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Oferta restrita mantém preços do trigo em alta no mercado interno

Levantamento do Cepea mostra valorização do cereal em junho, impulsionada pela retenção de estoques por produtores.

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Foto: Cleverson Beje

Os preços do trigo em grão continuaram em alta no mercado interno durante a parcial de junho, impulsionados pela oferta restrita no mercado spot. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), produtores que ainda possuem estoques têm adiado as vendas à espera de melhores oportunidades de comercialização, enquanto os moinhos seguem elevando as ofertas para recompor os estoques.

Foto: Luiz Magnante

Levantamento do Cepea, considerando o período até 26 de junho, mostra que o preço médio do trigo no Paraná alcançou R$ 1.371,12 por tonelada, alta de 1,4% em relação a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, o valor permanece 13% menor em termos reais, com base no IGP-DI.

No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.324,79 por tonelada, avanço de 1,9% frente ao mês anterior, mas 6,1% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.508,04 por tonelada, com aumento de 2,8% em relação a maio. Na comparação anual, a cotação recuou 5,6%.

Já em Santa Catarina, o trigo foi negociado, em média, a R$ 1.313,46 por tonelada, alta de 2,1% no comparativo mensal e queda de 14,4% em relação a junho de 2025.

Fonte: O Presente Rural com Cepea

Notícias Editorial

Mão de obra estrangeira ganha espaço estratégico nas cooperativas

Expansão das agroindústrias e menor oferta de trabalhadores locais reforçam a importância dos imigrantes no setor.

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Foto: Ari Dias

Há um dado que o agronegócio brasileiro ainda não incorporou com a gravidade necessária: em várias agroindústrias cooperativas do Sul do país, a presença de trabalhadores estrangeiros deixou de ser complementar. Em alguns casos, tornou-se condição operacional.

Essa constatação muda a forma como o tema deve ser tratado. Não se trata apenas de imigração. Tampouco de uma pauta restrita a recursos humanos. O que está em jogo é a capacidade de cooperativas manterem linhas de produção, cumprirem escalas, sustentarem abates, operarem unidades industriais, atenderem supermercados, ampliarem investimentos e preservarem a renda de milhares de famílias ligadas ao campo.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

Quando uma cooperativa informa que estrangeiros representam 30% do quadro funcional, ou que em determinada unidade nove em cada dez trabalhadores vieram de outros países, o dado não pode ser lido como curiosidade demográfica. Ele revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho. As agroindústrias cresceram, os municípios do interior mudaram, a oferta de trabalhadores locais ficou mais limitada e algumas funções passaram a encontrar menor adesão entre brasileiros. O espaço foi ocupado por haitianos, venezuelanos, paraguaios, cubanos, senegaleses, argentinos, colombianos, nigerianos e profissionais de tantas outras origens.

Esses trabalhadores não aparecem apenas nas estatísticas. Eles estão nas escalas de fim de semana, nas linhas industriais, nos setores operacionais, nos supermercados, nas fábricas, nos frigoríficos, nos turnos que garantem continuidade à produção. São parte da engrenagem que transforma grãos, proteína animal, leite, peixes, insumos, serviços e logística em atividade econômica concreta nas regiões onde as cooperativas estão instaladas.

Foto: Renan Pereira

A indústria continuou em cidades do interior, próxima da produção rural, mas parte crescente da força de trabalho passou a vir de fora do país. Essa é uma mudança profunda e ainda pouco discutida com a seriedade que merece.

Há também uma contradição evidente. O Brasil cobra competitividade das suas cooperativas, exige eficiência industrial, defende expansão das exportações e comemora recordes de produção. Mas muitas regiões que sustentam essa engrenagem não conseguem mais oferecer, sozinhas, trabalhadores em número suficiente para acompanhar o crescimento. A resposta tem vindo dos imigrantes.

Por isso, tratar essa mão de obra apenas como “alternativa” é reduzir o tamanho do fenômeno. Em muitas operações, ela já é parte da estratégia. E, se é estratégica, precisa ser tratada com planejamento: acolhimento, moradia, idioma, qualificação, integração cultural, segurança jurídica, transporte, saúde, liderança preparada e política pública. Contratar é apenas o primeiro passo. Integrar é o verdadeiro teste.

A automação será parte da resposta, mas não substituirá a discussão humana. Máquinas podem reduzir etapas manuais, aumentar produtividade e aliviar gargalos. Não resolvem, sozinhas, a necessidade de pessoas capacitadas, estáveis e integradas às equipes. O futuro das agroindústrias cooperativas dependerá menos de escolher entre tecnologia e trabalhadores, e mais de combinar ambos com inteligência.

Foto: Divulgação/Arquivo AEN

Os estrangeiros que hoje vestem uniforme nas cooperativas brasileiras também revelam que o desenvolvimento regional não depende apenas de fábricas, silos, aviários, granjas, supermercados ou caminhões. Depende de gente disposta a trabalhar, permanecer, aprender e reconstruir a própria vida longe do país de origem.

Reconhecer essa importância não é romantizar a imigração. É enxergar a realidade econômica sem filtro. Parte da agroindústria cooperativa brasileira já não seria a mesma sem esses trabalhadores. E qualquer projeto sério de crescimento precisará considerar que a força do cooperativismo, daqui para frente, também será medida pela capacidade de integrar quem chegou de fora para ajudar a manter de pé aquilo que o interior construiu.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Estoques globais redesenham as perspectivas para o milho

Oferta elevada limita ganhos nas cotações, enquanto exportações e clima seguem no foco do mercado.

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Foto: Shutterstock

O mercado de milho deve permanecer influenciado, no curto prazo, pelo avanço da colheita da segunda safra no Brasil e pelas perspectivas de uma produção elevada nos Estados Unidos. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, esses fatores tendem a manter pressão sobre as cotações, enquanto o comportamento das exportações seguirá sendo um dos principais indicadores acompanhados pelo setor.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural

No cenário internacional, a expectativa é de uma safra norte-americana superior a 400 milhões de toneladas, o que mantém o balanço global de oferta e demanda em uma situação considerada confortável. Apesar disso, a consultoria aponta que a menor produção dos Estados Unidos em relação ao ciclo anterior deve contribuir para uma redução dos estoques globais ao longo da safra 2026/27.

Para o mercado brasileiro, a principal atenção está voltada ao avanço da colheita da segunda safra e aos rendimentos das lavouras, especialmente diante dos relatos de perdas provocadas pela seca em áreas do Centro-Sul. O volume final da produção será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.

As exportações também seguem no radar. Entre fevereiro e maio, os embarques brasileiros de milho somaram 3,3 milhões de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os principais destinos foram Egito, Vietnã e Malásia, impulsionados pela demanda dos países asiáticos.

Foto: Divulgação

Mesmo com o bom desempenho recente, a Consultoria Agro Itaú BBA projeta desaceleração das exportações brasileiras ao longo da safra 2025/26, em razão da maior participação da Argentina no mercado internacional. A estimativa é que o Brasil exporte 40 milhões de toneladas de milho, abaixo das 41,6 milhões de toneladas embarcadas na safra 2024/25.

Outro fator acompanhado pelo mercado é a confirmação do fenômeno El Niño. Segundo a consultoria, a possibilidade de um evento de forte intensidade acende um alerta para a segunda safra de 2027, já que anos com esse padrão climático costumam registrar redução da produção nas principais regiões produtoras do país.

Apesar da pressão de curto prazo provocada pela ampla oferta e pelas condições favoráveis às lavouras norte-americanas, a expectativa de redução dos estoques mundiais pode dar sustentação aos preços em um horizonte mais longo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Formação internacional reúne executivos de cooperativas do Paraná para discutir liderança e os desafios do agro global

Programa promovido pelo Sescoop passou por Brasil e México, reuniu representantes de 23 cooperativas paranaenses e abordou gestão, geopolítica, tecnologia e estratégias para o futuro do cooperativismo.

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Foto: Divulgação

Representantes de 23 cooperativas paranaenses participaram de uma formação internacional voltada ao desenvolvimento de lideranças e à gestão do cooperativismo, em uma programação realizada em São Paulo, Guadalajara e Cidade do México. Promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), o programa reuniu 30 executivos indicados pelas cooperativas, além de representantes da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e do Sescoop Paraná, para discutir temas como comércio internacional, inovação, geopolítica, governança e os desafios do agronegócio contemporâneo.

Coordenador-geral do Show Rural, o engenheiro-agrônomo Rogério Rizzardi: “A qualidade dos temas abordados e dos professores destacados demonstra a seriedade das instituições comprometidas com o fortalecimento do cooperativismo paranaense e do agro brasileiro” – Foto: Divulgação

Entre os participantes estiveram o gerente de Recursos Humanos da Coopavel, Aguinel Waclawovsky, e o coordenador-geral do Show Rural, o engenheiro-agrônomo Rogério Rizzardi. “Aprimorar e agregar novos conhecimentos à formação profissional é uma grande oportunidade, principalmente em uma época de mudanças em que antigas e novas habilidades são determinantes no exercício da liderança”, afirma Aguinel.

Para Rizzardi, a programação reforçou o compromisso das instituições com o desenvolvimento do cooperativismo. “A qualidade dos temas abordados e dos professores destacados demonstra a seriedade das instituições comprometidas com o fortalecimento do cooperativismo paranaense e do agro brasileiro”, comenta.

Imersão no México

Entre os dias 25 e 29 de maio, os participantes participaram de uma imersão no Ipade Business School, na Cidade do México. Segundo Aguinel, um dos principais aprendizados foi compreender a aplicação do método de casos, modelo de ensino baseado na análise e discussão de situações reais enfrentadas por empresas. “Cada participante analisa múltiplas perspectivas e, por meio do contraste de experiências, critérios e julgamentos, desenvolve uma maneira melhor de liderar”, explica.

Durante essa etapa, foram discutidos temas como agricultura de precisão e inovação no campo mexicano, avaliação de iniciativas de negócios, direção comercial, o ecossistema digital desenvolvido pela Bayer para o setor agrícola mexicano e o processo de expansão do Grupo Britt na América Latina.

Além das atividades na capital mexicana, o grupo esteve em Guadalajara, uma das principais cidades do país. A programação incluiu encontro com representantes da

Foto: Divulgação

Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Consumo Animal do México (Anfaca), visita às instalações da Bayer e uma reunião com a adida agrícola brasileira no México, a médica-veterinária Luna Lisboa Alves.

Etapa brasileira discutiu comércio internacional e geopolítica

Antes da programação no México, os executivos participaram de dois dias de atividades no ISE Business School, em São Paulo.

Nessa etapa foram debatidos temas como desafios do comércio internacional, tendências macroeconômicas, cadeias agroalimentares, decisões de investimento, impactos da política sobre os investimentos e tendências geopolíticas.

A programação também foi estruturada sobre quatro pilares considerados estratégicos para a gestão das cooperativas: área comercial, ambiente político, política de empresas (governança) e análise de decisões.

Tecnologia precisa gerar resultado para o produtor

Segundo a Coopavel, a experiência internacional permitiu compreender aspectos considerados fundamentais para o cooperativismo e o agronegócio contemporâneo. Entre eles, a necessidade de aproximar estratégia e execução, eliminando a separação entre planejar e agir.

Outro ponto destacado foi que o desenvolvimento tecnológico deve estar alinhado à realidade econômica do produtor rural. Conforme as discussões promovidas durante o programa, a adoção de tecnologias sofisticadas só faz sentido quando há viabilidade econômica para quem está no campo.

Também foram ressaltadas a importância da mudança de mentalidade nas organizações, da integração da cadeia produtiva e do uso de dados e tecnologias com propósito.

Formação amplia visão estratégica

Mesmo com formação acadêmica em liderança, cultura organizacional, preparação para expansão e estruturação de equipes estratégicas, Aguinel afirma que participar de uma imersão internacional desse nível amplia significativamente a capacidade de gestão.

Segundo ele, entre os principais ganhos estão a ampliação da visão estratégica, o amadurecimento na tomada de decisões, uma compreensão mais abrangente do mercado e a construção de uma rede de relacionamentos voltada ao desenvolvimento do cooperativismo e do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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