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Oferta limitada, demanda aquecida e incertezas políticas puxam alta nos preços da ureia
No Brasil, as cotações do fertilizante subiram 29% nos portos nacionais entre janeiro e julho, segundo a StoneX.

A oferta no mercado internacional de nitrogenados segue reduzida. Esse cenário, segundo o relatório semanal de fertilizantes da StoneX, empresa global de serviços financeiros, contribuiu para sustentar os preços no comércio mundial.
Ao mesmo tempo, a demanda aquecida na Índia e as aquisições do país têm sido um dos principais fatores de alta nas últimas semanas. “Atualmente, a Índia realiza uma licitação para a importação de ureia que poderá movimentar até 2 milhões de toneladas do produto. Investidores acompanham esse evento com atenção, aguardando mais informações sobre preços para obter maior clareza quanto às intenções dos participantes dessa negociação”, realça o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías.

Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado – Foto: StoneX
De acordo com Pernías, de forma geral, essa dinâmica apertada entre oferta e demanda dificulta uma queda nos preços dos nitrogenados. Nos Estados Unidos, por exemplo, as tarifas impostas por Trump sobre as importações reduziram a atratividade do mercado norte-americano, inibindo a entrada de nitrogenados no país.
“Sendo assim, o resultado tem sido uma oferta limitada logo depois de uma temporada de aplicações que foi marcada por forte consumo de fertilizantes. Além disso, nos últimos dias, outro fator fez os preços da ureia dispararem no país: a ameaça de novas sanções sobre a Rússia suscitou preocupações entre os compradores. A Rússia está entre os principais fornecedores de ureia aos EUA e, sem suas mercadorias, os norte-americanos teriam que recorrer a outros fornecedores, o que poderia encarecer ainda mais as importações”, explica o analista.
Mercado brasileiro é impactado pelo cenário global
Segundo Pernías, esse contexto de incerteza afetou o Brasil. Atualmente, as compras brasileiras de ureia não têm se destacado, mas, como a China segue restringindo seus fluxos de exportação desse fertilizante, a oferta internacional reduzida tem mantido os preços relativamente altos no país.
Além disso, a ameaça de que os EUA possam estabelecer sanções à Rússia — afetando países que importam mercadorias russas, como o Brasil — gerou inquietações entre os importadores brasileiros, pois a Rússia é uma grande fornecedora de fertilizantes ao país.
“Foi observado entre os primeiros dias de janeiro e o final de julho de 2025 um aumento nos preços da ureia nos portos do Brasil de aproximadamente 29%, refletindo os fundamentos mais apertados no mercado internacional. A valorização dos fertilizantes é, em parte, um dos fatores responsáveis pelos custos de produção mais elevados enfrentados pelos agricultores brasileiros para a safra 2025/26”, conclui Pernías.

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Soja e carnes impulsionam exportações pelos portos paranaenses
Movimentação total cresceu 14,3% em maio, enquanto os embarques de soja avançaram 91% e as proteínas animais alcançaram 1,5 milhão de toneladas no ano.

Impulsionada pelo crescimento das exportações, a Portos do Paraná movimentou 6,12 milhões de toneladas em maio, volume 14,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram movimentadas 5,35 milhões de toneladas.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
No acumulado de janeiro a maio, a movimentação total alcançou 28,87 milhões de toneladas, resultado 2,4% maior que mesmo período do ano passado, que somou 28,19 milhões de toneladas. “Toda essa movimentação demonstra que os portos paranaenses são altamente competitivos e geram bons resultados para os operadores que atuam aqui. Por isso, seguimos investindo em infraestrutura, modernização de sistemas e capacitação de pessoal. Só assim é possível construir uma logística cada vez mais inteligente e eficiente”, enfatiza o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
Nas exportações, a Portos do Paraná alcançou 4,04 milhões de toneladas em maio, cerca de 900 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2025, crescimento de 28,8%. Já as importações somaram 2,07 milhões de toneladas, volume aproximadamente 140 mil toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Soja lidera crescimento
O principal produto impulsionador do comércio exterior foi a soja. As 831,8 mil toneladas exportadas em maio de

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
2025 saltaram para 1,58 milhão de toneladas em maio de 2026, um crescimento de 91%. No acumulado do ano, a commodity registra alta de 29%.
O Porto de Paranaguá é responsável pelo embarque de 14,2% de toda a soja exportada pelo Brasil, com destino principalmente aos mercados da Ásia e do Oriente Médio.
O farelo de soja foi o segundo grande destaque do mês. O volume exportado passou de 628,3 mil toneladas em maio de 2025 para 796 mil toneladas em maio deste ano, aumento de 27%.
O Porto de Paranaguá é o segundo maior exportador de farelo de soja do Brasil, com participação de 26,5% nas exportações nacionais registradas nos cinco primeiros meses do ano, de acordo com dados do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne informações sobre o comércio exterior, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Contêineres e proteínas animais em alta
As cargas exportadas por contêineres registraram aumento de aproximadamente 30 mil toneladas, alcançando 824,3 mil toneladas em maio, crescimento de 4%.
Grande parte desse volume é composto por proteínas animais congeladas. De janeiro até o fim de maio, cerca de 1,5 milhão de toneladas de carnes foram enviadas para mercados como China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Japão, entre outros países.
Também houve crescimento nas exportações de óleos vegetais, com alta de 53% em maio e de 40% no acumulado do ano. Já a celulose registrou aumento de 5% no quinto mês de 2026.
Importações
As importações por contêineres, segundo principal segmento movimentado nos portos paranaenses, cresceram de 582,1 mil toneladas para 651 mil toneladas em maio, avanço de 12%.
Os fertilizantes, principal produto desembarcado pelos portos paranaenses, somaram 825 mil toneladas em maio. O volume representa uma redução de 14% em comparação ao mesmo mês de 2025.
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Mercado de saúde animal movimenta R$ 12,8 bilhões no Brasil
Setor avançou 7,9% em 2025, impulsionado principalmente pela pecuária de corte e pela avicultura. Bovinos já respondem por quase metade do faturamento da indústria.

A indústria de saúde animal encerrou 2025 com faturamento de R$ 12,8 bilhões no Brasil, resultado 7,9% superior ao registrado no ano anterior. Os dados, divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), mostram a continuidade do crescimento de um setor diretamente ligado à produtividade pecuária, à prevenção de doenças e à segurança sanitária dos rebanhos.
O desempenho mantém uma trajetória de expansão observada ao longo da última década. Segundo o Sindan, o setor acumula crescimento médio próximo de 10% ao ano, impulsionado pela incorporação de novas tecnologias voltadas à prevenção e ao controle sanitário dos animais de produção e de companhia. “O resultado de 2025 confirma a maturidade de um setor que cresce de forma consistente há mais de uma década. A indústria de saúde animal é parte fundamental da produção agropecuária e da segurança alimentar do país, além de proporcionar maior bem-estar e longevidade aos pets. Nossas empresas seguem investindo em tecnologia e prevenção para acompanhar as exigências dos mercados interno e externo”, afirma o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Salani.
Bovinos concentram quase metade do mercado

Foto: Shutterstock
A bovinocultura manteve a liderança entre os segmentos atendidos pela indústria de saúde animal. Sozinha, a atividade respondeu por 47% de todo o faturamento do setor em 2025.
O resultado reflete a dimensão do rebanho brasileiro e a crescente demanda por tecnologias voltadas à sanidade, reprodução, controle de parasitas e prevenção de enfermidades que afetam a produtividade.
A relevância do segmento também acompanha o peso da carne bovina na pauta exportadora brasileira e a necessidade de atender exigências sanitárias cada vez mais rigorosas nos mercados internacionais.
Avicultura amplia participação

Foto: Divulgação/Freepik
Outro destaque do ano foi a avicultura, impulsionada pelo crescimento das exportações brasileiras de proteína animal e pela demanda internacional por carne de frango.
Embora o Sindan não tenha detalhado os números por segmento, a entidade aponta que a atividade esteve entre as que mais cresceram em 2025, ampliando sua participação dentro do mercado de saúde animal.
O movimento acompanha a expansão da produção avícola nacional e o aumento dos investimentos em biosseguridade, vacinação e prevenção sanitária.
Prevenção segue puxando investimentos
Entre as categorias de produtos, os biológicos e os antiparasitários permaneceram entre os principais motores da indústria.
A tendência reflete uma mudança gradual na forma como a sanidade animal é conduzida nas propriedades rurais, com maior foco em prevenção, monitoramento e redução de riscos sanitários.
O uso de vacinas, programas preventivos e tecnologias voltadas ao controle de parasitas vem ganhando espaço tanto na pecuária quanto em outras cadeias de produção animal.
Mercado pet perde participação, mas continua relevante
Após anos de crescimento acelerado, o segmento de animais de companhia registrou uma redução relativa na participação sobre o faturamento total da indústria.
Em 2025, o mercado pet respondeu por 25% das receitas do setor, ante 27% no ano anterior.
A queda de participação, porém, não significa retração do segmento. Segundo o Sindan, o movimento está mais relacionado ao crescimento mais acelerado das cadeias produtivas de bovinos e aves, que ampliaram seu peso dentro do mercado total. “A recomposição entre os segmentos reflete o bom momento das cadeias de produção, e não uma perda de força do mercado pet, que segue relevante e com amplo espaço para evoluir em prevenção e cuidado”, afirma a diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan, Gabriela Mura.
Setor acompanha transformação da pecuária

Foto: Jaelson Lucas
Os números mostram que a indústria de saúde animal continua acompanhando as mudanças da produção agropecuária brasileira, cada vez mais dependente de tecnologias voltadas à prevenção, à eficiência produtiva e ao atendimento de exigências sanitárias dos mercados consumidores.
Com faturamento crescente e demanda sustentada por soluções de sanidade, o setor segue como um dos componentes estratégicos para a competitividade da pecuária brasileira e para a manutenção dos padrões sanitários exigidos no comércio nacional e internacional.
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Proteínas animais e bioenergia buscam espaço em programa federal de apoio à indústria
Ministérios discutem inclusão de cadeias como avicultura, suinocultura, bovinocultura, pescados e etanol no Brasil Soberano II, iniciativa voltada ao fortalecimento da competitividade e da resiliência produtiva do país

O governo federal iniciou discussões para ampliar o alcance do Programa Brasil Soberano II e incluir entre os setores elegíveis ao apoio financeiro algumas das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. A proposta foi debatida na última quarta-feira (10), durante reunião entre os ministros da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias; e da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo.
O encontro também contou com a participação do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, e teve como foco a avaliação da entrada de atividades ligadas à proteína animal e à bioenergia no programa federal.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Entre os segmentos citados estão a avicultura, a suinocultura, a bovinocultura, a produção de pescados e a fabricação de álcool. A justificativa apresentada pelo setor público é o peso econômico dessas atividades, sua participação nas exportações brasileiras e a contribuição para o abastecimento alimentar e energético.
Criado para fortalecer a competitividade das empresas nacionais, o Programa Brasil Soberano II busca ampliar a capacidade de resposta das cadeias produtivas diante de mudanças geopolíticas, comerciais e tecnológicas que vêm alterando o ambiente de negócios internacional.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Durante a reunião, o ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que a proposta busca reconhecer a importância estratégica dessas atividades para a economia brasileira. “Estamos falando de cadeias produtivas que têm papel estratégico para a economia brasileira, geram empregos, impulsionam as exportações e contribuem diretamente para a segurança alimentar e energética. É reconhecer sua relevância e fortalecer a capacidade do Brasil de enfrentar os desafios do cenário internacional”, afirmou.
Pescados entram na pauta
Além das proteínas animais tradicionais e da bioenergia, a cadeia de pescados também esteve no centro das discussões. O setor reivindica participação na próxima etapa do Programa Brasil Soberano, argumentando que a medida pode ampliar o acesso a investimentos, estimular a modernização da atividade e favorecer a abertura de novos mercados.
A expectativa é que a inclusão do segmento fortaleça tanto a pesca quanto a aquicultura, beneficiando produtores, indústrias e trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Ao comentar o pleito, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, sinalizou apoio à análise da demanda durante a revisão do programa. “A apresentação desse pleito reforça ainda mais a necessidade de que, na revisão do Programa Brasil Soberano, possamos levar em conta esse pedido para contemplar uma atividade que é absolutamente essencial”, declarou.
A eventual ampliação do Brasil Soberano II ainda depende de avaliação do governo federal. Caso avance, a medida poderá ampliar o acesso das cadeias de proteína animal, bioenergia e pescados aos instrumentos de apoio financeiro previstos pelo programa, em um momento em que o Brasil busca fortalecer sua posição nos mercados globais e reduzir vulnerabilidades em setores considerados estratégicos para a economia nacional.



