Avicultura Opinião
Óleos essenciais se apresentam como opção aos antibióticos promotores de crescimento na alimentação de aves de corte
As plantas medicinais e seus óleos essenciais constituem-se em uma possibilidade de uso na dieta dos animais

Artigo escrito por Christiane Fernanda de Queiroz Matias, PhD, MSC, gerente técnico-comercial da Biomin
O Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor mundial de carne de frangos. Em 2018, o país produziu mais de 13 milhões de toneladas e exportou 4,1 milhões/t. Para se manter nesta posição, o país precisa atender às necessidades e demandas dos consumidores e às legislações ou barreiras internacionais que têm se tornado cada vez mais exigentes.
Nesse sentido, está em xeque a utilização de antibióticos promotores de crescimento. já que regulamentações internacionais e nacionais têm proibido ou restringido a utilização desses medicamentos na produção alimentícia. Além disso, cresce a conscientização dos consumidores e aumenta a demanda por produtos mais naturais e que tendem a oferecer menores riscos à saúde humana.
Nesse contexto, as plantas medicinais e seus óleos essenciais constituem-se em uma possibilidade de uso na dieta dos animais.
Os óleos essenciais podem ser utilizados como matérias primas em diversas indústrias, em especial alimentícia, farmacêutica e de perfumaria. Por definição, são substâncias lipossolúveis, voláteis e de baixo peso molecular, que fazem parte do metabolismo secundário das plantas. Eles apresentam diversas propriedades, sendo que a ação depende das espécies de plantas utilizadas, e podem atuar como promotores de crescimento, antibacterianos, anti-inflamatórios, antiparasitários, antioxidantes e imunomoduladores. Além disso, estimulam a secreção de enzimas digestivas e melhoram a motilidade intestinal, aumentando a digestibilidade e a absorção dos nutrientes.
Diversos tipos de óleos essenciais podem ser adicionados em rações de frangos, sendo os principais: óleos de orégano, tomilho e canela. O óleo de orégano possui como principal princípio ativo o composto fenólico carvacrol, enquanto o tomilho e a canela possuem o timol e o cinamaldeído, respectivamente, como principais princípios ativos. Dentre os diversos compostos que podem estar presentes na composição dos óleos essenciais, o timol e o carvacrol destacam-se devido às suas pronunciadas atividades antimicrobianas. Estes compostos possuem várias propriedades biológicas importantes, sendo comumente utilizados como antibacterianos, anti-inflamatórios, antioxidantes, antifúngicos e anticarcinogênicos.
Atividades antibacterianas
O carvacrol e o timol agem sobre a membrana celular bacteriana, impedindo a divisão mitótica e reduzindo a sobrevivência de bactérias patogênicas. Pesquisadores já observaram efeito inibitório frente às bactérias gram-positivas e gram-negativas, especialmente Escherichia coli, quando da utilização do óleo essencial de orégano. A atividade antibacteriana desse óleo está relacionada à melhoria de desempenho produtivo de frangos de corte.
Atividades anti-inflamatórias
O principal mecanismo de ação anti-inflamatória do timol está relacionado à sua capacidade de inibir a produção de determinadas citocinas inflamatórias. Já o carvacrol possui atividade anti-inflamatória associada também à ativação dos receptores proliferadores de peroxissoma.
Melhoria da digestibilidade dos nutrientes
Há diversos relatos de melhoria na função digestiva de frangos com o uso de dieta contendo óleos essenciais. Este efeito pode estar diretamente relacionado ao aumento de produção de enzimas digestivas, ocasionando melhor desempenho zootécnico.
Estudos comprovam que a adição de óleos essenciais à base de orégano, canela, pimenta e tomilho em rações de frangos de corte proporciona melhor digestibilidade da matéria seca e de proteína bruta aos 42 dias de idade, quando comparado com o grupo controle.
Substituição aos promotores de crescimento
Óleos essenciais (capsaicina, carvacrol, timol, eugenol e cinamaldeino) promovem redução de lesões no ceco de frangos tratados, além de controle da população de Clostridium perfringens, reduzindo a contagem em duodeno, jejuno, íleo e ceco. Isso ocorre porque os componentes presentes nos óleos essenciais estimulam a produção de enzimas, provocando melhoria na digestibilidade dos nutrientes, que consequentemente auxilia a estabilização da microbiota intestinal.
A literatura científica tem mostrado os efeitos benéficos dos óleos essencias na melhoria da saúde intestinal e desempenho na produção avícola. Por exemplo, o extrato de orégano foi testado como aditivo substituto ao promotor de crescimento em frangos de corte. Não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos quanto aos resultados de desempenho, qualidade da carcaça, avaliação anátomo-fisiológica do trato digestivo e bactérias encontradas no ceco das aves.
Também foi realizado estudo do efeito da adição do óleo essencial à base do timol em rações de frangos. Os resultados de peso final e conversão alimentar foram semelhantes aos do grupo controle, com adição do antibiótico colistina.
Adicionalmente, avaliou-se o efeito da utilização de óleo essencial de orégano na alimentação de frangos de corte, em combinação ou não com coccidiostático, frente ao uso de bacitracina de zinco como promotor de crescimento. Conclusão: o aditivo fitogênico pode ser utilizado como substituto ao melhorador de desempenho.
O fato é que os óleos essenciais têm se apresentado como uma promissora alternativa ao uso de promotores de crescimento. As características destes compostos, como baixa toxicidade, solubilidade, facilidade de obtenção e resultados benéficos a campo são os principais fatores responsáveis pelo destaque dado a esses aditivos.
O principal mecanismo de ação destes compostos, para atuarem como antimicrobianos, está relacionado aos efeitos prejudiciais à membrana celular dos microrganismos patógenos. Os efeitos benéficos desses compostos também apresentam-se associados à diminuição das inflamações, uma vez que estimulam a liberação de citocinas anti-inflamatórias, que suprimem a ativação dos mediadores inflamatórios das células do sistema imunológico.
Para escolher o óleo essencial ideal, é preciso, primeiramente, definir a finalidade de utilização do produto, tendo como foco o desempenho das aves ou sua saúde intestinal. Desta forma, como critérios de seleção recomenda-se considerar: composição, concentração, atividade biológica dos princípios ativos e resistência a temperaturas de processamento. É importante ter ciência de que um mesmo princípio ativo pode ser encontrado em diversas plantas em concentrações diferentes e uma mesma planta pode conter mais de um princípio ativo. Assim, é de fundamental importância investigar as atividades de misturas de óleos essenciais sobre o metabolismo de frangos de corte.

Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.



