Avicultura
Óleos funcionais melhoram desempenho de frangos desafiados por coccidiose
Óleos funcionais têm comprovada eficiência em melhorar o desempenho de frangos por sua atuação na microbiota e no sistema imune dos animais
Artigo escrito por Priscila de Oliveira Moraes e Andréa Machado Leal Ribeiro, da Oligo Basics
O consumidor de produtos de origem animal está cada vez mais preocupado com os aditivos utilizados na nutrição animal. Após a adoção do chamado princípio de precaução pela União Europeia, banindo a utilização de antibióticos como promotor de crescimento, essa prática tornou-se uma tendência global e irreversível.
Este movimento aumentou a busca por aditivos zootécnicos que proporcionem uma melhor saúde intestinal para os animais de produção, visto que ela é um fator decisivo para melhorar os índices produtivos na granja de frangos de corte. Os óleos funcionais têm sido definidos como aqueles óleos que possuem atividades além do seu conteúdo energético, como o óleo de mamona e o líquido da casca de castanha do caju, essa mistura tem comprovada eficiência em melhorar o desempenho de frangos por sua atuação na microbiota e no sistema imune dos animais. Além disso, são ingredientes naturais, fato que contribui para o conceito de Saúde Única (“One Health”), que é a soma de vários esforços locais e globais com o objetivo de manter os animais saudáveis e produtivos, a fim de nutrir uma população saudável e crescente, reduzindo os impactos nos recursos naturais gerados.
Coccidiose na avicultura
Entre as numerosas ameaças à saúde intestinal dos frangos, a coccidiose é um dos principais motivos de preocupação, pois acarreta perdas econômicas de milhões de dólares a cada ano. É uma doença causada por protozoários do gênero Eimeria. Em frangos de corte as espécies principais são E. acervulina, E.máximae E. tenella, sendo que cada espécie de Eimeria possui características próprias quanto à prevalência, local de infecção, patogenicidade e imunogenicidade. No entanto, alta mortalidade com coccidiose clínica não é comum. Na maioria dos casos ocorre a infecção subclínica, o que dificulta o diagnóstico da doença em um tempo hábil para começar um tratamento antes que ocorra a perda de desempenho.
A Eimerias spp. possui um grande potencial reprodutivo; a ingestão de um único oocisto esporulado pode desencadear a eliminação de milhares de oocistos na cama e, consequentemente, reduzir o desempenho animal, piorando a digestão e absorção de nutrientes, em virtude das lesões no trato gastrointestinal. Além disso, o desafio por coccidiose pode mudar drasticamente a comunidade bacteriana no intestino, diminuindo a diversidade microbiana e criando um ambiente favorável para disseminação de outros patógenos, como a bactéria gram-positiva Clostridium perfringens.
O C. perfringens faz parte da microbiota normal do ceco das aves, portanto, sua presença nem sempre causa enterite necrótica. Para que isso aconteça, ele precisa expressar fatores de virulência e estar em um ambiente favorável para sua instalação e multiplicação. Entre esses fatores estão condições de estresse, imunossupressão e lesões causadas por coccidiose. A retirada dos antibióticos como promotores de crescimento tem sido acompanhada pelo aumento da incidência e severidade da enterite necrótica causada pelo C.perfringens.
Óleo de mamona e líquido da casca de castanha de caju
Modulação do sistema imune. O blend de óleos funcionais atua proporcionando ao hospedeiro uma melhor resposta imune, aumentando a produção de algumas citocinas pró-inflamatórias, como o interferon gama (IFN-γ) e fator de necrose tumoral (TNF-α) que estão intimamente relacionadas com a imunidade contra o parasita, tornando o hospedeiro mais apto para combater o parasita ou outras infecções causadas por bactérias oportunistas. Por outro lado, reduz IL-1 e cicloxigenase2 (COX-2), direcionando a resposta contra o parasita.
Embora a infecção por Eimeria spp. induza uma resposta imune complexa ao hospedeiro, em função do parasita apresentar um ciclo de vida extracelular e intracelular, estudos com as principais espécies de Eimeria revelaram que o sistema imune inato e o mediado por células têm um papel essencial tanto pela produção de citocinas como por ataque citotóxico direto nas células afetadas. O IFN-γ é uma peça chave contra Eimeria, o qual entre outras funções, estimula os macrófagos a produzirem óxido nítrico, que inibe a replicação do parasita no interior das células hospedeiras.
Menor excreção de oocistos pode ser observada em frangos que receberam o blend de óleos funcionais ou monensina quando comparados com animais que não receberam nenhum dos dois. Isso porque o blend de óleos funcionais modula o sistema imune do hospedeiro para que o mesmo elimine o parasita, sendo demonstrada sua eficácia pela menor excreção de oocistos. Ao contrário, a monensina é um ionóforo que mata o parasita, prejudicando o equilíbrio osmótico, ao causar o rompimento da membrana intestinal.
Prevenção do aumento de bactérias patogênicas gram+ durante o desafio, sem alterar o número total de bactérias. Ou seja, há uma modulação da microbiota intestinal utilizando o blend de óleos funcionais, mantendo o número de bactérias benéficas como Lactobacillus ssp. e reduzindo bactérias patogênicas oportunistas como C.perfringens e Staphylococcus aureus. Duas são as explicações para essas respostas: primeiro, o sistema imune dos animais desafiados que recebem este blend está mais preparado, não permitindo que bactérias oportunistas se reproduzam, ao incentivar o próprio hospedeiro a atuar contra elas. Segundo, os compostos presente no blend, como o ácido ricinoleico, principal componente do óleo de mamona, tem ação antimicrobiana através dos seus derivados de ésteres, rompendo ligações glicosídicas dos peptideoglicanos presentes na parede das bactérias gram-positivas. Há também o cardanol e o cardol, principais componentes do líquido da casca de castanha do caju, que apresentam terpenóides e compostos fenólicos que causam danos à parede celular dessas mesmas bactérias. O blend porém não é efetivo contra bactérias gram -, como Escherichia coli.
Melhor desempenho de frangos desafiados por Eimeria spp. após 14 dias do desafio utilizando o blend de óleos funcionais. Embora 7 dias após o desafio se observe uma redução no desempenho, isso acontece porque há uma ativação maior do sistema imune que demanda um grande gasto de nutrientes. No entanto, essa ativação é de grande importância para a eliminação do parasita e para manter uma microbiota equilibrada durante o processo infeccioso, como foi demonstrado anteriormente. A conclusão é que por mecanismos de ações diferentes, tanto a monensina como blend de óleos funcionais reduzem o impacto causado pelo desafio da coccidiose, melhorando o desempenho animal ao final dos 42 dias.
Considerações finais
A retirada dos antibióticos como promotores de crescimento faz com que a indústria busque cada vez mais aditivos eficazes para superar os efeitos negativos causados por problemas intestinais, como a coccidiose. O blend de óleos funcionais possui potencial para ser utilizado como um promotor de crescimento natural, apresentando resultado de desempenho semelhante ao ionóforo monensina.
Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2018.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
Consumo recorde impulsiona debate sobre futuro da avicultura de postura durante SIAVS 2026
Com consumo anual de 288 ovos por habitante, o setor debate no Simpósio Ovos Brasil exportações, agregação de valor, sucessão empresarial e tecnologias para ampliar a competitividade.

O crescimento do consumo de ovos no Brasil, a abertura de novos mercados internacionais, as estratégias para agregação de valor aos produtos e os avanços tecnológicos estarão entre os principais temas debatidos durante o Simpósio Ovos Brasil, realizado dentro da programação do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O encontro vai reunir especialistas, produtores e empresas para discutir os desafios e as

Coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda: “É fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas” – Foto: Divulgação
oportunidades da cadeia produtiva de ovos em um momento de expansão do setor, marcado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo avanço das exportações brasileiras.
De acordo com a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda, a programação foi estruturada para oferecer uma visão ampla sobre o futuro da avicultura de postura. “Entre os temas centrais estarão o comportamento do mercado global de ovos, as oportunidades de abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, estratégias de marketing e posicionamento para ampliar o consumo e agregar valor aos produtos, além de questões ligadas ao planejamento patrimonial, sucessório e tributário das empresas do setor”, explica.
Conforme salienta, os assuntos debatidos serão estratégicos para garantir competitividade e sustentabilidade da atividade nos próximos anos. “Para sustentar esse avanço, é fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, reforça.

Foto: Shutterstock
Consumo recorde fortalece cadeia produtiva
As discussões ocorrem em um momento histórico para o setor. Segundo projeções da ABPA, o consumo per capita de ovos no Brasil alcançou 288 unidades por habitante ao ano, o maior patamar já registrado no país. Para Tabatha, o resultado está diretamente ligado à consolidação do ovo como um alimento essencial na dieta dos brasileiros. “O principal fator é o reconhecimento cada vez maior do ovo como um alimento completo, nutritivo, seguro e acessível. Hoje, o consumidor tem mais informação sobre os benefícios nutricionais do produto, que oferece proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação equilibrada”, realça.
Além desses atributos, a versatilidade do alimento contribuiu para ampliar sua presença no dia a

Foto: Shutterstock
dia da população. “Esse crescimento demonstra a consolidação do ovo como uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros e confirma a capacidade do setor de atender a uma demanda crescente com qualidade, segurança e eficiência”, destaca.
Essa subida nos gráficos do consumo também impulsiona novos investimentos em produção, inovação, logística e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da atividade nacional.
Consumidor impulsiona inovação e diversificação
As mudanças no comportamento do consumidor têm direcionado os investimentos do setor. A busca por qualidade, rastreabilidade, segurança dos alimentos e praticidade estimulou a adoção de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções voltadas às diferentes demandas do mercado. “Nos últimos anos, observamos avanços importantes em processos produtivos, controle

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de qualidade, certificações, bem-estar animal e desenvolvimento de embalagens mais práticas e informativas. Também cresceu a oferta de produtos com maior valor agregado, como ovos líquidos, linhas voltadas ao público que busca maior aporte proteico, praticidade e conveniência”, compartilha Tabatha.
Esse cenário abre espaço para diversificação de produtos, fortalecimento de marcas e ampliação do consumo em canais como food service, varejo de conveniência e alimentação fora do lar. “A tendência é que essa aproximação entre as demandas do consumidor e a capacidade de inovação da cadeia continue impulsionando o crescimento do setor nos próximos anos”, avalia.
Tecnologia e sustentabilidade
Além das discussões, os participantes do SIAVS terão acesso a um amplo conjunto de tecnologias, equipamentos e soluções voltadas para todas as etapas da produção.
Entre os destaques estão tecnologias de automação de granjas, monitoramento de desempenho em

Foto: Rodrigo Felix Leal
tempo real, sistemas de gestão baseados em dados, equipamentos para classificação e processamento de ovos, além de soluções para biosseguridade, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Também ganham espaço temas como rastreabilidade, bem-estar animal, redução de desperdícios, aproveitamento de subprodutos e melhoria da eficiência operacional. “A presença dos principais fornecedores nacionais e internacionais de genética, nutrição, sanidade, equipamentos e tecnologia permitirá aos visitantes conhecerem tendências que já estão transformando a avicultura de postura no Brasil e no mundo, reforçando o papel do SIAVS como um ambiente estratégico para atualização, networking e geração de negócios”, enfatiza a coordenadora técnica da ABPA.
Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
