho, girassol e outros cereais grãos susceptíveis de serem usados em alimentação humana e animal. Com uma produção 42 MM t o país é o 6º maior produtor de milho e é o 4º maior exportador.

Em resumo, preparem-se para que o milho experimente novas altas. Petróleo, fretes nacionais e internacionais, alimentos subirão a ponto de provocar uma nova recessão econômica mundial, exatamente quando o mundo saia daquela do “fique em casa, o importante é salvar vidas, assim que 65% da população estiver vacinada a pandemia cessa, etc.” Por favor não me interpretem mal. Defendo ciência e estou com muita confiança que a 29ª dose da vacina resolverá o problema.
Breve, piores momentos para o mundo e com o peso sempre sendo arcado pelos menos favorecidos. Será que os filhos do Putin tinham que armar essa excreta justamente agora?
O candidato Ciro Gomes falou que a recente visita oficial do Bolsonaro à Rússia não passava de turismo. Talvez alguém possa informar a essa excelência que o Brasil – país potência do agronegócio que ele pretende presidir – consome em média 40 milhões de toneladas de fertilizantes, dos quais 85% são importados, sendo que a Rússia foi responsável por 22% de todo o fertilizantes importados pelo Brasil.
As figuras abaixo foram gentilmente cedidas por um dos papas em termos de fertilizantes, Paulo Junior, amigo e diretor da Timac Agro, no evento MT Beef, onde apresentamos conferências.


Citarei o professor Delfim Netto ao dizer que à luz desses dados e fatos “até os cegos bem-intencionados” conseguem ver a importância da Rússia para o agronegócio brasileiro. Em 11 de março, enquanto trabalhava nessa resposta, o governo, quando a Ministra Tereza Agricultura (como é bom ter na pasta da Agricultura alguém do ramo) e o Ministro Paulo Guedes anunciaram o Plano Nacional de Fertilizantes.
Como podem bem ver aquela excelência, palavra mui similar a excrescência, não conseguiu ver, mesmo não sendo cego, o que deixa a hipótese de não estar bem-intencionado.
O Presente Rural – A inflação no mundo causada pela pandemia e outros fatores pode interferir no consumo de carnes no Brasil e no mundo?
Osler Desouzart – Para desespero e horror dos novos evangelistas escreverei uma blasfêmia: + renda = + carnes. Esse afirmação é válida até que a renda do indivíduo alcance o equivalente a US$ 54 por dia, o que em geral reduz os gastos de alimentação para menos de 20% do orçamento das despesas domésticas. A partir de então o indivíduo fica susceptível a comer conceitos.
Estudo dados de 204 países e tal ocorre em pelo menos 202 desses países. Mais dinheiro no bolso representa mais produtos de origem animal na dieta, principalmente carnes. Permitam-me que eu embase essa afirmação com dois slides de uma conferência que fiz em janeiro deste ano em Atlanta, no evento La Cumbre Latinoamericana de Avicultura – IPPE, organizado pelo USPoultry.
E perdoem-me que não busque as versões em português, pois tenho vários clientes querendo me crucificar com trabalhos “para ontem”. E aos novos evangelistas que pregam que o mundo caminha para comer menos carnes, pergunto: em qual mundo? Pois no que conheço mais renda é igual a mais carne na dieta. O aumento da ingesta de calorias a nível mundial tem como vetor do crescimento os produtos de origem animal e não os de origem de vegetal.

Ilustro como exemplo do Planeta China minha afirmação e poderiam trazer uma centena de exemplos semelhantes.

Isso exposto, não poderia ser diferente com a recessão provocada pela inépcia do dilmanomics (2015 e 2016) e pelos lockdowns em 2019 e 2020. E quando começamos a ver a luz do túnel em 2021 aparecem os filhos do Putin para lançar o mundo em uma nova e grave recessão.

O Presente Rural – Qual a tendência para o consumo de carnes no mundo e qual o papel do frango nesse contexto?
Osler Desouzart – Fácil. Vai crescer e seguirá crescendo, com a carne de frango ocupando uma liderança que não perderá mais. A razão é simples – a carne de frango é a que exige menos recursos naturais para sua produção, principalmente água e terra arável.

O Presente Rural – Em relação aos produtores, quais são seus desafios atuais e quais devem ser seus desafios futuros?
Osler Desouzart – Sobreviver e melhor logrará aquele que “caçar em manada e defender-se em manada”. Numa atividade em que não dominas 65% dos teus custos (grãos) a possibilidade de sobreviver como independente é quase nula. A manada moderna são as cooperativas, as empresas integradoras e as produções sob contrato. Aprendam a aprender e tragam aliados para sua trincheira. Num mundo global não dá mais para bancar o super-herói e lutar sozinho. Teus aliados são teus fornecedores que querem teu crescimento para que também eles possam crescer, assim como tua cooperativa, a agroindústria e teu contratante.
O Presente Rural – Ainda em relação aos produtores, quais são as oportunidades para o futuro?
Osler Desouzart – Fui contratado há muitos anos por uma empresa norte-americana de investimentos. Um de seus executivos disse que as empresas de carnes tinham um lucro operacional de 3% ou (eles adoram essa abreviatura) um ebitda de 9 a 13%. Em seguida me mostrou seu telefone celular e disse que aquele segmento apresentava ebitda duas a três vezes maiores. Pediu-me então um único argumento que justificasse investir em empresas de carnes. Pedi-lhe para ver seu telefone que naturalmente devia ser um Iphone moderníssimo. Não sei qual, pois como eles lançam um a cada 11 meses não consigo distinguir um do outro. Sou um primata que usa o celular para falar no telefone, enviar SMS, ver e-mails, mas por favor não me enviem estudos para serem lidos naquela telinha liliputiana e nem que eu responda usando aquele teclado menor ainda.
Fingi examinar o telefone com atenção e em seguida perguntei: Você acha que ainda se usará celulares em 2050? E respondeu que seguramente não. E aí comentei que “em 2050 as pessoas continuariam comendo carnes”? Respondeu-me que sim. Calei-me, pois, uma coisa que aprendi é que se lograste a venda, fique em silêncio ou acabas comprando de volta.
Aos produtores digo: vocês estão no negócio certo e no país certo para esse tipo de negócio. Sobrevivam, pois de tempos em tempos ele permite que se lave a égua.
O Presente Rural – O agronegócio está cada vez mais digital, usando tecnologia para produzir mais e melhor. Nesse cenário, para onde os produtores de carne devem mirar?
Osler Desouzart – Para frente. Aquela conversa do eu sempre fiz assim já provocou o fechamento de muita gente. Adoto o socrático “Sei que não sei” e me permito inclusive complementar que sei que o que sei não é suficiente. O que determina o futuro é a capacidade de cada um saber mais que seu concorrente e aplicar o conhecimento mais rápido que ele.
O Presente Rural – Fale a respeito do status sanitário para a produção de carnes e situe os principais produtores mundiais e o Brasil neste contexto.
Osler Desouzart – Fiz uma conferência recentemente sobre esse assunto, onde pediam-me que discutisse a questão: regulação global, regional e nacional, status sanitário etc.: aplicabilidade ou restrição? Argumentei que há vários tipos de exigências.
1. Autênticas, traduzindo a evolução das demandas dos consumidores ou valores de sustentabilidade;
2. Sanitária, visando garantir a integridade da saúde dos rebanhos em uma realidade de mercado global que inclui a rua onde você mora;
3. Pseudo-sanitário, formas de protecionismo vestidas com a pureza branca da defesa da saúde dos rebanhos ou dos consumidores;
4. Restrições, consagrando o princípio secular eternamente novo de que “quem pode fazer mais, chora menos”.
A América Latina, capitaneada pelo Brasil, vem ganhando espaço na oferta global de carne de frango, deslocando sobretudo a Europa, que dominou o mercado internacional até a década de 1990. É óbvio que não estão felizes. Somos uma potência do agronegócio situada num país que não conta internacionalmente. Porque fazer concessões ao Brasil se não ameaçamos ninguém, se respeitamos o acordo de não proliferação de armas nucleares, se não invadimos ninguém e nos comportamos? Tenho uma colega que diz com muita razão: só te respeitam na proporção do mal que podes causar. Porque dar doces ao menino comportado já que ele se comporta? A todos, concessões; ao Brasil, acusações e restrições.
As exigências mudam, principalmente quando já foram cumpridas: livre de antibióticos (b.), livre de OGM (d.), ética (???), e a atual, em pleno vigor, a nobre defesa do meio ambiente.
Como sabem, o culpado da situação climática são os bovinos e o Brasil, já que a Europa está fazendo a sua parte, apesar de gerar sua energia a partir de matérias primas altamente poluentes, como o carvão. Por falar nisso, o preço internacional do carvão subiu desde que o Putin se colocou no papel de salvar a Ucrânia da nazificação, já que como Hitler, o presidente ucraniano invade seus vizinhos em guerras de conquista, não respeita tratados, faz ameaças se não fizerem o que ele quer, outras típicas de um ditador nazista e mente horrores como… Ia citar um mentiroso maior no Brasil, mas não consegui pensar em nenhum, pois aqui tem gente mais honesta que Jesus Cristo.
O Presente Rural – Veganismo, vegetarianismo, flexitarianismo, carne de laboratório, carne vegetal, entre outras situações. Como isso interfere no mercado mundial de carnes?
Osler Desouzart – Os “ismos” são os novos evangelistas, com um toque de Inquisição Espanhola. Não se conformam em comer suas alfaces e nos deixar comer nossos churrascos em paz. Querem que o mundo se conforme democraticamente ao que pensam.
A coisa que mais adoro é quando citam números. Num debate ouvi, “18% dos brasileiros são vegetarianos”. Imediatamente pedi a palavra e fingindo olhar um tablet disse: “há um erro na sua planilha que o fez chegar aos 18%. O resultado real é 12,6%”. Continuou e interrompi de novo: “perdão, mas encontrei novo erro na planilha, e o resultados é agora de um dígito”. Infelizmente ele não caiu na armadilha de dizer que os valores que citava não vinham de uma planilha.
Há um estudo que estima o número de “ativistas alimentares” em 3%. Esse percentual faz com que não sejam uma tendência maior. Não são o leito do rio principal que é o “mais renda igual a mais consumo de carnes”. São um pequeno afluente desse rio, assim como a dieta a base de insetos e outras coisitas mais.
A foto abaixo tirada num supermercado de país rico (+US$ 54/dia) durante um período de desabastecimento mostra o inegável êxito desses “ismos”.

Fontes alternativas em prateleira de supermercado durante desabastecimento de proteína animal – Foto: Arquivo/Divulgação
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.



