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Os desafios da agenda do clima em 2022

A ONU alertou recentemente que mesmo que totalmente implementado o conjunto de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) referendado pelas nações na COP 26, não será possível cumprir a meta de limitar a 1,5 grau Célsius o aumento da temperatura global em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, seria necessário reduzir em 45% as emissões de carbono até 2030.

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Acima das discussões, polêmicas e polarização ideológica sobre a questão ambiental, seria importante que, em 2022, o Brasil, assim como todos os países, desse atenção aos resultados da COP 26 (Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro último, para que pudéssemos avançar nessa agenda. A questão é ainda mais relevante se considerarmos um alerta da ONU sobre o tema, que passou um tanto despercebido: mesmo que totalmente implementado o conjunto de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) referendado pelas nações no evento, não será possível cumprir a meta de limitar a 1,5 grau Célsius o aumento da temperatura global em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, seria necessário reduzir em 45% as emissões de carbono até 2030.

A situação é mais grave, pois, efetivadas as NDC atuais, o volume de carbono expelido não diminuirá, podendo até aumentar na década em curso. É o que demonstrou análise apresentada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A última versão do Relatório de Lacunas de Emissões apontou que, a despeito dos compromissos e promessas feitos na COP 26, “a humanidade continua no caminho para um aumento catastrófico da temperatura bem acima dos dois graus Célsius”.

Portanto, o desafio é redobrado. Além do cumprimento de todas as NDC, o que já é bastante complexo, será preciso mais. Cabe lembrar que a indústria dos combustíveis fósseis continua recebendo trilhões de subsídios, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que alguns países seguem construindo plantas de carvão. Ainda há um longo caminho a percorrer na luta contra as mudanças climáticas. Nessa jornada, todas as soluções têm um ponto congruente: o etanol. Os dados técnicos sobre isso são taxativos.

Um carro movido a gasolina sem adição de álcool emite 145 gramas de dióxido de carbono (CO2) por quilômetro rodado; o automóvel elétrico a bateria utilizada atualmente na Europa, 92 gramas; e um movido 100% a etanol, apenas 58 gramas. Além disso, a baixa emissão deste é propiciada pela tecnologia brasileira do motor flex, muito mais acessível ao consumidor. O etanol é quase neutro em emissões de gases do efeito estufa. Com as novas tecnologias da produção, tende em breve a se tornar neutro, ou até gerar emissão negativa, em especial porque sua fonte é renovável e os canaviais sequestram carbono da atmosfera durante a fase de crescimento da lavoura. O carro elétrico europeu utiliza energia de fonte nuclear e, em alguns casos, até mesmo de termoelétricas. Por isso, emite mais carbono do que o etanol, no cômputo de todos os processos.

Dados sobre o consumo de combustíveis, divulgados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram que em 2020, considerando o anidro misturado à gasolina, e o hidratado utilizado nos motores, o etanol substituiu 47% de toda a gasolina consumida no Brasil; em São Paulo, foram 64%. Estes índices, inigualados em todo o mundo, são resultado da opção dos consumidores propiciada pelo carro flex.

Além disso, o etanol gera emissão zero de material particulado. O resultado é que, segundo especialistas do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em 2000 registravam-se na capital paulista 60 microgramas de partículas por metro cúbico de ar; hoje, são 19, abaixo do índice de 20 recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesses 20 anos, a frota existente no município cresceu 80%, fator que torna a redução nominal dos poluentes ainda mais expressiva.

Muito além do discurso e das promessas, é urgente adotar medidas concretas e eficazes para conter as mudanças climáticas, para evitar as graves consequências previstas: até 2050, 1,6 bilhão de habitantes das cidades estarão expostos a temperaturas muito elevadas e a subida do nível do mar e enchentes costeiras afetarão 800 milhões de pessoas. Combustíveis não fósseis e de fontes renováveis, fim do desmatamento ilegal, regulamentação definitiva dos créditos de carbono, proteção dos mananciais, bom uso e ocupação correta do solo e produção sustentável não são questões políticas, mas de sobrevivência.

Fonte: Por João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro, empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura 
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A contribuição das cooperativas para a retomada econômica

Presentes em praticamente todos os setores da atividade, as cooperativas continuarão a gerar empregos, renda, produção e serviços e, assim, respondendo por ampla parcela do Produto Interno Bruto (PIB).

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As cooperativas catarinenses darão, mais uma vez, uma contribuição essencial para a retomada da economia em 2022. Presentes em praticamente todos os setores da atividade, as cooperativas continuarão a gerar empregos, renda, produção e serviços e, assim, respondendo por ampla parcela do Produto Interno Bruto (PIB).

Em realidade, as cooperativas em nenhum momento deixaram de operar – sejam as agropecuárias, de crédito, de transporte, de saúde, de consumo, de infraestrutura etc. Mantiveram ininterruptamente as atividades e, em sua maioria, continuaram com os programas de expansão e investimentos.

Santa Catarina, um dos Estados mais cooperativistas do país, vive um estágio muito peculiar, comparável ao regime de pleno emprego. Há uma escassez de recursos humanos para ocupação nas indústrias, no campo, no comércio e no setor de serviços. O recrutamento, a seleção e a capacitação de trabalhadores brasileiros não tem sido suficiente e, por isso, o emprego de mão de obra estrangeira vem sendo uma das alternativas.

Essa situação se deve ao dinamismo da economia catarinense, que tem uma matriz diversificada, e ao arrojo do empresariado historicamente vocacionado para empreender, inovar e ampliar. Refletindo as características desse contexto no qual estão presentes há mais de um século, as cooperativas catarinenses responderão por parcela significativa da geração de emprego e renda, da produção econômica e da arrecadação tributária.

Ainda não dispomos de números do exercício recém-encerrado, mas a receita operacional bruta das cooperativas – fruto do esforço dos seus mais de 3 milhões de cooperados – será seguramente em torno de 60 bilhões de reais em 2022.

Continuará gigante a participação das cooperativas nas exportações do agronegócio, que respondem por mais de 70% das vendas catarinenses no exterior, decorrente da imensa presença das cooperativas nas cadeias produtivas de grãos, da suinocultura e da avicultura. O movimento ascendente atingirá, provavelmente, todos os ramos.

As cooperativas continuarão pugnando por investimentos em infraestrutura, pois as más condições de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, comunicações etc. retiram parte da competitividade obtida dentro dos estabelecimentos rurais, das fábricas, dos laboratórios e  dos escritórios.

Por outro lado, as eleições podem constituir um momento para o apoio aos candidatos que defendam os ideais e postulados do cooperativismo e os projetos de real interesse das coletividades.

Fonte: Por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)
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Não basta reindustrializar

É preciso lutar para ter uma indústria cada vez mais tecnológica e sofisticada, com ética e ações sustentáveis.

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“Meu modelo de negócios são os Beatles. (…) Eles se balanceavam, e o total era maior do que a soma das partes. É como eu enxergo os negócios: as coisas incríveis nunca são feitas por uma única pessoa, são feitas por um time”, essa frase dita por Steve Jobs, criador da Apple e considerado um dos maiores gênios da história recente, reflete bem o momento atual que estamos vivendo no setor de máquinas e equipamentos.

Somos um grande time composto por diretores, empresários e colaboradores. E o que nos dá certeza de que estamos no caminho certo é o nosso recorde de associados que pela primeira vez na nossa história atinge 1650 empresas. Um grande time que busca melhorar as condições das empresas e o ambiente de negócios do país.

Temos empunhado várias bandeiras e a reindustrialização é uma delas, que tem envolvido todo o nosso universo, e inclui várias sub-bandeiras, inclusive e, especialmente, o combate ao Custo Brasil. Mas sabemos que não basta reindustrializar. É preciso lutar para ter uma indústria cada vez mais tecnológica e sofisticada, com ética e ações sustentáveis. Esse é o caminho do futuro, muito mais do que defender uma simples reindustrialização. Sabemos que a inovação é fundamental para ampliar demandas internas e modernizar a indústria.

Após a pandemia, vimos que a transformação digital nos traz uma nova cultura organizacional onde a tecnologia é o centro da estratégia empresarial. Não se trata apenas de investir, mas de um processo de transformação acelerada e contínua que demanda esforços maiores por parte das organizações.

É universal o entendimento de que a indústria é uma das principais alavancas das transformações em curso, por estar associada ao desenvolvimento de serviços sofisticados.

Além disso, a indústria estabelece vínculos com outras atividades dando a elas maior capacidade de introduzir inovações e modificar seus processos produtivos, o que lhe garante a condição de multiplicador de empregos e renda em todos os setores da economia nacional.

No Brasil, a recuperação do crescimento e do desenvolvimento econômico também demandam uma indústria forte e diversificada. E para tanto, obter condições competitivas é prioritário. A economia global, antes mesmo do advento da pandemia, vinha num processo de transformações em direção à maior sustentabilidade ambiental e social, à digitalização da indústria e à busca pelo fortalecimento dos elos da cadeia produtiva.

É fato que o processo de reindustrialização deve vir acompanhado de um processo de desenvolvimento tecnológico e inovação e que o Brasil precisa de políticas públicas que não só permitam, como impulsionem esse processo. Trabalhar nesse sentido tem nos dado muito protagonismo no setor, e a principal consequência é que nos últimos anos, mais que duplicamos o número de associados e aproveito para agradecer a todas as empresas que estão conosco neste momento tão importante em nossa história, onde continuamos trabalhando diariamente para executar nosso compromisso de oferecer aos nossos associados, conhecimento, atendimento personalizado e geração de oportunidades de negócios.

Fonte: Por João Carlos Marchesan, administrador, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
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Inteligência para o agronegócio

Nas últimas décadas, o crescente emprego de tecnologia garantiu sucessivos aumentos da produção e da produtividade e, assim, reduziu o nível de incerteza nesse aspecto.  Contudo, como resultado conjugado de todas as variáveis imprevisíveis, os agentes do mercado enfrentam, alternadamente, períodos de escassez sucedidos de períodos de excesso de demanda, ora castigando quem consume, ora quem produz.

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A agricultura é uma atividade exposta a muitos fatores incontroláveis e imprevisíveis: clima, mercado, câmbio, políticas públicas, crédito, emergências sanitárias etc. É uma  empresa sem telhado. Nas últimas décadas, o crescente emprego de tecnologia garantiu sucessivos aumentos da produção e da produtividade e, assim, reduziu o nível de incerteza nesse aspecto.

Contudo, como resultado conjugado de todas as variáveis imprevisíveis, os agentes do mercado – produtores rurais, agroindústrias, consumidores etc. – enfrentam, alternadamente, períodos de escassez sucedidos de períodos de excesso de demanda, ora castigando quem consume, ora quem produz.

Exemplos marcantes – e dolorosos – são as crises de abastecimento de matéria-prima (milho e farelo de soja) para as indústrias de processamento de carne, que se repetem periodicamente. A queda na produção torna o grão escasso de um lado; de outro, a alta cotação do dólar e a crescente demanda da China tornaram a exportação irresistível para os produtores. Assim, as vendas ao exterior deixam o mercado interno desabastecido. A menor disponibilidade do grão no mercado interno eleva os preços, aumenta os custos de produção e leva criadores e agroindústrias ao colapso, além de encarecer os alimentos para a população.

Esse é um dos fenômenos mercadológicos que podem ser adredemente estudados com modelos de previsão e prevenção de crise. Essa atividade de inteligência e planejamento agrícola será atribuída, em breve, à Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, de acordo com anúncio que a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez recentemente em Chapecó. Países desenvolvidos já contam com esse serviço, incrustado em estrutura estatal ou exercido por meio de agências independentes, mantidas pelo setor privado.

É lúcida e acertada a intenção da ministra. A Conab foi criada, em abril de 1990, como empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, visando assegurar o atendimento das necessidades básicas da sociedade, preservando e estimulando os mecanismos de mercado. Entretanto, em razão da dinâmica do mercado, que encontrou caminhos próprios, perdeu musculatura na execução das políticas de formação, armazenagem, remoção e escoamento dos estoques reguladores e estratégicos de produtos agropecuários, bem como no abastecimento e na regulação da oferta de produtos agropecuários no mercado interno.

Por isso, é previsível que a nova fase da Conab será extramente positiva para o agronegócio brasileiro. Poderá evitar, por exemplo, a repetição da crise do superencarecimento dos grãos (milho e soja) que assolou em 2012 (e repetiu-se em 2021) violentamente as maiores cadeias produtivas do Brasil e causa pesados prejuízos à avicultura e à suinocultura. O elevadíssimo custo do milho inviabilizou dezenas de pequenas e médias indústrias frigoríficas e tornou insolvente milhares de criadores.

As avaliações e previsões da agência de inteligência agrícola serão essenciais para balizar o mercado, orientar a planificação das grandes cadeias produtivas, o desenvolvimento das lavoura, a pecuária e o extrativismo, prevenindo escassez acentuada ou oferta excessiva. Esse esforço de inteligência também auxiliará para que as exportações – necessárias e essenciais para a economia brasileira – ganhem cada vez mais competitividade e não provoquem desabastecimento interno. Hoje, as exportações para a China continuam elevadas e estão segurando os preços no mercado internacional. O surgimento de novos focos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia e na Europa indica que a demanda internacional pelo produto brasileiro continuará elevada – mas, e amanhã?

Fonte: Por José Zeferino Pedrozo, presidente FAESC/SENAR/SC
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