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O trator do futuro

Parceria entre Itaipu, CIBiogás e New Holland já mostra resultados com funcionamento do primeiro trator da América Latina movido a biometano

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E daquilo que era um problema, foi encontrada a solução. Essa é a frase mais ouvida quando se fala nas novas tecnologias que existem no mercado para auxiliar o produtor rural nas atividades diárias dentro da propriedade, principalmente quando o assunto são questões em que não se sabia tratar de forma adequada. Com a utilização de dejetos de animais para o funcionamento do primeiro trator a biometano da América Latina que o produtor vê que pode transformar, como foi dito, um problema em solução. Além de tratar os dejetos de forma adequada, se tornando uma atividade sustentável, o produtor ainda ganha economia na propriedade com a utilização da matéria prima para reduzir a conta de luz e fertilizar o solo.

Fica em Santa Helena, no Oeste do Paraná, a propriedade escolhida para os primeiros testes a campo do trator movido a biometano, que aconteceram em janeiro deste ano. A Granja Haacke, já conhecida pela produção do biometano que abastece uma frota de 54 veículos da Itaipu Binacional, agora usou também o material para abastecer o trator. Desde 2013, a propriedade produz biogás para aproveitamento energético e em 2014 iniciou a produção do biometano em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás). O material é colhido da criação de 84 mil aves para a produção de ovos e 550 bovinos confinados em aproximadamente 40 hectares de área.

Os testes na granja deram início à primeira etapa de uma série de atividades que o trator realizará, O equipamento se mostrou eficiente e com excelente potencial. O protótipo já tinha sido testado em uma fazenda no Norte da Itália, onde foi conferida a economia de 40% do combustível em comparação com um trator a diesel. E com capacidade para armazenar 300 litros de metano comprimido, o trator atende ainda a todos os tipos de culturas, em diversas operações na propriedade. Além da potência tradicional da linha, o protótipo emite 80% menos gás carbônico do que com combustível fóssil, característica que vai ao encontro do modelo de agricultura contemporâneo, em que se produz mais, com menos agressão ao meio ambiente.

“Tomamos a decisão estratégica de sermos pioneiros em tecnologias novas que reduzem o consumo, emissões, poluição e até, porque não, outros tipos de efeitos. E esse foi um incentivo para adotarmos a ideia de juntar parcerias e desenvolver o trator a biometano”, conta o vice-presidente da New Holland para a América Latina, Rafael Miotto. Ele acrescenta que o biometano é bom porque não é só uma questão de que o produtor terá outra fonte de energia, mas que ele também terá menos consumo e menos poluição na própria propriedade. “Você tem um problema que já está sendo anunciado, que é o que fazer com o dejeto dos animais, já que a produção animal vai crescer no país. Sabemos disso e estamos oferecendo mais uma solução”, destaca.

Miotto ainda afirma que usando os dejetos de animais para gerar energia é uma solução, mas que outras questões ainda surgem. “Nós nos perguntamos: quais são as formas viáveis de aproveitar essa energia? Então temos a geração de energia elétrica, que é uma delas, mas, mesmo assim, têm excedentes. Então, porque não tentar usar esse tipo de gás para mover as máquinas? Nós tomamos a decisão de seguir esse caminho e desenvolver esse tipo de motorização”, conta. O vice-presidente comenta que existe, por parte da empresa, o interesse econômico no empreendimento, mas há também o benefício ambiental que ele oferece. “Com a utilização de menos combustível e menos emissão, esta é uma ótima solução para os problemas dos dejetos”, diz.

E a questão da sustentabilidade está bem presente no trator. Os testes mostram que o protótipo conta com uma autonomia para aproximadamente seis horas de trabalho e o abastecimento a biometano garante uma economia de 40% em comparação ao diesel. Além disso, outro diferencial é a redução da emissão de gases poluentes em 80%. A expectativa da empresa é que dentro de quatro anos o novo modelo já esteja disponível no mercado.

Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, o trator movido a “titica de galinha” tem exatamente a mesma eficiência de um movido a diesel. “O produtor vai produzir combustível na própria propriedade e ainda pode usar o material como adubo orgânico ou outras características que ele pode ter”, destaca. O objetivo da Itaipu, ao entrar na parceria, segundo Samek, foi justamente ter um ambiente cada vez melhor. “Porque houve uma expansão enorme na transformação da proteína vegetal em animal no país, e essa transformação obviamente faz com que haja mais animais, o que causa mais dejetos. Se isso não for cuidado, contaminará os lençóis freáticos e as águas, seja das cidades ou dos reservatórios”, comenta, dizendo que o que está sendo desenvolvido são tecnologias para aquilo que poderia ser um problema virar mais um negócio para o produtor, uma solução.

Redução de Custos

Quando se fala neste novo modelo de trator, a redução dos custos é o que o produtor mais escuta. Mas, a pergunta que surge é: na prática, é assim mesmo? O diretor-presidente da CIBiogás, Rodrigo Régis, garante que sim. Segundo ele, os testes mostraram a viabilidade de toda a ação. “Uma coisa impressionante é que se colocássemos o preço do biometano no mesmo do gás natural, que é pouco mais de R$ 2 em Curitiba, a economia do produtor ainda seria em torno de 30 a 40% comparado ao diesel”, conta.

Régis ainda diz que no caso da Granja Haack, como produto final para o produtor o gás custa em torno de R$ 0,89, sendo uma economia de aproximadamente 65% se comparada com o diesel. “A grande vantagem é você mostrar as aplicações do biometano e como ele pode ser rentável para o produtor, oferecendo também sustentabilidade”, afirma.

O diretor-presidente da CIBiogás ainda destaca que um dos aspectos mais interessantes para o produtor é que ele pode utilizar o biometano ainda como forma de propaganda para os próprios produtos. “No caso do Nilson Haack, se ele lançar a própria marca de ovos, poderá colocar na caixa que o produto dele é sustentável. Isso porque a ração do animal é irrigada com biofertilizantes, a energia da fazenda, grande parte vem da energia renovável do biogás, e o carro e trator estão sendo abastecidos a biometano. Então, você tem uma fazenda e produto 100% sustentáveis”, comenta.

Outro ponto destacado por Régis é que, ao ter uma fazenda sustentável, o produtor tem uma economia considerável. “Na energia elétrica ele tem uma economia entre R$ 80 e R$ 90 mil por ano, além da utilização do biometano, com uma economia aproximada de R$ 3 mil por mês”, destaca.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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