Bovinos / Grãos / Máquinas Três mil vacas no mar
ONGs cobram da Organização Marítima Internacional regras para transporte de animais vivos
Após mais de dois meses confinadas no mar, quase 3 mil vacas motivaram ONGs a cobrar da OMI regras específicas para o transporte de animais vivos.

Após cerca de 3 mil vacas ficarem por mais de dois meses confinadas no navio Spiridon II, uma rede global de 36 organizações de defesa animal requisitou à Organização Marítima Internacional o desenvolvimento de uma regulamentação específica para o transporte marítimo de animais vivos. A embarcação, que havia deixado o Uruguai em 20 de setembro, foi impedida de desembarcar os animais na Turquia, seu destino original, por falhas sanitárias e de identificação. Após semanas de impasse, o navio seguiu para a Líbia, que aceitou desembarcar as vacas.
As condições a bordo foram descritas por testemunhas como degradantes, com relatos de forte odor, infestação de moscas e carcaças empilhadas no convés, gerando resíduos putrefatos. Além de 48 mortes registradas, a Animal Welfare Foundation (AWF) relatou a ocorrência de ao menos 140 nascimentos a bordo. Segundo a organização, a disponibilidade de alimento a bordo era escassa. Uma vaca foi filmada lambendo um cano para matar a sede. Os riscos relacionados à saúde pública e à segurança ambiental incluíam o possível descarte de animais mortos no mar e o vazamento de fluidos de carcaças em decomposição no convés.
Na carta endereçada à Organização Marítima Internacional, 36 organizações de defesa animal de todo o mundo, incluindo as brasileiras Mercy For Animals Brasil, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Grupo de Resposta a Animais em Desastres, Gaia Libertas, Sinergia Animal Brasil e Movimento Nacional Não Exporte Vidas, destacam problemas estruturais e falhas operacionais da frota mundial de navios transportadores de animais vivos:
Falta de segurança da frota
A frota de navios transportadores de animais vivos é, hoje, a mais antiga dentre todos os setores de transporte marítimo. Estima-se que esses navios têm duas vezes mais chances de naufragar do que quaisquer outras embarcações mercantes devido a uma conjunção de fatores agravadores de risco.
Cerca de 80% da frota é composta de navios “convertidos”, isto é, navios que não foram originalmente projetados para transportar animais vivos, mas adaptados para isso. Essa “conversão”, sobretudo quando envolve grandes modificações estruturais, costuma comprometer de modo significativo a estabilidade das embarcações. Além disso, a idade média da frota de navios boiadeiros é de 40 anos – bem acima da vida útil operacional segura de 25 anos aceita internacionalmente.
Estima-se que cerca de 110 navios transportadores de animais vivos continuam a operar globalmente. Outros fatores agravadores de risco incluem o baixo padrão de manutenção e tripulações com pouca tradição marinheira. Esse cenário já resultou em desastres que mataram dezenas de tripulantes e dezenas de milhares de animais, revelando falhas sistêmicas. Seguradoras e autoridades apontam riscos inaceitáveis. Desde 2017, navios transportadores de animais vivos são o tipo de embarcação mais detido em portos no mundo todo e lideram os casos de abandono de tripulação, apesar de representarem uma pequena fração da frota mercante global.
Dificuldade em fiscalizar as embarcações
Muitos navios que transportam animais vivos operam sob bandeiras de conveniência e estão frequentemente envolvidos em violações à Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL), falhas de segurança e descarte ilegal de dejetos e carcaças no mar, que geram impactos ambientais e de saúde pública. Como as convenções vigentes da Organização Marítima Internacional não foram feitas considerando as particularidades do transporte de animais vivos, questões críticas de projeto, ventilação, gestão de resíduos e bem-estar animal permanecem praticamente sem regulação.
Impacto negativo ao bem-estar dos animais e tripulantes
A ausência de regras específicas para o transporte de animais vivos contribui para agravar o sofrimento causado pelas temperaturas elevadas pela superlotação e pela insalubridade. Tripulantes também enfrentam perigos, como a exposição a patógenos, o risco inerente ao manejo de animais de grande porte e eventualmente até acidentes ocasionados pelo desgaste de estruturas em decorrência do acúmulo de dejetos corrosivos, a exemplo do desabamento de conveses.. Por conta desses problemas e riscos, países como Nova Zelândia, Índia, Reino Unido e Austrália já adotaram leis que proíbem ou determinam a eliminação gradual da exportação de animais vivos por mar.
Entre as medidas defendidas pelas organizações signatária da carta está o estabelecimento de um Código Internacional vinculante para o transporte marítimo de animais vivos, que regule aspectos como o projeto e a estabilidade dos navios, a ventilação e os sistemas de suporte à vida dos animais, a gestão de resíduos e carcaças, a segurança da tripulação, o bem-estar dos animais e a obrigatoriedade de planos de contingência que evitem viagens indefinidas se o desembarque no país de destino for negado. Sem um código internacional, o bem-estar de animais e tripulações continuará gravemente comprometido e sob risco constante.
“O caso do Spiridon II é mais um de uma série de episódios trágicos envolvendo o transporte marítimo de animais vivos. Ao redor do mundo todo, casos como esse se repetem com frequência cada vez maior, devido às péssimas condições dos navios, a lacunas regulatórias internacionais e a deficiências na fiscalização das operações, sobretudo da etapa marítima”, afirma George Sturaro, Diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals no Brasil.
O Brasil é atualmente o maior exportador de animais vivos do mundo e deve bater seu próprio recorde em 2025, com mais de 1 milhão de bois embarcados, segundo projeção da MFA. No país, dois projetos de lei que visam desestimular a atividade por meio de uma tributação mais alinhada aos riscos que envolve conquistaram vitórias inéditas recentemente no Congresso Nacional: PLP 23/2024 e PL 786/2024.
Timeline do caso Spiridon II
20 de setembro de 2025: Partida do Spiridon II do Uruguai com 2.901 vacas a bordo, cerca de metade delas prenhes. Um veterinário está a bordo.
22 de outubro de 2025: Chegada ao porto de Bandırma, na Turquia.
23 de outubro de 2025: Segundo documentos oficiais divulgados, a autoridade veterinária de Bandırma inspeciona os animais e constata que as marcas auriculares de 469 bovinos são legíveis, mas não constam nas listas de importação. A Turquia então se recusa a permitir o desembarque. De acordo com as autoridades veterinárias, 58 animais já haviam morrido durante a viagem e 140 vacas prenhes deram à luz durante o trajeto. No entanto, apenas 50 desses 140 bezerros foram encontrados — os documentos não indicam se estavam vivos ou mortos.
Outubro–novembro de 2025: O Spiridon II permanece fundeado na costa turca por semanas. O veterinário que embarcou no Uruguai deixa o navio. As condições a bordo pioram a cada dia, e é provável que muitos animais tenham morrido nesse período. Os animais mortos e o esterco não podem ser descartados no Mediterrâneo devido a acordos de proteção marinha. Isso significa que os animais ficam imersos em fezes até os joelhos, com níveis elevados de amônia, especialmente nos conveses inferiores.
9 de novembro: Atracação temporária para carregar ração e água. O desembarque continua proibido. Fotos e vídeos mostram montanhas de sacos brancos, alguns com manchas avermelhadas, no convés superior — presumivelmente contendo carcaças.
10 de novembro: A embarcação volta a ficar ancorada.
14 de novembro: O navio parte e indica Montevidéu (Uruguai) como destino. A chegada está prevista para 14 de dezembro. Presume-se que os animais não sobreviveriam a mais um mês a bordo.
18 de novembro: Quando o navio está na costa da Tunísia, desliga o sinal AIS. Suspeita-se que esteja descartando carcaças e dejetos no mar.
21 de novembro: Após mais de 72 horas sem sinal, o navio reaparece. O Spiridon II deu meia-volta e está agora na Líbia, ao largo do porto de Benghazi.
22 de novembro: À tarde, o Spiridon II atraca no porto de Benghazi. A equipe da AWF recebe relatos locais sobre caminhões de transporte de animais deixando o local. Uma imagem de satélite de 23 de novembro mostra caminhões próximos à embarcação.
24 de novembro: Uma imagem de satélite mostra que não há mais sacos no convés, sugerindo que os animais mortos foram descartados no Mediterrâneo. Não se sabe se ainda há animais a bordo. A imagem também mostra ausência de fardos de feno no convés, o que pode indicar que o navio já não transporta mais animais.
Outros casos envolvendo o transporte de animais vivos
Em 2024, o navio transportador de animais vivos Al Kuwait atracou no porto da Cidade do Cabo para carregar ração. A chegada do curral flutuante poluiu o ar da capital legislativa da África do Sul e seu cartão-postal mais característico com o cheiro fétido de esterco de 19.000 touros embarcados no Brasil para serem enviados ao Iraque. O episódio foi exposto pela National Council of Societies for the Prevention of Cruelty to Animals (NSPCA). A equipe da NSPCA que embarcou no navio descreveu o que testemunhou como abominável. Além de animais mortos, outros animais feridos e doentes foram encontrados a bordo, alguns dos quais tiveram que ser sacrificados. Havia escassez de medicamentos necessários para lidar com os problemas de saúde animal encontrados, entre eles um surto de conjuntivite bovina. Tampouco havia assistência médica suficiente: apenas dois veterinários, auxiliados por quatro tratadores, acompanhavam os 19.000 touros.
Em 2019, o Queen Hind naufragou no Porto de Midia na Romênia, pouco após zarpar carregado com milhares de ovinos vivos. Em 2022, o Al Badri 1, também carregado, adernou e afundou em um berço de atracação do porto de Suakin, no Sudão. O navio que afundou no porto romeno, o Queen Hind, esteve no Brasil apenas alguns meses antes do acidente. Investigações subsequentes indicaram diversas irregularidades, inclusive a existência de compartimentos de carga ocultos. Tanto o Haidar quanto o Queen Hind e o Al Badri 1 eram navios convertidos.
Em 2018, uma operação de exportação de bovinos vivos causou intensa poluição do ar na cidade de Santos (SP), em decorrência do acúmulo de fezes e urina dos animais na embarcação, o navio Nada. Os 27 mil bois, que pertenciam à Minerva, tinham por destino a Turquia. A empresa foi multada pela prefeitura municipal por infração ambiental e maus tratos aos animais.
Em 2015, o navio Haidar, com quase 5 mil bois vivos, 28 tripulantes a bordo e 700 toneladas de óleo, naufragou no Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA). A decomposição dos corpos dos animais mortos e o vazamento de óleo do navio provocaram um dos piores desastres ambientais da história do estado. O rastro de contaminação alcançou a cidade de Belém, cerca de 60 km rio abaixo.
Em 2012, 2.750 bois morreram asfixiados a bordo do navio Gracia Del Mar, em decorrência de uma pane no sistema de ventilação durante a viagem. Os animais, fornecidos pela Minerva, foram embarcados no porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), e tinham por destino o Egito.
No Porto de São Sebastião (SP), o terceiro do país que mais exporta animais vivos, a população relata como fica a cidade nos dias de operação: o trânsito fica congestionado pelo grande fluxo de caminhões; o mau cheiro das fezes e da urina dos animais empesteia o ar e prejudica o turismo na região. Esse cenário foi retratado no documentário “Elias: O Boi que Aprendeu a Nadar”, da Mercy For Animals.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



