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Óleos essenciais: mais carne, mais leite, menos antibióticos

Os óleos podem potencializar a nutrição, a saúde do animal e a produtividade

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Nos últimos anos os óleos essenciais ganharam a atenção do produtor rural brasileiro. Com a redução de antibióticos na produção, eles são alternativa também para a bovinocultura de corte e de leite. O Presente Rural entrevistou o médico veterinário Júlio César Laureano Martino, gerente técnico comercial da Anpario, para saber um pouco mais sobre o tema e como os óleos podem potencializar a nutrição, a saúde do animal e a produtividade.

O Presente Rural – O que são óleos essenciais?

Júlio César Laureano Martino – Os óleos essenciais são compostos líquidos, complexos, bioativos, voláteis, com odor e cor característicos, formados a partir de metabólitos secundários de plantas, presentes em todos os órgãos desta, como brotos, flores, folhas, caules, galhos, sementes, frutas e cascas.

O conhecimento sobre óleos essenciais de plantas data desde alguns séculos antes da era cristã. As referências históricas de obtenção desses óleos estão ligadas, originalmente, aos países orientais, destacando-se o Egito, Pérsia, Japão, China e Índia.

O Presente Rural – Quando e por que começaram a ser usados nas dietas de ruminantes?

Júlio César Laureano Martino – Desde 2006, com a proibição da utilização de promotores de crescimento (antibióticos) em rações para animais de produção em alguns países ao redor do mundo.

No Brasil, a portaria número 171 publicada em dezembro de 2018 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com a intenção de proibir a utilização de diversos promotores de crescimento, como a tilosina, lincomicina e bacitracina, fez com que houvesse uma demanda maior por alternativas naturais. Ou seja, a realidade que já encontramos em alguns países da União Europeia estava cada vez mais se aproximando do Brasil e com isso, fazendo com que os óleos essenciais se tornassem alternativas na busca de desempenho no sistema de produção animal.

O Presente Rural – Quais óleos essenciais são mais usados na bovinocultura de corte e de leite?

Júlio César Laureano Martino – Na nutrição animal, podemos citar a utilização do Carvacrol, Timol, Cinemaldeído e Eugenol, que podem ser extraídos de orégano, tomilho, canela e cravo.

O Presente Rural – Quais são os principais componentes desses óleos?

Júlio César Laureano Martino – A estrutura química dos óleos essenciais é composta por elementos básicos como o carbono, oxigênio e hidrogênio, sendo sua classificação química difícil, por serem formados por uma mistura de diversas moléculas orgânicas, como: hidrocarbonetos, álcoois, ésteres, aldeídos, cetonas, fenóis, entre outras.

O Presente Rural – Como eles atuam no animal?

Júlio César Laureano Martino  – Os óleos essenciais possuem ação antimicrobiana, que se caracteriza pela degradação da parede celular, com isso há o rompimento desta barreira permeável, comprometendo suas funções celulares, incluindo regulação metabólica e manutenção do estado energético (Nazzaro et al., 2013).

Em se tratando de bovinos, os benefícios também são satisfatórios. Os óleos essenciais atuam sobre as bactérias Gram + e Gram – (patogênicas) no rúmen dos animais, semelhante aos ionóforos. Com isso, a redução destas bactérias resulta em benefícios como a redução de ácido acético e aumento da produção de ácido propiônico (precursor de energia). O resultado pode ser traduzido como, aumento na produção de leite e carne, ou seja, melhor desempenho dos animais.

Outro fato importante a respeito da inclusão dos óleos essenciais na dieta de ruminantes diz respeito a digestibilidade. Primeiro, há uma redução da degradação da proteína no rúmen, pela inibição da proliferação de bactérias proteolíticas. Segundo, há uma diminuição na degradação de amidos, favorecendo a velocidade do fluxo destes nutrientes ao intestino. Inclusive, existem relatos que há a possibilidade de incrementar a digestibilidade da proteína em 11%, assim como também se pode incrementar a digestibilidade de outros nutrientes (Yang et al.,2007).

O Presente Rural – Quais são seus benefícios zootécnicos para a bovinocultura de corte e de leite?

Júlio César Laureano Martino – Em gado de corte, os óleos essenciais representam a nova geração em produtos melhoradores da fermentação ruminal. O uso de produtos com composição e controle de qualidade garantidos podem resultar em melhoras significativas da digestibilidade e dos ganhos de peso dos animais, com a grande vantagem de, por serem naturais, podem ser usados sem as restrições que apresentam os antibióticos.

Com isso, temos estudos em gado de leite que demonstram a melhora significativa no ganho médio diário de bezerras, com maior peso ao desmame. Assim como um incremento na produção de leite, na primeira lactação.

O Presente Rural – Quais são seus benefícios financeiros para a bovinocultura de corte e de leite?

Júlio César Laureano Martino – De acordo com a tendência do uso de produtos naturais, como os óleos essenciais, vejo como o principal resultado financeiro, a diminuição do uso de medicamentos em todo o sistema de produção.

Com certeza, o produtor terá um animal eficiente, com menor incidência de doenças. Animais mais saudáveis, com melhor resposta imunológica e melhores índices zootécnicos.

Com o uso de óleos essenciais, novos mercados podem se abrir, onde o diferencial de um produto (carne ou leite), oriundo de animais livres de antibióticos poderá ser explorado em determinados nichos de mercado, com valores diferenciados.

O Presente Rural – Qual a relação dos óleos essenciais com a redução de metano e o que isso significa para a produção de corte e leite?

Júlio César Laureano Martino – O óleo essencial poderá ser utilizado como suplemento nutricional para bovinos a fim de reduzir a produção de gás metano (CH4) pelos animais.

Isso acontece porque os óleos essenciais são potenciais aditivos naturais para uso de alimentação animal, pois apresentam propriedades antibacterianas, antifúngicas e antioxidantes, melhorando a qualidade da digestão animal e favorecendo a fermentação.

Segundo os resultados de pesquisa, são importantes no debate de assuntos de impacto ambiental e atividade pecuária. Segundo um estudo, o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com 219 milhões de cabeças, e cerca de 13,4% do rebanho mundial. E, apesar da reconhecida importância, o País vem sendo criticado por emitir quantidades significativas de gases de efeito estufa: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). No caso do metano, o Brasil é o maior emissor mundial.

O Presente Rural – Quais os níveis e em que fases da produção (corte e leite) eles são usados?

Júlio César Laureano Martino – Leite. Óleos essenciais podem ser utilizados na dieta de vacas em lactação para aumentar a produção e qualidade do leite e para o controle da mastite, sem uso de antibióticos. Com isso, existe uma grande relevância por ser um produto seguro, aplicável e sustentável, que não deixa resíduos no leite e pode ser utilizado em propriedades com produção de leite, sendo um diferencial para aquelas que produzem leite orgânico.

Em bezerras, os óleos essenciais, por suas características antimicrobiana, anticoccidiana, antinflamatoria e antioxidante, diminuem a incidência de diarreias, resultando em um melhor crescimento das bezerras, com maior ganho de peso e uma melhora na produtividade na primeira lactação.

Os óleos essenciais também foram pesquisados com a finalidade de controlar o carrapato do boi, formulações alternativas de origem natural, devido à resistência dos parasitas aos produtos químicos.

Corte. Na pecuária de corte, o uso de óleos essenciais como substitutos de promotores de crescimento (ionóforos) é uma excelente alternativa, natural e segura. Até o momento, os óleos essenciais estudados demonstraram capacidade para incrementar vários parâmetros produtivos como o ganho médio diário, melhora no rendimento de carcaça ou ainda, melhorando a qualidade da carne (menor oxidação lipídica, levando a melhor qualidade da carne, com mais maciez e aspecto final para o consumidor). Ainda serão necessários mais estudos para esclarecer o mecanismo de ação e os efeitos dos óleos essenciais, assim como as dosagens necessárias e combinações mais rentáveis e eficazes, além das sinergias mais potentes, sendo importante estudar a aceitação do consumidor final a este tipo de carne.

Sem dúvida, existe a necessidade de muito mais estudos sobre o resultado do uso dos óleos essenciais na pecuária de corte, tendo uma janela aberta para o uso destes produtos naturais como alternativa para a melhora dos sistemas produtivos, melhora na rentabilidade e aceitação do consumidor final frente a este tipo de carne.

O Presente Rural – Como esses óleos essenciais são produzidos e administrados?

Júlio César Laureano Martino – A produção dos óleos essenciais requer alguns cuidados importantes, para que a extração dos componentes das plantas seja feita da melhor forma possível, fazendo com que a qualidade seja mantida, já que vários fatores externos podem influenciar no produto final.

Entre os fatores externos, podemos citar as variedades cultivadas, fatores geográficos (altitude), fatores climáticos (índices pluviométricos e luminosidade) e época da colheita. Para diminuir a ação dos fatores externos e garantir a qualidade e padronização das concentrações dos ingredientes, a extração de óleos essenciais por destilação à vapor é muito eficiente.

Os óleos essenciais, na apresentação líquida, podem ser administrados aos animais via oral, através da água de beber. No caso de bezerras de leite, devido ao manejo, podemos administrar os óleos essenciais via colostro, leite ou sucedâneo, desde o nascimento até o desmame. Além disso, óleos essenciais na apresentação pó são inclusos na dieta dos animais, via ração. 

O Presente Rural – Como está a utilização de óleos essenciais na pecuária brasileira?

Júlio César Laureano Martino – O uso de óleos essenciais na nutrição de ruminantes no Brasil ainda é pequeno.  Muitos aditivos esperam ainda por serem melhor compreendidos, de maneira a serem usados no momento e na forma que realmente faça diferença. Assim, selecionar e usar seguindo as melhores recomendações técnicas constituem o protocolo mínimo para pensar em se usar aditivos com resultados comprovados e eficientes.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Abiec

Exportações brasileiras de carne bovina registram faturamento de US$ 1 bilhão em julho

Volumes cresceram 16,4% com 191.251 toneladas embarcadas no mês

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Arquivo/OP Rural

As exportações brasileiras de carne bovina registraram incremento de 16,4% no mês de julho em comparação a junho, de acordo com os dados divulgados pela Secex e compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Ao todo, foram embarcadas 191.251 toneladas de carne bovina em julho ante 164.332 toneladas em junho. Em receita, o aumento foi de 21,1%, passando de US$ 835,1 milhões para US$ 1 bilhão. Trata-se do melhor resultado mensal do ano.

Na comparação com Julho de 2020, os embarques registraram desaceleração de 1,4% no volume ante as 194 mil toneladas embarcadas no mesmo período. Já o faturamento cresceu 29,9% em julho desse ano ante os US$ 778,3 milhões registrados em julho de 2020, indicando um aumento do preço médio pago pela carne em vários mercados. O preço médio total no período registrou alta de 31,8%.

China

A China segue como principal destino da carne brasileira fechando o mês de Julho com um volume total de 91.144 toneladas, crescimento de 11,2%. As receitas tiveram alta de 19,1% somaram US$ 525,5 milhões. Quando se observa o período de janeiro a julho de 2021, os embarques para a China já somam 490 mil toneladas e receitas de US$ 2,493 bilhões, crescimento de 8,6% e 13,8%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período de 2020.

Acumulado do ano

De janeiro a julho de 2021 as exportações totais registraram incremento de 8,5% no faturamento que fechou o período em US$ 5 bilhões ante US$ 4,6 bilhões registrado nos sete primeiros meses de 2020. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume embarcado deixou de crescer 3,3% com embarque de 1.065.676 toneladas.

Outros destinos

No acumulado do ano, os embarques para os Estados Unidos cresceram 93%, passando de 27.512 toneladas para 53.123 toneladas. Outros destinos que registraram aumento do volume foram Chile com 48.789 toneladas, Filipinas com 32.642 toneladas e Emirados Árabes Unidos com 25.349 toneladas.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Financiamento

Com R$ 27 bilhões, crédito rural atinge recorde no primeiro mês da safra 2021/2022

Os produtores do Pronaf foram os que mais contrataram no período

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No desempenho do primeiro mês da safra 2021/22, as contratações do crédito rural atingiram R$ 27 bilhões, aumento de 16% em relação à safra passada. Com o volume contratado, em julho, os investimentos somaram de R$ 6,8 bilhões, apresentando o maior crescimento (+38%). As operações de custeio totalizaram R$ 16,5 bilhões, correspondendo a alta de 12% em relação a igual período do ano passado.

De acordo com o Balanço de Financiamento Agropecuário da Safra 2021/2022, os produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) apresentaram o melhor desempenho relativo, com 56% de aumento e R$ 6,6 bilhões contratados, dos quais R$ 4,2 bilhões em custeio e R$ 1,8 bilhão em investimento, esse último com crescimento de 61%. Do montante de recursos autorizados para o Pronaf, ainda restam a ser contratados 87% dos investimentos e 78% das demais finalidades.

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp) apresentou uma elevação de 5% no volume de recursos contratados e atingiu R$ 3,8 bilhões. Desse montante, R$ 3,5 bilhões referem-se às contratações de custeio e, R$ 306 milhões, aos investimentos. Nesse sentido, o saldo remanescente para atendimento a futuras demandas dos médios produtores amparados pelo programa, situa-se em 93% para investimentos e 88% para custeio, comercialização e/ou industrialização.

Os programas de investimentos, com exceção do Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras) e do Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), requerem um período maior para análise. O volume contratado no primeiro mês, no conjunto dos programas, ainda é relativamente pequeno, abaixo de 5%.

No entanto, segundo a análise da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, cabe destacar que, no caso do BNDES, em alguns programas, o valor correspondente às propostas já protocoladas está próximo do limite de recursos alocados, a exemplo do Prodecoop (Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária) e do PCA (Programa de Construção e Ampliação de Armazéns), o que ensejou a suspensão temporária do acolhimento de novas propostas de financiamento pelo banco para esses programas.

Entretanto, a disponibilidade total de recursos para esses programas, no final de julho último era, respectivamente, de 100% e de 97% do valor de suas programações, pois na atual safra foi ampliado o número de agentes financeiros que operam os programas de investimento agropecuário. As contratações do PCA tiveram redução de 8%.

As fontes de recursos mais utilizadas pelas instituições financeiras na liberação do crédito aos produtores foram Recursos Obrigatórios (R$ 8,8 bilhões), Poupança Rural Controlada (R$ 6,0 bilhões) e Poupança Rural Livre (R$ 5,1 bilhões), cujo aumento foi de 106% em comparação a julho de 2020.

A poupança livre respondeu por 19% do valor total das contratações no primeiro mês da atual safra, sendo que a participação do total de recursos não controlados foi de 29%.

O valor das operações de crédito realizadas com recursos das demais fontes de recursos não controlados e respectivas variações foram: LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) R$ 1,07 bilhão (-35%), recursos livres R$ 1,3 bilhão (+34%) e outras fontes R$ 344 milhões (+288%).

As fontes controladas tiveram uma redução na participação das contratações de 79% para 71% nesta safra, comparativamente ao mesmo período da safra passada.

Fonte: Mapa
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição Animal

Adsorventes de micotoxinas: aditivo é indispensável em todas as fases de produção

Intoxicação dos animais pode provocar danos à saúde, queda do desempenho zootécnico e consequente perda financeira

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Um dos maiores desafios na alimentação animal é o controle de micotoxinas. A intoxicação dos animais pode provocar danos à saúde, queda do desempenho zootécnico e consequente perda financeira. O jornal O Presente Rural entrevistou Mateus Morgan, gerente de produto – adsorventes de micotoxinas – da Agrifirm, para saber onde estão, como prevenir e como tratar adequadamente esse tema. Boa leitura.

O Presente Rural – O que são micotoxinas e onde estão presentes?

Mateus Morgan – Micotoxinas são substâncias tóxicas resultantes do metabolismo secundário de diversas linhagens de fungos filamentosos. São compostos orgânicos de baixo peso molecular e baixa capacidade imunogênica. A sua ocorrência está presente em todo mundo principalmente em climas tropicais e subtropicais, o desenvolvimento fúngico é favorecido pela excelente condição ambiental como umidade e temperatura. Mais de setecentos metabólitos produzidos por aproximadamente uma centena de fungos são conhecidos atualmente.

Os principais fungos produtores de micotoxinas são do gênero Aspergillus, Penicillium e Fusarium, responsáveis pela produção dos três principais grupos de micotoxinas: aflatoxinas, ocratoxina e as fusariotoxinas que são representadas pelas fumonisinas, tricotecenos e zearalenona (tabela1). Os fungos dos gêneros Claviceps, Alternaria, Pithomyces são de baixa frequência, mas não de menor importância.

O Presente Rural – Porque elas são um problema para o agronegócio?

Mateus Morgan – A alta prevalência das micotoxinas nos alimentos acaba trazendo graves problemas para atividade agropecuária. Com os elevados custos de produção e das matérias primas, além de uma demanda por alimentos de alta qualidade para a nutrição animal, sempre que nos deparamos com alimentos contaminados acabamos tendo perdas significativas na qualidade destes alimentos, que impactam diretamente nos custos financeiros e produtivos nas propriedades e agroindústrias e que, necessariamente, tende ser repassado ao consumidor, afetando diretamente o agronegócio.

Como podemos ver na tabela 2, as contaminações de micotoxinas em volumosos são significativas e impactam diretamente nos resultados e qualidade dos alimentos.

Tabela 2 – Amostras de volumosos (julho 2020 a fevereiro de 2021)

O Presente Rural – Em que fases elas afetam a produção de gado de corte e leite?

Mateus Morgan – De maneira geral as micotoxinas afetam os ruminantes em todas as fases de produção dos animais quando expostos a estes metabólitos. Especificamente, os animais em produção são mais acometidos, devido ao maior consumo de alimentos (concentrado e volumosos) conservados que ficam armazenados por longos períodos, o que possibilita uma maior contaminação destes alimentos.

No gado de corte, animais em fase de confinamento e semiconfinamento e suplementados com altos níveis de concentrados são os mais propensos a contaminação. Já na produção de leite, os animais em produção e recria são mais predispostos às intoxicações devido a dieta estar 100% atrelada a alimentos armazenados, como os volumosos, que tendem a ter contaminações que causam efeitos deletérios aos animais.

O Presene Rural – Quais os prejuízos na produção de gado de corte e de leite?

Mateus Morgan – A problemática denominada micotoxinas, muitas vezes oculta dentro da produção, acaba trazendo prejuízos de grande monta no gado de corte e leite por agir de maneira silenciosa e muitas vezes negligenciada por profissionais desta área.

Dentro da pecuária de corte os prejuízos estão mais relacionados a queda de imunidade, danos às funções hepáticas e a saúde do trato gastrointestinal, que refletem em queda nos parâmetros zootécnicos e estão atrelados principalmente a Afla, Fumo e Don. Estudos relatam que altas doses destas micotoxinas podem trazer perda na casa de 150g/animal/dia dentro de confinamentos.

Na atividade leiteira, os problemas são muito similares aos bovinos de corte. A grande diferença para os bovinos leite está relacionada a problemas de cunho reprodutivo que estão diretamente relacionados a Zearalenona e a presença de Aflatoxina M1 no leite, oriundo da contaminação de Aflatoxina nos alimentos.

No gráfico 1 podemos identificar as perdas reprodutivas, associada as taxas de concepção de novilhas de corte em um estudo na Universidade de Santa Maria.

Gráfico 1 – Taxas de concepção após intoxicação de novilhas tradadas com T1 – dieta basal (controle), T2 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA, T3 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA + 2,5 kg/tonelada de AAM e T4 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA + 5,0 kg/tonelada de AAM que foram submetidas a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

O Presente Rural – Que tipos de práticas é preciso lançar mão para evitar prejuízos?

Mateus Morgan – Para evitar os prejuízos causados pelas micotoxinas devemos estar atentos a produção, armazenamento, pré e pós colheita e principalmente na produção manutenção dos silos de volumosos, evitando assim a proliferação dos fungos e aumento da contaminação das micotoxinas. Boas práticas nestas fases são fundamentais para evitar maiores contaminações.

É imprescindível o uso dos aditivos adsorventes de micotoxinas (AAM) para minimizar os impactos negativos destes contaminantes, pois estes são os grandes responsáveis pela proteção dos animais, quando há contaminação nos alimentos. Vale lembrar que nem todos os adsorventes do mercado apresentam eficiência protetora.

O Presente Rural – O que são adsorventes e como eles agem para a pecuária de corte e leite?

Mateus Morgan – Os AAM são aditivos tecnológicos com alta capacidade de adsorção dos metabólitos fúngicos presentes na ração, evitando a sua adsorção pelo trato gastrointestinal dos animais, eliminando-os de forma natural via fezes. Existem adsorventes específicos para determinadas micotoxinas e espécie animal, sendo de extrema importância, conhecer os resultados de eficácia (estudos) in vivo para cada micotoxina na espécie que está sendo usado estes aditivos.

A forma de ação dos AAM é muito idêntica em todas as categorias animais, sendo a sua principal função evitar que as micotoxinas sejam absorvidas no TGI, causando perdas a saúde dos animais e humanos. Outra função importante dos AAM é evitar a formação dos metabólitos tóxicos, produzidos a partir da absorção das micotoxinas, como por exemplo, a presença de Aflatoxina M1 no leite.

O Presente Rural – Que benefícios práticos têm no gado de corte e no gado de leite?

O Presente Rural – Como eles são administrados e em que níveis?

Mateus Morgan – As recomendações de uso são de duas formas; top dress e via ração. Já as doses de inclusão (gramas/animal/dia ou Kg/ton) é um tema que devemos ter total atenção, levando em consideração se as doses recomendadas pelo fornecedor realmente serão efetivas ao controle das micotoxinas.

A melhor maneira de certificar se a dose recomendada está correta e protegendo os animais é solicitar as avaliações de eficácia in vivo, assim, não corremos o risco de usar subdosagens que muitas vezes são um atrativo comercial.

O Presente Rural – Quais são as tecnologias em adsorventes de última geração? E quais as novas fronteiras sobre o tema?

Mateus Morgan – As novas tecnologias de adsorventes estão surgindo aos poucos no mercado, principalmente na produção tecnológica de adsorventes capazes de capturar mais de uma micotoxina. Nestas inovações, podemos citar uma tecnologia onde mudamos a estrutura da sílica através de processos químicos e térmicos tornando-as capazes de capturar Zearalenona, Doeoxinivalenol e Endotoxinas.

A biotransformação, inativação e detoxificação também surgem como tecnologias inovadoras e recentes, porém necessitam estudos e comprovações de eficácia. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) recentemente validou uma nova portaria que regulamenta o registro e uso dos AAM. Inovações e novas ferramentas de controle e mensuração da micotoxinas na produção animal têm surgido trazendo vários benéficos para o agronegócio.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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