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Os olhos do dono

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O olho do dono é o que engorda o boi, diz a sabedoria popular. Exclua a classe animal e o ditado continua mais do que válido para qualquer organização que queira engordar seus resultados. É nesse contexto que se encaixa a Governança Corporativa, processo de gestão que visa à profissionalização da administração das companhias, gerando mais solidez aos negócios e trazendo maiores vantagens competitivas para possíveis investidores ou aos acionistas. 
Nesta entrevista, o diretor de consultoria empresarial na região Sul da Deloitte – uma das maiores auditorias do mundo –, Alexandre Martins, explica como a Governança Corporativa pode resultar em frutos a serem colhidos pelas empresas do agronegócio.  E ressalta: a falta de um aprimoramento na gestão pode gerar perdas tão danosas quanto as pragas em uma lavoura.
Como a governança corporativa auxilia na criação de mecanismos para otimizar decisões e melhorar o desempenho de longo prazo das empresas? 
 
Um dos pilares da boa governança corporativa é a implantação de um processo de gestão de riscos robusto. Naturalmente empresas com bons processos de gestão de riscos conseguem melhor identificar e antecipar seus riscos de negócio, consequentemente essas empresas terão uma vantagem competitiva em seu processo decisório em relação a empresas que tratam empiricamente com seus riscos de negócio. 
 
É importante ressaltar que ao analisarmos as empresas com ações na Bovespa, percebemos que aquelas com as melhores práticas de governança corporativa, reportadas na Bolsa pelo Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC),  possuem valor de mercado superior às demais, sendo portanto mais atrativas para seus investidores e acionistas.
 
O processo está restrito às grandes empresas?
Não. A governança corporativa é aplicável para empresas de todos os portes e segmentos de atuação. 
As boas práticas de governança auxiliam as empresas a gerar valor aos seus acionistas e também representam linhas de defesas que auxiliam na preservação do valor e dos ativos da organização. A chave para o sucesso é adequar a dose aos objetivos e cultura da empresa. Neste sentido podemos fazer a analogia com o sistema de freios de um carro: independentemente de ser um Fórmula 1 ou um carro popular, precisamos de um bom sistema de freios para evitar acidentes. E é natural que em um carro de Fórmula 1 teremos um sistema mais sofisticado, mas nunca poderemos abrir mão de um bom sistema de freio.
 
Como equilibrar a transição de uma administração familiar para um processo de gestão corporativa?
 
A presença da família será sempre importante, mas é natural que com o crescimento da empresa a família assuma uma posição estratégica por meio da constituição de um conselho de família/conselho de administração. Essa transição não deve ser abrupta, é importante que seja um processo gradual respeitando o tempo e a cultura da empresa. Neste processo o melhor é que os membros da família deixem os cargos executivos gradualmente, passando o conhecimento adequado para seus sucessores visando preservar além da operação, a própria cultura e valores da organização.
 
Sendo um dos grandes representantes do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, qual a importância de consolidar uma cultura corporativa no agronegócio brasileiro?
 
A cultura da governança corporativa é importante quando falamos em perenidade dos negócios. Não são raros os exemplos de empresas familiares, sejam do agronegócio ou não, em que disputas familiares ou a falta de antecipação de situações de risco em um mercado cada vez mais volátil levaram empresas e empresários de sucesso à falência em um tempo muito curto. 
  
A governança corporativa pode ajudar a levar o conhecimento técnico de dentro da porteira para fora de porteira, como questões relacionadas ao mercado global de produtos, preços internacionais, empresas envolvidas, acontecimentos em fusões e aquisições?
 
Sem dúvida. Mas é importante destacarmos o seguinte: o agronegócio brasileiro é referência em relação à utilização de tecnologia e melhores práticas na operação agrícola, o que está refletido nas nossas safras recorde a cada ano. 
Quando falamos em gestão e administração no agronegócio entendo que ainda existe espaço para aprimoramento, mesmo dentro da porteira, seja por meio por meio da implantação de um sistema de informações gerenciais e monitoramento dos riscos relacionados à variação do preço das commodities. 
Atualmente em muitos casos essas atividades de gestão ainda precisam de aprimoramento e geram perdas que podem ser tão nocivas para o agronegócio como uma praga na lavoura.
 
No cenário brasileiro, com o contínuo desenvolvimento do setor, a governança corporativa tende a ser cada vez mais uma exigência do mercado?
 
É inevitável, os mercados internacionais e brasileiro caminham nesse sentido, um exemplo disso é Lei Anticorrupção brasileira, que entrou em vigor em janeiro de 2014 e prevê multas de até 20% do faturamento das empresas. Essa lei afeta todas as organizações de todos os portes, mesmo aquelas que não são de capital aberto e não possuem contratos com o governo. 
O empresário precisa ficar atento para que possa se antecipar e implementar bons instrumentos de governança corporativa adequados à cultura e tamanho da sua empresa.
Não tenho dúvida que cada vez mais o cerco irá se fechar, quem não tiver comprovadamente bons instrumentos de governança perderá vantagem competitiva no mercado e será excluído gradualmente de grandes oportunidades nacionais e internacionais.
 
 
Para as empresas que queiram implantar boas práticas de governança corporativa, qual o melhor caminho para iniciar?
 
Um bom caminho para iniciar essa jornada é por meio da identificação dos seus principais riscos de negócio, é importante que as empresas conheçam suas fragilidades. Também é fundamental a implantação de uma função de Auditoria Interna, que será o “olho do dono” nas operações da companhia. 

Fonte: Centro de Comunicação

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Conheça as tecnologias brasileiras que podem transformar a agricultura tropical

De importador de conhecimento agrícola, Brasil passou a desenvolver soluções adaptadas aos trópicos que hoje podem ser replicadas na África, Ásia e América Latina.

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Foto: Divulgação

A agricultura brasileira viveu uma transformação histórica nas últimas décadas. Se antes dependia de tecnologias desenvolvidas para ambientes temperados, hoje se tornou uma das principais referências mundiais em ciência aplicada aos trópicos.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio” – Foto: Divulgação

Para o engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto, o país deixou de importar pacotes tecnológicos incompatíveis com sua realidade para construir soluções próprias, capazes de serem replicadas em outras regiões do planeta. “Como engenheiro agrônomo, compreendi que o avanço da nossa agricultura dependeria de uma forte base em ciência”, afirma.

Segundo ele, a principal contribuição brasileira para outros países tropicais está nas chamadas tecnologias “poupa-terra”, que permitem aumentar a produção preservando recursos naturais.

Uma das maiores conquistas do Brasil foi adaptar culturas originalmente desenvolvidas para regiões temperadas. O desenvolvimento de variedades de soja adaptadas às baixas latitudes é considerado um marco da ciência brasileira e pode beneficiar países africanos com condições edafoclimáticas semelhantes às do Cerrado.

Foto: Roberto Dziura Jr

Outro avanço importante está no Manejo Integrado de Pragas (MIP), desenvolvido para enfrentar a intensa pressão biológica existente nos trópicos. “Criamos protocolos específicos para otimizar a eficiência dos defensivos de forma mais racional, reduzindo custos e impactos”, explica.

Vitrine atual da agricultura brasileira

Na avaliação de Durval, a maior vitrine atual da agricultura brasileira é a expansão dos bioinsumos. “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio”, ressalta.

O pesquisador também destaca o melhoramento genético do Nelore, do café, do feijão e da cana-de-açúcar, além da introdução de gramíneas africanas que revolucionaram a pecuária nacional.

Segundo ele, esses avanços permitiram ao Brasil construir o maior e mais eficiente sistema de produção de proteína animal a pasto do mundo.

Para Durval, a ciência tropical desenvolvida no país será cada vez mais importante diante do crescimento da demanda mundial por alimentos e da necessidade de produzir mais com menor impacto ambiental.

Fonte: O Presente Rural
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Cadeia da proteína animal apresenta demandas do setor a pré-candidatos ao governo gaúcho

Representantes da avicultura, suinocultura, bovinocultura e setor lácteo defenderam políticas para ampliar a competitividade do Rio Grande do Sul.

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Representantes das principais cadeias da proteína animal do Rio Grande do Sul promoveram, na quarta-feira (24), um debate com pré-candidatos ao governo estadual para apresentar as principais demandas do setor e discutir propostas voltadas ao fortalecimento da agroindústria gaúcha. O encontro foi realizado no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, por iniciativa da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em parceria com o Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Estado do Rio Grande do Sul (SIPS), o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs) e o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS).

Foto: Divulgação

Mediado pelo jornalista Léo Saballa Jr., o painel reuniu empresários, dirigentes de entidades e representantes dos segmentos de aves, ovos, suínos, bovinos de corte e lácteos, que têm peso relevante na produção agroindustrial e nas exportações do estado.

Participaram do debate os pré-candidatos Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Também convidados pelas entidades organizadoras, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) não compareceram ao evento.

Durante a discussão, foram abordados temas considerados estratégicos para a cadeia produtiva, como infraestrutura, logística, ambiente de negócios, segurança jurídica, sustentabilidade, resiliência climática e competitividade. Os pré-candidatos também responderam a questionamentos apresentados pelas entidades representativas do setor.

Setor busca ampliar diálogo com futuros gestores públicos

Na avaliação do presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “A cadeia da proteína animal é uma das grandes forças econômicas do Rio Grande do Sul, gerando emprego, renda e desenvolvimento em todas as regiões do Estado” – Foto: Divulgação/Asgav

(Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, a aproximação entre o setor produtivo e os postulantes ao Executivo estadual é importante para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades da agroindústria. “A cadeia da proteína animal é uma das grandes forças econômicas do Rio Grande do Sul, gerando emprego, renda e desenvolvimento em todas as regiões do Estado. Este debate permitiu apresentar aos pré-candidatos as demandas e os desafios enfrentados pelos diferentes segmentos, fortalecendo um diálogo institucional necessário para a construção de políticas públicas que assegurem a competitividade e o crescimento sustentável do setor”, afirmou.

As entidades destacaram que a avicultura e as demais cadeias da proteína animal desempenham papel relevante na economia gaúcha, tanto pela geração de empregos quanto pela produção destinada aos mercados interno e externo.

Segundo os organizadores, a realização conjunta do debate reforça o objetivo de construir uma agenda voltada ao fortalecimento da competitividade e ao desenvolvimento sustentável da agroindústria no estado.

Fonte: Assessoria Asgav
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Seguro rural, menos risco e mais cautela: as recomendações para enfrentar o El Niño

Conselho de Agrometeorologia do Rio Grande do Sul orienta produtores a adaptar o manejo das lavouras e reforçar a proteção das propriedades.

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Foto: Divulgação/Seapi

A previsão de um El Niño forte no segundo semestre de 2026 não altera apenas o cenário climático do Rio Grande do Sul. O fenômeno também deve influenciar diretamente as decisões dos produtores rurais, desde a escolha das cultivares até o volume de investimentos nas lavouras.

Diante da perspectiva de chuvas acima da média, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou uma série de orientações técnicas voltadas às culturas de inverno e primavera-verão, além de recomendações para a pecuária.

Foto: Divulgação/Seapi

Entre as principais medidas estão a adesão ao seguro agrícola, o escalonamento das épocas de semeadura, o uso de cultivares com diferentes ciclos e a intensificação do monitoramento de doenças e pragas.

O conselho também recomenda que os produtores acompanhem regularmente as previsões meteorológicas e busquem apoio da assistência técnica para adequar o manejo das culturas às condições climáticas previstas.

Menos foco em recordes e mais atenção ao risco

Para as culturas de inverno, o boletim faz um alerta incomum: evitar investimentos com o objetivo de alcançar recordes de produtividade.

Segundo os técnicos, em anos influenciados pelo El Niño, como 2026, o ambiente tende a apresentar maior restrição produtiva em razão do excesso de chuvas e do aumento da incidência de doenças.

A recomendação é que os investimentos em fertilizantes e demais insumos sejam compatíveis com o

Foto: Divulgação

potencial produtivo de cada área e com as condições climáticas previstas.

Outra orientação é priorizar cultivares com maior resistência genética a doenças, especialmente manchas foliares, mosaico comum e doenças de espiga, como giberela e brusone.

O Copaaergs também recomenda a rotação de culturas, sobretudo para o trigo, evitando a semeadura em áreas que receberam trigo, triticale, cevada ou centeio no inverno anterior. A prática ajuda a reduzir a incidência de doenças foliares e podridões radiculares.

Chuvas elevam preocupação com doenças

O excesso de umidade previsto para os próximos meses deve aumentar a pressão de doenças nas lavouras.

Por isso, os técnicos recomendam monitoramento constante das áreas cultivadas e adoção de estratégias racionais de controle químico, evitando aplicações baseadas em calendários fixos.

Foto: Divulgação

As decisões sobre fungicidas e outros defensivos devem considerar a necessidade real da lavoura e as condições climáticas de curto prazo, que costumam apresentar maior precisão nas previsões.

No caso dos cereais de inverno, o boletim chama atenção também para a necessidade de monitorar a presença de micotoxinas nos grãos colhidos, problema que tende a se agravar em anos mais úmidos.

Soja e milho exigem planejamento

Para as culturas de primavera-verão, as orientações envolvem desde a preservação do solo até o respeito ao vazio sanitário da soja.

O Copaaergs recomenda que a semeadura seja iniciada apenas quando a temperatura do solo, a cinco centímetros de profundidade, estiver entre 16°C e 18°C, sempre observando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Outra estratégia sugerida é escalonar as datas de plantio e utilizar cultivares de diferentes ciclos,

Foto: Fernando Dias/Seapi

reduzindo a possibilidade de que as fases mais sensíveis das plantas coincidam com períodos de maior demanda evaporativa ou de instabilidade climática.

No caso do milho, os técnicos orientam que produtores que planejam duas safras antecipem ao máximo a semeadura da primeira, desde que respeitadas as recomendações do zoneamento agrícola.

Pecuária deve reforçar cuidados sanitários

Na pecuária, as recomendações estão voltadas principalmente ao manejo das pastagens e ao bem-estar animal.

O boletim orienta manter carga animal baixa ou moderada nas pastagens naturais durante o inverno, período em que o crescimento das forrageiras tende a ser menor devido ao excesso de nuvens e à redução da radiação solar.

Foto: Divulgação

Também é recomendada a suplementação alimentar com feno, silagem ou ração quando houver baixa disponibilidade de forragem.

Após episódios de chuva intensa, os técnicos sugerem reduzir temporariamente a lotação das pastagens para evitar danos provocados pelo excesso de pisoteio.

Outra preocupação é o aumento dos riscos sanitários. A combinação de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas pode favorecer problemas de casco, principalmente em vacas leiteiras, além de ampliar a incidência de doenças.

O monitoramento do estresse térmico também entra na lista de prioridades, especialmente para animais de alta produção de leite. Segundo o Copaaergs, as temperaturas devem permanecer acima da média climatológica em parte do Estado, sobretudo em setembro.

Seguro agrícola 

Entre as recomendações gerais, o conselho destaca a adesão a programas públicos e privados de

Foto: Divulgação

seguro rural como uma das principais ferramentas para reduzir perdas em anos de maior instabilidade climática.

Além disso, os produtores são orientados a manter o solo protegido com plantas de cobertura, investir em práticas de conservação e ampliar a capacidade de armazenamento de água nas propriedades.

A avaliação dos técnicos é que, diante da previsão de um El Niño forte, a gestão de riscos será tão importante quanto as decisões relacionadas à produtividade das lavouras.

Fonte: O Presente Rural
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