Conectado com

Suínos

O que precisa ser revisto sobre Mycoplasma hyopneumoniae como agente e sua patogenia na suinocultura moderna

O melhor entendimento sobre os mecanismos de atuação do M. hyopneumoniae tem trazido à discussão estratégias adicionais de combate a este agente. Por ele ser simples e com poucas estruturas imunogênicas, múltiplos estímulos vacinais têm ajudado a imunidade do plantel a controlar melhor a pressão de infecção deste agente.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Artigo escrito por, Erico Granado Franco, assistente técnico de Suínos Sênior na Zoetis.

A suinocultura cada dia se moderniza e busca atualizações, se reinventa à medida que surgem avanços em diversas áreas, mas quando o assunto é micoplasma, os caminhos precisam ser revistos. Eu pontuo: o micoplasma é um velho conhecido do Sus crofa e que evoluiu durante muito tempo para parasitar o trato respiratório deste animal atingindo um ponto maduro de interação com o suíno.

Em outras palavras, o micoplasma evoluiu para se tornar um eficiente parasita do epitélio pulmonar. O que estamos descobrindo e entendendo melhor é a complexidade deste agente e sua interação com o aparelho respiratório e imune do seu hospedeiro, o suíno em produção tecnificada.

Juntou a fome com a vontade de comer! A suinocultura intensificou a produção e junto veio neste pacote o micoplasma. Vou fazer algumas considerações importantes sobre o M. hyopneumoniae para que nós possamos ver este agente por um diferente ângulo. O ponto que eu quero explorar é sobre a evolução deste patógeno que vem ocorrendo há milhares de anos, e que em um determinado momento passa a fazer parte de um sistema de produção intensivo e adensado. Isso facilitou todos os mecanismos de perpetuação do micoplasma em seu hospedeiro e possibilitou a interação com outros agentes patogênicos secundários, aumentando os custos de produção.

O M. hyopneumoniae atingiu um equilíbrio entre duração de excreção e pressão de infecção. Um parasita que permanece durante um longo período em um organismo se multiplicando, ele aumenta suas chances de transmissão para outros indivíduos e de permanecer circulando nesta população. Ele assume o papel de um sócio indesejável cobrando um imposto que ao longo do tempo fica caro para o suinocultor.

O micoplasma é uma bactéria que pertence à classe dos Mollicutes, que não tem parede celular, daí a nomenclatura do latim significando “pele mole”. Estas bactérias são os menores organismos vivos capazes de se autorreplicar, ou seja, possuem todas as estruturas necessárias para se reproduzir por si mesmas. Esta evolução do micoplasma que veio sofrendo refinos e amadurecendo para parasitar o suíno de uma forma muito eficiente, e o resultado na prática é uma bactéria pequena e de estruturas celulares leves, porém com uma capacidade de causar uma doença bastante complexa e impactante para a suinocultura moderna.

A engenhosidade deste agente está exatamente em como ele consegue todo este tempo desde se fixar ao hospedeiro e se disseminar, e a resposta para este enigma é: manter-se simples para não chamar a atenção do sistema imune e ganhar tempo para se multiplicar e ter a chance de aumentar a pressão de infecção. O resultado é uma doença crônica de alta morbidade e baixa letalidade.

A patogenicidade do micoplasma em causar a Pneumonia Enzoótica está em conseguir se ligar à receptores específicos do epitélio pulmonar através de proteínas chamadas de adesinas e a partir daí conseguir de forma eficaz se replicar e ainda retardar sua identificação pelo sistema imune. E é exatamente isso que este agente faz. Hoje sabemos que estas proteínas de ligação como a p97 e p146 são específicas e encontradas em cepas patogênica de M. hyopneumoniae e isso reforça a exclusividade desta ligação. Ao se ligar a estes receptores nos cílios das células do epitélio pulmonar este agente promove a clivagem dos cílios, resultando em uma ciliostase, prejudicando o importante mecanismo de limpeza do trato respiratório.

O mecanismo de limpeza dos brônquios e bronquíolos se dá pela criação de ondas ciliares sincronizadas que empurram impurezas presentes no ambiente, como poeiras e patógenos através de uma camada de muco produzidas pelas células secretoras de muco do epitélio respiratório. Com este mecanismo danificado outras bactérias oportunistas podem se desenvolver e aumentar a resposta inflamatória local.

Outros mecanismos fazem do micoplasma um super parasita, um deles é que o micoplasma é capaz de desorientar o sistema imune chamando a atenção para outras proteínas não especificas de micoplasma, dificultando a sua identificação e retardando a resolução do processo inflamatório. É como se o micoplasma criasse “Fake News” sobre a sua presença para o sistema imune. Ainda explorando esta engenhosidade da interação do micoplasma com o sistema imune é que o micoplasma consegue sobreviver em um microambiente inflamatório mais ácido, resultado da atuação do próprio sistema imune tornando o ambiente inóspito para outras bactérias, limitando a sua presença no local de infecção, mas não para o micoplasma.

Controle

Por isso o foco de uma estratégia para o controle do M. hyopneumoniae é a estimulação do sistema imune ajudando o mesmo a identificar de forma mais eficaz as proteínas de superfície do micoplasma, especificamente as adesinas, e isso se consegue através de vacinas que contenham como antígeno uma cepa de alta patogenicidade e em grande quantidade. Este processo pode ser atingido com tecnologias de vacinas onde o adjuvante é capaz de congregar esta alta quantidade de antígenos específicos que ajuda o sistema imune a canalizar seus esforços nos mecanismos de adesão do Micoplasma ao epitélio respiratório.

O melhor entendimento sobre os mecanismos de atuação do M. hyopneumoniae tem trazido à discussão estratégias adicionais de combate a este agente. Por ele ser simples e com poucas estruturas imunogênicas, múltiplos estímulos vacinais têm ajudado a imunidade do plantel a controlar melhor a pressão de infecção deste agente.

Isso pode ser atingindo imunizando melhor o plantel adulto, em especial as fêmeas de reposição através de uma exposição controlada ao M. hyopneumoniae durante a fase de aclimatação, somando a vacinação destas fêmeas ao entrar para o plantel adulto e a adoção de uma dose reforço a cada gestação. A vacinação precoce dos leitões continua sendo umas das principais estratégias de controle, já que uma importante forma de transmissão do micoplasma ocorre da mãe para a sua leitegada ainda na maternidade, principalmente pelas primíparas. Desta forma, ao reagrupar os leitões na creche, os leitões já estarão imunizados contra o micoplasma. Uma vacinação reforço no terço inicial da terminação para reduzir a pressão de infecção nesta fase e reduzir as condenas no frigorífico tem estado em alta nas discussões sanitárias.

Por fim, estamos lidando um agente altamente adaptado e que demanda novas estratégias de controle para aliarmos também às demandas de uso prudente de antibiótico onde explorarmos de forma mais estratégica as vacinas e manejos para proporcionar uma menor pressão de infecção nos nossos sistemas de produção.

Confira mais informações na edição 2022 de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com Zoetis

Suínos

Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões

Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.

Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock

A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.

Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello

produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
Continue Lendo

Suínos

Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho

Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços do suíno vivo no mercado integrado estão superiores aos praticados no mercado independente em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) neste mês de julho.

Segundo o Cepea, esse comportamento foge do padrão do setor, já que, normalmente, o mercado independente (spot) registra cotações mais elevadas devido aos maiores custos e riscos assumidos pelos produtores.

De acordo com os pesquisadores, essa inversão vem sendo observada ao longo de 2026 em algumas praças da Região Sul, com destaque para Braço do Norte (SC).

O Cepea atribui esse cenário às dificuldades enfrentadas pelo mercado independente, que segue pressionado pela elevada oferta de suínos e pela demanda enfraquecida. A combinação desses fatores tem mantido os preços em patamares baixos ao longo de todo o ano.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.