Notícias Em São Paulo e Espírito Santo
Operação prende 23 suspeitos de organização criminosa por falsificação de agrotóxicos
Ação cumpriu 25 mandados de prisão temporária e 90 de busca e apreensão para desarticular células especializadas na ilicitude, resultado de inteligência investigativa conjunta das autoridades ministeriais e policiais iniciada em 2023 e 2025.

O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e a Polícia Militar do Estado de SP deflagraram, na última terça-feira (09), a “Operação Pesticida” contra organização criminosa de falsificação, adulteração e comercialização de agrotóxicos. Ao todo, 23 suspeitos foram presos nos Estados de São Paulo e do Espírito Santo e cinco laboratórios clandestinos desmantelados.
A ação cumpriu 25 mandados de prisão temporária e 90 de busca e apreensão para desarticular células especializadas na ilicitude, resultado de inteligência investigativa conjunta das autoridades ministeriais e policiais iniciada em 2023 e 2025.
Realizada entre os dias 10 e 11 de dezembro, a operação mobilizou efetivo de cerca de 250 policiais militares, dezenas de promotores de Justiça e servidores do Ministério Público, com apoio de 65 viaturas. Pela PMSP, estiveram empenhados o 4º Batalhão de Polícia Militar Ambiental, do 11° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) e do 15º Batalhão de Polícia Militar do Interior (15 BPMI).
Operação Pesticida
A Operação Pesticida investiga crimes como organização criminosa, falsidade ideológica em documento público, lavagem e ocultação de bens e valores, além de falsificação, adulteração e comercialização de agrotóxicos. A condução revelou atuação regional e ramificações interestaduais por parte dos alvos, estruturadas em núcleos especializados. Os trabalhos de campo foram executados em cidades como Franca e Ribeirão Preto, além de municípios de Minas Gerais, como foco em lideranças de relevância, endereços e produtos. Contudo, um dos alvos foi preso no estado capixaba. “De forma geral, a operação foi altamente produtiva. Durante as buscas, foram encontrados e desmantelados cinco laboratórios clandestinos, incluindo uma gráfica que abastecia toda a estrutura ilícita. A ação teve forte impacto pela prisão de integrantes de destaque e pela eliminação de pontos de fabricação em larga escala, que causavam prejuízos à região e ao país devido ao envio de produtos falsificados”, considerou o Promotor de Justiça do Gaeco de Franca (SP), Adriano Melega, responsável pela operação.
Recolha de materiais
Além dos 23 suspeitos localizados, laboratórios e gráfica clandestinos fechados, a operação recolheu galões, itens, rótulos e utensílios utilizados na prática de falsificação dos insumos agrícolas. A quantificação e identificação dos produtos e prejuízos estimados estão sendo realizadas pelo Gaeco, com apoio da indústria e associações.
As oitivas e interrogatórios dos envolvidos seguem em andamento. “A indústria apoia a atuação das autoridades na investigação e fiscalização do mercado ilícito de insumos agrícolas, sobretudo agrotóxicos ilegais e sementes piratas. Esses produtos causam danos ao meio ambiente, distorcem a economia e geram concorrência desleal, prejudicando diretamente os produtores rurais”, destacou o gerente do Comitê de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, Nilto Mendes, sobre o resultado.
Nos últimos quatro anos, mais de 1,4 mil toneladas de agrotóxicos ilegais foram incineradas com apoio da associação. Em 2025, o balanço parcial já atinge mais de 220 toneladas destinadas. A operação deflagrada evidencia a profissionalização da organização e a realidade deste tipo de crime presente no agronegócio brasileiro. A pauta é agenda de compromisso da CLB, que possui o comitê de Combate a Produtos Ilegais empenhado no apoio a criminalização do mercado ilícito e da pirataria no campo. A atividade compromete a qualidade dos produtos, a cadeia de produção e o estímulo à inovação.
Combate a Ilegalidade no Campo
O combate ao mercado ilegal agrícola exige mobilização conjunta entre órgãos públicos, produtores e sociedade e a CropLife Brasil mantém um canal de denúncias ativo no site, para recebimentos e encaminhamentos. Além disso, em parceria com a Escola de Segurança Multidimensional (ESEM) da USP, a CLB realiza o “Programa de Formação no Combate aos Mercados Ilícitos de Insumos Agrícolas” para capacitação de profissionais no reconhecimento, apreensão, manuseio, fiscalização e investigação destes produtos. As ações estão no escopo da campanha permanente de Boas Práticas Agrícolas da entidade.

Notícias
Safra mundial de trigo 2025/26 deve ser recorde, aponta Cepea
Produção global pode chegar a 842,17 milhões de toneladas, segundo dados do USDA. No Brasil, mesmo com oferta menor, estoques devem alcançar o maior nível desde 2019.

A produção global de trigo na safra 2025/26 deve ser recorde, ultrapassando em mais de 42 milhões de toneladas a da temporada anterior, aponta análise do Cepea com base em dados do USDA.
A previsão é que a safra mundial alcance 842,17 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 823,9 milhões de toneladas.
Esse cenário deve elevar os estoques finais e a relação estoque/consumo. No Brasil, pesquisadores explicam que, mesmo com oferta menor, a queda do consumo e das exportações deve levar o estoque de passagem de julho de 2026 ao maior nível desde julho de 2019, conforme a Conab.
A produção brasileira de 2025 foi estimada em 7,873 milhões de toneladas, 1,1% abaixo da projeção de dezembro e 0,2% inferior à de 2024.
Colunistas
Brasil entre Washington e Teerã avalia riscos comerciais em meio à pressão geopolítica
Dados da balança comercial indicam baixa dependência do Irã, mas possível retaliação dos Estados Unidos coloca exportações estratégicas no centro do debate para 2026.

Em um cenário global marcado por tensões crescentes e reconfigurações de poder, o Brasil enfrenta encruzilhadas estratégicas. Com as recentes ameaças do governo Trump de impor supertarifas a países que mantenham relações comerciais com o Irã, o governo e o setor produtivo brasileiro ligaram o sinal de alerta. No entanto, uma análise atenta dos dados sugere que a dependência brasileira em relação ao país persa é menor do que a retórica geopolítica pode fazer parecer.

Professor do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Leo Braga: “Fluxo comercial entre as duas nações gira em torno de US$ 3 bilhões anuais, o que representa apenas 0,5% de toda a balança comercial do Brasil” – Foto: Divulgação/Mackenzie Rio
Apesar da importância do Irã no cenário do Oriente Médio, sua economia, a 33ª do mundo, com um PIB de 500 bilhões de dólares, é pequena se comparada à brasileira, que soma 2,2 trilhões de dólares. O fluxo comercial entre as duas nações gira em torno de US$ 3 bilhões anuais, o que representa apenas 0,5% de toda a balança comercial do Brasil.
A pauta de importações vinda do Teerã foca em itens como fertilizantes e frutas secas. Contudo, em ambos os casos, o Irã está longe de ser um fornecedor insubstituível. No setor de fertilizantes e adubos, ocupa apenas a 22ª posição no ranking de fornecedores; no de frutas secas, é o 16º, ficando atrás de vizinhos como Chile e Argentina.
O grande risco para o Brasil não reside na perda do mercado iraniano, mas na retaliação americana. Atualmente, produtos vitais como carne e café desfrutam de tarifa zero na entrada nos Estados Unidos, enquanto minérios brasileiros já sofrem com taxas que chegam a 40%. Com a manutenção de tarifas médias entre 10% e 15% para diversos outros itens, o custo de oportunidade de manter o ímpeto comercial com o Irã pode se tornar alto demais.
Estratégia
Embora o Brasil mantenha laços históricos e solidariedade ao povo iraniano, a análise econômica mais pragmática para 2026 aponta para uma redução gradativa dessa parceria em prol da preservação do acesso ao mercado estadunidense. “Não somos reféns de uma situação econômica com o Irã”, resume a análise. Apesar disso, por ora, o exercício de cautela parece ser o caminho mais seguro para a diplomacia comercial brasileira.
Notícias
Segunda safra de milho entra no momento mais crítico do ciclo
Janela curta de plantio, seleção correta de híbridos e qualidade das sementes são determinantes para o teto produtivo da segunda safra.

O campo entra agora em um dos momentos mais estratégicos para a agricultura brasileira: o início do plantio do milho segunda safra. Cada decisão tomada nesse curto intervalo de tempo influencia diretamente o desempenho da lavoura ao longo de todo o ciclo. O sucesso do milho safrinha está diretamente ligado à qualidade das sementes, adequação do híbrido à janela disponível e uniformidade no plantio.
De acordo com o engenheiro agrônomo, Marcos Boel, o bom estabelecimento da lavoura começa antes mesmo da semeadura. “O ponto principal é a escolha correta do híbrido, que precisa estar adaptado à região, à data de plantio e ao nível de investimento que o agricultor está disposto a fazer. A qualidade física e fisiológica da semente, condições climáticas de plantio e a tecnologia envolvida, com equipamentos bem regulados, também são fundamentais”, afirma.
A janela ideal de plantio, que normalmente se estende de meados de janeiro até o final de fevereiro, pode ser ainda mais curta em anos de atraso na colheita da soja ou de irregularidade climática. “É um verdadeiro jogo contra o tempo. Um dia de atraso no plantio pode representar uma perda significativa de produtividade no final do ciclo. Por isso, a semente precisa estar na propriedade com antecedência, pronta para uso, com alta qualidade assegurada. Quanto mais cedo o milho entra em campo, maior é o teto produtivo”, destaca.
Os primeiros sinais de que o milho safrinha começou bem aparecem logo após a emergência. A contagem do estande, a velocidade de emergência e a uniformidade das plantas, que está diretamente relacionada a fatores como padrão de peneira, germinação e vigor das sementes, são indicadores essenciais. “O milho cresce muito rápido. Uma emergência desuniforme gera plantas de tamanhos diferentes, e uma acaba dominando a outra”, explica Boel.
O monitoramento inicial da lavoura também é indispensável. Pragas como percevejos, lagartas e a cigarrinha devem ser acompanhadas desde as primeiras folhas. Um bom tratamento de sementes é fundamental para proteger a planta nas fases iniciais, promovendo emergência uniforme e reduzindo riscos com pragas e doenças.
Nos últimos anos, o milho safrinha deixou de ser uma cultura complementar e se tornou protagonista na rentabilidade do produtor. Em muitas propriedades, é a principal fonte de resultado da safra. A cultura ganhou escala, tecnologia e importância econômica. Mesmo assim, seu potencial produtivo ainda é pouco explorado. “O potencial do milho é gigantesco no Brasil, mas ainda exploramos muito pouco. Há um caminho grande para avançar em produtividade, principalmente com decisões mais assertivas no plantio”, enfatiza.



