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Os riscos do uso das sementes de trigo salvas

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O plantio de trigo está começando no Rio Grande do Sul e os agricultores 
precisam tomar providências para buscar uma colheita satisfatória. A estimativa da 
Emater/RS para essa safra é de redução de quase 20% da área plantada, porém com 
expectativa de melhor rendimento por hectare. Para garantir uma boa lucratividade, 
especialistas orientam quanto aos riscos do uso de sementes salvas, especialmente 
após um ano de alta incidência de giberela. 
Em visitas realizadas pela equipe comercial da Biotrigo no interior do Rio 
Grande do Sul, foi identificado que existe uma elevada taxa de sementes salvas e, em 
muitos casos, de origem ilegal. O Supervisor Comercial do RS e SC da Biotrigo Genética, 
Tiago De Pauli, alerta que o uso destas sementes sem procedência pode comprometer 
o potencial de rendimento nessa safra. “Geralmente essas sementes não passam pelo 
processo de classificação e análise de qualidade – germinação e patologia. O que 
observamos nas visitas é que muitos agricultores vão utilizar sementes com até 50% de 
germinação e baixíssimo vigor, devido a baixa qualidade de grão produzida na última 
safra. Muito agricultores visualizam as sementes como grande custo na produção e, 
por isso, acabam tentando cortar custos na semeadura do trigo. No entanto, este tipo 
de visão termina sendo o barato que sai caro”, esclarece De Pauli. 
O professor da Faculdade de Agronomia da UPF (Universidade de Passo Fundo) 
e Doutor em Fitopatologia, Carlos Alberto Forcelini, reforça o alerta. Segundo ele, pela 
pior sanidade neste ano, o risco de falhas no estabelecimento, necessidade de 
ressemeadura e mau desenvolvimento das plantas é enorme. “Para começar com o pé 
direito e evitar riscos desnecessários é importante utilizar sementes de qualidade e 
boa procedência, produzidas e armazenadas com manejo adequado”, orienta. Na 
semente, a presença de Fusarium graminearum, oriundo da giberela, afeta sua 
formação, germinação, vigor e sanidade. “Esse fungo é muito agressivo à planta jovem 
do trigo e, como sua incidência é de até 100% em algumas amostras, o uso de 
sementes salvas pelos produtores representa alto risco, com a certeza de que haverá 
problemas no estabelecimento da cultura”, complementa. 
 
E por que os riscos são maiores em 2015? 
Entre os fungos que infectam a semente de trigo, Fusarium graminearum é o 
que mais afeta o estabelecimento da cultura, provocando morte da planta jovem e 
podridão de raízes nas adultas. Com base em amostras analisadas na UPF, a incidência 
média de Fusarium subiu de 13,8% em 2014 para até 100% em 2015. “Isso tem a ver 
com alta ocorrência da giberela na safra passada. Por isso a atenção com a 
procedência e qualidade da semente, assim como em relação ao tratamento, é fator 
decisivo na safra 2015”, alerta. 
Fungos de armazenamento 
Outro fato que difere e chama a atenção neste ano é a grande incidência de 
fungos de armazenamento (Penicillium e Aspergillus) nas amostras analisadas logo 
após a colheita do trigo. “Estes fungos são assim chamados (de armazenamento) por 
que sua incidência aumenta durante o período de estocagem, se esta não for realizada 
adequadamente. Aqui está outra grande ameaça da semente salva, pois haverá maior 
ocorrência de podridões de sementes por conta destes fungos”, comenta Forcelini. 
Descartes 
Num ano difícil como este para a produção gaúcha, os melhores sementeiros 
descartaram no beneficiamento grande parte da semente bruta recebida para poder 
obter um produto de qualidade confiável. O sementeiro, Pedro Gilberto Bertagnoli, 
sócio-proprietário da Sementes e Cabanha Butiá, de Passo Fundo, relata que o clima 
propício para o ataque da giberela, com muita chuva e temperaturas elevadas, foi um 
grande problema para a cultura de cereais em 2014. “O descarte no beneficiamento 
para a semente este ano foi muito grande. Tivemos vários materiais que a quebra para 
beneficiamento da semente chegou a 40% da semente recebida. Este cenário foi bem 
diferente da safra de 2013, onde os grãos colhidos eram de excelente qualidade, 
vindos da lavoura com PH acima de 80”, explica. Segundo Bertagnoli, sem maquinário 
especializado que separa a semente boa da ruim, não há como produzir boa semente 
num ano como 2014. Ele acrescenta ainda que as sementes disponíveis nesta safra 
terão um peso menor, por isso a área de plantio deve ser ampliada. “É preciso cuidar 
muito da semente que vai ser plantada nesta safra, monitorando a incidência de 
fungos através de análises, buscando ter uma colheita nos moldes da que foi em 
2013”, aconselha. 
Tratamento 
A ocorrência de Fusarium e fungos de armazenamento, geralmente podem ser 
controlados por fungicidas do grupo químico Benzimidazol. Já o controle dos fungos 
causadores de manchas foliares pode ser realizado por fungicidas Triazóis ou 
Iprodiona. “O tratamento de sementes deverá incluir misturas de fungicidas 
(benzimidazol + triazol, ou benzimidazol + iprodiona), além de inseticidas para 
proteção da planta frente a insetos de solo, pulgões e percevejos. Para estes últimos, 
são indicados os inseticidas neonicotinóides”, recomenda Forcelini. 
Análise de sanidade das sementes 
Há vários laboratórios credenciados que realizam a análise de sanidade das 
sementes. “Ela é importante para identificar os fungos presentes na semente e sua 
quantidade, o que é a base para definição do tratamento a ser utilizado em cada lote”, 
complementa Forcelini. 
Recomendações para safra 2015 
* Adquirir semente por sua qualidade, mais que por seu preço. Há grande diferença 
entre lotes disponíveis no mercado – compare! 
* Dar atenção ao tratamento da semente com produtos que possam, efetivamente, 
auxiliar a controlar giberela e outros fungos presentes no lote de semente adquirida. 
* Não arriscar com semente salva – nem pensar em semente pirata. 
 
Classificação de sementes: 
Semente salva – é aquela que o agricultor salva em sua propriedade para seu próximo 
plantio. Normalmente tem menor qualidade e, portanto, exige mais quilos por hectare 
devido a qualidade desuniforme e duvidosa. Além de gerar custo (pelo maior volume 
utilizado), gera incerteza da população a ser estabelecida que cada vez é mais 
importante para obtenção de produtividades elevadas. O custo desta semente é 
habitualmente subestimado ao se achar que é “de graça”. O grão guardado tem custo, 
seu cuidado também, mas o maior custo é a perda que se pode ter já no início da 
próxima safra devido a um estabelecimento aquém do ideal. 
“Semente” pirata – (também conhecida como bolsa ou saco branco) – é aquela 
produzida sem o devido rigor técnico e legal (respeitando Lei de Sementes e Lei de 
Proteção de Cultivares) e a qual é oferecida à venda para terceiros. Tanto a produção 
quanto a venda desta semente são atos ilegais, passíveis de severas multas e processo 
pelo Ministério da Agricultura bem como pela Justiça comum. As vezes, a ideia de 
economizar alguns centavos por quilograma leva o agricultor desavisado a comprar 
este tipo de semente. Além de ilegal, este ato é imoral (lesa terceiros) e prejudica o 
próprio agricultor de várias forma. Dentre elas estão o desestímulo à pesquisa de 
novas cultivares e ao setor sementeiro que garante produção de semente de 
qualidade, o risco de introduzir doenças e pragas em sua lavoura, a falta de garantia de 
qualidade ao comprar produto ilegal, além de estar estimulando atividades ilegais que 
de uma forma ou outra, estimulam a criminalidade e impunidade que tanto nos 
incomoda como cidadãos! 
Sementes Certificada (Básica, C1 e C2), S1 e S2 – com maior ou menor rigor, todas 
estas categorias cumprem com todos aspectos técnicos e legais previstos para garantir 
um estabelecimento ótimo das lavouras, bem como a saúde dos setores de pesquisa e 
produção de semente. Somente nestas há pagamento de royalties àqueles que 
levaram anos para desenvolver novas cultivares que são o motor das inovações na 
lavoura. Olhando para dentro da propriedade, sementes produzidas e beneficiadas 
com rigor, produzem emergência mais uniforme, sadia e segura, o que é cada vez mais 
importante para a obtenção das produtividades necessárias para a lucratividade.

Fonte: Biotrigo

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Bovinos / Grãos / Máquinas

Aproveitamento de quase 100% do boi revela outro lado sustentável da pecuária

Esterco e até conteúdo digestivo são usados pela indústria frigorífica, mas ainda há espaço para melhorar.

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Foto: Shutterstock

A produção de carne bovina vai muito além da carne propriamente dita. Co-produtos como, miúdos não comestíveis, sangue, tendões, orelhas, entre outras partes do animal que outrora eram descartadas, hoje servem de insumos para diversos segmentos da indústria, agregam valor ao produto, representam uma renda extra na produção e tornam a atividade mais sustentável.

O assunto foi debatido durante a segunda edição do Acricorte, um dos maiores encontros de pecuária de Mato Grosso, realizado no Cenarium Rural, em Cuiabá (MT), pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Sérgio Pflanzer, médico-veterinário, mestre e doutor em Tecnologia de Alimentos: “Praticamente todas as partes do boi são aproveitadas pela indústria, nada é desperdiçado” – Foto: Arquivo pessoal

Na palestra “Do boi não se perde nem o berro. Para onde vão os co-produtos?”, o médico-veterinário, mestre e doutor em Tecnologia de Alimentos, Sérgio Pflanzer, salienta que a necessidade de se aproveitar todas as partes do boi é algo comum na história, porém, ao longo dos anos a indústria ampliou a gama de co-produtos feitos a partir de restos de animais de produção abatidos. “Em qualquer tipo de produção industrial de alimentos é preciso otimizar o uso da melhor maneira possível, e com isso agregar valor”, salienta.

No Brasil, o aproveitamento do que sobra do boi varia conforme o tamanho da indústria. De acordo com Pflanzer, algumas grandes empresas aproveitam próximo a 100% dos animais, desde o esterco e o conteúdo digestivo, usados para produção de compostagem, fertilizantes, e biometano, até tendões, couro, miúdos, vísceras e ossos. “Nada ou quase nada é desperdiçado, em muitos casos o aproveitamento é praticamente total”, destaca.

Outros frigoríficos de menor porte não destinam as sobras das carcaças com a mesma eficiência. Conforme Sérgio Pflanzer, muitas vezes, nesses casos, os frigoríficos são clandestinos e não conseguem direcionar esses materiais e fazem o descarte de maneira inadequada. “Nos abates fiscalizados se consegue comercializar todos os produtos da carcaça”, comenta.

Destino

O mercado Pet food absorve boa parte dos sub-produtos, especialmente os miúdos de baixo valor agregado, chifres e cascos são usados na produção farinha utilizada na fabricação de ração e outros produtos do segmento pet. A indústria farmacêutica e a de cosméticos utilizam miúdos, sangue, tendões, orelha, entre outras partes do animal como insumos para sua produção.

Segundo Pflanzer, é preciso ficar atento para as oportunidades que existem em relação aos co-produtos que podem ser comercializados, além da carne. “Algumas glândulas dos animais são usadas pela indústria farmacêutica para produção de hormônios utilizados na medicina humana”, menciona.

O couro e o conteúdo digestivo são os principais co-produtos em volume. Ossos e a gordura são usados na produção de ração, glicerina e sabão. Entretanto, de acordo com Pflanzer, recentemente a produção de biodiesel passou a utilizar uma fatia considerável desses co-produtos. “A produção de biodiesel está tomando conta. Percebeu-se que transformar a gordura animal em combustível tem uma agregação”, salienta.

Conforme Pflanzer, é difícil atrelar a utilização de co-produtos com o produtor, isso sempre fica a cargo da indústria. “O produtor não recebe diretamente por eles, recebe em partes, pelo peso e cotação do valor da carcaça”, menciona.

Embora o produtor não seja diretamente beneficiado pela venda dos co-produtos, Pflanzer salienta que é importante a colaboração com o aproveitamento ideal dos sub-produtos. Em relação ao couro, Pfzanzer destaca a necessidade do produtor evitar marcar a fogo e o excesso de parasitas para o produto não perder valor. “Nada impede que no futuro haja alguma negociação para que o frigorífico consiga talvez repassar ao produtor que preserva a qualidade do couro”, vislumbra.

Sustentabilidade

Assim como em outras atividades de produção, na bovinocultura a sustentabilidade não se resume somente ao meio ambiente. A tarefa não é simples, afinal, é preciso desenvolver a atividade de maneira realmente sustentável, associada a aspectos tecnológicos, ao crescimento econômico e com o mínimo impacto ambiental e social. “Às vezes aquilo que é não é sustentável do ponto de vista ambiental é sustentado do ponto de vista social e econômico ou vice-versa”, pontua Pflanzer.

De acordo com ele, a produção bovina sofre questionamentos em relação à sustentabilidade, especialmente ambiental, principalmente em razão, do sistema de produção extensivo utilizar vastas áreas de terra, o que de acordo com ele acaba de certa maneira prejudicando a imagem da bovinocultura, que é vista por algumas pessoas como algo prejudicial ao meio ambiente. “Em boa parte dessas áreas não se consegue produzir outro tipo de alimento. Além disso, atualmente temos uma redução e resgate de áreas de pastagens, e isso vai tornando a pecuária cada vez mais sustentável”, afirma.

Foto: Kelem Silene Guimarães/Embrapa

Outra questão por vezes atribuída à produção pecuária é a emissão de metano, entretanto, segundo Pflanzer, existem estudos científicos que indicam que esse não é o principal causador do efeito estufa. “Há trabalhos que apontam que o aquecimento climático não é causado pelo metano animal e sim pelos combustíveis fósseis”, relata.

Exportações e mercado interno

De acordo com dados da Comex Stat, em 2021 foram exportadas 1.560.220 toneladas de carne, o que rendeu uma receita de US$ 7.966,48 bilhões ao país. Os principais compradores da carne bovina brasileira são os Estados Unidos, a China e o Egito.

As exportações de carne ocupam a 6ª colocação no ranking dos principais produtos exportados, o que faz do Brasil o maior exportador de carne bovina do mundo, apesar da fatia enviada para outros países representar pouco mais de 25% da produção brasileira. “O restante da carne produzida no Brasil fica no país, algo que é muito importante em ralação ao abastecimento”, pontua Pflanzer.

A diminuição do poder de compra do brasileiro nos últimos anos, aliada ao aumento do preço da carne bovina, torna cada vez mais difícil o consumo da proteína por grande parte da população. “A carne no Brasil sempre foi barata em comparação ao mercado internacional, o que acontece agora é que ela está se equiparando ao preço praticado no mercado internacional”, afirma.

O desempenho da atividade também reflete em geração de divisas ao país e em oportunidades para milhares de pessoas Brasil afora que direta ou indiretamente, dependem da pecuária para se manter.

De acordo com Pflanzer, a pecuária brasileira gera emprego e renda para pessoas e empresas do segmento. “Considero que temos ainda que melhorar, mas a pecuária brasileira é sustentável em alguns quesitos”, afirma.

Qualidade

Segundo ele, existem muita desinformação em relação à sustentabilidade na produção de proteína animal e a respeito da importância nutricional da carne, especialmente a bovina.

Conforme o médico-veterinário, a carne foi colocada como vilã devido a gordura saturada, mas isso aos poucos vem sendo desmistificado. “Acredito que logo chegaremos a um momento de equalização das informações, e a carne vai voltar a ser vista com algo essencial para a vida humana”, completa. Ele cita como exemplo o ovo e a gordura suína, antes ditas ruins, “hoje são indicadas por médicos em substituição ao óleo de soja”, exemplifica.

Para Pflanzer, a sustentabilidade plena na pecuária brasileira é algo atingível e o setor está no caminho certo para estar em perfeita harmonia com o meio ambiente. “Nosso papel como formador dentro da universidade é justamente explicar, com base na ciência, porque a produção de carne é importante, seja por questões nutricionais, econômicas, sociais ou ambientais”, diz.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Endometrite em bovinos: causas, diagnóstico e tratamento

Inflamação uterina que pode se manifestar de forma aguda ou crônica, causando diversos prejuízos nos rebanhos bovinos. Conheça detalhes sobre fatores predisponentes, formas de diagnóstico e tratamento.

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Foto: Shutterstock

As enfermidades que acometem o sistema reprodutor dos bovinos de leite geralmente são responsáveis por grandes perdas econômicas. Fatores como queda na produção leiteira e nas taxas de prenhez, aumento considerável nos intervalos entre partos e no descarte dos animais representam alguns impactos negativos na atividade. Nessa perspectiva, uma das doenças mais prevalentes no rebanho, atingindo 10 a 20% dos animais, é a endometrite.

Endometrite aguda, também chamada de metrite, consiste em uma inflamação, de curso agudo, que envolve toda a parede do útero, comprometendo principalmente o endométrio. Sua ocorrência é muito comum na primeira semana pós-parto e geralmente está associada a distocia, retenção de placenta e abortamento. Os principais sinais clínicos são característicos de uma inflamação, além de ocorrer descarga uterina fétida de coloração vermelha-acastanhada e febre (>39,5ºC). Casos mais graves podem causar a queda da produção de leite, inapetência, desidratação e toxemia.

Já a endometrite crônica é uma consequência da endometrite aguda e surge de maneira silenciosa, o que exige atenção ainda maior. Os sinais clínicos frequentemente ocorrem depois da regressão uterina, um mês após o parto, sendo os mais comuns: presença de muco turvo, bem diferente do muco límpido característico do cio e posteriormente repetição de cio. Alguns fatores predisponentes podem ser associados à endometrite crônica como por exemplo: problemas no parto, como retenção de placenta, distocia, natimortalidade, angulação vulvar inadequada e primiparidade.

Após o parto ocorre uma contaminação uterina por bactérias ambientais, o que propicia a ocorrência da endometrite aguda. Geralmente essa contaminação é eliminada no processo de involução uterina, porém falhas podem ocorrer nesse processo de eliminação, o que faz com que essa infecção persista por semanas ou meses, o que caracteriza a endometrite crônica. As principais falhas reprodutivas relacionadas à endometrite crônica são: repetição de cio, queda na taxa de prenhez do rebanho, aumento do intervalo entre partos e descarte prematuro de fêmeas.

Como é feito o diagnóstico da endometrite crônica?

O diagnóstico pode ser feito através do exame vaginal, que deve ser focado na detecção da secreção anormal purulenta ou mucopurulenta na vagina e na cérvix. Dentre os principais métodos podemos citar o de referência (vaginoscopia, usando o espéculo vaginal) ou a coleta e análise de muco pelo uso de um equipamento chamado Metricheck, uma sonda de aço inoxidável com uma taça de borracha semiesférica na extremidade.

O escore utilizado para avaliação através desse dispositivo consiste em: grau 0 (muco claro ou translúcido, característico de cio); grau 1 (muco contendo flocos esbranquiçados); grau 2 (exsudato contendo menos que 50% de material mucopurulento) e grau 3 (exsudato contendo 50% ou mais de material purulento).

Outra possibilidade está no uso da ultrassonografia, no intuito de checar a presença de conteúdo no lúmen uterino. É importante mencionar que quanto maior a quantidade de muco presente maior é o grau da contaminação bacteriana. Algumas análises laboratoriais podem ser feitas através da coleta de conteúdo uterino ou por biópsias endometriais, especialmente em momentos pelos quais a avaliação clínica não é suficiente para detecção de alterações.

Protocolos de Tratamentos

Como a endometrite aguda é uma doença com características sistêmicas (febre, dor, inapetência) o tratamento recomendado consiste na aplicação de medicamentos para combater a infecção e controlar o desconforto do animal, incluindo antimicrobianos em associação com anti-inflamatório não esteroidal com efeito analgésico e antitérmico. A fluidoterapia de suporte também é recomendada.

Já o tratamento da endometrite crônica visa a redução da carga bacteriana, o aumento das defesas uterinas e dos mecanismos de reparo, para desta maneira controlar as alterações inflamatórias que prejudicam a fertilidade. Em suma, o protocolo consiste na remoção de conteúdo purulento, através de uma curetagem química, administração de antimicrobianos e a indução do estro.

A irrigação do útero é muito baixa nesta fase, por isso o tratamento sistêmico não é indicado, mas sim o tratamento local. A literatura menciona a Oxitetraciclina como o antimicrobiano de eleição para uso intrauterino em casos de endometrite crônica. Possui excelente eficácia contra os microrganismos patogênicos deste tipo de endometrite e por ser pouco absorvida na corrente sanguínea, sua ação limitada ao lúmen uterino, torna-se potencializada e prolongada. Assim, o medicamento promove a descamação do endométrio contaminado.

As referências deste texto podem ser solicitadas à autora. Contato: juliana.melo@jasaudeanimal.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Ferreira Melo, jornalista e médica-veterinária na JA Saúde Animal.
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Importância da saúde hepática em vacas leiteiras

Quando o fígado é cuidado, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

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Foto: Divulgação/NutriQuest Brasil

O fígado é um órgão muito importante no organismo animal, responsável por várias funções essenciais, como o metabolismo de moléculas de glicose, lipídeos, proteínas, cetogênese (produção de corpos cetônicos pelo fígado), além de ser responsável pela produção da bile, um produto emulsificante importante para a digestão das gorduras. Ele está localizado no centro do corpo, onde recebe e repassa nutrientes para todo o organismo, é um órgão de ligação entre o sistema digestivo e o sangue.

Nesta simples introdução sobre o fígado, já é possível entender o quanto ele é importante em todos os processos. Os produtos da digestão são repassados para o fígado e distribuídos. Um exemplo é a glicose, que é armazenada no fígado na forma de glicogênio sendo liberado de acordo com a necessidade de energia pelo organismo.

Uma das funções também importante do fígado é o metabolismo intermediário, sendo ele responsável por receber e direcionar as gorduras conforme a necessidade do organismo. Os lipídeos que chegam ao fígado podem seguir algumas rotas, serem metabolizados, oxidados, distribuídos e armazenados.

Nas vacas em período de transição, o fígado se torna ainda mais importante, pois neste momento necessitam de muita energia. Vale lembrar que no ciclo de produção, quando ela está nos últimos 21 dias de gestação, já não tem a capacidade fisiológica para consumir o mesmo volume de matéria seca (MS) consumido anteriormente, e as exigências nutricionais aumentam muito. É nesta fase que ocorre o crescimento fetal final, e em que a vaca precisa de mais energia para o parto, para colostragem e para o início da lactação, sendo a glândula mamaria responsável por receber uma grande quantidade de nutrientes, acelerando os processos metabólicos do fígado.

Um dos problemas que podem ser encontrados devido à alta demanda de nutrientes é a esteatose hepática (gordura no fígado), uma das alterações mais frequentes em vacas leiteiras que tenham um desempenho acelerado, característico também em animais no pós-parto.

No início da lactação ocorre a lipólise dos lipídeos, fornecendo para a vaca um suprimento adequado de energia para o parto. Quando a lipólise é intensa e se prolonga, a vaca pode apresentar doenças metabólicas muito comuns como a cetose, por exemplo, que ocorre devido ao aumento de ácidos graxos não esterificados, podendo eles serem oxidados a corpos cetônicos, dióxido de carbono ou esterificados em triacilgliceróis. No caso da cetose é quando ocorre a oxidação incompleta dos AGNE e o fígado gorduroso é proveniente do excesso de esterificação de triglicerídeos.

Para o bom funcionamento do fígado existe uma molécula chamada fosfatidilcolina, um fosfolipídio predominante (>50%) na maioria das membranas dos mamíferos que é responsável por proteger e recuperar as células do fígado. Entre as suas diversas funções, o transporte de gordura de uma célula para a outra é a principal delas. Esta molécula é responsável por reduzir a entrada de gordura no fígado e atua no transporte da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) do fígado.

A fosfatidilcolina é uma molécula que pode ser fornecida de forma exógena na dieta de vacas em transição e lactação. A falta de fosfatidilcolina na dieta pode resultar na infiltração de gordura no fígado. A presença desta molécula aumenta a utilização e transporte dos ácidos graxos e colesterol, também é importante no processo de secreção de VLDL pelo fígado. Outra função essencial é o auxilio na absorção de gordura pelo intestino, pois ela se caracteriza como uma molécula emulsificante devido as suas extremidades (polar e apolar), com isso ela aumenta a solubilidade das micelas a nível intestinal.

Quando cuidamos do fígado das nossas vacas, seja esse cuidado via manejo alimentar adequando em todas as fases de transição e lactação, seja ele através do fornecimento de aditivos alimentares que ajudam a auxiliar o fígado nesses processos, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Reolon Pereira, doutora em Nutrição Animal e coordenadora técnica de Ruminantes na NutriQuest Brasil.
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