Bovinos / Grãos / Máquinas
Óleos funcionais: a nova geração dos moduladores de fermentação ruminal, livre de antibióticos
Embora melhorar índices produtivos seja de suma importância, a sustentabilidade do sistema e a manutenção da saúde da população tem sido alvo de ações concretas
Artigo escrito pela dra. Juliane Diniz Magalhães, Mestre e Doutora em Nutrição e Produção Animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP
Por instinto, lucratividade é o que todos buscamos, sejam empreendedores rurais, técnicos do setor pecuário ou qualquer pessoa envolvida com a produção animal. Para tanto, são desenvolvidos protocolos nutricionais, sanitários, reprodutivos, técnicas de manejo, tudo voltado a fazer com que os animais de produção possam expressar seu potencial produtivo e fornecer alimento à população.
Embora melhorar índices produtivos seja de suma importância, a sustentabilidade do sistema e a manutenção da saúde da população tem sido alvo de ações concretas em diversos países ao longo dos últimos anos. A União Europeia, em 2006, baniu o uso de aditivos promotores de crescimento na alimentação de animais. Mais recentemente, Canadá e Estados Unidos definiram planos para reduzir o uso de antibióticos nos sistemas de produção animal, visando a prevenção do desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos. Todas estas ações intensificaram as pesquisas para descobrir e desenvolver aditivos nutricionais alternativos. Já foram estudados e estão em uso na alimentação de aves, suínos, peixes e bovinos: prebióticos, probióticos, leveduras, ácidos orgânicos, óleos e extratos de plantas.
Mas qual a função dos tais aditivos na nutrição de bovinos?
A principal função dos aditivos no rúmen é controlar o ambiente ruminal, favorecendo a fermentação, melhorando a digestão e aproveitamento dos alimentos que são fornecidos. Este incremento visa a melhora nos desempenho produtivo, aumentando a produção de leite e sólidos ou carne.
Dentre os aditivos alternativos, o uso de óleos e extratos de plantas vem se ampliando a cada dia, o que tem feito técnicos do setor ampliarem seus conhecimentos para orientar seu uso. Recentemente foram publicados, em eventos científicos nacionais e internacionais, resultados de pesquisas brasileiras comparando o uso de óleos funcionais (OF) na alimentação de corte e leite em substituição aos antibióticos ionóforos, comprovando sua efetividade como substitutos.
Mas o que são óleos funcionais?
São óleos vegetais e extratos que possuem atividades além do seu conteúdo energético. Essas atividades dependem do tipo de óleo, podendo ter, por exemplo, atividade antioxidante, antimicrobiana ou anti-inflamatória. São exemplos: o óleo de mamona, o líquido da casca da castanha do caju e o óleo de coco.
Muitas vezes os OFs são confundidos com os óleos essenciais (OEs), porém eles têm características bem distintas. Ambos são extratos de plantas, porém, os OEs são derivados de essências ou especiarias, como o alho, anis, alecrim, canela, tomilho, pimenta, orégano, e possuem o cheiro, a essência, característica das plantas de origem. Já os óleos funcionais possuem funções específicas, atuando como antioxidantes, antimicrobianos ou anti-inflamatórios, sem apresentar o odor característico da planta que o originou.
Em relação a resultados produtivos, o uso dos OFs em bovino de corte e leite vem sendo amplamente estudado por grupos de pesquisa das duas unidades da USP em Pirassununga, a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimento (FZEA/USP) e a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ/USP), além de diversos e renomados centros de pesquisa nos Estados Unidos, Espanha e Brasil.
Por exemplo, no experimento de doutorado do aluno Maurício Furlan Martins, realizado sob orientação do professor doutor Arlindo Saran Netto, da FZEA/USP, vacas de leite em condição de estresse térmico foram alimentadas com a mesma dieta, só diferindo no uso ou não de aditivos. Foi utilizado um óleo funcional comercial composto pelos princípios ativos: cardol, cardanol e ácido ricinoléico (OF), comparado ao grupo controle (sem aditivos) e ao uso de antibiótico ionóforo (monensina sódica). Os resultados demonstraram que o OF aumentou a produção de leite e sólidos e melhorou parâmetros sanguíneos como a redução na ureia plasmática.
Outro estudo com o mesmo produto foi realizado pelos professores doutores Arlindo Saran (FZEA/USP), Francisco Palma Rennó (FMVZ/USP) e Elmeson Ferreira de Jesus. Neste caso, os OFs foram comparados a um grupo controle (sem aditivos) e ao antibiótico ionóforo (monensina sódica), em uma dieta balanceada para vacas de 31 quilos de leite em média, fazendo uso de pré-secado de azevém como uma das fontes de volumoso. No experimento, utilizou-se vacas canuladas no rúmen para avaliação dos efeitos dos aditivos, alterando parâmetros ruminais, além das avaliações de produtividade e parâmetros sanguíneos. Foi observado aumento médio em 1,21 kg/dia na produção de leite com o uso de aditivos, sem afetar o consumo de alimentos. Novamente os OFs aumentaram a porcentagem de gordura no leite em relação à monensina, além de aumentar a porcentagem de lactose. Os OFs também melhoraram a fermentação ruminal, aumentando a produção de propionato e de ácidos graxos de cadeia ramificada e novamente reduziram a ureia plasmática, sendo este um parâmetro de grande importância para efeitos sobre a reprodução em propriedades leiteiras com vacas de alta produção.
Em conclusão, os óleos funcionais podem substituir o uso de antibióticos ionóforos, incrementando ganhos em produtividade e alterando o perfil de sólidos no leite. Porém a escolha do produto vem da avaliação dos resultados de pesquisa, descrevendo os compostos ativos nele presentes.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
