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One Health do campo à mesa

One Health faz parte dos nossos acertos, das experiências anteriores e da aplicação das melhores práticas

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 Artigo escrito por Filipe Fernando, gerente de Produtos da Boehringer-Ingelheim

No século 19, o médico Rudolf Virchow cunhou o termo “zoonose” e manifestou que não deveria haver divisão entre a medicina humana e a medicina animal. Na época, ele criou o conceito “One Medicine”, que mais tarde se tornou “One Health”, colocando ênfase na promoção da saúde e prevenção em vez do tratamento de doenças. One Health trata da integração entre a saúde humana, a saúde animal e o ambiente, bem como a adoção de políticas públicas efetivas para a prevenção e controle de enfermidades.

No setor produtivo, é possível imaginarmos que a interconexão de animais, humanos, plantas e o meio ambiente, gera um fator holístico que deve ser conectado de forma a gerar uma combinação multifatorial para um fim das partes isoladas. O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua obra Metafísica, quando afirma que “o todo é maior do que a simples soma das suas partes”. Nesse sentido, imaginemos a interconexão entre o início da cadeia produtiva que começa com a produção de grãos, transporte, processamento e entrega para alimentação animal. Os animais alimentados farão parte de uma cadeia que terá como destino final a mesa do consumidor, que por sua vez será impactado por todo e qualquer acerto ou erro desde a produção do grão, conversão em proteína animal e entrega para consumo (Figura 1).

Doenças de origem animal que podem ser transmitidas ao homem, como exemplo a influenza aviária, a influenza suína e as salmoneloses, representam risco mundial para a saúde pública. Agentes infecciosos que são transmitidos principalmente de pessoa para pessoa também podem circular entre animais ou utilizá-los como reservatório, podendo gerar impacto direto à saúde pública, como é o caso da recente epidemia do vírus Ebola, desencadeada principalmente em países africanos. Esses riscos aumentam com a globalização, com as mudanças climáticas e com o comportamento humano, dando aos patógenos um leque de oportunidades para colonizar novos territórios e evoluir para novas formas. Essa conectividade pode levar ao surgimento de novas doenças. Por isso, é necessária a abordagem One Health afim de melhor compreender a dinâmica das zoonoses e das doenças infecciosas. A priorização dessas enfermidades significa realizar vigilância, planejar atividades de resposta a surtos e criar estratégias de prevenção de doenças para reduzir a infecção de pessoas e animais.

No âmbito econômico, a ruptura do One Health é sempre caracterizada por deterioração de mercados, queda nos índices de investimento, distorção na produção e abastecimento de proteína animal e baixa circulação de valores gerados pelo turismo. Nos últimos 20 anos, nosso planeta experimentou um pouco mais das epidemias que rompem continentes e atingem todas as nações. Dado que 60% de todos os agentes infecciosos humanos são originários de animais, setores agrícolas envolvidos em surtos zoonóticos frequentemente sofrem impactos econômicos significativos que são subestimados. No entanto, o incentivo ao setor agrícola para investir na prevenção de doenças infecciosas está diretamente correlacionado com a relevância econômica da indústria para o PIB nacional.

Dentre os exemplos mais recentes e que incluem doenças de origem animal, podemos considerar a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa), a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), a Influenza pandêmica por H1N1 e o Ebola. Citando apenas o exemplo dessas quatro doenças, os setores de produção, turismo e viagens somaram aproximadamente 25 bilhões de dólares em impacto econômico negativo nos países mais afetados, como México, Singapura, Coreia do Sul e Arábia Saudita (Figura 2).

Covid-19

Durante a confecção desse artigo, a economia global estava passando por danos expressivos, prevendo uma recessão, recessão global ocasionada pela disseminação do coronavírus humano SARS-CoV-2, popularmente denominado Covid-19. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o COVID-19 reduzirá o crescimento do PIB global em meio ponto percentual em 2020 (de 2,9 a 2,4%). Já a Bloomberg Economics adverte que o crescimento do PIB pode cair para zero no cenário de uma pandemia (artigo escrito antes da pandemia ser declarada). As indústrias relacionadas ao turismo e viagens estarão entre as mais atingidas, já que as autoridades incentivam o “distanciamento social” e os consumidores a ficarem dentro de casa. A Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê que o COVID-19 possa custar às companhias aéreas entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões em receita em 2020.  Mais uma vez, trata-se de um vírus que rompeu seu comportamento natural ao infectar e sobreviver em animais (até essa data não foi confirmado a partir de qual animal) para infectar e por vezes causar letalidade aos humanos.

Diante a tudo isso, o One Health ganha ainda mais importância pelo impacto econômico-social, tanto que a “One Health Initiative” foi fundada em 2006 com foco em trabalhos de educação sobre o conceito.

No Brasil, e usando como exemplo a avicultura, o sistema One Health é sem dúvida um exemplo e uma conquista que tem ganhado “musculatura” e destaque ano a ano. Trata-se de um trabalho conjunto e colaborativo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Meio Ambiente, indústria, produtores e associações (cita-se a Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA). Nesse contexto, cada instituição é corresponsável pela criação, aplicação, checagem e melhorias dos padrões e regras vigentes.

Conforme ilustrado na Figura 1, o princípio One Health é regido pela interconexão do ser humano, animal, meio ambiente e políticas públicas que visem a prevenção da ruptura do equilíbrio entre esses integrantes. Na produção de aves, podemos considerar o ponto inicial a plantação dos grãos que comporão a ração animal. Esses grãos deverão atender aos padrões de qualidade que se referem à umidade, teor de proteína, presença de agentes estranhos e outros. Seu processo de transporte e armazenamento deverá garantir a preservação das características até a chegada ao silo de armazenagem na fábrica de ração, que em seguida irá misturar aos demais ingredientes para compor a alimentação animal. Como parte integrante da garantia de qualidade sistêmica, os aviários e os animais devem ser continuamente monitorados por programas sanitários para detecção de patógenos, como exemplo as monitorias constantes na Instrução Normativa nº 20, de 21 de outubro de 2016. Esse monitoramento permite que os animais submetidos ao abate sejam qualificados de acordo com as regras de segregação dentro da planta de processamento.

No segundo momento, os animais serão abatidos e novamente monitorados conforme os padrões do Decreto n° 9,013/2017- RIISPOA – Regulamento e Inspeção Industrial e Sanitária de produtos de Origem Animal e portaria n° 210 de 10 de novembro de 1998, a fim de garantir a qualidade do produto final. Ao mesmo tempo, os resíduos gerados seguem o destino preconizado tanto pela Instrução Normativa n°34, de 28 de maio de 2008 (MAPA) que regulamenta a inspeção higiênico-sanitária e tecnológica do processamento de resíduos de animais e a Norma Brasileira (NBR) ISO 14001 que estabelece os padrões de tratamento de resíduos. Perceba que todo esse processo é conectado com a saúde humana e meio ambiente, para que haja equilíbrio e gere o menor impacto ao planeta.

O ser humano

Na ponta da cadeia está o ser humano, que, apesar de termos incluído aqui como a “ponta”, está de fato inserido como o agente impactante em todas as etapas do processo e irá absorver direta ou indiretamente as ações geradas em cada uma delas, seja uma ação de desvio que impacta o meio ambiente, um desvio sanitário ou mesmo social como resposta a uma doença contraída após a ingestão do alimento que quebrou o equilíbrio One Health.

Nosso planeta passa por transformações tecnológicas com uma velocidade incrível, e que traz “a reboque” uma infinidade de opções para interconexão entre sistemas, informações e contatos. Contato humano – ainda que à moda antiga – é a mais primitiva forma de troca. Do mesmo modo que há aproximadamente 10 mil anos os seres humanos passaram a domesticar animais para alimentação e dominar a agricultura, nosso mundo tecnológico e “descolado” ainda permite que doenças possam ser compartilhadas entre animais, nós e o ambiente. Como parte do mundo industrial que produz alimentos de origem animal, somos obrigatoriamente responsáveis pelo One Health, e devemos ser proativos para que, além do conceito, a prática seja parte da nossa atuação.

Na história da evolução humana, mais especificamente a partir do homus erectus, que adquiriu a habilidade de caçar e consumir mais proteínas e menor dependência de grandes quantidades de vegetais para a sobrevivência, seguido da domesticação de animais pelo homo sapiens, nos tornamos parte do processo coevolutivo que nos pôs em contato direto com os animais. Essa troca, no entanto, deve seguir regras estabelecidas pelo “protagonista” humano, ao certo que é dotado de uma bagagem de milhares de anos de experimentação, acasos e tentativas com erros e acertos.

One Health faz parte dos nossos acertos, das experiências anteriores e da aplicação das melhores práticas, tornando possível e mais provável a manutenção do equilíbrio da interação entre homem, animal, planta e meio ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2020 ou online

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Argentina confirma novo surto de gripe aviária em aves comerciais

SENASA detectou a doença em um estabelecimento de linhagens genéticas na cidade Ranchos, na província de Buenos Aires, ativando imediatamente seu Plano de Contingência.

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Foto: Ilustrativa/Divulgação Governo da Argentina

Por meio de diagnóstico laboratorial, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) confirmou um caso positivo de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) H5 em aves de produção comercial, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado após a análise de amostras coletadas em um estabelecimento localizado na cidade de Ranchos.

A notificação ao órgão sanitário ocorreu depois da observação de sinais clínicos compatíveis com a doença e de elevada mortalidade no plantel. Veterinários oficiais realizaram a coleta das amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Oficial do Senasa, em Martínez, responsável por confirmar o resultado para IAAP H5.

Foto: Shutterstock

Após a confirmação, o Senasa ativou o plano de contingência e determinou a interdição imediata do estabelecimento. Conforme o protocolo sanitário, foi instituída uma Zona de Controle Sanitário, composta por uma área de perifoco de 3 quilômetros ao redor do foco, com reforço nas medidas de contenção, biosseguridade e restrição de movimentação, além de uma zona de vigilância de 7 quilômetros, destinada ao monitoramento e rastreamento epidemiológico.

Entre as medidas previstas, o órgão supervisionará o despovoamento das aves afetadas e a destinação adequada dos animais, seguidos por procedimentos de limpeza e desinfecção no local.

O Senasa comunicará oficialmente o caso à Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Com isso, as exportações de produtos avícolas para países que mantêm acordo sanitário com reconhecimento de livre da doença serão temporariamente suspensas. Ainda assim, a Argentina poderá continuar exportando para os países que reconhecem a estratégia de zonificação e compartimentos livres de IAAP.

Caso não sejam registrados novos focos em estabelecimentos comerciais e transcorridos ao menos 28 dias após a conclusão das ações de abate sanitário, limpeza e desinfecção, o país poderá se autodeclarar livre da doença junto à OMSA e restabelecer sua condição sanitária, permitindo a retomada plena das exportações.

A produção destinada ao mercado interno seguirá normalmente, uma vez que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.

Medidas preventivas

Foto: Adapar

Para reduzir o risco de disseminação da IAAP, os estabelecimentos avícolas devem reforçar as práticas de manejo, higiene e biosseguridade previstas na Resolução nº 1699/2019. Entre as orientações estão a inspeção periódica das telas antipássaros, a verificação da correta lavagem e desinfecção de veículos e insumos, a intensificação da limpeza em áreas com acúmulo de fezes de aves silvestres e a eliminação de pontos com água parada que possam atrair outros animais.

Criadores de aves de subsistência também devem manter os animais em locais protegidos, evitar o contato com aves silvestres, utilizar roupas exclusivas para o manejo, higienizar regularmente as instalações e restringir o acesso de aves silvestres às fontes de água e alimento.

Fonte: Assessoria Governo da Argentina
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Avicultura

Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro

Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

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Foto: Shutterstock

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.

Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.

Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.

Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.

Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano

Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

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Foto: Shutterstock

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.

No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.

As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.

Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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