Avicultura 25 anos de SBSA
O simpósio que acompanhou a ascensão da avicultura brasileira
Desde a sua primeira edição, o evento se estabeleceu como um fórum técnico e científico, reunindo pesquisadores, médicos veterinários, zootecnistas, empresários e profissionais do setor para discutir os desafios e oportunidades da avicultura.

No final do século 20, a avicultura brasileira já demonstrava sua vocação para a grandiosidade. Em 1999, o Brasil produzia aproximadamente 5,5 milhões de toneladas de carne de frango, ganhando espaço como um dos maiores produtores globais. O setor crescia a passos largos, impulsionado pelo avanço genético, pelo desenvolvimento de rações mais eficientes, pelo aprimoramento das condições sanitárias e pela modernização de fazendas e agroindústrias.
Foi nesse cenário de expansão e transformação que surgiu o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que em 2025 chega a sua 25ª edição (2020 não foi realizado por conta da pandemia). O objetivo era ser um espaço de disseminação de conhecimento, inovação e troca de experiências entre os principais agentes da cadeia produtiva na região Sul do Brasil, já que eventos técnicos aconteciam somente em São Paulo. Alicerçado em empresas como Sadia, Perdigão e Aurora, que transformariam Santa Catarina no maior produtor de frangos do país à época, o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) encabeçou o desafio. “A ideia do primeiro Simpósio surgiu porque só tínhamos eventos técnicos em São Paulo. Nesses congressos participavam um gerente, um ou dois técnicos de cada uma das empresas instaladas aqui na região de Chapecó e nada mais. Então a gente pensou. Ao invés de ir 300 pessoas para lá, vamos trazer para Chapecó cinco ou seis profissionais para fazer as palestras. Nossa ideia era trazer conhecimento para a região, já que aqui já era consagrado como centro produtor da avicultura, mas ainda faltava a parte da academia. Nós pensamos principalmente para atender o técnico que estava a campo. Queríamos, e fizemos, um evento que fosse técnico, não muito caro e que fosse em busca de resolver os problemas que a avicultura tinha naquele momento”, lembra o ex-presidente do Nucleovet, Luis Carlos Farias.
Desde a sua primeira edição, o evento se estabeleceu como um fórum técnico e científico, reunindo pesquisadores, médicos veterinários, zootecnistas, empresários e profissionais do setor para discutir os desafios e oportunidades da avicultura. “O Simpósio Brasil Sul de Avicultura surgiu em um período estratégico para o desenvolvimento da avicultura brasileira, consolidando-se rapidamente como um importante espaço de diálogo técnico-científico e atualização profissional. Ao longo de seus 25 anos, o evento acompanhou e, de certa forma, protagonizou as transformações do setor, atuando como um catalisador de conhecimento, inovação e boas práticas”, destaca o atual presidente do Nucleovet, Tiago José Mores.
O crescimento da avicultura brasileira e o papel do SBSA

Foto: O Presente Rural
Os primeiros anos do SBSA acompanharam de perto a ascensão do Brasil no cenário mundial da avicultura. Em 2004, o país se tornou o maior exportador de carne de frango do mundo, ultrapassando os Estados Unidos. A produção nacional aumentava em ritmo acelerado, com 8,5 milhões de toneladas produzidas naquele ano. O mercado internacional exigia novos padrões de qualidade, sanidade e bem-estar animal, temas que passaram a ocupar o centro das discussões no Simpósio.
Na década de 2010, o Brasil consolidava sua liderança no mercado global. Em 2016, a produção atingia 12,9 milhões de toneladas, e as exportações alcançaram 4,4 milhões de toneladas, abastecendo mais de 150 países. O SBSA acompanhou cada mudança regulatória, cada novo desafio sanitário e cada inovação tecnológica que ajudou o setor a alcançar esses números.
As discussões promovidas ao longo das edições do Simpósio influenciaram a adoção de práticas mais sustentáveis, a melhoria no controle de doenças aviárias e o fortalecimento das cadeias produtivas. O evento também se tornou um palco para debates sobre os avanços da nova era da internet, da automação, da rastreabilidade e mais recentemente do uso de inteligência artificial na avicultura. “É difícil medir a importância do Simpósio na avicultura brasileira, mas muitas soluções de problemas começaram a ser discutidas no evento. Na época a gente discutia o controle de doenças metabólicas e hoje nem falamos mais nisso, provavelmente com a ajuda do conhecimento difundido naquela época”, menciona Farias.
Um simpósio que reflete as necessidades da indústria
Diferente de muitos eventos técnicos que seguem um modelo engessado, o SBSA sempre se destacou por sua capacidade de adaptação às demandas da avicultura. A cada edição, os temas das palestras e painéis são definidos com base nos desafios mais urgentes enfrentados pelo setor. “Buscamos sempre atender as demandas da indústria”.

Ao longo desses 25 anos, o evento abordou desde as grandes crises sanitárias, como os surtos de Influenza Aviária que impactaram os mercados internacionais, até questões ligadas ao bem-estar animal, rastreabilidade e exigências do consumidor moderno. Com isso, o Simpósio se consolidou como um fórum essencial para a tomada de decisões estratégicas por parte das agroindústrias, integradoras e produtores.
Além do conteúdo técnico, o evento sempre promoveu debates sobre a sustentabilidade da produção, o impacto da economia no agronegócio e a evolução do comportamento do consumidor. Essa abordagem multidisciplinar fez do SBSA um espaço para profissionais que querem se manter atualizados e preparados para as constantes transformações da cadeia produtiva.
A feira de negócios e as grandes inovações
Ao lado do Simpósio, a Poultry Fair surgiu, em 2009, como uma vitrine para as inovações do setor. A feira de negócios sempre foi um espaço estratégico onde empresas de nutrição, sanidade, equipamentos, genética e tecnologia apresentaram seus lançamentos. “A primeira feira já começou muito bem porque havia uma demanda reprimida de empresas querendo expor. Os laboratórios perceberam esse crescimento do Simpósio e passaram a querer participar também”, lembra o presidente do Nucleovet na época, Miguel Ângelo Breda Canal.
Foi na Poultry Fair que muitas das grandes inovações da avicultura brasileira foram introduzidas ao mercado. Sistemas de ventilação e climatização, novas gerações de probióticos e prebióticos, vacinas de última geração e equipamentos de automação tiveram suas primeiras apresentações ao público durante o evento. A cada ano, novas soluções são exibidas, demonstrando o dinamismo da indústria e o compromisso do setor com a inovação.
O ambiente da feira também sempre foi propício para a geração de negócios e networking, criando conexões entre empresas, produtores e pesquisadores. O SBSA não apenas dissemina conhecimento, mas também contribui ativamente para o desenvolvimento comercial da avicultura, aproximando os principais elos da cadeia produtiva.
O Presente Rural: mídia oficial e parceira do evento

Foto: Arquivo/O Presente Rural
Desde 2009, o jornal O Presente Rural acompanha de perto cada edição do SBSA, atuando como mídia oficial do evento. A cobertura realizada pela equipe do jornal vai além da simples divulgação dos acontecimentos: é um compromisso com a informação de qualidade e com o fortalecimento da avicultura brasileira.
Além das reportagens e entrevistas exclusivas, o jornal tem um papel fundamental na produção de conteúdo audiovisual para as empresas participantes, destacando seus lançamentos, inovações e estratégias de mercado. Essa parceria fortalece o evento, ampliando o alcance das informações discutidas no Simpósio e garantindo que as principais novidades do setor cheguem ao maior número possível de profissionais.
Um legado para a avicultura brasileira
Ao completar 25 anos, o SBSA é reconhecido entre o setor produtivo por seu papel como um evento indispensável para a avicultura brasileira e latino-americana. O que começou como um simpósio técnico voltado a médicos veterinários hoje é um dos mais importantes encontros do setor avícola mundial.
A avicultura nacional evoluiu e em 2025 pode chegar a 15,5 milhões de toneladas produzidas, tornando-se mais eficiente, mais tecnológica e mais sustentável. O SBSA esteve presente em cada etapa dessa evolução, seguindo como um dos principais motores de conhecimento e inovação da cadeia produtiva.
O Presente Rural – O SBSA nasceu em um momento de crescimento da avicultura brasileira e, ao longo dos anos, acompanhou as transformações do setor. Como o senhor enxerga o papel do Simpósio na evolução da avicultura nacional e quais impactos mais significativos o evento gerou para a cadeia produtiva?

Tiago José Mores – O Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) surgiu em um período estratégico para o desenvolvimento da avicultura brasileira, consolidando-se rapidamente como um importante espaço de diálogo técnico-científico e atualização profissional. Ao longo de seus 25 anos, o evento acompanhou e, de certa forma, protagonizou as transformações do setor, atuando como um catalisador de conhecimento, inovação e boas práticas.
O papel do SBSA na evolução da avicultura nacional é indiscutível. Ele contribuiu significativamente para a disseminação de informações atualizadas, para a formação contínua de profissionais e para o fortalecimento do elo técnico entre a pesquisa acadêmica e a aplicação prática nas granjas. Por meio da atuação do Nucleovet, cuja missão é justamente a capacitação técnica e científica de médicos-veterinários, zootecnistas e demais profissionais da área, o simpósio se tornou um importante instrumento de suporte à tomada de decisão em toda a cadeia produtiva. A participação ativa e voluntária dos nossos associados, oriundos de diversas áreas do conhecimento, reforça o caráter multidisciplinar do evento, enriquecendo as discussões e ampliando o impacto positivo sobre a avicultura nacional.
O Simpósio começou como uma iniciativa regional, mas hoje é uma referência para o setor avícola na América Latina. O que, na sua opinião, fez com que o evento se consolidasse como um dos principais fóruns técnicos da avicultura, atraindo empresas, pesquisadores e profissionais de diferentes países?
Tiago José Mores – A consolidação do SBSA como referência internacional se deve, em grande parte, à seriedade, ao comprometimento técnico e à visão estratégica do Nucleovet. Desde sua origem como uma iniciativa regional, o simpósio foi concebido com foco na qualidade do conteúdo, na excelência dos palestrantes e na relevância dos temas abordados. Esses pilares permitiram que o evento transcendesse as fronteiras locais e se tornasse um fórum respeitado por profissionais de toda a América Latina.
Outro fator essencial foi a construção de um ambiente de integração entre ciência, prática e indústria. A atuação do Nucleovet, com seu corpo de associados voluntários e multidisciplinares, tem sido fundamental para garantir que o simpósio se mantenha alinhado às necessidades reais do setor, promovendo debates relevantes, fomentando networking e estimulando parcerias. Esse espírito colaborativo e técnico é, sem dúvida, um diferencial que tornou o SBSA um evento aguardado anualmente por empresas, instituições de ensino e profissionais do Brasil e do exterior.
Ao longo desses 25 anos, o SBSA abordou temas que refletiam os desafios e avanços da avicultura em cada época. Na sua percepção, quais foram os debates mais marcantes promovidos pelo evento e de que forma essas discussões ajudaram a direcionar o futuro do setor?

Foto: Divulgação/MB Comunicação
Tiago José Mores – Os debates promovidos pelo SBSA ao longo de sua trajetória sempre refletiram os grandes desafios e inovações que moldaram o setor avícola. Desde discussões sobre biosseguridade, sanidade avícola, nutrição de precisão e bem-estar animal, até temas mais recentes como sustentabilidade, resistência antimicrobiana e uso de tecnologias emergentes na produção, o simpósio se manteve como um espaço atual e necessário para o avanço do setor. Um dos pontos altos foi a interação de grandes players da produção avícola brasileira com o setor público de inspeção, visando o melhor entendimento dos critérios e traçando estratégias para a redução das perdas que ocorrem na linha de abate.
Outro pilar importante do SBSA é sua capacidade de antecipar tendências e colocar em pauta temas que, mais tarde, se tornam centrais nas políticas e estratégias da cadeia produtiva. Isso só é possível graças ao olhar atento e técnico dos profissionais que compõem o Nucleovet, em sua maioria voluntários que atuam em diversas frentes da produção animal. Essa equipe multidisciplinar contribui para que o simpósio seja construído com equilíbrio, profundidade e aplicabilidade prática. Dessa forma, o SBSA não apenas discute o presente, mas contribui diretamente para construir o futuro da avicultura brasileira e latino-americana.
Como o Nucleovet avalia as 24 edições promovidas até o momento?
Tiago José Mores – É com imenso prazer que avalio as 24 edições anteriores do Simpósio Brasil Sul de Avicultura como extremamente bem-sucedidas. Ao longo desses anos, o evento se consolidou como uma referência técnica na América Latina, destacando-se pela integração e participação de grandes marcas do setor avícola. O SBSA tem sido um fórum essencial para a disseminação de conhecimento, inovações e práticas que contribuem significativamente para o avanço da avicultura na América latina.
Como o evento contribui para o fortalecimento da avicultura internacional?
Tiago José Mores – O Simpósio facilita a formação das redes de contato entre profissionais, promovendo uma integração maior entre os países. Essa troca de experiências e conhecimentos contribui significativamente para elevar os padrões de qualidade e eficiência em toda a indústria latino-americana. A colaboração internacional fomentada pelo evento também abre portas para parcerias estratégicas e desenvolvimento conjunto de soluções inovadoras que beneficiam o setor como um todo. Portanto, o impacto do SBSA vai além do avanço técnico e científico, ele também fortalece as bases para um desenvolvimento sustentável e cooperativo da avicultura em toda a América Latina.
Depois de 25 edições, qual é o legado que o Simpósio deixa para o setor e para os profissionais que dele participam?

Presidente do Nucleovet, Tiago José Mores: Desde sua origem como uma iniciativa regional, o simpósio foi concebido com foco na qualidade do conteúdo, na excelência dos palestrantes e na relevância dos temas abordados – Foto: Divulgação/UQ Eventos
Tiago José Mores – Ao completar 25 edições, o legado do Simpósio Brasil Sul de Avicultura para o setor avícola e para os profissionais que dele participaram é profundo e multifacetado. Este evento não apenas moldou as práticas e estratégias dentro da indústria, mas também ajudou a formar uma comunidade de profissionais altamente qualificados e interconectados. O SBSA tem sido uma plataforma primordial para a disseminação de avanços científicos e inovações tecnológicas. A cada ano, o simpósio traz painéis com assuntos do momento no campo da avicultura. Isso garante que o setor permaneça na vanguarda das práticas de produção sustentável e eficiente.
Além disso, o SBSA disponibiliza espaços anexos ao evento para servir de marco para as empresas fazerem lançamentos de novos produtos ou tecnologias disruptivas, tudo isso dentro do maior evento de avicultura da América Latina. Para os profissionais, o SBSA oferece uma oportunidade inestimável de desenvolvimento e capacitação. Participar do evento permite que eles aprimorem suas habilidades, ampliem seus conhecimentos e se atualizem com as tendências globais que afetam a indústria. Isso é fundamental para a progressão da carreira e para manter a competitividade no mercado de trabalho.
Qual mensagem o presidente do Nucleovet gostaria de deixar para os participantes, patrocinadores e parceiros do SBSA nesta edição tão especial?
Tiago José Mores – Como presidente do Nucleovet, gostaria de expressar minha sincera gratidão e entusiasmo a todos os participantes, patrocinadores e parceiros que estarão conosco na 25ª edição do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Esta edição não será apenas um marco na história do SBSA, mas também uma celebração de tudo o que alcançamos juntos ao longo dos anos. Para nossos participantes, quero agradecer pela dedicação contínua em buscar conhecimento e excelência em suas práticas. É o seu compromisso com o aprimoramento profissional que impulsiona a evolução da nossa indústria. Esperamos que este evento seja uma fonte de inspiração e inovação que você possa levar para suas atividades diárias, contribuindo para o crescimento sustentável da avicultura. Aos nossos patrocinadores e parceiros, nosso profundo agradecimento pelo apoio constante. Sua colaboração é fundamental para o sucesso deste evento. A parceria que construímos ao longo dos anos é a base que nos permite oferecer um simpósio de alta qualidade, repleto de oportunidades, de aprendizado e de networking. Sem o seu envolvimento, não seríamos capazes de alcançar nossos objetivos em comum de promover a excelência no setor avícola. Nesta 25ª edição, renovamos nosso compromisso de proporcionar um evento que não só aborda as questões atuais, mas também antecipa as tendências da avicultura. Estamos aqui para aprender, discutir e colaborar, garantindo que o legado do SBSA continue a influenciar positivamente o setor. Que o Simpósio seja um espaço de renovação de conhecimentos e de fortalecimento de laços entre todos nós que compartilhamos a paixão pela avicultura. Juntos, continuaremos a fazer história, impulsionando o progresso e a inovação em nossa indústria. Aproveitem ao máximo cada momento do evento, e que ele seja um ponto de partida para novas oportunidades e sucessos.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na avicultura de corte e postura do Brasil acesse a versão digital de Avicultura Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Avicultura
Avicultura fecha 2025 com recorde histórico nas exportações de carne de frango
Embarques crescem, receita se mantém elevada e recuperação pós-influenza projeta avanço em 2026

Após superar um dos momentos mais desafiadores da história do setor produtivo, a avicultura brasileira encerra o ano de 2025 com boas notícias. De acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram, no ano, 5,324 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses de 2025, volume que supera em 0,6% o total exportado em 2024, com 5,294 milhões de toneladas, estabelecendo novo recorde para as exportações anuais do setor.

Foto: Shutterstock
O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro. Ao todo, foram embarcadas 510,8 mil toneladas de carne de frango no período, volume 13,9% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2024, com 448,7 mil toneladas.
Com isso, a receita total das exportações de 2025 alcançou US$ 9,790 bilhões, saldo 1,4% menor em relação ao registrado em 2024, com US$ 9,928 bilhões. Apenas no mês de dezembro, foram registrados US$ 947,9 milhões, número 10,6% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 856,9 milhões. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026” – Foto: Mario Castello
relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%). “O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas. São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026”, ressalta Santin.
Avicultura
Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba evidencia profissionalização da avicultura de postura
Premiação destaca histórias de superação, inovação produtiva e padrões técnicos cada vez mais elevados no setor de ovos do Espírito Santo.

O Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025, promovido pela Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), voltou a evidenciar o avanço técnico e a maturidade da avicultura de postura no Estado. Com ampla participação de produtores de diferentes regiões, a edição deste ano reuniu 27 amostras de ovos brancos e 12 de ovos vermelhos, avaliadas a partir de critérios técnicos rigorosos, consagrando os melhores produtos capixabas.
Mais do que uma competição, o concurso funciona como termômetro da evolução do setor, ao estimular boas práticas, gestão profissional e melhoria contínua da qualidade, em um mercado cada vez mais atento à segurança alimentar, rastreabilidade e diferenciação do produto.
Melhor Ovo Branco de 2025
Na categoria ovos brancos, o primeiro lugar ficou com a produtora Jerusa Stuhr, da Avícola Mãe e Filhos, localizada na comunidade de Córrego Rio Taquara, em Santa Maria de Jetibá, principal polo produtor de ovos do Espírito Santo. Com a vitória, a empresa passa a utilizar, de forma exclusiva, o selo “Melhor Ovo Branco do Espírito Santo – Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba – 2025” em suas embalagens, um diferencial competitivo que reconhece a excelência do produto.
À frente da granja desde 2021, Jerusa construiu sua trajetória em meio a desafios pessoais e profissionais. Professora e diretora escolar por toda a vida, ela assumiu a atividade avícola após a perda do marido, então responsável pelo negócio. “Sem saber nada sobre a atividade, entrei com a cara e a coragem para não deixar acabar esse sonho”, relembra.
Ao lado dos filhos, Júnia e João, a produtora decidiu recomeçar, inclusive mudando o nome da empresa para Avícola Mãe e Filhos, símbolo da nova fase. “Seguimos firmes e fortes para alavancar o crescimento da empresa com fé, força e determinação, e com a ajuda dos nossos colaboradores, que estão sempre conosco”, afirma.
A decisão de participar do concurso surgiu a partir de um estímulo técnico interno. “O incentivo partiu da minha secretária, Lorrane, que acompanha as análises que fazemos e acreditou que tínhamos chance de ficar entre os três primeiros”, conta Jerusa.
O resultado, no entanto, superou as expectativas. “Foi muito importante e emocionante, principalmente pelo desafio que passamos ao longo do tempo em que estou à frente da granja. Essa conquista é extremamente importante para mim e para os meus filhos”, menciona.
Segundo a produtora, o desempenho no concurso reflete um trabalho coletivo e padronizado. “Desde a fabricação da ração até a coleta dos ovos, tudo envolve o empenho de toda a equipe em manter o padrão estabelecido para garantir um produto de qualidade”, ressalta.
Selo reforça credibilidade e gestão técnica
Além do certificado de campeã, a Avícola Mãe e Filhos passa a utilizar o selo oficial do concurso, ferramenta que agrega valor ao produto e fortalece a relação com o consumidor. Para Jerusa, o reconhecimento vai além do marketing. “É o orgulho de estar no caminho certo e ser reconhecido por isso”, enaltece Jerusa.
Todos os participantes do concurso também recebem relatórios técnicos detalhados, instrumento considerado estratégico para o aprimoramento da produção. “Com certeza ajuda. A partir dos detalhamentos, conseguimos identificar pontos de melhoria e seguir aprimorando a qualidade do nosso produto”, destaca.
Na avaliação da produtora, o concurso cumpre um papel estruturante para o setor. “É um incentivo para todos os avicultores. Ter o melhor ovo do Estado é um privilégio”, expõe Jerusa, fazendo um apelo aos colegas de atividade: “É muito importante a participação de todos, tanto para melhorar o produto quanto para divulgar o nosso município, maior produtor de ovos.”
Liderança no ovo vermelho
Na categoria ovos vermelhos, a excelência voltou a ter nome conhecido. A Ovos da Nonna, empresa do Grupo Venturini, conquistou, pela quarta vez consecutiva, o título de Melhor Ovo Vermelho do Espírito Santo, repetindo o desempenho das edições de 2020, 2021, 2022 e agora 2025.
Com 45 anos de tradição familiar no agronegócio, o Grupo Venturini criou a marca Ovos da Nonna há sete anos, com foco em qualidade superior e adoção do sistema livre de gaiolas. O nome homenageia a matriarca da família, Dona Helena Majone, a “Nonna”, símbolo dos valores que orientam o negócio.
Segundo Fellipe Venturini, representante do grupo, o concurso funciona como validação técnica do trabalho realizado na granja. “O concurso vem para garantir que realmente temos um ovo de alta qualidade. O método de criação contribui diretamente para isso, pois reduz o estresse das aves e impacta positivamente no sabor do ovo”, afirma.
No sistema adotado pela empresa, as galinhas têm liberdade de locomoção e podem expressar comportamentos naturais, o que, segundo o produtor, se reflete diretamente na qualidade do alimento. “Tudo isso resulta em um produto extremamente saboroso”, evidencia.
O desempenho consistente ao longo dos anos reforça a estratégia adotada pela empresa. “Receber esse resultado mais uma vez nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, produzindo um produto de excelência”, diz Fellipe.
Os cuidados envolvem rígidos protocolos sanitários, manejo preciso e alimentação de alta qualidade. “Sanidade, nutrição adequada, método de criação e bons tratos são fundamentais. Acreditamos muito no sistema livre de gaiolas e o bem-estar animal tem se mostrado decisivo para os resultados que alcançamos”, pontua.
Concurso fortalece setor e aproxima consumidor
Para Venturini, o selo de qualidade do Concurso Capixaba também cumpre papel relevante junto ao consumidor final. “A AVES faz um trabalho muito importante de marketing e informação, mostrando os critérios e métodos de avaliação utilizados. Isso ajuda o público a entender, de forma clara, o que realmente significa qualidade”, enfatiza.
Ele também incentiva a adesão de novos produtores. “Quem entra é quem acredita no seu produto. As análises são extremamente criteriosas, conduzidas por um corpo técnico altamente capacitado. O concurso mostra, de forma transparente, o posicionamento real do produto no mercado e atesta, ao final, sua qualidade”, frisa.
Ao reconhecer excelência técnica, incentivar boas práticas e valorizar histórias humanas por trás da produção, o Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025 reforça o compromisso da AVES com o fortalecimento da avicultura de postura e com a entrega de alimentos cada vez mais qualificados ao consumidor capixaba.
Avicultura Retrospectiva 2025
Impulsionado por exportações e consumo interno mercado de ovos cresce em 2025
Produção avança, preços atingem picos no primeiro trimestre e embarques ao exterior batem recorde, mesmo com ajustes ao longo do ano e desafios pontuais no mercado internacional.

Em 2025, o mercado de ovos manteve trajetória positiva, com produção e embarques recordes, apesar do caso de gripe aviária em granja comercial, em maio.
Pesquisas do Cepea mostram que as cotações atingiram recordes reais no início do ano; mas, com o aumento da oferta interna ao longo de 2025, passaram a recuar. Ainda assim, o bom ritmo dos embarques ajudou a limitar a baixa interna.
Os preços da proteína iniciaram 2025 abaixo dos praticados em dezembro/24, refletindo a demanda ainda retraída, típica do começo do ano. Em fevereiro, porém, o aumento gradual da procura com o retorno das aulas escolares e a oferta mais limitada elevaram os valores, que atingiram os maiores patamares da série histórica do Cepea. As altas persistiram até março, período em que tradicionalmente a demanda pela proteína é impulsionada pela Quaresma. No entanto, passaram a cair a partir de abril em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, com exceção de agosto.

Foto: Freepik
A produção nacional de ovos para consumo somou 3,04 bilhões de dúzias (de janeiro a setembro/25), volume 6,9% superior ao do mesmo período de 2024 e um recorde, de acordo com o IBGE. No mercado externo, a evolução dos casos de gripe aviária reduziu a oferta de ovos em diversos países.
Nos EUA, um surto significativo levou o país a intensificar as compras da proteína brasileira, cujo volume, entre janeiro e novembro, superou em 825% o total importado no ano anterior.
Segundo a Secex, nos 11 primeiros meses de 2025, os embarques de ovos in natura e processados somaram 38,64 mil toneladas, 109% acima do volume de todo o ano de 2024 e um recorde.
O setor também enfrentou alguns desafios externos. O tarifaço imposto pelo governo norte-americano em agosto reduziu os envios dos ovos aos EUA. Por outro lado, novos mercados foram abertos, como o México. Além disso, a rápida resolução do caso isolado de IAAP permitiu ao Brasil a retomada do seu status sanitário internacional e evidenciou o potencial do País para seguir atendendo as crescentes demandas interna e externa.



