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Os efeitos da flexibilização monetária dos EUA sobre as commodities agrícolas

Após a queda nas taxas de juros dos EUA, as economias asiáticas estão encontrando espaço para afrouxar suas políticas monetárias restritivas, gerando perspectivas de maior crescimento no continente em 2025. Entretanto, alguns riscos significativos permanecem no mercado e merecem atenção, como questões estruturais na economia chinesa e no mercado de trabalho dos EUA.

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Foto: Roberto Dziura Jr.

Depois de uma frustrante primeira metade do ano à espera de um corte na taxa de juros dos EUA, o FOMC realizou o afrouxamento da política monetária americana em setembro com um corte agressivo de 50 pontos-base. Devido às taxas de juros mais baixas, o dólar norte-americano se enfraqueceu, o que representa um fundamento de alta para as commodities, já que a maioria das matérias-primas são cotadas em dólares, que agora estão mais baratas para os detentores de outras moedas.

Além disso, após a queda nas taxas de juros dos EUA, as economias asiáticas estão encontrando espaço para afrouxar suas políticas monetárias restritivas, gerando perspectivas de maior crescimento no continente em 2025. Entretanto, alguns riscos significativos permanecem no mercado e merecem atenção, como questões estruturais na economia chinesa e no mercado de trabalho dos EUA. Nos últimos anos, devido à alta inflação global, vários bancos centrais foram forçados a aumentar as taxas de juros para conter os aumentos de preços, o que afetou mercados voláteis, como o de ações e o de matérias-primas.

Segundo Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da Hedgepoint Global Markets, no contexto de políticas monetárias mais rígidas, os custos de empréstimos nos EUA se destacaram como um dos principais fatores que limitaram um mercado mais altista para commodities, especialmente para ativos de grãos e softs. “Isso ocorre porque a maioria desses produtos são negociados em dólares, e a moeda norte-americana tende a se valorizar quando as taxas de juros dos EUA são altas”, expõe.

Entretanto, com o início do ciclo de corte de juros em setembro na maior economia do mundo, já estamos observando reflexos de alta no mercado, conforme demonstrado pelo Índice BBG, que subiu 2,97 pontos (+3,06%) desde a decisão do Fed.

Devido a esses acontecimentos, a Hedgepoint aborda, em análise, alguns cenários que podem beneficiar as commodities nos próximos meses.

As economias asiáticas podem aumentar a demanda por commodities agrícolas

Depois de frustradas as expectativas de um corte na taxa de juros nos EUA no primeiro semestre de 2024, o FOMC (Federal Open Market Committee) realizou o tão esperado afrouxamento da política monetária americana. Além disso, implementou um corte agressivo de 50 pontos-base, surpreendendo parte do mercado que esperava que as autoridades monetárias fossem mais conservadoras em sua decisão. “Como a maioria das commodities é negociada em dólares, o enfraquecimento da moeda americana torna essas matérias-primas mais baratas para os detentores de outras moedas, resultando em aumento da demanda no mercado. Alguns contratos futuros já estavam apresentando uma tendência de alta devido a fatores relacionados à oferta, como o café, que apresentou um déficit maior do que o esperado na safra 2024/25”, explica o analista.

“Agora, novos fundamentos de alta estão se desenvolvendo para outras commodities, como os grãos, que podem se beneficiar de um ambiente de crescimento mais favorável nas economias emergentes. A flexibilização monetária nos EUA criou espaço para que os bancos centrais asiáticos reduzissem as taxas de juros, o que, juntamente com a valorização de suas moedas, pode resultar no aumento da demanda por commodities agrícolas em 2025”, complementa.

Mercado ainda apresenta riscos significativos

Recentemente, a China anunciou um novo pacote de estímulo para fortalecer sua economia, que está perigosamente perto da deflação e pode enfrentar dificuldades para atingir sua meta de crescimento de 5%. “Embora alguns setores do país, como as exportações e a produção industrial, estejam apresentando bom desempenho, o setor imobiliário chinês continua a desacelerar e apresenta riscos significativos para o mercado de commodities, especialmente para produtos de energia, como o petróleo bruto”, observa.

“Enquanto no Oriente o vetor de risco mais significativo para o mercado de commodities vem da China e dos desdobramentos do conflito entre Israel-Hamas, no Ocidente, os sinais do mercado de trabalho dos EUA também são preocupantes”, pontua.

Os efeitos das taxas de juros americanas ainda estão repercutindo na economia, o que pode elevar a taxa de desemprego no país para quase 5% em 2025.

Embora a probabilidade seja baixa, o risco de uma recessão não pode ser completamente descartado. Além disso, o crescimento do emprego em tempo parcial e o declínio dos cargos em tempo integral são sinais de alerta. “Nesse contexto, podemos observar gradualmente melhorias no mercado de commodities em meio ao fortalecimento dos fundamentos da demanda da Ásia, enquanto os dados macroeconômicos dos EUA podem levar a correções nos próximos meses”, salienta Arduin.

Em resumo, a política monetária dos EUA tem um amplo impacto no mercado de commodities, pois influencia diretamente o valor do dólar e afeta indiretamente a demanda por commodities.

Nesse contexto, as economias asiáticas estão se beneficiando da perspectiva de queda do dólar americano, o que resulta em maior poder de compra e espaço para redução das taxas de juros em suas economias, o que poderia beneficiar especialmente as commodities agrícolas.

No complexo energético, prêmios de risco estão emergindo no Oriente Médio à medida que o conflito entre Hamas e Israel ganha novos desdobramentos. Isso pode resultar em suporte ao petróleo no curto prazo.

Entretanto, há riscos importantes a serem monitorados no mercado, como as questões estruturais da economia chinesa que podem frustrar as expectativas de crescimento e, consequentemente, o consumo de commodities, bem como os sinais do mercado de trabalho dos EUA.

Acesse o relatório completo clicando aqui.

Fonte: Assessoria Hedgepoint

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Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026

Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

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Foto: Gustavo Porpino

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.

Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.

Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade

Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).

Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.

A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).

Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.

E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.

Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.

A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.

O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.

A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.

Fonte: Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
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Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias

Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

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Foto: Divulgação

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.

Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.

O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.

A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.

Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.

Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.

O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.

O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.

O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.

Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.

Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.

Fonte: Assessoria Mapa
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Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo

Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

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Foto: Divulgação

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.

A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.

O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.

A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”

Fonte: Assessoria Copacol
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