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Os desafios e a contribuição da indústria da carne
Há uma crise pós-covid agravada por conflitos e/ou rupturas de relacionamento, que trouxeram inflação aos alimentos.

O ano de 2022 foi de altos e baixos, mas de resultado final aquém da expectativa. Vários fatores contribuíram para este cenário, desde a instabilidade política interna do País até as incertezas econômicas e políticas globais. O cenário exige um olhar muito estratégico para as mudanças que tomam curso na produção mundial de alimentos, seja pelas restrições legais e/ou de sustentabilidade, seja pelas mudanças comportamentais nas gerações que entram no mercado consumidor, passando pela mudança na geopolítica agro global.
Repeti a palavra “mudança”, pois nela se assentam as percepções futuras que já começaram a impactar nosso País e nosso setor em 2022. Não estamos falando de algo subjetivo e, sim, de novos paradigmas na produção e nas relações comerciais. O mundo atingiu 8 bilhoes de habitantes em novembro último. Neste contexto há fome ou déficit alimentar relevante para quase 1 bilhão de pessoas.
Há uma crise pós-covid agravada por conflitos e/ou rupturas de relacionamento, que trouxeram inflação aos alimentos. A complexidade deste ambiente, no final, pode trazer oportunidades ao Brasil. Afinal, se o mundo quer alimentos competitivos e com qualidade, nós podemos atender. Se o mundo quer, somar a isso a sustentabilidade, nós podemos atender. Basta resolvermos questões internas, comunicar melhor nossas competências e, fundamentalmente, descomplicar a vida do empreendedor brasileiro.
Algumas questões internas e de curto prazo nos impediram de fazer um ano melhor. Por exemplo, a lenta recuperação do emprego e da economia – fato que não se limita ao Brasil – e tirou poder de compra do consumidor. Mesmo batendo recordes de exportações de aves em volume e valor, as margens não trouxeram ao setor resultados satisfatórios. Em suínos foi um ano de uma lenta e insuficiente recuperação, perdendo em volumes e receita, mas reduzindo as perdas em margens. As exportações de aves cresceram +4,6% em volume (para 4,8 milhões de toneladas) e +27,4% em receitas (7,6 bilhões de dólares), mas as exportações de suínos decaíram -1,4% em volume (1,1 milhão de toneladas) e -2,6% em faturamento (2,5 bilhões de dólares).
Esses números regularam a oferta/demanda, impedindo perdas maiores. Mas não foram suficientes para sustentar margens ao setor que permita otimismo de investimentos e/ou expansões. A notícia boa fica por conta do aumento no consumo per capita de suínos no Brasil, tendência que deve seguir dada a melhoria do mix de produção, apresentando novos produtos e oportunidade de consumo, alternativamente a outras proteínas.
Sob a ótica de custos o cenário repetiu 2021, com a pressão contínua dos grãos e outros insumos. Foi um ano complexo que representa em seu fechamento muito do que esperamos para 2023.
Importante registrar também, como fato relevante no período, que na superação da pandemia do novo coronavírus, as agroindústrias da proteína animal deram grande demonstração de eficiência na proteção das pessoas – especialmente aquelas que trabalham em frigoríficos – e cooperaram fortemente com as autoridades da saúde. O setor mostrou sua força, resiliência e capacidade de adaptação e aprendizado. O agro, especialmente nossas cadeias de produção de aves e suínos, são geradores de riqueza. Quem leva o desenvolvimento do País para longe do litoral e/ou capitais? Onde estão nossas fabricas e produtores o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é significativamente superior. Nossas cadeias operam sob absoluto rigor e compromisso com a preservação de florestas, de água e da vida natural.
Ampliamos nosso impacto positivo na vida das pessoas durante a pandemia. Investindo na saúde das cidades e regiões. No ambiente de produção ampliamos os cuidados com saúde. Na grave crise sanitária nosso setor gerou empregos, seguiu produzindo alimentos ininterruptamente, cuidou de gente (direta e indiretamente) e ampliamos nossos programas de sustentabilidade. São legados que ficam.
O agro é motivo de orgulho do Brasil e dos brasileiros. Nossos colaboradores e produtores rurais entenderam que o agro não pode parar. Cientes dos nossos compromissos e responsabilidades seguiremos produzindo e cuidando das pessoas e do planeta.

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Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.
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Rio Grande do Sul inicia censo para mapear agroindústrias familiares
Levantamento deve alcançar mais de 4 mil empreendimentos e orientar políticas públicas.

O governo do Rio Grande do Sul iniciou, nesta terça-feira (14), a aplicação do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), com o objetivo de mapear a realidade de mais de 4 mil agroindústrias familiares no Estado. A primeira entrevista foi realizada em Estância Velha, na agroindústria Sabores do Rancho Laticínio Artesanal.

Secretário Gustavo Paim realizou a aplicação do primeiro censo na Agroindústria Sabores do Rancho em Estância Velha
Batizado de Censo das Agroindústrias Familiares, o levantamento vai reunir informações sobre gestão, sucessão familiar, qualidade de vida, nível de inovação e perspectivas futuras dos empreendimentos rurais.
A ação é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Departamento de Economia e Estatística (DEE). A proposta é gerar uma base de dados que auxilie na formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o diagnóstico permitirá identificar demandas específicas dos produtores. A partir dessas informações, o governo pretende direcionar ações com maior precisão, focadas na qualificação da produção e no desenvolvimento das agroindústrias familiares.
O presidente da Emater-RS/Ascar, Claudinei Baldissera, destacou que o levantamento também deve aprimorar o atendimento técnico no campo. Com dados mais detalhados, a expectativa é ampliar a atuação da assistência técnica e identificar novas oportunidades para os produtores.
A primeira entrevista foi realizada com a produtora Rafaela Jacobs, proprietária da Sabores do Rancho, agroindústria que produz queijos coloniais, iogurtes e sorvetes artesanais. Ela ressaltou que iniciativas como o censo contribuem para dar visibilidade ao setor e incentivar a permanência das famílias no meio rural.
O Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) reúne empreendimentos que podem participar de feiras promovidas pelo governo estadual. Em 2025, o programa atingiu a marca de 2 mil agroindústrias certificadas, consolidando sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.
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Fenagra 2026 aposta em tecnologia, sustentabilidade e novos mercados
Programação inclui congressos com foco em inovação, descarbonização e biocombustíveis.





Em sua 19ª edição, o evento contará com 250 expositores, entre empresas nacionais e internacionais, ocupando dois pavilhões e uma área de 26 mil metros quadrados. A expectativa é receber cerca de 14 mil visitantes e congressistas, com participação de representantes de países da América do Sul, Europa, Ásia, Estados Unidos, Rússia, Austrália e Arábia Saudita.
Nos dias 13 e 14 de maio, ocorre o III Fórum Biodiesel e Bioquerosene, promovido pela UBRABIO. O encontro reúne representantes do governo, indústria e academia para discutir o avanço dos biocombustíveis, a substituição de combustíveis fósseis e os impactos da legislação no setor.