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Suínos / Peixes Exemplo

O trabalhador da cidade que se tornou um dos melhores suinocultores do país

Dos seis prêmios concedidos pela cooperativa Castrolanda todos os anos para os melhores da suinocultura, eles simplesmente venceram os seis

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Arquivo/OP Rural

O fim dos anos 80 marcou para sempre a vida do casal Mateus Simão e Vanderli, hoje consagrados um dos melhores e mais eficientes produtores de suínos do país. Ele e ela trabalhavam na cidade de Castro, em uma empresa qualquer, a não ser o fato de o proprietário da época ser um suinocultor. O casal da cidade, até então, não imaginava uma mudança para o sítio, mas os incentivos do patrão inquietavam os jovens paranaenses. Até que, no início dos anos 90, eles decidiram trabalhar com a produção de proteína animal, abandonaram seus empregos na cidade e partiram rumo a caminhos que pouco conheciam, mas tinham gana em explorar.

 O Presente Rural chegou a Castro, na região dos Campos Gerais do Paraná, para conhecer um pouco mais da história do casal da cidade que abandonou tudo para se tornar um dos mais premiados produtores de suínos do Brasil. Dos seis prêmios concedidos pela cooperativa Castrolanda todos os anos para os melhores da suinocultura, eles simplesmente venceram os seis. Na última edição, em novembro de 2018, faturaram quatro das sete categorias. Na premiação da Agriness, que gerencia a produção de mais de um milhão de matrizes, o equivalente a 59% das matrizes brasileiras, já figurou como campeão nacional por cinco vezes entre produtores com até 300 matrizes.

“Eu trabalhava na cidade. Não tinha nada a ver com suinocultura, mas eu era incentivado a cada pouco pelo patrão a entrar na suinocultura. Ele era suinocultor e me falava que era um bom negócio. Até que começamos, em 1991. Primeiro a gente arrendou uma propriedade que tinha granja. Por algum tempo eu ainda mantive meu emprego na cidade e minha esposa andava com os porquinhos de cima pra baixo na fazenda. Era ela que cuidava mais, junto com os funcionários”, recorda Mateus. “Fomos os primeiros a entregar leitões para a Perdigão”, conta. “Depois de um tempo nós compramos a propriedade”, cita.

E o sucesso veio com o tempo e com os números. São, em média, 34 desmamados/fêmea/ano. A propriedade trabalha em ciclo completo, da maternidade, com 240 fêmeas, à terminação, em consonância com a Castrolanda, que recebe de Mateus e Vanderli cerca de 620 animais por mês, com peso de abate de 120 quilos.

Além disso, a propriedade conta com 170 vacas em lactação, com produção média de 4,2 mil litros de leite por dia, e uma área dedicada ao cultivo de grãos e pastagem. Mateus é sucinto ao avaliar a performance de quem um dia era um trabalhador da cidade e se tornou premiado no campo. “É fruto de muito trabalho e dedicação. É mérito de toda a família, é conquista de todos”. Ele inclui os filhos Matheus Filho e Marcello, este que deve assumir as atividades quando (e se um dia) o pai se aposentar.

Mão de obra

Para quem convive mais de 15 anos juntos, é quase uma família. Em 2001, Mateus e a esposa ganharam a companhia de um casal de funcionários que trabalha com eles até hoje. Ele julga a mão de obra primordial para que a Granja Vó Ita tenha alcançado esse sucesso. “Temos um casal que está há 17 anos trabalhando conosco. Os dois cuidam da gestação e da maternidade. “Manter bons funcionários é o apoio essencial para ter uma boa produtividade. O apoio deles é muito importante. A baixa rotatividade é decisiva”, argumenta o produtor dos Campos Gerais. Além do casal, outros dois funcionários cuidam da suinocultura; um na creche e outro na engorda. “O segredo é a dedicação, assistência técnica, mas, principalmente, as pessoas têm que gostar do que fazem”, orienta o produtor.

Ele explica que manter-se entre os maiores produtores do país requer dedicação diária. “Estar entre os melhores é difícil. Mas permanecer entre os melhores é ainda mais. Por isso, precisamos sempre ter uma equipe motivada, por que quem dá continuidade ao trabalho são as pessoas”, argumenta Mateus Simão.

O trabalho, no entanto, não dispensa uma boa genética e uma nutrição eficiente, lembra o produtor do Paraná. “Ter uma boa nutrição e uma boa linhagem de animais é fundamental”, aponta.

Desafios na granja

Mesmo figurando entre os mais eficientes produtores do Brasil há vários anos, Mateus e a esposa têm desafios que precisam ser enfrentados nos próximos meses. O principal deles, julga o produtor rural, é a biossegurança. A área para a suinocultura tem estruturas antigas, foi sendo ampliada e ficou com uma configuração difícil de ser isolada. Mas, segundo Simão, é um investimento que não tem como não ser feito. A biosseguridade, em sua opinião, é a grande provocação para 2019.

“A área da suinocultura tem um formato difícil para cercar, mas estamos estudando todas as possibilidades. Cercar toda a suinocultura é um investimento que tenho que fazer em 2019. Arcos de desinfecção também devem ser instalados nos próximos meses, frisa o produtor rural.

Para Matheus, o segundo obstáculo a ser transposto (e não duvide disso) é o custo de produção, que, em sua avaliação, vai determinar cada vez mais o sucesso na suinocultura. “Nosso segundo desafio é baixar os custos de produção. Esse vai ser o xis da questão quando estamos falando em sucesso na nossa atividade”, assegura.

2019 melhor

O produtor destaca que 2018 foi um ano difícil para a suinocultura, “com queda nas exportações por conta dos embargos da Rússia e China”. “O ano de 2018 foi difícil, com a ração muito cara. O mercado spot praticou preços muito baixos, houve muita oferta de produto, tivemos queda nas exportações e queda no consumo interno. Ficamos no vermelho praticamente o ano todo, mas no fim do ano melhorou”, cita.

Para 2019, prevê melhoras nos custos de produção, nos preços e nas vendas internas e nos embarques. Ele acredita que o novo governo vai trabalhar para que se chegue a esse cenário. “Estou apostando na economia brasileira. Os nomes da equipe que compõe o governo foram bem aceitos. Só pelo fato de termos uma equipe técnica (no primeiro escalão do presidente Jair Bolsonaro) já é uma mudança positiva”, lembra.

“O Brasil está mais acreditado lá fora. Isso atrai mais investimentos e facilita na hora de ampliar as exportações. Acredito que teremos um 2019 de mais exportações e mais consumo interno de carne suína”, destaca Simão. “Vai ser um ano para recuperarmos as perdas que acumulamos em 2018”, presume o produtor que um dia foi incentivado a ser suinocultor e decidiu que, se fosse para ser, teria que estar entre os melhores.

Outras informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de 2018.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

ABCS apresenta mudanças no setor suinícola na Espanha e Estados Unidos frente à COVID-19

Médicos veterinários conversaram com a ABCS e trouxeram um panorama do novo Coronavírus (COVID-19) com as principais medidas de prevenção tomadas pelos países para enfrentar a doença

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Arquivo/OP Rural

A fim de unir esforços entre todos os elos da cadeia da suinocultura tem se organizado para que, mesmo diante da pandemia do novo Coronavirus (Covid-19), possa ser garantido o funcionamento das granjas e agroindústrias e o abastecimento de carnes no varejo, levando o alimento até a mesa dos brasileiros. E observando o amplo alcance da doença no mundo, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) entrou em contato com líderes do setor na Espanha e nos Estados Unidos, alguns dos países com maior número de pessoas infectadas, para entender se está havendo impacto na atividade suinícola, e buscar orientações sobre as melhores ações de prevenção e que possam ser adotadas para o Brasil.

Em entrevista, o médico veterinário Carlos Martínez, responsável pela área de bem-estar animal do Grupo Optimical Pork Production (OPP), atuando na Espanha, Itália e Polônia, e o Médico Veterinário, gerente de serviços técnicos para as Américas da Pig Improvement Company (PIC), localizada nos Estados Unidos, José Henrique Piva, compartilharam informações sobre o panorama da suinocultura de cada pais frente à pandemia, no sentido de manter a produção das granjas e mitigar os riscos para o setor.

Segundo Carlos Martinez, até o momento não há registro de espanhóis trabalhadores de granjas que estejam infectados, mas isso ocorre devido às medidas rigorosas. José Piva afirma que nos Estados Unidos o vírus está mais presente em regiões mais populosas e com menor produção de suínos, como em Nova Iorque, Nova Jersey e California. A Covid-19 está concentrada no leste e oeste do país e a produção de suínos é maior no centro e no norte dos EUA – os dois estados com maior número de casos na região produtora são Illinois e Michigan. Ele diz ainda que as empresas tem mantido o funcionamento com uma comunicação constante, tentando minimizar os riscos de as granjas e os frigoríficos ficarem limitados em números de funcionários  para trabalhar. Em toda a cadeia, tanto em nível de granja, quanto para a indústria, o que tem sido feito é principalmente proteger as pessoas e com isso assegurar a operação e a logística.

Mudanças nas granjas e medidas de prevenção

De acordo com os especialistas, as granjas tiveram de se adaptar às novas formas de trabalho e adotar medidas cautelosas, além de comunicar de forma aberta a todos os funcionários a nova realidade. Em ambos os países, não são permitidas visitas externas nesses ambientes, exceto de trabalhadores. Uma forma de reduzir o risco de exposição dos funcionários e evitar a paralisação total da atividade na granja e na indústria tem sido trabalhar com um quadro menor de funcionários, maior número de turnos, separação de equipes por turnos menores e sem intervalos e revezamento das equipes.

Em relação ao deslocamento, as pessoas em geral, e principalmente os trabalhadores de granjas, não podem utilizar veículos coletivos e devem transitar apenas individualmente, principalmente em carros. Ao chegar na granja, é obrigatória a troca de roupa, banho (limpeza e desinfeção) entre cada turno e também das instalações. Além disso, se faz o monitoramento diário dos sinais clínicos e da temperatura corporal e pessoas com temperatura acima de 37.5  graus, ou qualquer sinal clínico suspeito são afastadas, sendo proibidas de trabalhar. Durante o desempenho de suas funções, se recomenda aos colaboradores o uso de máscaras e luvas, não compartilhar materiais, manter uma distância de 2 metros e evitar o convívio social e o contato entre um setor e outro.

O volume de produção tem sido mantido. Segundo Carlos, na Espanha, se tratando de frigoríficos, a adoção do espaçamento entre as pessoas diminuiu a velocidade de abate (suínos/ hora), porém foi ampliado o tempo de funcionamento da indústria e número de dias com abate, funcionando muitas vezes aos finais de semana. A medida também tem sido tomada nos Estados Unidos.

A preocupação maior é evitar a contaminação das pessoas e consequentemente o fechamento de granjas e frigoríficos, e o desafio é manter a equipe de funcionários bem e saudável. Por isso, cada granja e empresas tem adotado suas estratégias. O plano de trabalho tem sido diferente. Entre as granjas e empresas a prioridade é manter os manejos essenciais, atividade mínimas na rotina para o funcionamento da granja, assim como a alimentação dos animais, acesso à água, assegurar que os animais estejam dentro das condições de bem estar animal, ventilação e temperatura adequada e cada granja define seu protocolo e as atividades essenciais.

Quanto ao transporte de insumos, animais, semen e medicamentos, também não houve restrições, uma vez que o abastecimento é prioridade. De acordo com Piva, existe um cuidado maior nos EUA com os produtos que chegam, o aprendizado veio com a PED em 2014, quando tiveram que atuar intensamente. Assim, quando os insumos chegam nas granjas, todos os produtos passam por um sistema ultravioleta (UV), normalmente toda a granja possui esse método. “Muitos produtos ficam retidos de 10 a 15 dias em um ambiente separado sendo tratados devidamente, para só então serem enviados para as granjas. Sendo assim, o produto não chega da área externa e vai direto para as granjas”.

Preços e demanda interna

Os custos de produção também preocupam os suinocultores no Brasil e por isso, é importante entender como essa questão tem se desenvolvido em outros países.

Na Espanha, segundo Carlos Martínez, mais de 60% da produção é dedicada à exportação. E por isso, os preços no último ano foram extraordinariamente altos devido à forte demanda internacional. Existe uma preocupação sobre como essa crise afetará a demanda por carne suína, mas não se espera uma redução acentuada. Há uma preocupação maior de que o avanço da Peste Suína Africana chegue à Espanha, o que significaria um forte impacto devido à impossibilidade de exportar. Os insumos, um mês após o início da pandemia, mantêm os preços e, como toda a cadeia continua produzindo normalmente, uma mudança de preço não é esperada.

Já nos Estados Unidos, José Piva afirma que nos últimos 8 meses o produtor americano estava tendo prejuízo. Mas, nas últimas semanas o preço tem reagido e melhorado. Agora o produtor está ganhando mais, comparando-se com o contexto de 3 meses atrás. Quanto aos valores dos insumos, ele informa que não houve grande variação.

“Não acredito que essas mudanças sejam efeito apenas do vírus, mas já era algo previsto para esse período, pelo aumento da exportação e pelo aumento da procura pelo consumo”, explicou.

Ele aponta que os americanos tem mudado seus hábitos, que no geral eram mais focados em comer em restaurantes e, nesse momento, estão buscando mais os supermercados para comprar os alimentos naturais e preparar as refeições. Ele disse que as prateleiras dos supermercados chegaram a ficar vazias, devido a velocidade de reposição, mas não existe o desabastecimento na indústria suína.

Perspectivas para o futuro

Apesar dos grandes desafios e das adaptações que a pandemia impõe, as mudanças estão sendo consideradas pelos especialistas como uma nova fase para a cadeia.

“Temos certeza que vamos nos alimentar melhor do que estávamos nos alimentando. Essa crise do Coronavírus vai mudar isso e a gente vai querer alimentos mais naturais. Isso é uma oportunidade para o setor suinícola e para o setor primário. Como produtores, devemos estar preparados para mostrar nossas granjas (como bons restaurantes, mostram suas cozinhas) para garantir a segurança do processo de produção com total transparência. Será uma oportunidade para quem apostar na transparência e segurança na produção. Precisamos estar preparados para nossas granjas atenderem os requisitos quanto ao meio ambiente, o bem-estar animal e o uso racional de antibióticos”, ressaltou Carlos Martínez.

E no que se refere à economia, Carlos informou que está sendo liberada uma linha de crédito para amparar os produtores espanhóis, e as empresas que pararem pela preocupação com uma crise econômica. “O preocupante é o forte impacto quanto a mortalidade na sociedade e a grave crise econômica. Mas, é necessário destacar a importância da produção de alimentos. O novo Coronavírus pode matar muitas pessoas, mas a falta de alimento pode matar a todos”.

Na visão de Piva, ainda não há uma previsão sobre como será a expansão da COVID-19 nos EUA, mas não há indicação de que as pessoas irão deixar de consumir qualquer tipo de carne por conta da doença, uma vez que não há nenhuma evidência quanto ao contágio entre os animais de produção e as pessoas.

“Vivemos uma situação diferente e as pessoas estão fazendo o que é possível. Estamos controlados nesse momento quanto a produção, ao dia a dia das granjas, dos frigoríficos e da logística. A PED – Diarréia Epidêmica Suína – já mudou muito a produção americana de suínos e essa situação que estamos vivendo vai gerar um modelo diferente de trabalho, em relação às equipes, ao contato social. Somos confiantes que vai passar e isso vai depender da disciplina das pessoas, das medidas que vão ser tomadas pelas empresas, além da temperatura ambiental para minimizar a disseminação e o numero de casos . Acredito que vamos contar com mais ações para mitigar o impacto destas doenças sobre a cadeia, as empresas e os funcionários e com uma preocupação maior com a biossegurança nas granjas”.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, é importante acompanhar como tem sido o desenvolvimento da pandemia em outros países e esse compartilhamento informações é fundamental para que os produtores brasileiros possam se preparar. “É importante termos a perspectiva de grandes países produtores de suínos que estão enfrentando há mais tempo a COVID-19, adotar ações práticas que podem ser compartilhadas e evitar a disseminação. Assim, a produção brasileira está comprometida, aprimorando os processos, produzindo e abastecendo a mesa do consumidor”.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Covid-19

Entenda as diferenças do coronavírus em humanos e animais e como ele pode afetar o mercado

Profissional explica as diferenças entre o coronavírus que afeta humanos e animais e como a atual pandemia afeta o mercado de saúde animal

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Arquivo/OP Rural

O atual cenário que a população mundial vem vivendo, devido ao coronavírus (COVID-19), tem deixado toda a população preocupada com o que pode acontecer. Especialmente o produtor rural, responsável por levar alimentos saudáveis e de qualidade para toda a comunidade mundial deve estar atento ao que é melhor ser feito e aos cuidados que devem ser tomados a respeitos desse vírus.

Para esclarecer algumas dúvidas a respeito desse vírus e de seu comportamento na cadeia de aves e suínos, o gerente de produtos da área FAST da Boehringer Ingelheim Saúde Animal, Filipe Fernando, explicou alguns fatos importantes e que devem ser observados pelo produtor rural e como esse vírus pode afetar, de alguma forma, a cadeia de produção.

Boa leitura!

Quais as diferenças entre o coronavírus que vem acometendo as pessoas e o coronavírus que pode infectar aves e suínos?

Os vírus são divididos em ordens e famílias. Dentro das ordens, os coronavírus pertencem à Nidovirales. Dentro da ordem Nidovirales, encontram-se os coronavírus, que por sua vez são divididos nos gêneros Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Deltacoronavirus e Gamacoronavirus. Os coronavírus que afetam seres humanos pertencem ao gênero Betacoronavirus, que são responsáveis pelo surgimento do atual Covid-19 e os conhecidos SARS e MERS. Porém, aves e suínos são afetados por outros tipos de coronavírus, que podem variar dentro dos gêneros Deltacoronavirus e Gamacoronavirus. Os coronavírus que acometem os animais, a exemplo das aves e dos suínos, são prevenidos por vacinação e são filogeneticamente muito diferentes dos Betacoronavirus.

O Covid-19 pode infectar aves e suínos ou os coronavírus de aves e suínos podem infectar os seres humanos?

O Covid-19 pertence ao mesmo grupo que os coronavírus da SARS-CoV e MERS-CoV. Foi demonstrado anteriormente que o SARS-CoV não é capaz de infectar ou causar doenças em aves e suínos*. Como o Covid-19 pertence ao mesmo grupo que o SARS-CoV e usa o mesmo receptor celular do hospedeiro, denominado ACE-2, é altamente improvável que infecte aves. Da mesma forma, e com base no conhecimento disponível, o Gammacoronavírus que afeta aves domésticas e causa doenças respiratórias em galinhas, e o Alphacoronavirus que infecta suínos e também acomete o sistema respiratório (lembrando que esse vírus não está presente no Brasil até a presente data) não infectam ou causam doenças em seres humanos.

(Emerg. Infect. Dis. Vol. 23, 2017 e Emerg. Infect. Dis. Vol. 10, No 5, 2004)*

É possível aproveitar o conhecimento da ciência para adaptar as vacinas dos animais para os humanos?

Não, justamente porque os vírus que podem infectar aves e suínos fazem parte de um gênero completamente diferente aos que infectam seres humanos, mesmo que ambos pertençam à mesma família Coronaviridae. Infelizmente, ainda não foi desenvolvida uma vacina para evitar a Covid-19. É importante relembrar que esse vírus que vem acometendo as pessoas é uma mutação do coronavírus que já era bem conhecido na comunidade científica. Dessa forma, embora as indústrias farmacêuticas já lidem com o desafio de proteger os animais contra os coronavírus que os acometem, ainda há muitos esforços para desenvolver a vacina contra essa nova versão, que vem acometendo as pessoas.

Por isso, é importante que as pessoas sigam as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como o isolamento social e a higienização correta para diminuirmos a taxa de crescimento da pandemia.

Quais cuidados os produtores devem ter neste período?

Os produtores de proteína animal fazem parte das atividades consideradas essenciais à população, pois têm como objetivo garantir alimentos às pessoas. Por isso mesmo, é importante que os protocolos e cronogramas de vacinação dos animais seja mantido à risca e que os produtores continuem muito atentos em manter os animais saudáveis, livres de doenças e parasitas, e para o fornecimento de nutrição e adoção de manejo adequado para não perder os investimentos feitos para elevar o desempenho dos animais e não arriscar o seu patrimônio.

Caso a demanda por ovos ou carnes de frango ou suína caia, é possível reduzir o fornecimento de algum insumo para equilibrar os custos na granja? Por quê?

As granjas não podem parar e estão enfrentando esse desafio com bastante atenção e força, pois se trata de uma atividade produtiva bastante dinâmica e que tanto as aves como os suínos não podem ficar sem vacina ou sem ração. Deixar de fornecer esses insumos para esse tipo de animal não é um ponto que pode ser questionado.

Como a atual pandemia de coronavírus afeta o mercado de saúde animal?

A pandemia de Covid-19 traz diversas incertezas a todos os setores da economia mundial. Porém, é importante ter consciência de que alguns setores serão mais afetados do que outros. O agronegócio brasileiro, por exemplo, faz parte das atividades essenciais, indispensáveis à população, já que é responsável por alimentar as pessoas e possui capacidade para alimentar uma grande parte da população mundial. Para termos uma ideia da dimensão do setor no país, recentemente foram divulgados dados obtidos pelo Cepea, da Esalq/ USP, calculados em parceria com a CNA e com a Fealq, que mostrou que o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 3,81% em 2019, representando 21,4% do PIB brasileiro total, que fechou o ano em 1,1%. Esses números comprovam a importância estratégica do agronegócio para o Brasil e, apesar de estarmos em um cenário que traz algumas incertezas momentâneas do ponto de vista de aumento, manutenção ou possível redução da demanda por proteína animal, é certo que as pessoas precisam se alimentar e, nesse contexto, o agronegócio brasileiro está pronto para atender a população e produzir alimento seguro e de alta qualidade. Por isso, independentemente do cenário, o agronegócio não para.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

ABCS orienta granjas e agroindústria em período de quarentena para reduzir risco de disseminação do Coronavírus

Entidade nacional preparou materiais que trazem recomendações aos suinocultores e respondem a dúvidas dos demais profissionais do setor

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Arquivo/OP Rural

Diante da situação de alerta sobre a pandemia enfrentada mundialmente devido ao aumento dos casos de pessoas infectadas pelo novo Coronavírus (COVID-19), diversos setores tem sido afetados e surgem as dúvidas sobre as medidas de prevenção necessárias neste cenário. Pensando na saúde de todos, para evitar a propagação da doença, e também proteger o agronegócio, no sentido de garantir o abastecimento de alimentos e insumos, a ABCS elaborou conteúdos orientativos para aprimorar os cuidados nas granjas e também esclarecer possíveis questionamentos aos diferentes elos da cadeia suinícola.

O material ressalta a importância das ações que promovam a manutenção do trânsito de animais, a comercialização de insumos e ração, assim como os medicamentos e as vacinas, que são muito dependentes do trânsito nacional e internacional. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, junto à diretora técnica da entidade, Charli Ludtke, solicitam aos produtores e às agroindústrias que deem maior atenção e suporte aos colaboradores envolvidos nas granjas e no transporte dos animais, de forma a garantir a manutenção da produção de alimentos à sociedade, e para tanto o bem-estar e a saúde de todas as equipes envolvidas é fundamental.

Existe alguma relação entre os suínos e o Coronavirus (COVID 19)?

A área técnica da ABCS compilou informações para esclarecer as dúvidas dos suinocultores e apontou para uma das questões mais preocupantes para o setor: a de saber se há risco em relação aos rebanhos e transmissão da doença aos humanos. Segundo a diretora técnica da ABCS, o Coronavírus está intimamente ligado a morcegos hematófagos, de acordo com as investigações epidemiológicas realizadas na China, e não há nenhuma evidência de que o Coronavírus (COVID-19) pode infectar suínos e demais animais domésticos. Também não há risco de transmissão quanto ao consumo de carne suína ou de seus produtos industrializados.

Prevenção nas granjas

A ABCS indica que produtores de suínos devem seguir rigorosamente os protocolos de biossegurança. É fundamental, por exemplo, limitar a exposição da unidade de produção e evitar a entrada de terceiros que frequentam outros ambientes e outras granjas, pois todo visitante pode ser um risco à introdução de patógenos específicos dos suínos, além do risco de esses mesmos visitantes disseminarem o Coronavírus (COVID-19) junto as equipes. Caso haja visitas no local, realizar o vazio sanitário e todas as demais medidas de biosseguridade recomendadas pela unidade de produção.

Médicos Veterinários e demais profissionais responsáveis pelas unidades de produção, devem orientar os produtores e colaboradores para que toda a granja tenha um plano de biosseguridade e adote procedimentos rigorosos, visando evitar que os animais sejam expostos a qualquer doença infecciosa.

Também é recomendado ter um acompanhamento da saúde dos colaboradores, caso apresentem qualquer suspeita de gripe, coriza, espirros ou tosse. Havendo sintomas, é importante, e necessário o isolamento, permanecendo em repouso e quarentena em casa, evitando a disseminação aos demais colaboradores. E até que seja realizado o diagnóstico e tratado corretamente. Aos demais colaboradores que tiveram contato direto, também devem ser separados e monitorados, no sentido de prevenção e de transmissão a todos os funcionários.

Outra medida importante é a necessidade de ambulatório dentro da empresa para um possível pré-diagnostico e orientações, assim, evitar o deslocamento dos colaboradores, diminuindo o risco de contaminação. Entretanto, caso não haja um ambulatório disponível nas dependências, deve-se seguir as recomendações em protocolo do Ministério da Saúde (MS).

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que neste momento é importante que todos os brasileiros e, falando especialmente com o setor da suinocultura, que sejamos cautelosos e vigilantes para a manutenção da saúde e do bem-estar de todos.

É importante seguirmos as recomendações do Ministério da Saúde, que visam evitar a propagação do Coronavírus (COVID 19), de forma que não se atinja grande proporção de pessoas infectadas. Evitar exposições desnecessárias, grandes aglomerações, proteger os mais vulneráveis, ter maior cuidado com a higiene pessoal e das instalações e ir na rede de saúde, apenas se realmente for necessário. Unindo esforços e com a colaboração de todos, vamos superar este momento desafiador”, alertou o Presidente da ABCS, Marcelo Lopes.

Fonte: Assessoria
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