Bovinos / Grãos / Máquinas
Os 160 dias mais importantes da lactação de uma vaca leiteira
Aumento da produtividade é o principal desafio da atividade leiteira e neste contexto o período periparto representa o principal agente desta mudança
Artigo escrito por Rodrigo Gregory Villalba, gerente de Produtos Ruminantes da Neovia
Mesmo com todas as dificuldades do produtor de leite brasileiro, a produção nacional deverá passar dos atuais 36 bilhões para 45 bilhões de litros até 2025. Este incremento deverá atender ao crescimento da demanda brasileira e mundial. O aumento da produtividade é o principal desafio da atividade leiteira e neste contexto o período periparto representa o principal agente desta mudança. Entende-se por período periparto os dias que antecedem o parto e os primeiros dias após o parto. Não há uma regra que defina quantos são estes dias, mas considerar os 60 dias entre uma lactação e outra, conhecido como período seco, e os 100 dias após o parto como os dias mais importantes de uma lactação não estaria errado.
Normalmente consideramos o período pré-parto como o período que compreende as três semanas que antecedem o parto, enquanto que o correto deveria se considerar um mínimo de 45 a 60 dias. Além disso, este período é importante de forma diferente para vacas que foram secas para o próximo parto e para novilhas que nunca pariram.
Alterar o período seco de 60 para 45 dias, em geral, não traz prejuízos aos animais ou à lactação seguinte, desde que se siga com rigor as regras nutricionais do pré e pós parto, levando-se em consideração o bom manejo sanitário, o manejo ambiental e principalmente o manejo nutricional. Para primíparas o período entre o primeiro e o segundo parto deve respeitar os 60 dias.
Outro ponto importante para focar as atenções é o escore da condição corporal dos animais ou ECC, que deve estar entre 3 e 3,5 no momento do parto. O ECC vai de 1 a 5, sendo 1 para vacas extremamente magras e 5 para vacas extremamente gordas. Vacas com baixa condição corporal tendem a apresentar muito mais problemas nas semanas seguintes ao parto do que vacas em condições de ECC normais e isso vale para os animais com ECC maior que 4 também. Para escore baixo, os problemas principais são hipocalcemia, dificuldades de parto, problemas reprodutivos nos meses seguintes ao parto, entre outros problemas. Para vacas com escore muito alto, os principais problemas são a esteatose e cetose, ambos causados pela excessiva mobilização de gordura corporal nos primeiros dias após o parto.
Mesmo sabendo que precisamos de vacas parindo com ECC entre 3 e 3,5 é muito comum encontrarmos nas fazendas, mesmo as mais tecnificadas, vacas fora deste intervalo. Em fazendas com boas médias de produção é comum encontrar casos de descarte especialmente por questões reprodutivas. Muitos destes descartes poderiam ser evitados se fosse dada mais atenção ao período periparto. O simples fato de um animal não estar ganhando peso nos dois ou três meses posteriores ao parto faz com que o animal tenha dificuldade de emprenhar. Vacas magras ou perdendo peso emprenham em menos de 15% das tentativas.
São muitas as perdas pela falta de atenção ao período periparto, especialmente no pré-parto. A febre do leite ou hipocalcemia é a mais conhecida das perdas dos produtores brasileiros. Estudos apontam que a ocorrência de febre do leite em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos fica em torno de 5%, sendo que em 8% destes casos terminam com a morte do animal e em 12% terminaram com o descarte. Os riscos aumentam em torno de 9% por parto e o excesso de peso também aumenta o risco. Além da hipocalcemia, a cetose também é outra fonte de prejuízo para o produtor de leite, e muitas vezes passa despercebida. A cetose ocorre quando há baixa ingestão de matéria seca pelos animais e isso obriga o animal a mobilizar gordura corporal, levando a problemas hepáticos. Ao contrário do que se pensa, a cetose não é restrita a animais com ECC elevada. Além disso, a baixa ingestão de matéria seca permite com que o rúmen fique vazio e isso aumenta os riscos de torsão de abomaso, outra fonte de prejuízos.
No período das três semanas que antecedem o parto, também conhecido como período pré-parto, é comum que muitos produtores aumentem o fornecimento de cálcio da dieta, o que é um erro e pode trazer problemas sérios aos animais. Altas quantidades de cálcio na dieta nesta fase podem alterar a forma como o cálcio é absorvido e aumentar os riscos de hipocalcemia.
Quando optamos por uma dieta com baixo cálcio entra em cena o PTH, hormônio responsável pelo balanço de cálcio nos ossos. Quando há pouco cálcio sanguíneo neste período, o PTH entra em ação, ativando mecanismos para reabsorção de cálcio ósseo, restaurando os níveis sanguíneos.
Outra opção para dietas de pré-parto são as dietas aniônicas, que têm por objetivo diminuir as concentrações nutricionais de sódio e potássio e aumentar as quantidades de cloro e enxofre, diminuindo a alcalose metabólica, o que é bom para esta fase. Esta diminuição pode ser verificada pelo pH urinário, que geralmente está acima de 8 e com dietas aniônicas efetivas podem chegar a níveis entre 5,8 a 6,0. Sempre que o pH estiver abaixo destes níveis há necessidade de ajustes na dieta, pois com pH tão baixo os ânions da dieta causam uma acidose metabólica descompensada e isso pode causar uma baixa na ingestão de matéria seca, o que não é desejável.
A composição geral da dieta de pré-parto tem pouco impacto desde que seguido preceitos antigos de respeito à densidade energética, proteica, mineral e vitamínica. Novas linhas de pesquisas sugerem manter níveis diários entre 3 e 5 mg de selênio orgânico e 500 a 1000 mg de vitamina E para evitar problemas como retenções de placenta, metrites, além de ajudar na prevenção de mastites. O uso de protetores hepáticos a base de colina, betaína e metionina e níveis entre 0,65 e 0,7% de magnésio nas dietas para evitar problemas como febre do leite.
Depois de passados os 60 dias que antecedem o parto, entre a secagem e a parição, a vaca entra na fase de pós parto. Neste período, passa pelo balanço energético negativo, que por si só merece um longo texto apenas para este assunto. Neste período, as vacas recém paridas estão a mercê de vários fatores negativos e que comprometem sua saúde. Os principais são problemas hepáticos, torsões de abomaso, metrites, retenções placentárias, e nos primeiros 100 dias após o parto toda atenção é válida. Uso de drench, protetores hepáticos a base de betaína, metionina, colina devem entrar na conta de qualquer fazenda.
Todos os problemas do periparto podem ser minorizados com um manejo de pré e pós parto bem feitos. Entender que estes 160 dias são os mais importantes de todo o período de lactação de uma vaca já é um passo a frente.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de fevereiro/março de 2017.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
