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Obstáculos internos travam protagonismo global do agro, alerta Antônio Cabrera
Para ele, o que barra esse protagonismo não são as disputas comerciais entre grandes players, mas sim as falhas estruturais dentro do próprio Brasil.

Apesar de sua força produtiva e presença consolidada nos principais mercados internacionais, o agronegócio brasileiro ainda enfrenta entraves que impedem o país de assumir, de forma definitiva e sustentável, a liderança global na exportação de proteínas animais. Essa é uma avaliação do médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho, que integra o know-how de especialistas que palestraram no Alimenta 2025 – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, realizado nesta semana no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba (PR).

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “A diplomacia brasileira precisa conhecer mais a fundo as mudanças profundas que ocorreram no campo nos últimos anos. Somos hoje a mais desenvolvida agricultura tropical do mundo, assim como somos o maior exportador de sustentabilidade do planeta” – Foto: Divulgação/Alimenta
Para ele, o que barra esse protagonismo não são as disputas comerciais entre grandes players, mas sim as falhas estruturais dentro do próprio Brasil. “É claro que temos alguns obstáculos externos, mas o maior problema do agro brasileiro é interno. Às vezes, até imagino que estamos dormindo com o inimigo”, menciona.
De acordo com o ex-ministro, é incontável o número de forças internas contrárias ao desenvolvimento do campo, que vão desde decisões políticas até o descaso com a infraestrutura logística. Um dos exemplos mais emblemáticos é a Ferrogrão, ferrovia estratégica para o escoamento da produção do Norte do país, que segue travada por entraves judiciais e políticos. “É inacreditável que um país que vai sediar a COP 30 não dê prioridade a uma ferrovia que é, sem dúvida, o maior projeto de descarbonização da economia global”, ressalta, com indignação.
Guerra comercial abre espaço, mas exige estratégia de longo prazo
Defensor do comércio livre, Cabrera afirma que, apesar das distorções provocadas pela guerra tarifária entre Estados Unidos e China, o Brasil pode sair favorecido do atual cenário global. “O livre comércio é uma das principais ferramentas que impulsionam a prosperidade”, destaca, reconhecendo que as barreiras impostas pelos norte-americanos tendem a abrir espaço para o agro brasileiro em mercados estratégicos, especialmente no asiático.

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “Temos uma janela geopolítica rara. Aproveitar esse momento exige estratégia de Estado e visão de longo prazo” – Foto: Divulgação/Alimenta
Para Cabrera, há uma “profunda ironia” no fato de a China se posicionar atualmente como defensora da abertura comercial, enquanto os Estados Unidos seguem em sentido contrário. Na visão dele, essa inversão cria oportunidades importantes para o Brasil ampliar sua presença no comércio internacional de grãos, carnes e outros produtos agropecuários. “Não significa que devemos comemorar uma guerra comercial”, pondera. “Mas sim estarmos atentos e preparados para ocupar o espaço que se abre, sempre com responsabilidade e foco em produtividade e qualidade”, complementa.
Ele destaca que o agro brasileiro ainda precisa consolidar sua imagem como fornecedor confiável e competitivo, o que exige investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e diplomacia comercial. “Temos uma janela geopolítica rara. Aproveitar esse momento exige estratégia de Estado e visão de longo prazo”, reforça.
Segurança alimentar ganha força com instabilidade global
Para Cabrera, os conflitos geopolíticos em curso, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, estão redesenhando rotas e parcerias comerciais em escala global. Nesse contexto, o Brasil precisa adotar medidas estratégicas para proteger seus interesses e manter a competitividade no mercado internacional. “Todos esses conflitos globais estão resgatando a importância da segurança alimentar. Há um forte retorno desse sentimento de garantir o abastecimento de comida à população. E a melhor maneira de o Brasil se posicionar é resolver seus problemas de infraestrutura e fortalecer, cada vez mais, sua imagem como um parceiro confiável nessa cadeia alimentar. Por isso, temos que combater com vigor todas as propostas populistas que visem prejudicar essa cadeia de suprimento, como algumas ideias de proibir exportações agrícolas”, defende o ex-ministro.
Protecionismo disfarçado
O profissional ressalta que as crescentes exigências ambientais, de rastreabilidade e de bem-estar animal impostas

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “Precisamos parar de fornecer munição aos nossos concorrentes”
pela União Europeia e outros blocos comerciais configuram um novo tipo de protecionismo disfarçado. “Basta lembrar que ninguém tem uma lei ambiental tão rigorosa quanto o nosso Código Florestal. E, vale dizer, cada subsídio fornecido na União Europeia é um instrumento contra o meio ambiente”, observa, explicando: “Se um agricultor precisa de subsídio para produzir, isso significa que ele não está sendo tão eficiente na utilização dos recursos naturais quanto aquele que não depende tanto desses subsídios, como é o caso do agricultor brasileiro, ou seja, somos mais eficientes do que um agricultor europeu na utilização de nossas terras e água”, frisa.
O ex-ministro destaca ainda que a diplomacia brasileira tem avançado na defesa do agronegócio nacional diante dessas pressões externas, mas alerta que ainda há muito caminho a percorrer. “Primeiro, precisamos parar de fornecer munição aos nossos concorrentes. Quando um presidente da república diz que o nosso agro utiliza muito defensivo agrícola, o que não é verdade, ele está ajudando de forma desleal os nossos competidores”, afirma.
Falta de acordos comerciais trava crescimento sustentável
Além disso, Cabrera reforça a necessidade urgente de o Brasil avançar na formalização de acordos comerciais, que até hoje não têm sido a base das conquistas de mercado do setor. “Cada mercado conquistado pelo agro até o momento ocorreu sem um acordo comercial. Já é passado a hora de estabelecer esses acordos”, evidencia, destacando que o futuro do agronegócio brasileiro depende da combinação de eficiência produtiva, comunicação transparente e articulação diplomática que proteja o setor das barreiras injustas e permita a ampliação do acesso a mercados internacionais.

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “Hoje, pelo seu agro, o Brasil desempenha um papel no cenário geopolítico mundial como um forte ator”
O médico-veterinário afirma que o Brasil ainda é lento na formalização de acordos bilaterais que facilitem o comércio de carnes e demais produtos do agro. Para ele, essa morosidade está ligada a uma visão limitada por parte da diplomacia brasileira, que ainda não reconhece a transformação do cenário global. “Hoje, pelo seu agro, o Brasil desempenha um papel no cenário geopolítico mundial como um forte ator. Somos o maior fornecedor de alimentos para vários continentes, como a própria Europa ou o Oriente Médio”, ressalta.
Diversificação de mercados
Ele defende que a estratégia do país precisa estar voltada à diversificação de mercados, como forma de reduzir a dependência de grandes compradores, especialmente a China. “Em primeiro lugar, a China sempre será o maior comprador, pois é o maior mercado. Mas podemos fazer uma forte diversificação, agregando valor às nossas exportações”, expõe.
Cabrera lembra que os Estados Unidos são o segundo maior importador agrícola do mundo, enquanto o Brasil figura na sexta posição entre os maiores fornecedores mundiais. “Precisamos explorar mais este mercado. E o mesmo vale para o Japão, onde somos apenas o sétimo maior fornecedor. É um sinal claro de que estamos deixando oportunidades importantes de lado”, salienta.
Outro ponto destacado é o potencial dos mercados de produtos com maior valor agregado. Segundo ele, esse nicho movimenta cerca de US$ 726 bilhões globalmente, mas o Brasil ainda participa de forma tímida, com exportações que somam apenas US$ 5 bilhões. “Temos uma fatia muito pequena nesse mercado, e isso precisa mudar. É uma oportunidade concreta de crescer com produtos diferenciados, que levem a marca da qualidade e da sustentabilidade brasileira”, reforça.
Influência global
Na avaliação de Cabrera, a disputa entre grandes potências pelo controle da cadeia alimentar global tende a se

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “O que precisamos tomar cuidado são com essas propostas populistas da esquerda que às vezes aparecem no Congresso. Elas podem comprometer a previsibilidade e a confiança que construímos com os mercados internacionais”
intensificar nos próximos anos, e o Brasil precisa consolidar sua posição como um player confiável e estratégico. “Durante a pandemia, por exemplo, mais de 40 países, como a Rússia e a Índia, impuseram restrições às exportações de alimentos. O Brasil, em nenhum momento, travou suas exportações. Esse comportamento reforça a imagem do país como fornecedor seguro e comprometido com a segurança alimentar global”, enfatiza.
Apesar disso, ele faz um alerta sobre riscos internos: “O que precisamos tomar cuidado são com essas propostas populistas da esquerda que às vezes aparecem no Congresso. Elas podem comprometer a previsibilidade e a confiança que construímos com os mercados internacionais”, pondera.
Para ele, o maior desafio está em abrir ainda mais as fronteiras comerciais do país. “Precisamos ousar mais. Fazer aquilo que o agro já fez nos anos 1990, com uma profunda abertura econômica. Naquela época, éramos um dos maiores importadores de alimentos do mundo. Viramos a chave e nos tornamos um dos maiores exportadores”, sustenta.
Como exemplo da competitividade conquistada pelo setor, Cabrera cita o recente anúncio do governo federal sobre a redução das alíquotas de importação da maioria dos alimentos. “Ninguém reclamou. Isso mostra como o nosso agro se tornou extremamente competitivo. Agora, imagine se esse anúncio tivesse sido feito na área da indústria ou dos serviços? O país estaria paralisado por protestos e greves”, aponta.

Médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho: “A diplomacia brasileira precisa conhecer mais a fundo as mudanças profundas que ocorreram no campo nos últimos anos. Somos hoje a mais desenvolvida agricultura tropical do mundo, assim como somos o maior exportador de sustentabilidade do planeta”
Alinhamento entre diplomacia e agro
Para transformar a real importância do Brasil como potência agroalimentar em influência efetiva nas negociações globais, Cabrera defende maior alinhamento entre o setor e o corpo diplomático. “A diplomacia brasileira precisa conhecer mais a fundo as mudanças profundas que ocorreram no campo nos últimos anos. Somos hoje a mais desenvolvida agricultura tropical do mundo, assim como somos o maior exportador de sustentabilidade do planeta”, evidencia.
Com base em uma trajetória de eficiência produtiva, compromisso ambiental e capacidade de abastecer o mundo com segurança, Cabrera afirma que o Brasil tem todas as condições para liderar a nova geopolítica dos alimentos, desde que tome decisões estratégicas, internas e externas, à altura de sua responsabilidade global.
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Sementes sem comprovação de origem são apreendidas durante fiscalização no Rio Grande do Sul
Produtos permanecem retidos até julgamento dos autos de infração e podem ser condenados.

OMinistério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última semana, operação conjunta em Dom Pedrito (RS), que resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes de azevém com irregularidades documentais e operacionais.
Durante a fiscalização, duas empresas produtoras de sementes de espécies forrageiras de clima temperado e duas empresas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades constatadas motivaram a autuação dos responsáveis e a apreensão de produtos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.
Além da apreensão, motivada pela ausência de comprovação de origem e procedência da produção e pela prestação irregular de serviço de beneficiamento, os estabelecimentos foram devidamente autuados pelos órgãos de defesa agropecuária. Como, a princípio, as irregularidades constatadas não podem ser sanadas, os produtos permanecem apreendidos até o julgamento dos autos de infração, podendo ser condenados.
A operação ocorreu em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), por meio das Delegacias de Polícia Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete.
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Gargalos logísticos pressionam custos e desafiam a qualidade da produção no Mato Grosso
Pressão no corredor logístico da BR-163 tem aumentado preços dos fretes e prejudicado o escoamento de grãos.

A pressão operacional já aparece no frete e, para o produtor, isso significa menor margem em um cenário de preços internacionais mais comprimidos. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o quadro reforça a necessidade de melhorias estruturais de capacidade e previsibilidade logística.

Foto: RRRufino
O acesso atual aos terminais segue em processo de melhorias emergenciais, enquanto um novo acesso pavimentado, em traçado paralelo, está em construção com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao alto volume de caminhões e às limitações físicas do trecho.
De acordo com vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, o crescimento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias proporcionais na infraestrutura. “A produção aumenta ano após ano, mas as condições das rodovias continuam precárias. Há trechos finais de acesso que não são asfaltados e, em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros”, afirmou.
Segundo ele, o impacto econômico é direto na renda do produtor. “Hoje o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) gira em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada próxima de R$ 106 bruto, e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o custo logístico compromete significativamente a margem e reduz a competitividade do produtor”, destacou. Ilson Redivo também chama atenção para um problema estrutural adicional: a capacidade de armazenamento do estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga a comercialização e o escoamento em ritmo acelerado.
A produtora do município de Santa Rita do Trivelato, Katia Hoepers, acrescenta que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. “Para nós, o que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel, que pressiona toda a conta do transporte. O problema também está no porto em Miritituba, onde falta estrutura para receber os caminhões e tudo acaba travando. Além disso, houve expansão das áreas plantadas sem crescimento proporcional da armazenagem, o que gera longas filas nas tradings durante a colheita”, relatou.

Foto: Fernando Dias/Seapi
No campo, os efeitos são percebidos no dia a dia da operação. A incerteza quanto a prazos de entrega e a elevação do custo logístico impactam decisões de manejo, armazenamento e comercialização, além de ampliar riscos ao produto até a chegada ao porto.
Produtor no extremo norte do estado, Mateus Berlanda relata que as dificuldades começam ainda nas estradas regionais. “Nossa região tem alto índice de chuvas e solos com muita argila, o que dificulta o tráfego. Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados e, em períodos críticos, os caminhões simplesmente não conseguem avançar”, explicou. Ele acrescenta que o problema se estende à etapa seguinte da cadeia: “Mesmo quando conseguimos transportar a produção, enfrentamos filas de três a quatro dias nos armazéns, reflexo do déficit estrutural de capacidade e da pressão logística sobre toda a região”.
Berlanda, que produz na região de Alta Floresta, ressalta que a combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e limitações de armazenagem aumenta custos operacionais e amplia o risco de perdas indiretas. “O produtor da ponta do estado enfrenta uma sucessão de obstáculos desde a colheita até a entrega final, o que encarece o processo e aumenta a insegurança da operação”, afirmou.
A expectativa do setor produtivo é que a conclusão do novo acesso pavimentado traga maior fluidez ao corredor, reduzindo o tempo de viagem e contribuindo para estabilizar os custos logísticos. Até que as melhorias estruturais se consolidem, produtores de Mato Grosso seguem absorvendo os efeitos dos gargalos sobre a competitividade da produção destinada ao mercado internacional.
“O produtor contribui com o FETHAB esperando que os recursos sejam destinados à melhoria da logística e da infraestrutura das estradas. No entanto, esse retorno não tem chegado de forma efetiva à ponta. Reconhecemos os avanços promovidos pela atual gestão do governo do estado, mas, em um cenário de margens cada vez mais apertadas, é necessário reavaliar o FETHAB. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem perceber resultados concretos na infraestrutura fundamental para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Divulgação
Nesse cenário, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à armazenagem rural se apresenta como estratégia complementar para reduzir a pressão sobre o sistema logístico. Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, o produtor pode planejar melhor o escoamento e evitar a concentração do transporte no pico da colheita, quando a demanda por frete aumenta e o fluxo intenso de caminhões sobrecarrega os principais corredores de exportação.
Em uma perspectiva estrutural, a Ferrogrão, ainda não leiloada e distante da entrada em operação, é apontada pelo setor produtivo como um projeto estratégico e potencialmente disruptivo para o enfrentamento dos gargalos da BR-163. A migração de parte significativa das cargas para o modal ferroviário tende a reduzir o volume de caminhões nos acessos ao distrito de Miritituba, promovendo maior eficiência logística, melhor distribuição do fluxo de transporte e alívio da pressão sobre os principais corredores de exportação com destino aos portos do Arco Norte.
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LCAs alcançam R$ 589 bilhões e lideram financiamento privado do agro
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram alta de 11% no estoque e avanço de 34% nos recursos reaplicados diretamente no crédito rural.

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem como a principal fonte de recursos privados destinados ao financiamento das atividades agropecuárias no país. Em janeiro, o estoque desses títulos alcançou R$ 589 bilhões, crescimento de 11% na comparação anual. Desse total, ao menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural – um avanço expressivo de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro que já está disponível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A publicação é elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne dados do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e das registradoras B3, CERC e CRDC.
Outro instrumento relevante para o crédito do setor, as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também apresentaram desempenho positivo. O estoque total chegou a R$ 560 bilhões em janeiro, alta de 17% nos últimos 12 meses. Na safra atual, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em CPRs. Apesar do volume significativo, o montante representa queda de 5% frente à safra anterior.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) mantiveram a trajetória de crescimento e atingiram R$ 177 bilhões em estoque, com aumento anual de 16%. Embora movimentem valores inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs exercem papel estratégico ao ampliar a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais, aproximando cadeias produtivas de investidores institucionais e pessoas físicas.
Na direção oposta, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) registraram retração. O estoque recuou 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao fim de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades que atuam nas cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.
O boletim mais recente também marca a retomada da divulgação dos dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) no financiamento privado do setor. A divulgação havia sido interrompida em março do ano passado, em razão do período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175. Criados em 2021, os Fiagro alcançaram, após quatro anos de operação, um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos em 256 fundos em funcionamento.
Os dados podem ser consultados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.



