Avicultura
O que o primeiro caso de Influenza aviária em granja comercial diz sobre o Brasil
Resposta imediata e coordenada das autoridades sanitárias, evitando que o vírus se disseminasse para outras propriedades comerciais, reforça a robustez do sistema de defesa agropecuária brasileiro.

Durante quase duas décadas, o Brasil se manteve como uma exceção no cenário global da avicultura comercial: livre da Influenza aviária de Alta Patogenicidade, mesmo com o vírus se espalhando por dezenas de países produtores. Essa barreira foi rompida em 16 de maio de 2025, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o primeiro foco da doença em um plantel de matrizes pesadas no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A situação foi notificada oficialmente e de forma imediata após a confirmação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do país.

Foto: Divulgação/Indea-MT
O resultado positivo acendeu o sinal de alerta em um dos principais exportadores mundiais de carne de frango. Ainda assim, a resposta foi imediata e coordenada das autoridades sanitárias, evitando que o vírus se disseminasse para outras propriedades comerciais, reforçando a robustez do sistema de defesa agropecuária brasileiro em relação ao que foi observado em potências como Estados Unidos e países europeus, onde a doença causou surtos sucessivos e prejuízos bilionários.
Vigilância e preparo fizeram a diferença
A identificação do foco ocorreu dois anos após o Brasil registrar os primeiros casos da IAAP em aves silvestres, em maio de 2023, no Espírito Santo. Desde então, a vigilância sanitária foi intensificada, com atenção especial a rotas migratórias, monitoramento em granjas e controle de fronteiras.
O plano de contingência foi imediatamente ativado. A granja afetada foi isolada, o plantel sacrificado e ações de desinfecção, rastreabilidade e barreiras sanitárias foram implementadas em um raio de 10 quilômetros. Técnicos do Mapa, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul, da Defesa Civil e da área da saúde participaram da contenção, com apoio de órgãos locais e da cadeia produtiva.
Até o momento não foram registrados novos casos da doença em granjas comerciais, o que reforça a eficácia das

Foto: Divulgação/AEN-SP
ações adotadas pelo Serviço Veterinário Oficial.
Histórico de excelência sanitária
O Brasil vinha se mantendo fora da lista de países com a doença na avicultura comercial desde 2006, quando o vírus começou a circular de forma endêmica na Ásia e se expandiu de forma rápida para outros continentes.
Esse feito só foi possível graças a uma política rigorosa de biosseguridade, treinamentos técnicos, simulações de emergência sanitária e monitoramento constante da cadeia produtiva. “Essas ações garantiram ao país status sanitário privilegiado e sustentaram a confiança de mercados importadores ao longo dos últimos anos. Em 2024, o Brasil exportou mais de cinco milhões de toneladas de carne de frango, liderando o ranking mundial e abastecendo mais de 150 países”, frisou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Continuidade da vigilância é essencial
Mesmo com o foco controlado, o trabalho não para. A vigilância epidemiológica foi ampliada em toda a região Sul e nas principais áreas produtoras do país. Novas coletas de amostras, testes laboratoriais e ações educativas estão em curso, em parceria com produtores, cooperativas e órgãos estaduais.

Foto: Cassiane Osorio Ascom/Seapi
Para o setor, o desafio agora é preservar a confiança internacional construída ao longo de décadas e assegurar que o episódio permaneça isolado. “A experiência acumulada e a resposta coordenada neste primeiro caso comercial indicam que o Brasil está preparado e comprometido para seguir entre os líderes da avicultura mundial, com sanidade, segurança alimentar e responsabilidade”, salienta Fávaro.
Segurança dos alimentos preservada
O Mapa, junto com as entidades representativas do setor, reforça que o consumo de carne de frango e ovos é totalmente seguro para a saúde humana. “A população brasileira e mundial pode se manter tranquila quanto à segurança dos alimentos de origem avícola”, informou, enfatizando que a transmissão da doença para humanos é rara e, quando ocorre, está associada ao contato direto com aves infectadas.
O acesso à edição digital do jornal Avicultura Corte & Postura é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.
Avicultura
São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre
Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.
O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.
Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.
A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.
As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.
De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.
Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).



